segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Pensar-te

Penso em querer-te,
Mas não te quero pensar.

O pensamento afasta-me
Da vida que me quer
Ainda em vida.

Não te devo pensar
Se ao pensar-te
Não chego perto
De seu pensamento – mistério teu, lamento meu.




Rafael Daher, dezembro de 2009.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Charles Chaplin

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.







Charles Chaplin.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Nostalgia

A melodia serena
Era composta por harpejos harmônicos
Que me faziam lembrar os beijos
Que figuravam a felicidade plena.

Era como sentir a memória,
Uma leve brisa a soprar meu rosto,
Uma leve umidade em meus olhos
Que vinha ao relembrar a história.

Quanto tempo se passou
Desde que estou aqui?
Quantos sorrisos já estamparam minha face
Desde que sonho com esse oasis?

A cada nota, mais um sentimento;
A cada acorde, mais uma lembrança...

E a tarde se desenvolve
Nesse cenário denso, mas suave,
Cheia do passado
Que naquele momento era relembrado.

E fecho os olhos embalada pelo som
Do violão cujas vibrantes cordas
Minha mente acordam
Para um mundo irreal...

Esse meu paraíso ideal.




Jejels, 12/12/2009.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lágrima

Denso, mas transparente
Como uma lágrima...
Quem me dera
Um poema assim!
Mas...
Este rascar de pena! Esse
Ringir das articulações... Não ouves?!
Ai do poema
Que assim, escreve a mão infiel
Enquanto - em silêncio - a pobre alma
Pacientemente espera.




Mário Quintana, 1997.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Paz interior

A calma azul expande-se
Numa nuvem etérea que paira
Sobre mim.

E grande é o sentimento de durabilidade,
O sentimento de ter-te
Perto de mim.

E mergulho nessa volátil sensação,
Nessa nuvem espessa de tranquilidade
Que é a tua presença em alma e coração
Embalando-me na eternidade.



Jejels, 09/12/2009.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!



Cruz e Sousa.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Memória

E agora, nesse obscuro tempo do presente,
Tão apressado, tão efêmero,

Percebo o que vem sendo deixado para trás.

A alegre luz colorida,
Amigos de infância,
Aquela dolorosa ferida
Que o tempo curou...

Alguns detalhes se perderam
E outros foram criados
Com os segundos que se esqueceram
De como parar de passar.

Assim mergulho no conforto,
Dou uma pausa no confronto
Do que vivo agora
Voltando alguns anos - ou apenas meras horas.




Jejels, 05/12/2009.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O anjo

Havia um buraco,
A concreta visão do vácuo,
A ausência de preenchimento no espaço.

O vazio era profundo,
Algo que sugava meu mundo
E tornava todo som mudo.

Havia uma nuvem,
A sombra que cobre o homem,
A neblina que encobre a luz do ontem.

O frio era severo,
Algo que congelava o eterno
E tornava todo som etéreo.

E então veio a escuridão.

E há, agora, um anjo.
Suas asas afagam meu rosto
E seus olhos tornam belo tudo o que vejo.
.
O amor é divino,
Algo que alimenta o que sinto
E torna esse momento infinito.




Jejels, 03/12/2009.

Basta mudar a si mesmo para mudar o mundo

Um jovem sonhava em mudar o mundo. Investiu muito tempo da sua vida para realizar esse ideal. Com o passar dos anos, percebeu que a proposta era ampla demais e restringiu seu sonho a mudar seu país. Depois de trabalhar algum tempo para isso, convenceu-se de que era muito difícil mudar o país, e pensou em mudar sua cidade. Mas aí também se frustrou e procurou mudar sua família, tentando ensinar-lhe a melhor maneira de resolver os problemas; porém ninguém lhe dava atenção, alegando que ele não conseguia nem mesmo resolver os seus. O tempo passou. O jovem tornou-se ancião, sem nada ter conseguido mudar. Um dia, sentindo-se triste, ao analisar sua vida e o motivo de seu fracasso, concluiu: "Se eu tivesse começado por corrigir meus próprios erros e me transformando, talvez minha família, vendo meu exemplo, também tivesse mudado. Minha família transformada poderia mudar a vizinhança, que mudaria a cidade, o país e de repente o mundo inteiro".

A transformação do mundo exterior virá como consequência da transformação do seu mundo interior.






Anônimo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fábula de um arquiteto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,

renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto.




João Cabral de Melo Neto.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ainda te necessito

"Ainda não estou preparado para perder-te
Não estou preparado para que me deixes só.

Ainda não estou preparado para crescer
e aceitar que é natural,
para reconhecer que tudo
tem um princípio e tem um final.

Ainda não estou preparado para não te ter
e apenas te recordar
Ainda não estou preparado para não poder te olhar
ou não poder te falar.

Não estou preparado para que não me abrace
se para não poder te abraçar.

Ainda te necessito.

E ainda não estou preparado para caminhar
por este mundo perguntando-me: Por quê?

Não estou preparado hoje nem nunca o estarei.

Ainda te Necessito."




Pablo Neruda (Tradução Lustato Tenterrara retirada de http://www.luso-poemas.net).

