terça-feira, 31 de março de 2009

Sadismo

Não posso combater isso,
O que sinto,
O que vivo...

Minha única arma é o meu sorriso,
Minha única saída é a força,
O autocontrole do espírito.

Minha fraqueza é a admiração,
O sonho, a ilusão,
É o elemento surpresa.

Meu desejo é viver,
É vencer,
Exterminar qualquer expressão.

E assim me reprimo
Para me salvar do sadismo
Ao meu redor.



Jejels, 31/03/2009.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Consolação

Minha existência se resume na poliscenia
Que se faz presente em mim
Todos os dias da minha vida
E que me faz sentir assim.

Olhe em meus olhos,
Explulse em mim seu espírito de tristeza,
Absorva minha alma,
Viva da vida sua beleza.


Jejels, 2007.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Para Gislene

A vida é um caminho,
Pode ser breve ou demorado,
Acompanhado ou sozinho,
Feliz ou frustrado.

Quero primeiro agradecer
Pelo carinho que recebo.
Não sei tanto sobre viver,
Algumas coisas apenas percebo.

Então gostaria de desejar
Coragem, força, atenção
Para que você possa caminhar
Sempre ouvindo seu coração.

Amigos, felicidade
Que estejam sempre com você,
Mas tristeza e saudade
Também vão aparecer.

Desejo então sabedoria
Para que saiba lidar com isso
E que encha sua vida de alegria,
Amor, sonhos e sorriso.

Não são versos complexos,
Mas desejos solidários:
Uma vida com sucesso...
Feliz aniversário.



Jejels.

Sinfonia das Dores

Entre o perfume das flores
Dormem as estrelas,
Sonhos de diversas cores,
Sinfonia das Dores.

O irreal brota em mim,
Envenena a realidade
Tudo é tão triste assim
Mentiras sem piedade.

Entre as flores sem vida
Brilham as estrelas
Nessa noite esculpida
Pela Sinfonia das Dores.



Jejels, 18/04/2008.

Comunicação

Olhares,
Apenas gestos
Quando as palavras não valem
Para transmitir todo o afeto.

Mesmo silenciosamente,
Acho que nos entendemos...




Jejels, 2007.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Um seqüestro

Há alguns meses atrás, quando realizei meu último trabalho como vidente, li o triste passado de um homem que havia perdido a filha e juntamente o emprego como investigador policial. Cheguei a pensar que a vida de Vanderlei Silva estaria arruinada, e realmente estava. Infelizmente li o futuro dele também e foi por isso que encerrei minha carreira como vidente. O que acabo de ver no jornal confirma o futuro de Vanderlei: "P.C. Júnior, filho de um rico empresário, é seqüestrado por ex-investigador de polícia".
Após saber que Vanderlei queria 500.000 reais dentro de uma mala preta atrás da minha banca de jornal em troca do menino, não pude deixar de ajudar. Rapidamente fui atrás do cadastro de Vanderlei de quando vi seu futuro e liguei para ele, falei que estava disposta a ajudá-lo caso ele me desse 30% dos 500.000 reais, para minha felicidade, ele concordou. Em meia hora ele já estava aqui na minha banca de jornal com o menino. Perguntei qual o motivo do seqüestro e porque ele havia escolhido P.C. Júnior, o motivo eu já sabia, Vanderlei estava sem um tostão e com a vida arruinada, mas descobri algo sobre o menino: com apenas doze anos, ele fazia os deliciosos bombons que garantiam sempre o primeiro lugar nos concursos de bombons pelo mundo.
"A polícia já sabe de tudo, não podemos deixar o menino vivo, vamos matá-lo e sumir" - Foi o que ouvi de Vanderlei. Eu, Fátima Zoraide, não podia deixar esse menino morrer, tinha que bolar algo rápido. A hora de matar o menino e fugir com o dinheiro se aproximava, eu já não tinha mais escolha, tinha que aceitar o que iria acontecer às 10:50h.
Chegou a hora, foi quando escutei "Polícia! Saiam com as mãos na cabeça!". Nesse momento o meu vício por bombons falou mais alto e antes de Vanerlei puxar o gatilho e estourar a cabeça do menino, empurrei-o fortemente para fora da banca e tudo o que vejo são dezenas de tiros contra Vanderlei.
Não consegui o dinheiro, mas salvei a vida do menino, o que é muito mais gratificante, além disso, agora trabalho com ele, comendo os bombons! Cada bombom novo deverá ser aprovado por mim antes de participar do concurso.



Phillipe Gustavo, 08/03/2009.

domingo, 8 de março de 2009

Devaneio noturno

Nada a fazer,
Pensamentos voando sem rumo...
O tempo rasteja no mundo,
Nada a fazer...

As luzes mudando,
As sombras no chão,
O relógio tiquetaqueando
Fora do alcance de minha visão.

Curiosidades...

Respiração,
Claustrofobia (?)...
Agonia
Da busca pela perfeição.

Relatos
De fatos
Abstratos
E insensatos.

Mente desconecta,
Alma liberta
Dos sonhos destroçados.

Umidade onírica,
Canção lírica
A encher os ouvidos...

Sentidos vencidos,
Dias nítidos
E lembrança de um abraço.

Retrocesso
Num devaneio sem nexo.




Jejels, 08/03/2009.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Soldado da Morte

Se tudo isso não passasse de mais um pesadelo, o desespero desapareceria... Mas nas noites anteriores os rostos eram apenas borrões inteligíveis que minha imaginação usava para me assombrar. No entanto, lá estava eu, na frente do espelho, contemplando aquela alucinação real com os olhos úmidos e cansados.
Era a escolha certa... Na verdade, eu não tinha opções. Acabar com tudo era o óbvio, mas me faltava a coragem. O barulho constante dos gritos era ensurdecedor e parecia prender-me ali, incapacitando meus músculos de se moverem um centímetro sequer. As janelas estavam fechadas e a porta, trancada... Mas o cheiro de sangue que impregnava as paredes e as cortinas era como um lembrete constante do que estava acontecendo... Não havia mais como me controlar, a razão de meus pensamentos desapareceria nos próximos dias, poderia ser que sumissem em apenas algumas horas.
O gosto amargo era o veneno que intoxicava minha alma, já que meu corpo já havia sofrido a transformação monstruosa. O espelho era o único que não se assombrava enquanto eu pousava meus olhos sobre ele. Meus dentes rangiam com a raiva e a pressão exercida era tão grande que meus lábios sangravam. O ódio e a repugnância tomavam conta de mim enquanto os gritos daqueles que matei ecoavam em minha mente. Eu havia me tornado um pesadelo no mundo dos vivos, letal a qualquer um que se colocasse ao meu alcance. Não restavam mais limites, minha existência se faria presente por toda a eternidade à qual fui condenado. Uma vida macabra com cheiro de morte e tingida da substância escarlate que me manteria; A existência do infinito massacre que eu carregaria por onde fosse; A falta de controle que me tomaria nos momentos de sede combinada ao desespero que encheria os olhos dos "escolhidos". A solidão merecida pelos monstros temidos pelo mundo... Os destruidores da vida.




Jejels, 04/03/2009.