sexta-feira, 30 de maio de 2008

Maio

Maio
Já está no final
O que somos nós afinal
Se já não nos vemos mais
Estamos longe demais
Longe demais.

Maio
Já está no final
É hora de se mover
Prá viver mil vezes mais
Esqueça os meses
Esqueça os seus finais
Esqueça os finais.

Eu preciso de alguém
Sem o qual eu passe mal
Sem o qual eu não seja ninguém
Eu preciso de alguém.


Kid Abelha.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Poema...

Perguntei a um sábio,
A diferença que havia
Entre amor e amizade,
Ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
A Amizade mais segura.
O Amor dá asas,
A Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
Na Amizade, compreensão.
O Amor é plantado
E com carinho cultivado,
A Amizade é faceira,
E com troca de alegria e tristeza,
Torna-se uma grande e querida
Companheira.
Mas quando o Amor é sincero
Ele vem com um grande amigo,
E quando a Amizade é concreta,
Ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
Ou uma grande paixão,
Ambos sentimentos coexistem
Dentro do seu coração.


William Shakespeare.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
-Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.



Vinícius de Moraes.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Coração de cristal

Meia-noite, lindo luar
Paira sob a noite estrelada
Linda lua encantada
Que enfeita meu sonhar.

O perfeito cenário noturno
Quieto, radiante, misterioso...
Será o mesmo em Urano e Saturno
Esse manto azul tão precioso?

Cada estrela conta uma história,
Cada vida toma seu caminho
E um dia minha pergunta retórica
Encontrou a resposta em um gesto de carinho.

Uma estrela se destacou
Me guiando ao meu destino
Minha vida mudou
Quando te encontrei sorrindo.

Silencioso coração de cristal
Que pulsa com vitalidade
Caixinha de surpresas, fractal
Que se abriu com minha curiosidade.

Pleno sonho realizado
Nas páginas da minha vida
No céu o anjo alado
Voa trazendo minha estrela guia.



Jejels, 19/05/2008.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Cinza

Cinza é a alma
Que descansa em mim,
E tira minha calma.

Futuro é algo incerto,
Mas não algo errado...
Será que sonhar é correto?

Cinza é o sonho
Que parece morrer
Antes mesmo de crescer.

Pesadelo proibido,
Mas é pura realidade
Desse mundo falecido.

Vazio, acolha minha alma
Já rejeitada pelo meu próprio corpo...

Cinza, cor da solidão,
Encontre o sangue que não para,
Me dê o controle da situação.

Cinzas do céu impiedoso,
Cinzas do meu sonho inalcansável,
Cinzas do pesadelo doloroso,
Cinzas do meu coração instável.


Jejels, 16/05/2008.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Anoitecer

Escuro e sozinho
O silêncio noturno que me envolve
Nessa noite sem caminho
Em que o medo se dissolve...

Vozes mudas,
Estrelas,
Confidentes surdas...

Lua que brilha tão longe,
Serena e brilhante
Tão imune,
Tão sublime...
Tão ridícula em sua solidão.

Saia de mim, alma enferma,
Já não tenho tempo para essa depressão,
Para esses desenhos nas paredes
Dessa noite, cenário dos meus pesadelos até então.

Escuro e sozinho
O vazio dessa sensação sufocante
Nessa noite sem caminho
Com o coração tão distante...

Vozes mudas,
Ouçam,
Confidentes estúpidas...

Lua que grita em meus olhos,
Sem semblante
Tão inocente,
Tão atraente...
Tão irreal e sem coração.

Saia de mim, alma melancólica,
Já não tenho tempo para suas lástimas,
Para essas dores melódicas
Para esses pesadelos e todos os meus estigmas.

Vozes mudas,
Estrelas,
Ouçam...
Confidentes surdas,
Esta noite,
Confidentes estúpidas...
Tragam minha vida de volta!




Jejels, 08/05/2008.

October

I can't run anymore,
I fall before you,
Here I am,
I have nothing left,
Though I've tried to forget,
You're all that I am,
Take me home,
I'm through fighting it,
Broken, Lifeless,
I give up,
You're my only strength,
Without you, I can't go on,
Anymore,
Ever again.

