sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hopocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsica análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!



Augusto dos Anjos.

Um comentário:

Phillipe disse...

Eu sabia que vc ia colocar esse poema aqui! hauhauaah