domingo, 5 de julho de 2009

Sonho molhado


Dia trinta de agosto do ano dois mil e oito, último sábado do mês.



Talvez até hoje eu não tivesse me sentido assim... Estava perdida em alto mar no navio pirata que sempre me abrigou... E balançava, balançava com a graciosidade do movimento das águas... Vai e volta, vai e volta a navegar pelo espaço aberto e livre, a exuberante imensidão que embala por esse caminho sem destino. Eu gosto disso... De me perder ao acaso, jogada aos quatro ventos, segurando a tranqüilidade azul. Teu abraço me leva a esse mar onde tudo está calmo e nada mais importa além de ser e estar.
Então o barco pirata me fez a pessoa mais completa do mundo... Eu e você abraçados em um barco desnorteado sem nada nem ninguém. Era perfeito, era real... A sensação de liberdade que sinto quando estou presa a você... O calor que você passa pra mim a cada toque, o seu perfume, seus cabelos macios, seus braços, suas costas nuas... Seus lábios. Não existe conforto maior que estar com você e poder olhar no fundo dos seus olhos trocando palavras que não existem e nos perdendo um do outro para nos ganharmos logo depois...
Vai e volta, vai e volta a me beijar da forma mais doce que se poderia beijar alguém e eu me atirando ao tempo, deixando que ele nos levasse. E o tempo nos carregou lentamente numa viajem saborosa e bela pela clareza dos nossos sentimentos e pela escuridão que ia começando com a chegada da lua... Então cantamos juntos fazendo nossas almas dançarem se abraçando e se completando em gestos abstratos de carinho.
Foi quando o tempo nos levou a outros caminhos e tivemos que dizer “adeus”... Mas mesmo assim continuamos presos um ao outro, não só pelo sentimento que compartilhamos, mas também pelos pensamentos, pelo gestos, pela saudade...E quando o navio pirata me levou de volta à realidade e me deixou, quando eu pensava que já não poderia ser melhor, um barulho sutil veio encher meus ouvidos... Divina melodia da natureza, como és bela! Como me deixas feliz! Coloquei a cabeça para fora da janela, confirmando que não se ratava de uma alucinação provocada pela desconexão do mundo real ou da felicidade excessiva... A chuva caía lívida e graciosa do alto das nuvens... O pranto o celeste sempre me alegra... Me deixa inspirada! Inspirada, inspiração... Inspira, expira, inspira, expira enchendo as narinas com esse cheiro maravilhoso, enchendo os pulmões com esse ar puro e límpido, enchendo o corpo e a alma de vida...
E assim se passou a noite toda... Acordava ouvindo a canção da chuva e ficava apreciando... Depois dormia e acordava de novo com os ouvidos cheios da música pluvial...
Mas finalmente acordei e já era de manhã e, sem uma nota musical sequer, me perguntei se havia sido tudo um lindo sonho desses que a gente tem e pensa se nunca se tornaria realidade... Mas me certifiquei de que tinha sido tudo pura realidade quando olhei para minhas mãos... Então tive certeza: Havia sido o dia mais feliz da minha vida.





Jejels, 2008.

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