My only hope,
(All the times I've tried)
My only peace,
(To walk away from you)
My only joy,
My only strength,
(I fall into your abounding grace)
My only power,
My only life,
(And love is where I am)
My only love.

I can't run anymore,
I give myself to you,
I'm sorry,
I'm sorry,
In all my bitterness,
I ignored,
All that's real and true,
All I need is you,
When night falls on me,
I'll not close my eyes,
I'm too alive,
And you're too strong,
I can't lie anymore,
I fall down before you,
I'm sorry,
I'm sorry.

My only hope,
(All the times I've tried)
My only peace,
(To walk away from you)
My only joy,
My only strength,
(I fall into your abounding grace)
My only power,
My only life,
(And love is where I am)
My only love.

Constantly ignoring,
The pain consuming me,
But this time it's cut too deep,
I'll never stray again.

My only hope,
(All the times I've tried)
My only peace,
(To walk away from you)
My only joy,
My only strength,
(I fall into your abounding grace)
My only power,
My only life,
(And love is where I am)
My only love...

My only hope,
(All the times I've tried)
My only peace,
(To walk away from you)
My only joy,
My only strength,
(I fall into your abounding grace)
My only power,
My only life,
(And love is where I am)
My only love.




October, Evanescence.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Ventos de Maio

Um céu cinzento amanhece
Na esperança do vento frio
Trazer o sol
Que não mais aquece.

Indiferença obscura
Inclusa num emaranhado de solidão
Em um caminho que cada vez mais tritura
Um pobre e inocente coração.

E quando a luz chega, ainda fraca,
Eles vêm e não tiram os olhos dela
Esperando a hora certa de tomar sua alma
E acabar com a tristeza que a congela...

Não ouça,
Não veja,
Ignore o ódio...
Não ouça esse silêncio
Que te chama intensamente,
Apenas sinta o desenho
Que corta sua pele dolorosamente...

A marca estará para sempre
Com você...

Não ouça,
Não veja,
Ignore a realidade...
Os gritos que tenho escutado
Na enchente de lágrimas ferventes,
Se seu coração tiver parado
Pelo menos descanse sua mente...

E quando a lua chegar
Eles retirarão do necrotério
Um corpo pálido que vai respirar
E caminhará para o cemitério.

Nos ventos de maio vai surgir
Uma sombra misteriosa
Ela então irá sorrir
No seu pescoço vai descobrir
O que ela precisa para reviver

Não fujam,
Não corram,
Ignorem os hematomas...
Não vão ouvir seus gritos
Que explodem em seus corações
Nesse eterno e contínuo rito
Que transborda de emoções...

Vingança...
Não há mais esperança...
Então provem
O que vocês me fizeram passar...
Em minhas mãos vão estar
Os corações dos que me ensinaram a matar.




Jejels, 06/05/2008.

domingo, 4 de maio de 2008

Refúgio

Depois de anos na sombra encontrei
No fundo do baú misterioso
Enterrado nas lágrimas que derramei
Um baú diferente, precioso.

São essas coisas
Que se passa a vida procurando
São esses acasos
Que só se vê nos filmes que vão passando...

Filmes criados para mostrar
Um irreal que todos gostariam de viver
Um mundo feito do sonhar
Mas que ninguém nunca vai saber.

Ideais mortos e idéias reprimidas,
Sentimentos ignorados,
Letras de músicas esquecidas
E direitos violados.

Baú de memórias
Que escureceu ainda mais o dia
Uma romântica história,
Trépida, dramática tragédia.

Foi quando meus olhos se abriram
Ardendo em lágrimas glaciais
E duas longas asas apareceram
Nas sombras frias artificiais.

Asas quentes que me envolveram
Num sonho sem fim,
E a paz me devolveram
Com flores de cristal do meu jardim.

Então sem ver seu rosto
Me libertei do abismo
Com um tom absorto
Consumida pelo sentimentalismo.

Quando acordei do sonho perfumado
-Ainda estava viva-
Encontrei um céu estrelado
Como jamais antes vira...

Uma melodia celestial soava
E podia ouvir uma voz macia
Alguém que um alaúde tocava
Deixando tudo na mais perfeita harmonia.