domingo, 22 de novembro de 2009

Necessária poesia

Em um mundo bombardeado por imagens, saturado de signos, convulsionado pelo frenesi de revoluções por minuto, com cultura self-service já mastigada e mil tentações para cada um de nós nos demitirmos de nossa singularidade, de nossas idiossincrasias, de nosso jeito de ser no mundo e nos transformarmos em objetos em série, a poesia torna-se algo tão inatual quanto escrever com uma pena de ganso e os seus cultores tão excêntricos quanto extraterráqueos. Mas é precisamente por ser anacrônica que ela é essencial. Como disse Waly Salomão, o poeta nunca vai na onda; poeta é aquele que fura a onda e sai do outro lado.
A beleza da poesia não é aquela que se compra na Huis Clos ou na Hugo Boss. É uma beleza inventada para afirmar cada singularidade. Drummond é torto, excêntrico, inadaptado, gauche e, no entanto, todos nós nos identificamos com ele: "É doce estar na moda, ainda que a moda/seja negar minha identidade". Vinícius se derramou em romantismos descabelados e se expressou modernamente em sonetos, quando esse formato já havia sido decretado obsoleto. O cabra João Cabral achava que poesia era coisa meio afrescalhada e inventou uma poesia macha, com língua de pedra, fuzil, bala e faca. A poesia de Manoel de Barros parece um drible de Mané Garrincha, em sua esquiva desequilibrante ao senso comum: "Não era normal/o que tinha de lagartixa/na palavra paredes". Manuel Bandeira extraiu uma luz das coisas simples, despojadas, humildes, que até então não tinham direito à beleza. Cecília Meireles descobriu que tudo tinha alguma música e podia cantar.
Eu tinha uma aluna que garimpava implacavelmente os poemas de Drummond em jornais e livros, e garatujava tudo em um caderno. Andréia está salva, eu dizia. Salva de quê?, perguntou um aluno. Salva da desumanidade, da mesmice, da tolice, do espírito de rebanho. Com certeza, uma leitora de Drummond está vacinada contra o Big Brother Brasil, a axé music, o funk carioca, a música breganeja, o pagodão dos mauricinhos e outras pragas culturais que nos assolam. E, também, é mais provável que lance um livro, CD e faça uma peça de teatro ou um filme.




Jornal Correio Brasiliense, 30 de agosto de 2008. (com adaptações)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Exorcismo

As horas passam lentamente
Como se o tempo estivesse congelando-se.
Lentamente...

E tudo o que eu queria era permanecer,
Ter esse controle, esse poder.
Tudo o que eu queria era sobreviver.

Queria permanecer em meu lar,
Onde tudo é perfeito,
Onde é o meu lugar,

Mas hoje encontro o frio,
A solidão do vazio
Longe do que era meu.

E a cada lenta hora que se arrasta,
Mais uma fração de minha alma se alastra
Para fora do seu coração.





Jejels, 20/11/2009.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ele...

É o abalo que me estremece corpo e coração
É o sol que brilha dentro do meu sonho azul
É labirinto em delírios de loucura e paixão
É bússula que guia meu olhar rumando o sul

É pássaro que canta nas minhas manhãs douradas
É o sussurro aconchegante na noite chuvosa,
É a saudade vagarosa invadindo as madrugadas
É na poesia, a minha rima mais gostosa

É luz branda que reflete o bem em minha retina
É o abraço, o afago , a proteção e a liberdade.
É a canção serena que me embala e me faz menina.
É do meu riso, o brilho, a paz e a verdade

Ele é meu anjo de luz, meu mensageiro
No pensamento, meu desejo mais profundo
É o presente, meu momento, amor verdadeiro
Ele é na vida o que mais quero neste mundo!



Victoria Silva (retirado de http://www.poemasdeamor.com.br).

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sentimento em gotas


Assim que nasce, toda pessoa chora. É como se precisasse avisar que chegou viva e saudável ao mundo. Mas não é a capacidade de berrar a plenos pulmões que torna o ato de chorar tão humano - e, sim, as lágrimas que o acompanham.

Em algum lugar do passado, um de nossos ancestrais desenvolveu uma conexão neural entre a glândula que fabrica lágrimas e as regiões dos cérebros que produzem, percebem e expressam sentimentos.

Produzimos três tipos de lágrimas. As basais (que umedecem os olhos) e as reflexivas (secretadas em resposta a um estímulo agressivo, como um cisco) compartilham composição química muito semelhante. Já as emocionais têm conteúdo particular.

Relacionamentos complexos pedem formas de comunicação igualmente complexas. E, algumas vezes, as lágrimas, com seu conteúdo intenso e explícito, revelaram-se uma vantagem adaptativa de nossa espécie. Elas combinam a emoção primordial com a capacidade cerebral de processá-las e nos ajudam a expressar sentimentos que subsistem além do alcance das palavras. E, algumas vezes, as lágrimas nos levam aonde a linguagem verbal não pode chegar.





Chip Walter. Sentimento em gotas. In: Mente & Cérebro, fev./2007, p. 81-3 (com adaptações).

domingo, 15 de novembro de 2009

Presença abstrata

É nessa tua falta de estar,
Nesse teu silêncio,
Na falta do teu olhar
Que eu te ouço realmente.

E posso ouvir teu coração junto ao meu,
Batendo em uníssono,
Embalando-me em meu sono,
Nesse leve descanso teu.

Pois sei que estás perto de mim
E que mesmo na distância física
É esse teu perfume carmim
Que em minha memória fica.




Jejels, 15/11/2009.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Retorção

E nos ferventes raios de luz deságua minha tristeza
Plena em sua solidão, recheada da sua frieza.

E nos galhos tortuosos pendura-se meu coração:
Um músculo morto quase caindo no chão.

E nos teus olhos envenena-se minha alma,
Meu ser se perde nesse trauma.




Jejels, 12/11/2009.

Pedaço de mim


Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus.




Chico Buarque.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A rosa e a chuva

A rosa no campo
O céu traz seu pranto
Sem nem avisar
Para a relva molhar.
A chuva caiu
Meu coração se partiu
Mas o sol voltou
E a rosa chorou...



Lucca L'Abbate Sudano, 2006.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Epifania


Noite adentro floresce o perfume.
Na bruma escura teus cabelos encontram a camuflagem,
Uma perfeita máscara à qual não sou imune.

E os olhos cintilantes encontraram sua sina
Quando os olhos castanhos fitaram a menina.

Não resta nada a fazer.
Não resta nada.
Absolutamente nada.

E naquele momento percebi
Que o sentimento me havia invadido.
Naquele instante percebi
Que você era meu desejo proibido,
Meu sonho silencioso,
Meu anjo destemido...

É você quem eu amo.



