quarta-feira, 30 de abril de 2008

Quando à noite no leito perfumado

Quando, à noite, no leito perfumado
Lânguida fronte no sonhar reclinas,
No vapor da ilusão por que te orvalha
Pranto de amor as pálpebras divinas?

E, quando eu te contemplo adormecida
Solto o cabelo no suave leito,
Por que um suspiro tépido ressona
E desmaia suavíssimo em teu peito?

Virgem do meu amor, o beijo a furto
Que pouso em tua face adormecida
Não te lembra do peito os meus amores
E a febre do sonhar de minha vida?

Dorme, ó anjo de amor! no teu silêncio
O meu peito se afoga de ternura...
E sinto que o porvir não vale um beijo
E o céu um teu suspiro de ventura!

Um beijo divinal que acende as veias,
Que de encantos os olhos ilumina,
Colhido a medo, como flor da noite,
Do teu lábio na rosa purpurina...

E um volver de teus olhos transparentes,
Um olhar dessa pálpebra sombria
Talvez pudessem reviver-me n’alma
As santas ilusões de que eu vivia!


*-* Álvares de Azevedo.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Ninguém disse não

Se é Deus quem sabe de tudo
Do desprezível ao mais sublime,
Do oprimido e de quem oprime,
Sabe que ninguém disse não
Diante dos homens que não eram livres
Todos agiram com egoísmo,
Na geração do ultra-senimentalismo
Que só se preocupava com o próprio coração.

Quando a rosa brigou com o cravo
De forma violenta e medonha,
Sem a menor vergonha
Do crime que cometeu;
Escravizou o cravo amável,
O levou à insanidade,
À doença e à indignidade
Como de não fosse filho de Deus...


Paródia do poema "Escravidão" de Tobias Barreto.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Amor

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!


Álvares de Azevedo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Olhos Morenos

Teus olhos morenos
Perdidos no infinito
Desse céu de luar sereno
Com o brilho mais bonito.

Presos ao imaginário
Do lindo amor do seu sonhar,
Carta sem destinatário
De uma poeta que aprendeu a amar.

Esperança um dia morre,
Mas a sua estrela vai brilhar;
Seu sangue ainda corre,
Então não deixe de sonhar.

Morena, teus cabelos lisos
Escorrem pelo meu olhar.
Não apague esse sorriso
Que traz a ternura do mar;
Brisa, cuide desse peito
Inocente a chorar
Por seu pequeno coração desfeito
Que ela não sabe concertar.

Morena que veio do mar,
Limpe essas lágrimas sofridas
Que não foram compreendidas
Na sombra do luar.

Não deixe que teus olhos
Se quebrem e se percam
Nas lágrimas de fogo
Que te machucam e te queimam,
Não beba o veneno
Que destrói o sonhar,
Abra teus olhos morenos
E encontre forças para lutar.

Saia do vale escuro
Das árvores etéreas,
Então eu te juro
Que a ferida não será eterna.

O mundo não entende
Teu sensível coração,
Mas abra teus olhos
E vencerá a solidão.



Jejels, 22/04/2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Good Enough

Under your spell again
I can't say no to you
Crave my heart and its bleeding in your hand
I can't say no to you

Shouldn't have let you torture me so sweetly
Now I can't let go of this dream
I can't breathe but I feel

Good enough
I feel good enough for you

Drink up sweet decadence
I can't say no to you
And I've completely lost myself and I don't mind
I can't say no to you

Shouldn't let you conquer me completely
Now I can't let go of this dream
Can't believe that I feel

Good enough
I feel good enough
It's been such a long time coming, but I feel good
And I'm still waiting for the rain to fall

Pour real life down on me
Cause I can't hold on to anything this good enough
Am I good enough for you to love me too?

So take care what you ask of me
Cause I can't say no.


Evanescence.

domingo, 20 de abril de 2008

O enigma das esfinges

Nas copas sou o símbolo, mas também posso ser de ouro.
No entanto se me partes, é porque me tens de pedra.
Posso ser dado a alguém, porém sem mim não podes viver.
Aquele que me tem se revela corajoso,
Mas aquele que vê a cara, é porque não me vê.
Sou como o caroço, sou o âmago.
Mas se me revelas, é porque és sincero.

Quem sou eu?


(Trecho do livro Coração de Pedra, de Charlie Fletcher.)

sábado, 19 de abril de 2008

Vale a pena sonhar!

Mesmo que o sorriso não te pertença,
Mesmo que os abraços não sejam para você.

Vale a pena sonhar.

Mesmo que o olhar não venha em sua direção,
E não importa se aquele trajeto não é para você.

Vale a pena sonhar.

Se aquela poesia romântica não foi feita para você
Se a música cantada ou tocada não foi direcionada a você.

Vale a pena sonhar.