Foi quando um coro de vozes angelicais
Invadiu meus ouvidos
E lábios doces e surreais
Encontraram nos meus um poema nunca lido.

Refúgio de mim mesma,
Das tristezas que ficaram para trás
Que me guarda e me faz sentir realeza
Como ninguém fez jamais.

Meu anjo da noite, o inverno
Não me trás nenhuma lembrança
Escreva em mim então seu verso terno
E me marque com sua esperança.




Jejels, 04/05/2008.

sábado, 3 de maio de 2008

Longe de mim

Eu segurei minha respiração, quando essa vida começou a cobrar os impostos
Eu me escondi atrás de um sorriso quando esse plano perfeito foi descoberto
Mas, Deus, eu sinto ter mentido tanto
Perdi toda a fé nas coisas que eu alcancei, e eu

Eu acordei agora para me achar
Nas sombras que eu criei
Estou desejando estar perdida em você
(longe desse lugar que eu fiz)
Você não vai me levar para longe de mim?

Rastejando por esse mundo como a doença corre por minhas veias
Eu tento olhar para mim mesma mas até meu próprio coração não é mais o mesmo
Eu não posso continuar assim
Eu odeio tudo que eu me tornei

Eu acordei agora pra me encontrar
Nas sombras que eu criei
Estou desejando estar perdida em você
(Longe desse lugar que eu fiz)
Você não vai me levar pra longe de mim?

Perdida num mundo que está morrendo eu procuro por algo mais
Eu cresci tão cansada dessa mentira que eu vivo

Eu acordei agora pra me encontrar
Nas sombras que eu criei
Estou desejando estar perdida em você
Eu
Eu acordei agora pra me encontrar
Estou perdida nas minhas próprias sombras
Estou desejando estar perdida em você
Longe de mim...



Longe de mim(Away from me) - Evanescence.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Olhos de anjo

Um dia qualquer...
Tinha tudo para ser
Um dia comum
Mas foi dia de crescer.

E não pude perceber
Por seu perfeito disfarce
Era um anjo no entardecer
Que me deixou ver sua face.

E teus olhos envolventes
Encontraram os meus
Perdidos tristemente
À beira do hipogeu.

Foram então iluminados
Pelo brilho do seu sorriso
Tímido e estrelado,
Um alegre riso.

Fui então encharcada
Por um dilúvio de nervosismo,
O anjo de asa esbranquiçada
Veio falar comigo.

Não disse, porém, uma palavra sequer
Mas seu olhar bastou
Para tomar o coração dessa mulher
Que em seus olhos naufragou.

Todas as noites, ao luar
Recito poemas românicos
Tentando assim declarar
Meu amor em cânticos.

Anjo que em meus sonhos voa,
Traga sua presença e teus versos
Tocando a melodia que soa
Nessa noite fria de inverno...



Jejels, 01/05/2008.

Lírio Negro

Em um campo distante coberto de mistério
Desabrocha uma nova flor
Renovando o semblante de um novo Império
Que nasce assim, com nosso amor.

Lírio Negro, minha alma
Descobri em meu sonhar
Você terá mil motivos para sorrir
Para cada um que a vida te oferecer para chorar

Jardim das margaridas,
Onde a felicidade existe por obrigação
E fogem flores suicidas
Já mortas, sem sentimento ou coração

Passando pela alameda de rosas,
Não mergulhe nesse mar
Há sempre espinhos na paisagem enganosa
Que te ilude quando menos esperar.

As tulipas são sinceras,
Transparentes como o rio
Choram sem vergonha suas tristezas
E na alegria jamais escondem seu riso.

Encontrei cravos agressivos
Em suas tão curtas vidas
Explorando perigos explosivos
Uma simples palavra escrita.

Uma semente despertou...

Lírio salve minha alma
Tão pálida, dilacerada,
Estanque meu sangue que jorra,
Explode em minha veia
Enquanto presa nessa teia
A rosa manchada chora.

Ensangüentada,
Abandonada,
Derrotada...

Não pode mais chorar,
Mortos não derramam lágrimas;
Você vai descansar...
Lírio, me faça despertar!



Jejels, 01/05/2008