quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ausência

Foi inevitável,
Insuportável
Ter que deixar
Um coração a palpitar.

Um coração que sangra
Na esperança
Da volta
De quem ama.

Esconder-me das sombras
Das estrelas apagadas
Com as mãos machucadas,
Lágrimas rasgadas.

Eu apenas quis voltar,
Afastar-me do mar
E mergulhar em teus olhos,
Reencontrar meus sonhos.

Então perdoe-me, pois não pude
Permanecer ao seu lado,
E por fazer-te sofrer calado
Na sombra que ilude.

Eu apenas quero apagar
As marcas do teu olhar
E consertar meus erros,
Dissolver o desespero
Da minha ausência.





Jejels, 30/07/2009.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Uma noite na janela


- Entre um balanço e outro do meu coração, espero o momento de perder a razão e de encontrar-te em uma nova emoção. Lembro bem. Eu te encontrava em minha janela, no passado: lindo passado, triste passado, inútil passado. Foi um passado cheio de emoção que rendeu em um presente fora da razão: só sinto a emoção. A emoção de querer te tocar, de poder em ti pensar e de querer te olhar e não mais sentir o ar. Ar sujo, impuro. Ar que sempre me acompanhou, mas nunca trouxe você de volta. Volta. Quando se dará a sua volta? Será que tem volta? Estou em um abismo de emoção, perdendo-me em cada estação, sem ter-te ao meu lado, coração. No entanto, eu sei que vais voltar: tu vais tocar na maçaneta da minha porta, que era nossa, girá-la, abri-la, abraçar-me, tocar-me, sentir-me. Vamos brindar a vida com a nossa emoção. A emoção mais pura e sincera que alguém já sentiu. Ninguém nunca sentiu o que sinto por você. Ninguém nunca pensou o que penso de você. Ninguém. Ah, como é estranho: o nosso amor foi vencendo barreiras, ultrapassando limites, momentos felizes, infelizes e, por fim, tenho-te longe de mim. Por que me abandonaste? Por quê? Não tem motivo... Eu sempre amei você e você foi tirando-me de tua vida aos poucos. Parece que fugiste de mim, nunca mais me ligou, da minha vida se afastou. Lembro-me de nossa juventude. Oh! Tu escrevias cartas de amor: “Isabel, minha flor, eu não existo sem você” Ah, que saudade do meu amor, do meu beija-flor. Não era para tudo acabar assim, não mesmo. A nossa casa sempre guardou o nosso amor, as flores na janela esperavam por você, para ver o nosso amor acontecer. Quanto tempo... Olho eu para o lado e, com lágrimas de dor, constato: já não tenho mais você. Ainda espero por você. Você ainda vai entrar por aquela porta, estarei sentada na cadeira, ansiosa para ver-te. Uma lágrima nasce de meu olho. Mais uma, mais duas, mais dez. Não agüento. Saio da cadeira e jogo-me ao chão, não quero essa emoção, não quero viver sem você; desisto...
Isabel não tinha mais chão. Estava perdida. Nada acontecia. Desde a partida de seu amor, viveu a sofrer, a chorar. Nada mais fazia sentido....Levanto. Lanço-me a ti. Oh! Ainda este chão? Esqueci: não tem asas o coração. Lanço-me a ti sem pensar. Não aguento a dor de esperar: são trinta anos de dor. Pois é... Deves estar lindo: cabelos grisalhos, ombros largos, olhos azuis, homem charmoso e quente. (Risos). Lembro-me de tudo. Até da primeira vez. Foi lindo. Foi tudo, mas passou. O tempo passou e o meu amor não se transformou: ainda te amo. Ainda te amo. Ainda te amo. E volto a te amar, e não me canso de te amar, e volto a te amar. Eu te amo...Isabel estava com o pensamento livre, voando como um passarinho. Apesar de ainda estar lançada ao chão, voava como passarinho....Amo. Este chão está frio, lá fora deve estar um frio... Hoje nós faríamos aniversário de casamento. Quarenta anos. Está frio. Vou abrir minha janela, a nossa janela, e deixarei o vento frio, vento que tu respiraste me levar ao lugar onde tu estás. Vou lá.Isabel decidiu fazê-lo. Ela estava só em emoção, nem sabia que isso poderia lhe fazer muito mal. Isabel já tinha certa idade, era uma pessoa vivida, bem experimentada pela vida. Com um misto de dor e gratidão no coração, Isabel resolveu levantar-se. Levantou-se. Olhou para seu corpo, tirou os sapatos, tirou sua saia e sua camisa. Deixou apenas um colar com um coração transparente, ofertado com muito amor pelo seu beija-flor. Estava frio. Mesmo assim, Isabel caminhou até seu banheiro: abriu a porta, entrou no banheiro e trancou a porta. Olhou-se no espelho, pegou e passou, pela última vez, um lápis de olho. Passou