Se as lágrimas que descem naquele rosto macio e perfeito não são por sua causa.
Se a fragância ou o suspirar profundo não são para você.

Vale a pena sonhar.

Sonhar em toda plenitude, sonhar até que a lua não esteja mais no firmamento,
Sonhar até que o perfume das rosas deixe de ser exalado.

Vale a pena sonhar.



Ana Lúcia Perri Barros, 2001

My way home s through you

Gonna take off all my skin
Tell 'em pull out all my insides
Let me ride fully in
Mom and dad think you'll be saved
They never had the time
They're gonna medicate your lives
You were always born a crime
We salute you in your grave

Can't find my way home
But it's through you and I know
What I'd do just to get back in your arms
Can't find my way home
But it's through you and I know
What I'd do just to get back in your arms

Well my guess
Fight seven different shades of shit
So what's your favourite colour, punk?

So you wanna hold my hand
Could you sign this photograph?
'Cause I'm your biggest fan
Would you leave me lying here?

We're not here to pay a compliment
Or sing about the government
Or oxycotton genocide
Adolescent suicide
Give me my sincerity
Don't give a fuck about a Kennedy
Here's what I got to say

Can't find my way home
But it's through you and I know
What I'd do just to get back in your arms
Can't find my way home
But it's through you and I know
What I'd do just to get back in your arms

Your way home
Way
Your way home
Way
(We got to go)
Your way home
Way
Your way

Can't find my way home
But it's through you and I know
What I'd do just to get back in your arms
Can't find my way home
But it's through you and I know
What I'd do just to get back in your arms

Can't find the way
Can't find the way
Can't find the way-ay-ay-ay-ay
Can't find the way
Can't find the way
Can't find the way-ay-ay-ay

Come on angel, don't you cry
Come on angel, don't you cry
Come on angel, don't you cry
Come on angel, don't you cry.


My Chemical Romance.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Luz

Tua ausência
Manhã gelada
Na escura rua da abstinência
Sem tua presença estrelada.

Aos poucos posso sentir
A alegria cintilante
Do seu acordar, do seu sorrir
Em meu coração palpitante.

Aquece o meu coração
Astro de luz radiante
A mais silenciosa canção
Na alegra manhã brilhante.

Lua, estrela, Sol;
Anjo de alma prateada
A luz do farol,
Minha fortaleza alada.

Jejels, 17/04/08

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Suave Sono

Quando o céu escurece
E a tarde começa a adormecer
A densidade celeste cresce
E o corpo começa a desaquecer.

O cançasso vem te abalar
E o sono insiste
O dia parece não acabar
E você quase não resiste.

Deixe seus olhos relaxarem
E sua alma se elevar;
Deixe seus olhos se fecharem
E sua alma se acalmar.

Sinta a calma que te embala
No seu descanso tão leve,
Esqueça sua fala
Como uma folha na neve.

Sinta-se adormecer,
Relaxe sua mente
Estou com você
Te abraçando novamente.

Roube meu calor
E durma, anjo meu
Nos braços do seu amor
Que nos seus olhos se perdeu.



Jejels, 15/04/08

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Forgive me

Can you forgive me again?
I don't know what I said
But I didn't mean to hurt you

I heard the words come outI
felt that I would die
It hurt so much to hurt you

Then you look at me
You're not shouting anymore
You're silently broken

I'd give anything now
To kill those words for you

Each time I say something I regret I cry "I don't want to lose you."
But somehow I know that you will never leave me, yeah.

'Cause you were made for me
Somehow I'll make you see
How happy you make me

I can't live this life
Without you by my side
I need you to survive

So stay with me
You look in my eyes and I'm screaming inside that I'm sorry.

And you forgive me again
You're my one true friend
And I never meant to hurt you.



Composição: Evanescence.

sábado, 12 de abril de 2008

Tourniquet

I tried to kill the pain
But only brought more
(so much more)
I lay dying
And I’m pouring crimson regret and betrayal

I'm dying, praying, bleeding and screaming
Am I too lost to be saved?
Am I too lost?

My God, my tourniquet
Return to me salvation
My God my tourniquet
Return to me salvation

Do you remember me
Lost for so long
Will you be on the other side or will you forget me?

I'm dying, praying, bleeding and screaming
Am I too lost to be saved?
Am I too lost?

My God, my tourniquet
Return to me salvation
My God my tourniquet
Return to me salvation
(I won't to die)

My God, my tourniquet
Return to me salvation
My God my tourniquet
Return to me salvation

My wounds cry for the grave
My soul cries for deliverance
Will I be denied?
Christ, Tourniquet
My suicide.


Amy Lee, Ben Moody, David Hodges, Rocky Gray
Evanescence.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Sacrifício

A lua ilumina a floresta perdida
Antes deserta e insignificante,
Agoa cheia da piedade demolida
E do silêncio contagiante.