Jejels, 02/11/2009.

sábado, 31 de outubro de 2009

Perto de você

Quando começar o frio, dentro de nós
Tudo em volta parece tão quieto
Tudo em volta não parece perto
Toda volta parece o mais certo
Certo é estar perto sem estar
Perto de você, sou tão perto de você, sou tão perto de você

Quando o tempo não passar, dentro de nós
Cada hora é como uma semana
Cada novo alô é mais bacana
Cada carta que eu nunca recebo
É sempre um motivo pra lembrar
Sou tão perto de você

Vida amarga, como é doce a dor da palavra dita de tão longe, dita de tão longe, dita de tão longe...

Quando alguém se machuca, dentro de nós
Toda culpa parece resposta
Nossa busca não parece nossa
Nosso dia já não tem mais festa
Não tem pressa nem onde chegar
Sou tão perto de você

Quando a paz se anunciar, dentro de nós
É porque aquilo que nos cega, mostra um outro lado pra moeda
Que não paga as coisas do meu peito
O preço é me fazer acreditar
Sou tão perto de você

Vida amarga, como é doce a dor da palavra dita de tão longe, dita de tão longe, dita de tão longe

Quando a música acabar, dentro de nós...





O Teatro Mágico.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Eu odeio a internet

Jamais joguei paciência com um baralho de verdade.Se tentasse, nem saberia arranjar as cartas. Dei-me conta disso ao receber, tempos atrás, um e-mail com o título "Você é escravo da tecnologia quando..." A paciência sem baralho era apenas um dos itens de uma longa lista, e não o mais absurdo. Em todas as situações, havia esse efeito de desproporção e despropósito: a mais alta tecnologia mobilizada para o mais estúpido dos fins (se o leitor já jogou paciência no Windows, sabe do que falo). Quis recuperar o e-mail para citá-lo mais extensamente, mas não consegui: perdeu-se no meio de tantas e piores piadas, de correntes, de simpatias, de pirâmides, de abaixo-assinados e de inúmeras mensagens que eu deveria remeter a mais 100 pessoas para ganhar ações da Microsoft ou para salvar aquela menina de 8 anos que sofre de leucemia.
A anedota resume meu recado: a Internet é a propagação indiscriminada da besteira. Alguém dirá que, com essa crítica à cyberabobrinha, estou abordando o problema pela periferia. Ocorre que os gurus da nova era - Nicholas Negroponte, do MIT, para ficar com um ecemplo célebre - afirmam, com razão, que a Internet não tem centro.
Surge daí outra grande bobagem que se tem divulgado não só por fibra óptica, mas também por meio do velho e sujo papel da imprensa: a Internet democratiza o conhecimento. Se o leitor me perdoa a etimologia rasteira, direi que na verdade a rede tem muito demos para pouco cratos. Que poder efetivo uma página pessoal representa para seu autor? Na falta de um centro, somos todos periferia. [...]
Uma objeção previsível é a de que, afinal, eu uso a Internet. O presente texto foi produzido em Porto Alegre, onde moro, e transmitido via e-mail para a redação da SUPER, em São Paulo. E estou, admito, muito feliz de não ter que sair de casa em um dia frio para enfrentar fila nos Correios. Ainda assim, sustento o título aí em cima. Muita gente vai de carro todos os dias para o trabalho, mesmo detestando dirigir.
[...]



Por Jerônimo Teixeira (fragmento do que foi publicado na Superinteressante. São Paulo, ago.2000).

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Amanhã é 23

As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final de um mês de Agosto...

Há vinte anos você nasceu
Ainda guardo um retrato antigo
Mas agora que você cresceu
Não se parece nada comigo...

Esse seu ar de tristeza
Alimenta a minha dor
Tua pose de princesa
De onde você tirou...

Amanhã! Amanhã!Amanhã! Amanhã!...

Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo
Queria o seu beijo
Outra vez...

Amanhã... outra vez
Amanhã... outra vez.

Amanhã.




Kid Abelha.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cor em luz

Tínhamos uma vida comum,
Cheia de problemas,
Cheia de dilemas.

Desconhecíamos um ao outro,
Os sonhos a dois,
O pânico do depois.

Vivíamos incompletos,
Inacabados,
Sem nexo.

Hoje eu compreendo.

Crescemos com o amor
Como cristais mostrando a cor
Na decomposição da luz.

Prismas, cristais límpidos,
Que refletem a nossa manhã,
Christian.





Jejels, 20/10/2009.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Auto-realização

___"Todo o ser humano se está constantemente projectando em qualquer coisa que existe fora de si próprio, alguma coisa que existe no mundo exterior, ou em alguém que está nesse mundo, uma pessoa, um ser amado, a quem entregue o seu amor. Intrínseca e basicamente é isso que ele procura no mundo exterior. Na medida em que um ser humano, em vez de se autocontemplar e reflectir sobre si próprio, deseja colocar-se ao serviço de uma causa superior a ele ou amar outra pessoa, acaba por se encontrar com a autotranscendência que, a meu ver, é uma qualidade essencial da existência humana." (In FOCO N.º 45, retirado de http://educacao.aaldeia.net)

___Algumas coisas, às vezes, parecem fora de alcance simplesmente por parecerem perfeitas, por se aproximarem de utopias. Porém, a cada dia descubro que o impossível é algo completamente relativo. A vida em sua totalidade dá imensas voltas e quase sempre imaginamos que não podemos controlar o rumo do nosso destino. É aí que as pessoas se enganam.
___Por mais que seja difícil alcançar a felicidade, isso é possível. A dificuldade sempre irá existir, mas ela não passa de um obstáculo ora grande, ora pequeno. Muitas pessoas deixam as dificuldades dominarem a situação e acabam por desistir dos seus objetivos e é exatamente esse comportamento que torna certas coisas irrealizáveis.
___A partir do momento que passamos a acreditar em nós mesmos conhecendo nosso potencial e nossas falhas, estaremos aptos a dirigir nossa própria existência. Um dos fatores que mais contribuem para esse "conhecer a si mesmo" é, definitivamente, o amor. Tal sentimento desencadeia uma série de outros dos mais variados possíveis, mas quem realmente ama estará no caminho certo do encontro com a felicidade.
___Através do amor, vê-se a vida com outros olhos, descobrem-se coisas novas e, assim, conhece-se a si mesmo. Com essa ferramenta em mãos a determinação cresce consideravelmente em razão da importância que o mundo passa a ter: começa uma luta em prol de um mundo melhor no qual você e as pessoas por você amadas viverão.
___O amor fortalece aqueles que o tem no coração, fazendo com que alcancem seus objetivos e experimentem experiências fantásticas. Esse mesmo amor leva à auto-realização e, consequentemente, à felicidade.