fortemente. Pegou um rímel e o passou lentamente em seus cílios. Estava péssima. Nesse instante, o telefone tocou. Tocou de novo. Isabel não conseguiu ouvir: a porta estava fechada, a porta trancada não lhe permitia ouvir o telefone dele. Ele. Era o seu amado. O telefone parou de tocar. Uma lágrima tentou sair de um olho de Isabel, mas ela segurou: não podia deixar estragar sua última maquiagem. Ele estranhou o telefone não atendido e chorou. Ela apagou a luz do banheiro e seguiu em direção à janela. Sentindo o chão, ela foi bem devagar. Cada passo era um momento: a infância, o primeiro olhar, a vaidade, o primeiro beijo, a primeira noite, os planos, o último dia, o abandono e a janela. A janela estava à frente de Isabel. Ensaiou abrir as cortinas. Pensou. Abriu. Colocou as mãos sobre o vidro. “Está gelado”, disse com um tom melancólico na voz. Em um movimento lento, abriu o vidro da janela. Sentiu um vento forte, um vento frio em seu corpo. Sua cabeça nem estava mais ali, fora tomada pelo vento frio, vento triste. Isabel estava sem razão. Vento forte... Forte, muito forte... O vento entrou e derrubou um retrato de rosto dela com ele, o seu amado. Caiu no chão. Quebrou. O telefone tocou. Isabel já não estava mais ali. Começou a tossir. O telefone parou de tocar. Ele decidiu ir à casa de Isabel. F r i o. Isabel estava fraca. Estava adoecendo: seu corpo já cansado estava a receber uma camada muito fria de ar. A pneumonia estava tomando o seu corpo. Imagem triste. Cena triste: que tristeza é ver alguém se anular assim por conta de um amor.- Vento triste, tome meu corpo. Vento... Ah!As palavras quase que não saiam. Passou o tempo. Passaram trinta minutos. Ele chegou. Tocou a campainha, observou a janela aberta e estranhou. Ninguém atendeu. Foi à janela. Viu o retrato dele com Isabel, quebrado no chão. Estranhou muito a cena. Colocou as mãos sobre a janela e olhou para baixo, onde estava Isabel a tomar vento. Fechou os olhos, olhou novamente. Fez que não acreditasse. Esfregou os olhos, olhou. Gritou. Chorou. Deixou cair no chão a rosa que ofertaria ao seu amor. Em movimentos leves e tristes, saltou à janela e percebeu um bilhete na mão de Isabel. Pegou o bilhete e começou a lê-lo. Chorou profundamente. Entre o passado, o presente, a razão e a emoção, o amado da póstuma senhora decidiu desistir de tudo. Ele não calculou que isso poderia acontecer. Ele nunca se esqueceu de Isabel. Sim, fugiu. Entretanto, fugiu por amor. Estava doente, mal de saúde. Carregava em seu corpo uma doença transmissível, que poderia atacar Isabel. Passou trinta anos se cuidando, melhorando e piorando, em Paris. Ele a amava. Contou ele os segundos, os minutos, os anos, as décadas para encontrar sua dama. E encontrou. Só que morta. Isabel estava morta. Morreu de desgosto, morreu de doença, morreu da razão, morreu da emoção, morreu do vento frio, morreu. Para ele, tudo ali estava estranho. “Será que Isabel se suicidou?”, pensava o senhor.Coração na mão. Emoção sem razão. Desejo de se esquecer e se perder. Desejo de não ter desejo. Vontade de não ter vontade. A cabeça do senhor estava tensa. Ele levantou-se de onde Isabel estava, foi ao quarto dela, cheirou o travesseiro dela. Chorou. Perdeu-se. Pela primeira vez naquela noite depois do ocorrido, pensou:- É isso o que vou fazer. Não há mais o que fazer.Seguiu em direção ao armário de Isabel, puxou a terceira gaveta, tirou os ursinhos de pelúcia que dera à Isabel.- Ela ainda guarda esses ursinhos. Será que está aqui?O beija-flor de Isabel, seu amado, tirou um ursinho. Tirou o segundo, fechou os olhos e colocou a mão no final da gaveta. Sentiu. Chorou. Sentiu aquele objeto. Pegou. Caminhou em direção à Isabel. Ajoelhou-se. Passou o objeto por seu rosto, sentiu o cheiro: era uma arma. Apontou a arma em seu coração e proferiu suas, talvez últimas, palavras:- Meu amor, todos os planos que fizemos juntos vão se realizar. Ele já não conseguia pensar. Começou a dizer coisas que qualquer ser humano em seu estado normal não diria. Pois agora eu vou te encontrar. Vou te encontrar. Para sempre vamos viver juntos... É agora...A arma dispara no peito do distinto senhor. Ele cai ao lado da amada. Uma lágrima, que começou a sair de seu rosto antes do disparo, percorreu o rosto do rapaz e repousou na mão de Isabel, onde estava o bilhete. Silêncio no ambiente.





