quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Luciana

A cada dia,
Descubro-te.

Percebo-te diferente,
A cada dia, mais radiante,
A cada noite, mais deslumbrante.

Que beleza brota de tua imagem!
Que ternura de teus olhos transborda!
Que atenção desperta no pajem!
Que tristezas esse olhar aborta!

A cada dia,
Descubro-te.

Percebo-te diferente,
A cada dia mais bela,
A cada noite, mais magnífica que estela...
Uma verídica estrela!


Jejels, 29/12/2010.

Quiséramos

Quisera a noite
Passear por teus olhos,
Vasculhar teus sonhos
Na tua sombra onírica.

Quisera ela
Entrecortar tuas palavras,
Descobrir tuas mágoas
Na tua história maculada.

Quisera a noite
Bagunçar teus cabelos,
Alimentar teu medo
De perecer em sua penumbra.

E quisera eu
Não ser como esta noite
Que ao contrário do meu desejo,
Em algumas horas, perecerá.



Jejels, 29/12/2010.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

World behind my wall


It's raining today, the blinds are shut.
It's always the same.
I tried all the games that they play,
But they made me insane.
Life on TV is random,
But it means nothing to me.

Oh, oh,
They're telling me it's beautiful,
I believe it, but will I ever know
The world behind my wall?
Oh, oh,
The sun will shine like never before,
One day I will be ready to go
See the world behind my wall.

Trains in the sky are travelling
Through fragments of time,
They're taking me to parts of my mind
That no one can find.

I'm ready to fall,
I'm ready to crawl on my knees to know it all,
I'm ready to heal,
I'm ready to feel.



Tokio Hotel.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fortaleza

Os dias ficaram mais coloridos,
De repente, o sol ganhou mais brilho...

E aqui, a terra da saudade
Tornou-se local de felicidade
Com um brilho caramelado,
Olhos apaixonados.

Onde brotavam lágrimas,
Ergueram-se fortalezas de sorrisos
Que encheram-me de lembranças
E de esperança.



Jejels, 27/12/2010.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

...

enquanto o orvalho
cai dos olhos da noite
sou eu o espantalho
o solitário
o que restou na escuridão
sou eu quem resiste
sou eu quem espera
morro em cada um dos meus sonhos
em cada palavra da poesia
em cada gota de chuva
em cada primavera
os primeiros raios de sol
se debruçam na janela
na cama vazia
nos lençois frios
nos cobertores de lã
sou eu o perdulário
o ladrão dos beijos
o incendiário da manhã
sou eu quem nunca dorme
quem sempre mente
quem faz arder o peito
sou eu o sujeito
o causador das lágrimas caídas
o dono da saudade reticente
o eterno culpado pelas despedidas.



Jose Luis (retirado de http://slowdown.com.br/ )

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Subterrâneo

Nervosismo,
O coração disparado...
Olho para os lados
Tentando tudo captar.

Estou sozinha
A uma velocidade impressionante,
Num estado exorbitante
De acúmulo de adrenalina.

Deveria eu estar aqui?
Deveria fazer isso?
A culpa não deveria existir,
Já estou no meio do caminho.

No túnel escuro,
Com olhos atentos,
Sumi de meu mundo
Por alguns momentos.


Jejels, 14/12/2010.

Palavras

Ouvir aquelas palavras
É como ser empurrada,
Jogada ao abismo
Que eu mesma cavei.

Mesmo que agora seja passado,
Constituiu-se em um fato,
Algo concreto
Que não pode mais ser apagado.

E por mais que esteja tudo bem,
Sei que sou alguém
Que já não valeu a pena,
Que desequilibrou a cena.

Ouvir essas palavras
Faz-me sentir o quanto isso pesa,
O quanto nos machucou
A morte da promessa.



Jejels, 14/12/2010.
Pauta para a 68ª edição poemas do Bloínquês.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Innocence


Waking up I see that everything is OK
The first time in my life
And now it's so great
Slowing down, I look around and I'm so amazed
I think about the little things that make my life great
I wouldn't change a thing about it
This is the best feeling.

This innocence is brilliant
I hope that it will stay
This moment is perfect
Please, don't go away
I need you now
And I'll hold on to it
Don't you let it pass you by...

I found a place so safe, not a single tear
The first time in my life
And now it's so clear
Feel calm, I belong, I'm so happy here
It's so strong and now I let myself be sincere
I wouldn't change a thing about it
And this is the best feeling.

It's the state of bliss you think you're dreaming,
It's the happiness inside that you're feeling,
It's so beautiful it makes you wanna cry.





Avril Lavigne.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A porta fechada

Eu caminho por corredores,
Observo as paredes
A cada dia diferentes...

Texturas que se modificam,
Cores que o tempo desbota
No corredor por onde meus pensamentos vagam.

