sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Amanhecer

O silêncio da noite se corrompe na suave melodia do vento; um vento gélido e solitário que vaga peas ruas. Apesar de todo esse frio, timidamente brilhava o luar... uma faísca de sentimento se acende, nutrindo-se da esperança da luz. O medo começa a se dissolver lentamente enquanto o sentimento cresce.
E então vem a sensação da vitória, a vida mostra-se conquistada e a sombra azulada da tristeza se dissolve em penunbra até que, aos poucos, some do alcance dos olhos. Chegou a luz dourada iluminando e acariciando a pele, aquecendo a alma e trazendo a tranquilidade e a felicidade antes encobertas pela escuridão noturna. Sol, és o rei do universo!





Jejels, 26/08/2009.
> Para o meu Sol, que invade a noite e torna minha vida completa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mortas paixões

Progressos,
Regressos,
Ingressos
Expressos,
Impressos,
Impressões,
Emoções,
Corações,
Compaixões,
Paixões
Extorcidas,
Retorcidas,
Distorcidas,
Vencidas
E sem vida.






Jejels, 27/08/2009.

De quanto tempo se faz uma vida

6:30.
Então você desperta de um sonho que não quis sonhar, abre os olhos alerta, querendo acreditar que não fora realidade, apenas um devaneio.

O sonho estava bom, e você mente para si, afirma a mentira e acredita.

De quantos sonhos se faz um mentiroso?
De quantas frustrações se faz um iludido?

Para essas perguntas restam apenas outras perguntas e você continuará se questionando, como se não fosse, mentiroso e iludido.

Volta a dormir tranquilo, sem receio, mas com um prazer malicioso de cada uma das cenas que até a pouco via em seus sonhos.

Existe um desejo fugaz de que o sonho continue, mas após tanto desprezá-lo, sabemos bem, que ele tinhoso, jamais voltará para o subconciênte de uma mente que mal aceita o que verdadeiramente quer.

6:35
Em pouco tempo se apaga e se alimenta imensas vontades.
De quantas noites se faz uma vida?
De quantos pesadelos se vive a realidade?





Retirado de http://dyanepriscila.blogspot.com/.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Canção

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.


Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto


Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.




Cecília Meireles.

sábado, 22 de agosto de 2009

O gato

Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga.




Vinícius de Moraes.
(para o meu pequeno grande gato).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Soneto da fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.






Vinícius de Moraes.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Desejo de te ver

Todo dia
Ao amanhecer
Penso em você.

Passo dias sem te ver
Mas eu não sei porque
eu quero tanto te ver

Será que é porque
Todo dia
Ao amanhecer,
Penso em você
Passo dias sem te ver


Eu amo você?
E não espero pra saber
O dia que vou te ver

"Quando a gente ama, é claro que a gente cuida..."
Mas você não gosta de mim, mas cuida
Então por que cuida de mim se não me ama?

Quando o por do sol chega, só penso em ter você
Será que tem algo bom no destino
Ou terei de sofrer?

Então a chuva chega
E eu me entristeço
Pensando se algum dia,
Eu terei o seu beijo

Então como o tempo não para
A noite chega
E pensando em você
Adormeço,
E sonho com o seu sorriso, esperando esse dia chegar.





Luciana Marinho, agosto de 2009 (retirado de http://luhmarinho.blogspot.com/ ).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A tragédia do lápis

O lápis amava a caneta,
Mas ela era casada com a tinta.
Então ele rodou o planeta
Buscando coração que sentisse
Por ele o mesmo amor:
Irreversível amor platônico.
Mas ele apenas se machucou
Num pesadelo medonho,
Pois de amor o mundo nada tinha
E restou apenas uma carta suicida:
Morreu o lápis sonhando com a tinta
Que jamais fora em sua vida.




Jejels, 11/08/2009.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A busca

O sol surge
Ofuscando a noite lúgubre
E implacável
Que acabara de me vencer
Novamente.

Nos sonhos encontrei o vazio
Imenso e inacabável,
Indescritível e inexorável
Que em sua ausência de ser
Preenchia as vagas memórias do anoitecer.

A noite caíra sorrateira,
Alheia a qualquer acontecimento,
Ignorando todo o sofrimento
Que transbordava
Numa lágrima calada.

E o escuro convergia,
Em meu peito escorria
E chorava em agonia
Com o dia que nascia.

Na manhã fez-se o branco:
A cor que expande...
Mas a expansão do nada
Continua o mesmo nada sem encanto.

Então estou eu
Imersa em pensamentos,
Em busca de um sentimento
Que quase morreu.

Na frieza inevitável,
O chão e o teto
Tão paralelos:
A tristeza irrefutável.

Se jamais se encontrarão
- O teto e o chão -
Inútil é a parede
Com seus 90° e a textura verde.

Mas perpendicular aos dois perdidos,
A parede torna-se ponte
Fazendo o que parecia impossível,
Alimentando do amor a fonte.

Por isso, pelo chão, rastejando,
Tateio no escuro,
O coração palpitando
Em busca do milagre de um muro.





Jejels, 10/08/2009.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Loucura




Louca loucura,


Que me faz enlouquecer,
Que me prende a você,


Que me faz sofrer.


E que me faz perceber,
Que por você eu enlouqueço.






Rafael Daher (retirado de www.recantodosversos.blogspot.com ).

Noite

Por que o brilho se derrete
Sob a chama azul da lua?

Há uma sombra inerte
Vagando pela rua
E pela janela posso encontrar
As rosas mortas a chorar,
Suas cores desbotadas,
As vozes abafadas
Pelo barulho do mar.

