sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dia nublado

O sol nasce,
Vagarosamente
Vem e aquece,
Iluminando o céu levemente.

Coberto pelas nuvens
Que o engolem, dançando
Enquanto os grãos de pólen
Percorrem o ar, flutuando.

As árvores contentes
Vivas e cheias
Colorem de repente
O cenário das manhãs corriqueiras.

Posso então ouvir
O som do mais profundo silêncio
Que te faz presente aqui
Nesse perdido vale ameno
Onde você me faz sorrir,
Enchendo de carinho o ambiente
Onde descubro que nunca vivi
Sem você no mundo presente.

Torno-me incapaz de medir
O amor em meu peito, ardente
Que faz viajar minha mente...
O mundo se enche de cores
Enquanto ando pela estrada,
Em uma rua sem flores,
Repleta da brisa gelada
Onde reinam temores
De uma alma desesperada
Enchendo de um horror
Vindo das lágrimas de nuvens largadas,
Tristes e sem sabor,
Com memórias congeladas.

Então a água corrói
Meu coração solitário
Mas nada em mim se destrói
Por estar em mim consolidado
O amor que você me transmitiu
Por meio da sua boca
E que me reviveu quando invadiu
Minha melancolia barroca.

No seu abraço se consumiu
O que restava da minha voz rouca;
Quando o ácido nos castigava
Com aquela fúria louca,
Descobri que o que eu desejava
Era a felicidade da vida
E quando esta nos foi dada,
Foi cruelmente tomada
Quando a chuva desvairada
Conseguiu o que queria.

A rua ganhou novos sabores
Enquanto a primavera florecia
Apagando os rumores
Da alma enfraquecida,
Consumida pela inveja
Que a natureza sentia
Já que havíamos alcançado
A felicidade que ela tanto queria.




Jejels, 2007.

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