~> Dedicado àquele de cujo amor jamais duvidei e no qual encontro forças para alcançar meus objetivos. Eu te amo.



Jejels, 13/10/2009.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A casa de vidro


___Por entre hotéis e inacreditáveis paisagens, vagava ainda um resquício da tristeza. Na verdade, Helena jamais esquecera o incidente que havia ocorrido há três anos. Ela apenas guardava para si qualquer sentimento que ainda vivesse dentro de seu coração.
___A viagem prosseguia bem: não ocorrera nenhum imprevisto, conseguira fazer com que Lúcio a acompanhasse sem grandes problemas e férias prolongadas, já que nenhum outro funcionário da empresa quis o período do inverno. O único desconforto eram as lembranças que percorriam sua mente. Os fantasmas que a rondavam dia e noite, sem cessar, atacavam sem piedade nas duras e gélidas madrugadas que se seguiram após o terrível acontecido na casa de vidro. Esse era um lugar onde jamais voltaria a colocar os pés. De longe, uma monumental obra arquitetônica contemporânea, planejada em seus minuciosos detalhes, com vista para a Tatra Mountains. Por dentro era encantadora, com todos os atributos que uma boa casa deve ter, sem contar o conforto que oferecia aos seus moradores. Era a casa perfeita, o melhor lar com quem alguém poderia sonhar um dia...
___A superação daquilo tudo viria, ela estava certa disso, mas algo dentro dela tornava toda a situação mais insuportável. Causava a revolta e, mais tarde, passou a se manifestar como uma grande rejeição. Chegava às vezes ao ponto de chamar pelo nome do garoto – que aos seus ouvidos mais parecia música -, porém, era apenas uma breve ilusão de que tudo teria voltado ao normal. A não aceitação da realidade por Helena tornava tudo mais doloroso para Lúcio, afinal, ele também sofreu bastante quando o inesperado aconteceu. Helena passou rapidamente a guardar tudo para si, fechando-se em seu próprio mundo interior, cheio de sombras e espectros que ela jamais esqueceria. A mudança para a Polônia não saíra como imaginaram e a casa de vidro, em Cracóvia, transformou-se no cenário do pior pesadelo do casal.
___O Hotel Conrad teria sido uma ótima escolha, mas o ambiente espetacular e as exuberantes praias de Punta Del Este não conseguiram afastar os sonhos ruins de Helena nas noites quentes que vieram. Sua alma ainda congelava com as imagens que seu subconsciente resgatava, trazendo à tona o passado desastroso que mudara o rumo de sua vida .Embora não percebesse que as consequências dessa rendição seriam as piores possíveis, ela caminhava cada dia rumo ao seu próprio fim. Morria a cada minuto, enterrada sob a própria tristeza, afogada nas lágrimas que não chorava e que secavam em sua essência. A superação de Lúcio era outra incógnita; jamais conseguira entender como isso poderia ter acontecido: parecia que apenas ela continuava acorrentada pela memória. O mar caía no esquecimento, a areia desmanchava debaixo de seus pés e o vento esfriava constantemente: para ela, nada daquilo parecia real, era como uma ilusão, uma falsa vida que levava.
___Naquela noite, Lúcio voltava do cassino, já cansado do barulho que os hóspedes faziam no local e encaminhou-se para a hidromassagem na tentativa de relaxar – passara o dia cavalgando pelos campos do hotel -. Não encontrando ninguém, foi para o quarto encontrar sua esposa. Helena estava encolhida no chão e parecia estar fazendo algo que há anos não fazia. Lúcio assustou-se ao ver a cena e correu para abraçá-la, reconhecendo o significado daquele momento. Helena finalmente conseguira colocar para fora as lágrimas que se prendiam em seu interior. Chorava como nunca, soluçava, perdia a nitidez de sua visão, mas dessa vez, não a visão da realidade - estivera cega durante muito tempo. E passaram um bom tempo ali, no chão do quarto, ela chorando a perda do filho, ele, tocado pela emoção da mulher, ambos renascendo, abrindo-se para uma nova vida que viria com a aceitação. Sim, a aceitação, pois Helena e Lúcio sabiam que Murilo continuaria entre eles como sempre esteve e tocaria a música que ecoava pela casa de vidro nos dias de primavera.





Jejels, 06 de outubro de 2009.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Encanto

Cobre derretido,
Ardente metal líquido
E todo o seu magnetismo
Traduzido em lirismo.

Dividido em duas metades,
Simétrica beldade
Unida por invisível elo
E com sabor de caramelo.

A textura lisa é intocável
E o desejo, incomensurável
De mergulhar nesse espectro
Enquanto há tempo.

Pois a sublimação parece inevitável
E meu coração pulsa, acelerado
Almejando essa união.

E limalha que sou,
Caminho sem temor
Sentindo o odor
De carvalho.

A terra molhada,
Pela chuva lavada
Exala esse perfume
Do amor que se assume.

E afundo finalmente
Não mais que de repente
Para permanecer por infinitos anos
Nos teus olhos castanhos.





Jejels, 05/10/2009.

domingo, 4 de outubro de 2009

Maldição pirata (lenda de Davy Jones)



Um dia em terra
dez anos no mar
icemos as velas
para navegar


Um maldição tão suprema
quanto o poema
que vou lhes contar

Um amor que navega
um dia em terra
dez anos no mar

Um coração num baú
guardado ao sul
um pirata maldito
um amor eterno
tem dito
não vai acabar
irei ao inferno
para retornar


Garrafas de rum
coração é só um
tentarei me alegrar
em um dia em terra
dez anos no mar

Cidades pilhar
ouro roubar
mas queria somente
nao mais de repente
ter esse tempo esperar

A morte me espera quando o segredo quebrar
meu coração é o que tens
para com isso acabar


Quando a aurora boreal aparecer no horizonte
apenas me conte
se ainda me ama
e ainda clama
pelo meu dia em terra
para que eu possa novamente aguentar
mais subitamente
dez anos ao mar.





Christian Thomas Oncken, setembro de 2009.

Up - Altas aventuras


Já se tornou lugar-comum dizer que os estúdios de animação demonstram querer agradar a um número maior de adultos a cada filme. Para tanto, utilizam-se de personagens, piadas, cenários, temáticas – assim como de toda sorte de recursos disponíveis – sempre mais abrangentes, que possam ser apreciados por diferentes gerações com a mesma intensidade. O último sucesso da Pixar já vinha demonstrando essa tendência: Wall-E tinha como protagonista um robô bastante carismático e com grande apelo junto ao público infantil, mas também ousou ao abordar temas mais complexos como a solidão, o amor e o sedentarismo como fator importante no descuido de aspectos mais importantes da vida. Agora, com UP –Altas Aventuras, a marca volta a apostar em sentimentos nem sempre tão bem compreendidos por quem ainda viveu tão pouco.


O título, que abriu o Festival de Cannes de 2009 e é dirigido por Pete Docter (Monstros S.A.), começa contando em poucos minutos como Carl Fredricksen (dublado na versão brasileira por Chico Anysio) e Ellie se conheceram, casaram-se e viveram juntos harmoniosamente durante décadas; tudo sem falas, apenas embalado pela bela trilha de Michael Giacchino (de Ratatouille e Star Trek). Ainda crianças, os dois possuíam em comum o gosto por aventuras e o ídolo, o corajoso explorador de terras Charles Muntz. Quando jovens, o casal planejou uma longa viagem à América do Sul, mais especificamente às Cataratas do Paraíso. Mas, por força do destino, a dupla nunca pôde realizar seu maior sonho. Então Ellie falece, deixando sozinho um rabugento e introspectivo Carl. Com a morte da esposa e uma sucessão de acontecimentos que o obrigariam a deixar sua casa para viver em um asilo, Carl decide finalmente partir para a viagem sempre planejada e jamais executada. Para seu desgosto, acidentalmente leva consigo o pequeno escoteiro Russell. O veículo para a aventura é a grande atração: a própria casa do velhinho, sustentada por milhares de balões coloridos e controlada por um sistema de roldanas e panos que resultam numa “casa voadora à vela”.


A relação contrastante entre Carl e Russell renderia um belo quadro barroco. Enquanto o velho viúvo prefere pouca ou nenhuma conversa, o garoto, determinado a conseguir sua última medalha de escoteiro por favores prestados a idosos, é falante, extrovertido e superativo. Russell vê tudo com o entusiasmo de uma criança começando uma vida de aventuras; Carl dificilmente se desarma para o mundo, é apegado melancolicamente a um passado que não volta mais. O que une os dois é uma tocante solidão. O sentimento é bem disfarçado pelo garoto, que demonstra uma comovente necessidade da presença do pai e sequer tem mãe. Já Carl está obviamente preso à saudade que sente de Ellie, sua única companhia durante toda a vida. Toda essa atmosfera de carência inerente aos personagens torna-os criaturas de uma complexidade ímpar no gênero e os une a cada minuto de projeção. Para abrilhantar o elenco da animação, entram em cena Kevin, uma bela e gigante ave com quem Russell logo simpatiza, e o cachorro Dug, responsável por trazer mais comédia à aventura.


Ao final do filme, fica claro qual era a maior e mais importante aventura de Carl. Ao contrário do que ele imaginava, não era chegar às cataratas. O tema, inclusive, já foi explorado pela própria Pixar em Carros (2006), mas UP não chega sequer perto de parecer repetitivo. UP é mais melancólico e muito mais maduro, capaz de agradar tanto às crianças que desejam rir de personagens mais engraçados, quanto aos adultos que já viveram boa parte de sua vida e compartilham de alguma parcela da melancolia que ronda Carl, sua casa e suas lembranças. A nova proposta da Pixar é capaz de nos fazer repensar nossas relações com o próximo e os sentimentos que nos fecham para tantas descobertas. Independente da idade que se tenha, é possível escolher o entusiasmo de uma criança disposta a descobrir o mundo ou deixar limitar-se por uma instrospecção pronta a recusar novas experiências. Curtir UP é umas das boas.




Por Érika Zemuner.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O árabe

Olhos amendoados, redondos
E cabelos negros...
Serão gregos?

Pele corada, como o sol
Exibe um dourado que não descama...
Será africana?

Mãos talentosas,
Autoras de traços firmes e curvilínios...
Será egípcio?

O olhar misterioso,
Tímido e cativante
Combinado às mãos hábeis
Compõem aquele árabe.




Jejels, 23/09/2009.

sábado, 12 de setembro de 2009

Swim in silence

Meet me here beneath the burning skies
Where the ocean comes and takes us from all of our lies
You never said that you were coming back
I have waited although I have found the place you hide

What keeps you so far away?

We can swim in silence
You can pull me under
I will not come up for anyone
I can slowly sink and
Watch you as you leave
But I will drown until you care
I will drown until you care

I imagine what it must be like
To have everything you need and not be satisfied
Run the water until it burns
And you can’t see through the waves that crash into your prey

What keeps you so far away?