Um mar de insegurança,
De medo e inconstância
Que grita sem pensar.

E o vento que sopra,
Gela e continua a esfriar,
Rodopia pela rua
Escura e sem estrelas.

O cheiro é do desespero
Que atinge o cavaleiro
Já sem forças para lutar.
Em seus olhos eu vejo
A faísca do desejo,
Do anseio por descansar...

A memória do beijo
Jamais irá se apagar.





Jejels, 07/08/2009.

Illusions

I believed life would shine for me
With all the happiness I had dreamed with,
But now I see
The same time that builds
Is able to destroy everything.

I believed we could live forever
In our wonderful fairy tale world,
But now I see
The same hero’s sword
Is able to hit my heart.

I believed we could do anything
With the strength of our hope,
But now I see
The same glorious sky above
Seems to be in ruins.

I believed death was only a nightmare
That frightened us in the mysterious night,
But now I see
The same miles-away-death
Is knocking on my door tonight.

My faith is drowning in my tears
And my hope’s crawling for my fears,
My soul’s being tortured by the night
For I’m sure
The dark knight will come
To close my eyes.






Jejels, 07/08/2009.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Rendição


Entre uma parede e outra
Prendem-se os sonhos
Que se enchem de sombra
Antes de serem estilhaçados.
Tudo acontece tão rápido,
Num intervalo de uma lágrima e outra...


E eu poderia me contentar
Afinal, não resta nada a ser feito;
O mundo continuará a girar
Em seu rítmo perfeito.


Só resta a aceitação,
A rendição às correntes,
A morte do inconsciente
Presa em meu coração.





Jejels, 06/08/2009.

Waterfall (tradução)


As memórias flutuando para baixo
Eventualmente, se tornam de um rio para um oceano

Um elemento tomando forma
Muitas palavras de amor
Muitas vítimas de palavras

Eu estou caindo na escuridão
Mas não consigo dizer adeus pra você
Procurando meus próprios pedaços...

O processo refletido lentamente
As intenções acumuladas, aspirações

O que eu escolhi não era um caminho
Um voto de desejar pelo futuro
Com os amigos que me ensinaram

Eu estou caindo na escuridão
Mas não consigo dizer adeus pra você
Procurando meus próprios pedaços...

Algo que eu não limpei, quando minhas lágrimas caíram
Parecia com a tranqüilidade de dias azuis que não enfraquecem
Assim, como eu mesmo, eu viverei para sempre com você
Não existem feridas que não doam para aquele céu tão distante

Eu estarei com você até o fim da eternidade que você quer

Eu nasci, eu conheço o fim das quatro estações
Uma flor que nasce entre pedras...

Junto das estrelas rotativas, as gotas cadentes, não conhecidas a ninguém
Assim, como eu mesmo, eu viverei para sempre com você
Até que as lágrimas que caíram graciosamente sequem

A caixa de música chamada universo está chorando
Assim, como eu mesmo, eu viverei para sempre com você


Eu estarei com você até o fim da eternidade que você quer.
Alice nine.

Christian's inferno

I got under the grip
Between the modern hell
I got the rejection letter in the mail and
It was already ripped to shreds.

Seasons in a ruin and
This bitter pill is chased with blood
There's fire in my veins
And it's pouring out like a flood.

Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno.

This diabolic state is gracing my existence
Like a catastrophic baby
Maybe maybe you're the chemical reaction
I am the atom bomb
I am the chosen one
Toxin your reservoir
And then return man to ape.

Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno
Whoa, Christian's inferno.





Green Day, 2009.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

21 guns


Do you know what's worth fighting for,
When it's not worth dying for?
Does it take your breath away
And you feel yourself suffocating?
Does the pain weigh out the pride?
And you look for a place to hide?
Did someone break your heart inside?
You're in ruins.

One, 21 guns
Lay down your eyes
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I.

When you're at the end of the road
And you lost all sense of control
And your thoughts have taken their toll
When your mind breaks the spirit of your soul
Your faith walks on broken glass
And the hangover doesn't pass
Nothing's ever built to last
You're in ruins.

One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I.

Did you try to live on your own
When you burned down the house and home?
Did you stand too close to the fire?
Like a liar looking for forgiveness from a stone.
When it's time to live and let die
And you can't get another try
Something inside this heart has died
You're in ruins.

One, 21 guns
Lay down your arms
Give up the fight
One, 21 guns
Throw up your arms into the sky,
You and I.




Green Day, 2009.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A noite dissolve os homens


A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
e nem tão pouco os rumores
que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas,
nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos,
a noite espalhou o medo
e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda,
sem esperança... os suspiros
acusam a presença negra
que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
na noite. A noite é mortal,
completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens,
diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias,
apagou os almirantes
cintilantes! nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo...
O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.

Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes, vapor e róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de seus dedos,
teus dedos frios, que ainda não se modelaram
mas que avançam na escuridão como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez,
uma inocência, um perdão simples e macio...

Havemos de amanhecer. O mundo
se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora
.





Carlos Drummond de Andrade.

sábado, 1 de agosto de 2009

Amazing grace


Amazing...

Amazing grace
How sweet the sound
That saved a wretch like me
I once was lost
But now am found
Was blind but now I see.

Amazing grace
Shall always be my song of praise
For it was grace that brought my liberty
I'll never know
Just why Christ came to love me so
He looked beyond my faults and saw my need.

Hallelujah.






Eternal.