Rafael Daher, 2009 (retirado de www.recantodosversos.blogspot.com).

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Retorno

E o tempo passou,
E a hora chegou.

Meus olhos se abriram
Encontrando os teus;
Meus braços se abriram
Desfazendo o adeus.



Jejels, 28/07/2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Em mim só há um vazio

Eu só queria saber, qual o verdadeiro sentido de existir, Eu só queria poder descobrir , o que estou fazendo aqui, neste lugar, neste momento, as coisas ao meu redor , não significam nada para mim, mas porque isso? porque não entender? Em mim só um vazio, um vazio que preenche tudo sem sentido, já não sinto mais nada, já não posso sorrir, mas também não há lágrimas, não há mais nada dentro de mim, somente um vazio, um vazio que preenche tudo sem sentido, porque você não está mais aqui...



Ana Maria dos Santos Nunes (retirado de http://www.poemasdeamor.com.br).

Surto de saudade

O vento uiva novamente
Os temores que me assombraram
E continuarão eternamente
Nas memórias que restaram.

E a melodia soprou
No céu sem cor,
As estrelas apagaram
E as lágrimas sangraram.

Então só havia o silêncio,
Um breve
E inesperado
Silêncio.

Por mais que os lábios se movam,
A voz continua rouca,
Não há ninguém para escutar,
Ninguém para presenciar.

E tudo se resume ao vazio,
Frio e insensível
Que preenche a noite
Irreversível.

Mas nos confins da mente
O que restou de sanidade
Deve saber que certamente
Não passa de um surto de saudade.




Jejels, 23/07/2009.

Mar aberto

Se procuro você
Não sei como procurar
Não sei onde encontrar
Procuro seus olhos
E não ouço nada
Não vejo o brilho da sua palavra
E me perco na estrada
Se o sol ilumina meu caminho
Tenho medo de seguir sozinho
Se você visita minha casa
Não sei como abrir a porta
Se você está
De braços abertos
Nunca estou perto
Se o mar se abriu para mim
Esqueci de atravessar
Meu paraíso ficou distante
E não consigo sorrir como antes.



Arnoldo Pimentel Filho (retirado de http://www.poemasdeamor.com.br).

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã,
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda ti natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!



Álvares de Azevedo.

Madrugada


Dorme madrugada
Madrugada dorme
E eu aqui cansada
Sem meu sono saciar

Dorme madrugada
Madrugada dorme
Tú és tão desejada
Quanto a noiva é pro altar

Dorme sem remorso
Contra ti eu nada posso
A não ser te aceitar
Madrugada eu te peço
Madrugada eu só quero

Que enquanto o dia espero
Possa em meu amor pensar.



quarta-feira, 8 de julho de 2009

Somente o vazio

Não há o que dizer
Não há o que pensar
Sem ninguém para ouvir

Não há o que ler
Não há o que aprender
Sem ninguém para ensinar

Não há a quem amar
Não há a quem se dedicar
Sem ninguém para compartilhar

Não há o que se discutir
Não há o que planejar
Sem ninguém para se debater

Não há onde fugir
Não há onde se esconder
Sem ninguém para proteger

Não há o que compor
Não há o que cantar
Sem ninguém para aplaudir

Não há o que orar
Não há o que se arrepender
Sem ninguém para sofrer

Não há o que temer
Não há o que se acovardar
Sem ninguém para ameaçar

Não há o que escrever
Não há o que expressar
Sem ninguém para criticar

Há um vazio a espera de ser preenchido
Não com metáforas e antagonismos
Mas com amor e humanidade.



Agamenon Troyan (retirado de http://www.overmundo.com.br)

domingo, 5 de julho de 2009

Sonho molhado


Dia trinta de agosto do ano dois mil e oito, último sábado do mês.



Talvez até hoje eu não tivesse me sentido assim... Estava perdida em alto mar no navio pirata que sempre me abrigou... E balançava, balançava com a graciosidade do movimento das águas... Vai e volta, vai e volta a navegar pelo espaço aberto e livre, a exuberante imensidão que embala por esse caminho sem destino. Eu gosto disso... De me perder ao acaso, jogada aos quatro ventos, segurando a tranqüilidade azul. Teu abraço me leva a esse mar onde tudo está calmo e nada mais importa além de ser e estar.
Então o barco pirata me fez a pessoa mais completa do mundo... Eu e você abraçados em um barco desnorteado sem nada nem ninguém. Era perfeito, era real... A sensação de liberdade que sinto quando estou presa a você... O calor que você passa pra mim a cada toque, o seu perfume, seus cabelos macios, seus braços, suas costas nuas... Seus lábios. Não existe conforto maior que estar com você e poder olhar no fundo dos seus olhos trocando palavras que não existem e nos perdendo um do outro para nos ganharmos logo depois...
Vai e volta, vai e volta a me beijar da forma mais doce que se poderia beijar alguém e eu me atirando ao tempo, deixando que ele nos levasse. E o tempo nos carregou lentamente numa viajem saborosa e bela pela clareza dos nossos sentimentos e pela escuridão que ia começando com a chegada da lua... Então cantamos juntos fazendo nossas almas dançarem se abraçando e se completando em gestos abstratos de carinho.
Foi quando o tempo nos levou a outros caminhos e tivemos que dizer “adeus”... Mas mesmo assim continuamos presos um ao outro, não só pelo sentimento que compartilhamos, mas também pelos pensamentos, pelo gestos, pela saudade...E quando o navio pirata me levou de volta à realidade e me deixou, quando eu pensava que já não poderia ser melhor, um barulho sutil veio encher meus ouvidos... Divina melodia da natureza, como és bela! Como me deixas feliz! Coloquei a cabeça para fora da janela, confirmando que não se ratava de uma alucinação provocada pela desconexão do mundo real ou da felicidade excessiva... A chuva caía lívida e graciosa do alto das nuvens... O pranto o celeste sempre me alegra... Me deixa inspirada! Inspirada, inspiração... Inspira, expira, inspira, expira enchendo as narinas com esse cheiro maravilhoso, enchendo os pulmões com esse ar puro e límpido, enchendo o corpo e a alma de vida...
E assim se passou a noite toda... Acordava ouvindo a canção da chuva e ficava apreciando... Depois dormia e acordava de novo com os ouvidos cheios da música pluvial...
Mas finalmente acordei e já era de manhã e, sem uma nota musical sequer, me perguntei se havia sido tudo um lindo sonho desses que a gente tem e pensa se nunca se tornaria realidade... Mas me certifiquei de que tinha sido tudo pura realidade quando olhei para minhas mãos... Então tive certeza: Havia sido o dia mais feliz da minha vida.





Jejels, 2008.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Anjos do Mar

As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d’escuma revolvem-se nus!


E quando, de noite, vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear...
E a trança luzente da nuvem flutua...
As ondas são anjos que dormem no mar!

Que dormem, que sonham... e o vento dos céus
Vem tépido, à noite, nos seios beijar!...
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!

E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar...
São beijos que queimam... e as noites deliram
E os pobres anjinhos estão a chorar!

Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar...
Por que não consentes, num beijo de amor,
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?




Álvares de Azevedo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Silentium

Ainda não é nascida.
É só canção e poesia,
E está em plena harmonia
Com tudo o que é vida.

O seio da onda arfa em paz,
Mas como um louco brilha o dia
E a espuma pálido-lilás
Jaz no azul-névoa da bacia.

Que em meus lábios pairasse
A quietude original
Como uma nota de cristal
Pura desde que nasce!

Volve … poesia e a canção,
Sê só espuma, Afrodite,
Coração, desdenha o coração
Que com vida coabite!


Poesia moderna russa de Ossip Mandelshtam, 1910.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mundo perdido

__Cada segundo passa como
____Horas que se arrastam
______Rumo ao caos e à destruição,
________Ingressando num mundo
__________Sínico e cheio de mentiras,
____________Traçando o que resta de inocente,
______________Inconcientemente mergulhando,
________________Alçando voo na imensidão perdida onde
__________________Nada mais faz sentido.

__________________Orquídeas mortas sem cheiro
________________Nevam no céu escuro em que
______________Centenas de gênios se perderam...
____________Kepler, Newton, Einstein
__________Em busca de um universo não alcançado
________Num buraco negro que se fechou para sempre.



Jejels, 01/07/2009.