segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sentimento em gotas


Assim que nasce, toda pessoa chora. É como se precisasse avisar que chegou viva e saudável ao mundo. Mas não é a capacidade de berrar a plenos pulmões que torna o ato de chorar tão humano - e, sim, as lágrimas que o acompanham.

Em algum lugar do passado, um de nossos ancestrais desenvolveu uma conexão neural entre a glândula que fabrica lágrimas e as regiões dos cérebros que produzem, percebem e expressam sentimentos.

Produzimos três tipos de lágrimas. As basais (que umedecem os olhos) e as reflexivas (secretadas em resposta a um estímulo agressivo, como um cisco) compartilham composição química muito semelhante. Já as emocionais têm conteúdo particular.

Relacionamentos complexos pedem formas de comunicação igualmente complexas. E, algumas vezes, as lágrimas, com seu conteúdo intenso e explícito, revelaram-se uma vantagem adaptativa de nossa espécie. Elas combinam a emoção primordial com a capacidade cerebral de processá-las e nos ajudam a expressar sentimentos que subsistem além do alcance das palavras. E, algumas vezes, as lágrimas nos levam aonde a linguagem verbal não pode chegar.





Chip Walter. Sentimento em gotas. In: Mente & Cérebro, fev./2007, p. 81-3 (com adaptações).

Nenhum comentário: