quarta-feira, 4 de março de 2009

Soldado da Morte

Se tudo isso não passasse de mais um pesadelo, o desespero desapareceria... Mas nas noites anteriores os rostos eram apenas borrões inteligíveis que minha imaginação usava para me assombrar. No entanto, lá estava eu, na frente do espelho, contemplando aquela alucinação real com os olhos úmidos e cansados.
Era a escolha certa... Na verdade, eu não tinha opções. Acabar com tudo era o óbvio, mas me faltava a coragem. O barulho constante dos gritos era ensurdecedor e parecia prender-me ali, incapacitando meus músculos de se moverem um centímetro sequer. As janelas estavam fechadas e a porta, trancada... Mas o cheiro de sangue que impregnava as paredes e as cortinas era como um lembrete constante do que estava acontecendo... Não havia mais como me controlar, a razão de meus pensamentos desapareceria nos próximos dias, poderia ser que sumissem em apenas algumas horas.
O gosto amargo era o veneno que intoxicava minha alma, já que meu corpo já havia sofrido a transformação monstruosa. O espelho era o único que não se assombrava enquanto eu pousava meus olhos sobre ele. Meus dentes rangiam com a raiva e a pressão exercida era tão grande que meus lábios sangravam. O ódio e a repugnância tomavam conta de mim enquanto os gritos daqueles que matei ecoavam em minha mente. Eu havia me tornado um pesadelo no mundo dos vivos, letal a qualquer um que se colocasse ao meu alcance. Não restavam mais limites, minha existência se faria presente por toda a eternidade à qual fui condenado. Uma vida macabra com cheiro de morte e tingida da substância escarlate que me manteria; A existência do infinito massacre que eu carregaria por onde fosse; A falta de controle que me tomaria nos momentos de sede combinada ao desespero que encheria os olhos dos "escolhidos". A solidão merecida pelos monstros temidos pelo mundo... Os destruidores da vida.




Jejels, 04/03/2009.

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