Até que um dia,
Decidi ir mais longe.
Encontrei uma porta diferente,
E, de certa forma, atraente...

Curiosa como sou,
Vou de encontro à maçaneta,
Percebendo, com uma careta,
Que ela não se movimentou.



Jejels, 08/12/2010.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ciclos

Movimentos cíclicos
Exigem de meus músculos
Força para continuar,
Força para movimentar.

Palavras cíclicas
Exigem de meus nervos
Força para não gritar,
Força para não surtar.

Situações cíclicas
Exigem de mim
Força para não virar as costas
E, simplesmente, ir embora.


Jejels, 07/12/2010.

Ludibriada

Eu acreditei mais uma vez,
Confiei que seria diferente
E caí novamente
Com o mesmo sentimento frustrante.


Jejels, 07/12/2010.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Fluindo


Sinto meu corpo
Cheio de energia,
Cheio de sentimento
Querendo entrar em sintonia
Com esse sopro de música.

O espaço ao meu redor
Parece ampliar-se,
Tornar-se cada vez maior
Com meus movimentos.

Com um começo lento,
Vou soltando os braços,
Entregando-me à dança
A cada passo.

Sutilmente, transformo-me,
Modifico as expressões,
Deixo fluir de vez
Tudo que há em mim.



Jejels, 02/12/2010.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Saturada

Os mesmos deslizes,
Os mesmos desentendimentos,
As mesmas desculpas,
As mesmas conversas,
As mesmas fugas.

A mesma sensação de invisibilidade,
De desimportância,
De indiferença.



Jejels, 29/11/2010.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Revelação


A escuridão, a calma,
Suas palavras, seu olhar...
Tudo me levava a revelar.

Depois de tantos anos,
Era chegado o momento
De deixar que você soubesse
Sobre meus sentimentos.

Você me faz rir em situações extremas,
Você me faz ter esperanças para continuar,
Você me dá motivos para confiar
Cada vez mais em nossa promessa.

E é você quem me dá motivos para lutar,
É por seus olhos que sou capaz de matar
Qualquer coisa que nos ameace agora.

O que seria se não tivéssemos um ao outro?
Simplesmente não seria,
Eu não suportaria sequer um dia
Sabendo que perdi você.

Presos nesse mundo caótico,
É pelo seu nome que eu chamo;
Presos nesse mundo sórdido,
Preciso dizer que eu te amo.



Rebeca Ambers, 26/11/2010.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Equalize

Às vezes se eu me distraio,
Se eu não me vigio um instante
Me transporto pra perto de você
Já vi que não posso ficar tão solta
Me vem logo aquele cheiro
Que passa de você pra mim
Num fluxo perfeito.

Enquanto você conversa e me beija,
Ao mesmo tempo eu vejo
As suas cores no seu olho, tão de perto
Me balanço devagar
Como quando você me embala
O ritmo rola fácil
Parece que foi ensaiado.

E eu acho que gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é.
Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim.

Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz
Que fica me dizendo coisas tão malucas
E que quase me mata de rir
Quando tenta me convencer
Que eu só fiquei aqui
Porque nós dois somos iguais.

Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifrava os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar.

E o tempo é só meu
E ninguém registra a cena
De repente vira um filme
Todo em câmera lenta
E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é.

Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim.




Pitty.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sol

Nuvens passam ao redor,
Chegam a encobri-lo,
A reduzir a percepção de seu brilho.

O mundo gira, escondendo-o
De uma de suas faces,
Fazendo com que a escuridão ronde.

Mas ele está sempre lá,
Por mais que algumas vezes pareça invisível
E outras, severo e irredutível.

Com o mesmo brilho,
Com o mesmo esplendor,
Irradiando a todos seu calor.



Jejels, 24/11/2010.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Alçando voo

Posso sentir o vento em minha face,
A alegria preenchendo meu coração,
A faísca de esperança, o enlace,
Minhas lágrimas não foram em vão.

Sinto novamente a liberdade,
Mesmo estando acorrentada novamente...
Tudo está perfeito, o entusiasmo me invade
Quando sua imagem volta à minha mente.


- E então, o que vai ser agora?
Pergunto a mim mesma e respondo
- Voltaremos ao imaginário onde você mora,
Onde não existem fronteiras em meu mundo.

E, feliz, prossigo de volta,
- Quer que eu encha o balão?
Subitamente, sinto-me leve como o ar...
- Já pode voar!





Jejels, 19/11/2010.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Correndo

Movimento minhas pernas...
Acelero o passo, sentindo mais energia,
Sentindo meu corpo preencher-se da alegria
Que vem com a sensação de liberdade.


Jejels, 17/11/2010.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pra rua me levar


Não vou viver como alguém
Que só espera um novo amor
Há outras coisas
No caminho aonde eu vou...