Não vou resistir dessa vez
Veneno imaterial
Sacrifício edaz... Feche meus olhos.

Lavarão minha mente
Mas não meu coração,
O sofrimento latente
Sangrando em sua mão.

Eu vou desistir dessa vez
Veneno magistral
Sacrifício edaz... Feche meus olhos.

Você não me salvará,
Ninguém pode me ver.

Me tire do sono ants que o Sol nasça,
Me tire do corpo negro no infinito,
Me tire dessa farsa,
Me tire de mim, eu já não sinto...

Feche meus olhos...
Meus olhos.

Não há esperança dessa vez
Veneno imortal
Sacrifício edaz...

Durma bem.


Jejels, 10/04/08

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Para o meu fofuxo...

Não ria de mim
Quando estou no mundo da lua
Você me deixa assim...
No alto das nuvens.
Flutuo no azul desse céu estrelado
Ao som do alaúde em meu sonho encantado.

Canto a canção
Com a alegria mais sincera
Dentro do meu coração...
Seus olhos sorriem.
Seus cabelos se fundem no escuro
Me envolvendo no mistério desse seu mundo.

Surreal,
Sentimento que pulsa em meu peito.
Sensacional,
A pureza desse seu jeito.
Angelical...
Olhar açucarado,
Fica do meu lado,
Me faz sorrir.

Mar de ternura
No balanço de todas as ondas
Essa sua bravura...
Me fez continuar.
Se dilúem o espaço e o tempo
No vento que sopra os meus pensamentos.

Cada sorriso seu
Se transforma em alegria minha
O que aconteceu...
Foi em perfeia harmonia.
O amor sempre vencerá o desmundo,
A eternidade cabe em um só segundo.

Surreal,
Sentimento que pulsa em meu peito.
Sensacional,
A pureza desse seu jeito.
Angelical...
Olhar açucarado,
Fica do meu lado e
Me faz sorrir.


Por Jejels e Luccat xD~~ 09/03/08

domingo, 6 de abril de 2008

Ring Ring

I was sitting on the fence
And I thought that I would kiss you
I never thought I would've missed you
But you never let me fall
Push my back against the wall
Everytime you call, you get so emotional
I'm freaking out.

Ring Ring
Is that you on the phone?
You think you're clever
But you never saying nothing at all.
Hey, hey!
The way you spin me around.
You make me dizzy when you play me like a kid with a crown.

You got a dangerous obsession
Now I'm in need of some protection
That was never my intention
Used to love me, now you hate me
Say I drove you crazy
Well if I did, you made me
Won't somebody save me from you now?

Ring Ring
Is that you on the phone?
You think you're clever
But you never saying nothing at all.
Hey, hey!
The way you spin me around
You make me dizzy when you play me like a kid with a crown.

Its words I wanted
Until you lost it
Why won't you leave me alone?
Hang up the phone
Just let me go

Ring Ring
Is that you on the phone?
You think you're clever
But you never saying nothing at all.
Hey, hey!
The way you spin me around
You make me dizzy when you play me like a kid with a crown.

Ring Ring.


Ring Ring, Mika

Meu tempo é o agora

Passo a passo, em frente
Caminho rotineiro
Andando vagarosamente
No caminho passageiro.

Não há amanhã
Então pulsem os corações agora
Mas jamais conhecerão
O descompasso das horas.

O caos do tempo
Está sempre acontecendo
Quando você se torna meu pensamento
E o dia vai morrendo.

Depois é o futuro
Mas está sempre atrasado;
Não existe no mundo
Tempo mais deteriorado.

Irmão do passado
Que está sempre fora de alcance,
Mas basta seu olhar iluminado
Para desfigurar esse tempo distante.

Vivo então esse instante
Tão pulsante e bonito
é o agora, meu presente
O amor pelo qual palpito.



Jejels, março de 2008.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Porque não pude parar p'ra Morte

Porque não pude parar p'ra Morte, ela
Parou p'ra mim, de bondade.
No coche só cabíamos nós duas
E a Imortalidade.

Viagem lenta - Ela não tinha pressa,
E eu já pusera de lado
O meu trabalho e todo o meu lazer,
P'ra seu exclusivo agrado.

Passamos a escola - no ring cianças
Brincavam de lutador -
Passamos os campos do grão pasmado -
Passamos o sol-pôr -

Melhor dizer, ele passou por nós.
E o sereno baixou gélido -
Era de gaze fina a minha túnica -
E minha capa, só tule.

Paramos numa casa; parecia
Um intumescido torrão:
O telhado da casa mal se via,
A cornija rente ao chão.

Desde então faz séculos - mas parecem
Menos que o dia, em verdade,
Em que vi, pelas frontes dos cavalos,
Que iam rumo à eternidade.


Emily Dickinson, de "Uma Centena de Poemas".