segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A busca

O sol surge
Ofuscando a noite lúgubre
E implacável
Que acabara de me vencer
Novamente.

Nos sonhos encontrei o vazio
Imenso e inacabável,
Indescritível e inexorável
Que em sua ausência de ser
Preenchia as vagas memórias do anoitecer.

A noite caíra sorrateira,
Alheia a qualquer acontecimento,
Ignorando todo o sofrimento
Que transbordava
Numa lágrima calada.

E o escuro convergia,
Em meu peito escorria
E chorava em agonia
Com o dia que nascia.

Na manhã fez-se o branco:
A cor que expande...
Mas a expansão do nada
Continua o mesmo nada sem encanto.

Então estou eu
Imersa em pensamentos,
Em busca de um sentimento
Que quase morreu.

Na frieza inevitável,
O chão e o teto
Tão paralelos:
A tristeza irrefutável.

Se jamais se encontrarão
- O teto e o chão -
Inútil é a parede
Com seus 90° e a textura verde.

Mas perpendicular aos dois perdidos,
A parede torna-se ponte
Fazendo o que parecia impossível,
Alimentando do amor a fonte.

Por isso, pelo chão, rastejando,
Tateio no escuro,
O coração palpitando
Em busca do milagre de um muro.





Jejels, 10/08/2009.

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