We can swim in silence
You can pull me under
I will not come up for anyone
I can slowly sink and
Watch you as you leave
But I will drown until you care

Going under, Going under

Getting close to what we cannot recognize
Floating face down in the lies
Here we are without a trace
But the lies we used to blameand you’re so far away
What keeps you so far away?

We can swim in silence
You can pull me under
I will not come up for anyone
I can slowly sink and
Watch you as you leave
But I will drown until you care
I will drown until you care.




Paramore.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Lendas Quileutes

Há milhares de anos antes da chegada dos colonizadores ao Novo Mundo, os Quileutes já viviam nas terras de James Island, ilha da First Beach, em La Push.Acredita-se que o contato com os europeus se deu no início do ano de 1700, porém, o primeiro contato oficial com os brancos foi datado do ano de 1855, quando os indígenas assinaram o Tratado de Olympia, no qual deveriam se mudar para Taholah e deixar suas terras livres.Foi somente em 1889, mesmo ano em que Washington se tornou um estado, que o presidente Benjamin Harrison os cedeu uma milha de terra em La Push, contando com 252 habitantes.De acordo com suas crenças antigas, eles foram transformados em lobos por um viajante.Por ser um povo originalmente espirituoso, eles acreditam que ao atingir a puberdade, os meninos da tribo poderiam sair em busca de seus poderes supernaturais.A sociedade Quileute foi gerada de “grupos de casas”. Cada casa tinha um chefe, os nobres e os plebeus. Desta forma, o parentesco e o sangue determinavam a estrutura do comando da tribo.Os Quileutes atualmente possuem sua própria Constituição e Leis Municipais, reconhecidas pela Secretaria do Interior, os estabelecendo como unidade política auto-governante nos Estados Unidos. As crianças da reserva são educadas na Escola Tribal Quileute, onde aprendem sobre todas as lendas e mitos de sua tribo, sua história, e também seu idioma de origem, ainda falado por seus anciãos. É uma língua complexa; uma das cinco línguas no mundo que não possuem sons nasais (sem m ou n), e uma das poucas que não é reconhecida para ser relacionada a qualquer outra. Os anciãos visaram a compilação de um dicionário e de textos instrucionais que são ensinados na escola.Os contos dos Quileutes são passados no começo do mundo, quando animais eram como seres humanos.Eles podiam falar, remar canoas, e viver em grandes casas.Os indíos Quileute da série Crepúsculo foram inspirados em uma tribo existente no oeste de Washington. Na série, alguns destes são Jacob Black, seu pai Billey, Paul, Jared, Quil, Embry, Harry Clewater, Leath e Seth Clewarter, entre outros.(Montagem mostrando os lobisomens Quileute de Crepúsculo)A tribo Quileute atualmente conta com uma população aproximada de 750 pessoas. Os descendentes Quileutes vivem na Reserva Indígena Quileute após a assinatura do Tratado do Rio Quinault de 1855, que mais tarde foi reautorizado como Tratado de Olímpia, em 1856. Situa-se numa parte a sudoeste do Condado de Clallam, em Washington, na foz do rio Quillayute, na costa do oceano Pacífico.Dentro da reserva, a população principal se concentra na pequena comunidade de La Push.um total de 371 membros da população reside na reserva, que tem uma área de 4.061 quilômetros quadrados. Os quileute tem seu próprio governo no interior dos Estados Unidos que é um município constituído por um conselho tribal.Por ser um povo originalmente espirituoso, eles acreditam que ao atingir a puberdade, os meninos da tribo poderiam sair em busca de seus poderes supernaturais.





Retirado de http://jujurochinha.blogspot.com.

domingo, 6 de setembro de 2009

Felicidade

A felicidade é tão simples.
É só estar do seu lado, sentir seu cheiro.
Ter seus lábios tão perto, senti-los através de um sorriso ou de um beijo, sentindo minha razão se esvaindo através dele
Sentir tua pele, seu toque,
e a sensação de que nada mais importa mas só sentir.
Seu rosto se enroscando no meu.
Perder o sentido lembrando desse momento, senti-lo como se estivesse ali, mesmo que não esteja.

Deitar a cabeça no teu ombro e sorrir,
e agradecer a Deus, numa prece secreta,
por ter me dado esse presente tão lindo.
Me enroscar no teu abraço e querer não ir embora,
não esperar o amanhã ou o depois,
só querer que aquilo não acabe nem que seja só por algumas horas.

Mesmo que essa ausência seja uma dor insuportável,
Poder lembrar do teu cheiro, do teu abraço, do teu sorriso,
do teu toque, do seu rosto se enroscando no meu rosto,
Isso já basta para que eu possa suportar o tédio que as horas se tornaram sem você.
Até que esses momentos voltem a se repetir.





Letícia de L. Viana, 13/11/2006 (retirado de http://www.webartigos.com).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Oh star



Oh star fall down on me,
Let me make a wish upon you.
Hold on, let me think,
Think of what I'm wishing for.

Wait, don't go away.
Just not yet.
Cause I thought,
I had it.But I forget.

And I won't let you fall away,
From me.
You will never fade.
And I won't let you fall away.
From me.
You will never fade away from me.




And now I let my dreams consume me,
And tell me what to think.
But hold on,
Hold on.
What am I dreaming?

Wait, don't go away.
Just not yet.
Cause I thought,
That I had it.
But I forget.

And I won't let you fall away,
From me.
You will never fade away.
I won't let you fall away.
You will never fade away.

And I won't let you fall away.
You will never fade away.
And I won't let you fall away from me,
You will never...

Oh star fall down on me.








Paramore.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Noite alemã

E a noite desceu
Plena e inexorável,
Irremediável,
Inevitável.

Enfraqueceu os homens,
Destruiu nações
Essa noite do ontem
Que ecoa nos corações.

A noite desceu
E não houve quem a impedisse,
Ninguém disse
Que ela parasse -
Não houve quem resistisse.

Houve então a fuga
Dos inocentes,
Dos que sonhavam
Com a paz no presente.

E ao abrigo se dirigiram,
Distantes dos ventos frios do norte,
Acreditando na sorte
De um dia retornar ao lar.

Vieram então existir
Em terras tupiniquins
Onde o sol domina
Os florestais jardins.

Até que o dia amanheça
Eles viverão da crença,
Da esperança de um dia
Voltarem à sua terra querida.






Jejels, 01/09/2009.

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.




Cecília Meireles.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Amanhecer

O silêncio da noite se corrompe na suave melodia do vento; um vento gélido e solitário que vaga peas ruas. Apesar de todo esse frio, timidamente brilhava o luar... uma faísca de sentimento se acende, nutrindo-se da esperança da luz. O medo começa a se dissolver lentamente enquanto o sentimento cresce.
E então vem a sensação da vitória, a vida mostra-se conquistada e a sombra azulada da tristeza se dissolve em penunbra até que, aos poucos, some do alcance dos olhos. Chegou a luz dourada iluminando e acariciando a pele, aquecendo a alma e trazendo a tranquilidade e a felicidade antes encobertas pela escuridão noturna. Sol, és o rei do universo!





Jejels, 26/08/2009.
> Para o meu Sol, que invade a noite e torna minha vida completa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mortas paixões

Progressos,
Regressos,
Ingressos
Expressos,
Impressos,
Impressões,
Emoções,
Corações,
Compaixões,
Paixões
Extorcidas,
Retorcidas,
Distorcidas,
Vencidas
E sem vida.






Jejels, 27/08/2009.

De quanto tempo se faz uma vida

6:30.
Então você desperta de um sonho que não quis sonhar, abre os olhos alerta, querendo acreditar que não fora realidade, apenas um devaneio.

O sonho estava bom, e você mente para si, afirma a mentira e acredita.

De quantos sonhos se faz um mentiroso?
De quantas frustrações se faz um iludido?

Para essas perguntas restam apenas outras perguntas e você continuará se questionando, como se não fosse, mentiroso e iludido.

Volta a dormir tranquilo, sem receio, mas com um prazer malicioso de cada uma das cenas que até a pouco via em seus sonhos.

Existe um desejo fugaz de que o sonho continue, mas após tanto desprezá-lo, sabemos bem, que ele tinhoso, jamais voltará para o subconciênte de uma mente que mal aceita o que verdadeiramente quer.

6:35
Em pouco tempo se apaga e se alimenta imensas vontades.
De quantas noites se faz uma vida?
De quantos pesadelos se vive a realidade?





Retirado de http://dyanepriscila.blogspot.com/.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Canção

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.


Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto


Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.




Cecília Meireles.

sábado, 22 de agosto de 2009

O gato

Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga.




Vinícius de Moraes.
(para o meu pequeno grande gato).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Soneto da fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.






Vinícius de Moraes.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Desejo de te ver

Todo dia
Ao amanhecer
Penso em você.

Passo dias sem te ver
Mas eu não sei porque
eu quero tanto te ver

Será que é porque
Todo dia
Ao amanhecer,
Penso em você
Passo dias sem te ver


Eu amo você?
E não espero pra saber
O dia que vou te ver

"Quando a gente ama, é claro que a gente cuida..."
Mas você não gosta de mim, mas cuida
Então por que cuida de mim se não me ama?

Quando o por do sol chega, só penso em ter você
Será que tem algo bom no destino
Ou terei de sofrer?

Então a chuva chega
E eu me entristeço
Pensando se algum dia,
Eu terei o seu beijo

Então como o tempo não para
A noite chega
E pensando em você
Adormeço,
E sonho com o seu sorriso, esperando esse dia chegar.





Luciana Marinho, agosto de 2009 (retirado de http://luhmarinho.blogspot.com/ ).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A tragédia do lápis

O lápis amava a caneta,
Mas ela era casada com a tinta.
Então ele rodou o planeta
Buscando coração que sentisse
Por ele o mesmo amor:
Irreversível amor platônico.
Mas ele apenas se machucou
Num pesadelo medonho,
Pois de amor o mundo nada tinha
E restou apenas uma carta suicida:
Morreu o lápis sonhando com a tinta
Que jamais fora em sua vida.




Jejels, 11/08/2009.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A busca

O sol surge
Ofuscando a noite lúgubre
E implacável
Que acabara de me vencer
Novamente.

Nos sonhos encontrei o vazio
Imenso e inacabável,
Indescritível e inexorável
Que em sua ausência de ser
Preenchia as vagas memórias do anoitecer.

A noite caíra sorrateira,
Alheia a qualquer acontecimento,
Ignorando todo o sofrimento
Que transbordava
Numa lágrima calada.

E o escuro convergia,
Em meu peito escorria
E chorava em agonia
Com o dia que nascia.

Na manhã fez-se o branco:
A cor que expande...
Mas a expansão do nada
Continua o mesmo nada sem encanto.

Então estou eu
Imersa em pensamentos,
Em busca de um sentimento
Que quase morreu.

Na frieza inevitável,
O chão e o teto
Tão paralelos:
A tristeza irrefutável.

Se jamais se encontrarão
- O teto e o chão -
Inútil é a parede
Com seus 90° e a textura verde.

Mas perpendicular aos dois perdidos,
A parede torna-se ponte
Fazendo o que parecia impossível,
Alimentando do amor a fonte.

Por isso, pelo chão, rastejando,
Tateio no escuro,
O coração palpitando
Em busca do milagre de um muro.





Jejels, 10/08/2009.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Loucura




Louca loucura,


Que me faz enlouquecer,
Que me prende a você,


Que me faz sofrer.


E que me faz perceber,
Que por você eu enlouqueço.






Rafael Daher (retirado de www.recantodosversos.blogspot.com ).

Noite

Por que o brilho se derrete
Sob a chama azul da lua?

Há uma sombra inerte
Vagando pela rua
E pela janela posso encontrar
As rosas mortas a chorar,
Suas cores desbotadas,
As vozes abafadas
Pelo barulho do mar.

Um mar de insegurança,
De medo e inconstância
Que grita sem pensar.

E o vento que sopra,
Gela e continua a esfriar,
Rodopia pela rua
Escura e sem estrelas.

O cheiro é do desespero
Que atinge o cavaleiro
Já sem forças para lutar.
Em seus olhos eu vejo
A faísca do desejo,
Do anseio por descansar...

A memória do beijo
Jamais irá se apagar.





Jejels, 07/08/2009.

Illusions

I believed life would shine for me
With all the happiness I had dreamed with,
But now I see
The same time that builds
Is able to destroy everything.

I believed we could live forever
In our wonderful fairy tale world,
But now I see
The same hero’s sword
Is able to hit my heart.

I believed we could do anything
With the strength of our hope,
But now I see
The same glorious sky above
Seems to be in ruins.

I believed death was only a nightmare
That frightened us in the mysterious night,
But now I see
The same miles-away-death
Is knocking on my door tonight.

My faith is drowning in my tears
And my hope’s crawling for my fears,
My soul’s being tortured by the night
For I’m sure
The dark knight will come
To close my eyes.






Jejels, 07/08/2009.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Rendição


Entre uma parede e outra
Prendem-se os sonhos
Que se enchem de sombra
Antes de serem estilhaçados.
Tudo acontece tão rápido,
Num intervalo de uma lágrima e outra...


E eu poderia me contentar
Afinal, não resta nada a ser feito;
O mundo continuará a girar
Em seu rítmo perfeito.


Só resta a aceitação,
A rendição às correntes,
A morte do inconsciente
Presa em meu coração.





Jejels, 06/08/2009.

Waterfall (tradução)


As memórias flutuando para baixo
Eventualmente, se tornam de um rio para um oceano

Um elemento tomando forma
Muitas palavras de amor
Muitas vítimas de palavras

Eu estou caindo na escuridão
Mas não consigo dizer adeus pra você
Procurando meus próprios pedaços...

O processo refletido lentamente
As intenções acumuladas, aspirações

O que eu escolhi não era um caminho
Um voto de desejar pelo futuro
Com os amigos que me ensinaram

Eu estou caindo na escuridão
Mas não consigo dizer adeus pra você
Procurando meus próprios pedaços...

Algo que eu não limpei, quando minhas lágrimas caíram
Parecia com a tranqüilidade de dias azuis que não enfraquecem
Assim, como eu mesmo, eu viverei para sempre com você
Não existem feridas que não doam para aquele céu tão distante

Eu estarei com você até o fim da eternidade que você quer

Eu nasci, eu conheço o fim das quatro estações
Uma flor que nasce entre pedras...

Junto das estrelas rotativas, as gotas cadentes, não conhecidas a ninguém
Assim, como eu mesmo, eu viverei para sempre com você
Até que as lágrimas que caíram graciosamente sequem

A caixa de música chamada universo está chorando
Assim, como eu mesmo, eu viverei para sempre com você


Eu estarei com você até o fim da eternidade que você quer.
Alice nine.

Christian's inferno

I got under the grip
Between the modern hell
I got the rejection letter in the mail and
It was already ripped to shreds.

Seasons in a ruin and
This bitter pill is chased with blood
There's fire in my veins
And it's pouring out like a flood.

Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno.

This diabolic state is gracing my existence
Like a catastrophic baby
Maybe maybe you're the chemical reaction
I am the atom bomb
I am the chosen one
Toxin your reservoir
And then return man to ape.

Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno.





Green Day, 2009.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

21 guns


Do you know what's worth fighting for,
When it's not worth dying for?
Does it take your breath away
And you feel yourself suffocating?
Does the pain weigh out the pride?
And you look for a place to hide?
Did someone break your heart inside?
You're in ruins.

One, 21 guns
Lay down your eyes
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I.

When you're at the end of the road
And you lost all sense of control
And your thoughts have taken their toll
When your mind breaks the spirit of your soul
Your faith walks on broken glass
And the hangover doesn't pass
Nothing's ever built to last
You're in ruins.

One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I.

Did you try to live on your own
When you burned down the house and home?
Did you stand too close to the fire?
Like a liar looking for forgiveness from a stone.
When it's time to live and let die
And you can't get another try
Something inside this heart has died
You're in ruins.

One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I.




Green Day, 2009.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A noite dissolve os homens


A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
e nem tão pouco os rumores
que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas,
nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos,
a noite espalhou o medo
e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda,
sem esperança... os suspiros
acusam a presença negra
que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
na noite. A noite é mortal,
completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens,
diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias,
apagou os almirantes
cintilantes! nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo...
O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.

Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes, vapor e róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de seus dedos,
teus dedos frios, que ainda não se modelaram
mas que avançam na escuridão como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez,
uma inocência, um perdão simples e macio...

Havemos de amanhecer. O mundo
se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora
.





Carlos Drummond de Andrade.

sábado, 1 de agosto de 2009

Amazing grace


Amazing...

Amazing grace
How sweet the sound
That saved a wretch like me
I once was lost
But now am found
Was blind but now I see.

Amazing grace
Shall always be my song of praise
For it was grace that brought my liberty
I'll never know
Just why Christ came to love me so
He looked beyond my faults and saw my need.

Hallelujah.






Eternal.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ausência

Foi inevitável,
Insuportável
Ter que deixar
Um coração a palpitar.

Um coração que sangra
Na esperança
Da volta
De quem ama.

Esconder-me das sombras
Das estrelas apagadas
Com as mãos machucadas,
Lágrimas rasgadas.

Eu apenas quis voltar,
Afastar-me do mar
E mergulhar em teus olhos,
Reencontrar meus sonhos.

Então perdoe-me, pois não pude
Permanecer ao seu lado,
E por fazer-te sofrer calado
Na sombra que ilude.

Eu apenas quero apagar
As marcas do teu olhar
E consertar meus erros,
Dissolver o desespero
Da minha ausência.





Jejels, 30/07/2009.