Às vezes ando só
Trocando passos
Com a solidão
Momentos que são meus
E que não abro mão...

Já sei olhar o rio
Por onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou
Pra mim agora...

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar este lugar
E eu vou lembrar você...

É,
Mas tenho ainda
Muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz
E que ainda não cumpri
Palavras me aguardam
O tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez
Você nem queira ouvir...

Já sei olhar o rio
Por onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou
Pra mim agora...

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
(Se acender!)
A lua vai banhar esta lugar
E eu vou lembrar você...



Ana Carolina e Seu Jorge.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Meu mundo

Os cacos do meu coração ao meu redor,
Minha vida bate de frente mais uma vez,
A realidade dói tanto...
Eu não pude quebrar meu sonho, mas você o fez.

Estava suspensa por um fio,
Flutuava de olhos fechados,
Atirei-me sem pensar na realidade que você me ofereceu,
Mergulhei em meu subconsciente doentio.

Eu criei um novo eu,
Alguém forte o bastante,
Com a coragem que nunca tive,
E assim meu mundo tornou-se distante.

Mas você cortou as ligações,
Você quebrou meu imaginário,
Fez voltar minhas assombrações,
Dizendo que isso era necessário...

Não, ninguém jamais entenderá
O sofrimento e a dor de retornar
A esse mundo sombrio
Imerso em escuridão, indiferença e frio...

Não...
Ninguém jamais entenderá.




Jejels, 12/11/2010.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Imaginário

Sonho ou realidade?
Agora já nem importa...
Continuarei crendo no imaginário da eternidade
Enquanto eu puder me alimentar
De meu subconsciente
E esquecer que estou morta.


Jejels, 11/11/2010.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lamúria

Sim, meus pálidos amigos desaparecidos,
Venho mais uma vez em solidão vos encontrar.
Embora por meu egoísmo tenham se esvaído
No mais sombrio e triste hipogeu do orgulho,
Suplico que levanteis,
Piedosos por minhas lágrimas a brotar.

A ti, meu ar, hei de apresentar os pedaços que restaram do meu coração despedaçado pelas mais violentas sangrias,
Fraco, violentado, envenenado por meu próprio ego,
Minha voz por um fio, sufocada pelo sangue a me escapar.

A vós, fantasmas amigos, venho por abrigo suplicar...
Meu ar, meu pretendido par,
Dono de meus sentimentos,
Imerge meu ser em pensamentos, pondo-me a sonhar.

Tuas palavras envolvem-me enquanto o tempo parece congelar.
Aquele que de vida tem a sobra, mas que de morte vem a falar.

Eu suplico, meus amigos, que venham me consolar.
A eternidade concebida aos mortos talvez seja o melhor que eu possa esperar.
Encontrarei a vós, meus amigos, no leito eterno que já não mereço por tantas almas que fiz desesperar
E enquanto viva estiver,
Terei de conviver com o peso da culpa,
Fadada então a lamentar não ser do dono de meu coração, a amada.

Oh, ar meu!
Agora, enquanto dormes em paz,
Sofro acordada em agonia
Sonhando com o improvável dia em que meu sonho se realizará.

Oh, meu ar!
Apenas nesse dia poderei, em paz, descansar.



Jejels, 10/11/2010.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Oxigênio

Subitamente submersa,
O perigo está sempre à espreita
Apenas aguardando o momento certo,
Ele está sempre por perto.

Por alguns segundos sozinha,
O desespero assume proporções absurdas,
Preciso subir para respirar,
Preciso de alguém para me ajudar.

Felizmente, não durou a eternidade que me pareceu,
Meus olhos reascenderam quando você apareceu
Para me trazer de volta mais uma vez,
Tirar do meu rosto a palidez.

E agora posso ver com clareza
O que antes estava escondido na sombra da dúvida
Combinando com caos das redondezas,
Contrastando com o fato de ainda termos vida.


E para viver, preciso continuar respirando,
Munindo-me com seu sorriso,
Com a imagem do seu rosto,
Com o som da sua voz sussurrando...

Ao voltar para a superfície,
Torna-se óbvio que tudo o que ainda tenho
E tudo o que quero agora,
É você,
Meu oxigênio.




Rebeca Ambers, 08/11/2010.

sábado, 6 de novembro de 2010

(Des)Entendimento

Palavras mal interpretadas
Podem iludir mentes,
Fazer florescerem conclusões precipitadas,
Conduzir pessoas a outros rumos.

Palavras mal interpretadas
Podem fazer você acreditar
Em em uma verdade ultrapassada,
Algo que é tão frágil como as folhas do outono.



Jejels, 06/11/2010.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um sentimento novo

Sentada num canto,
Senti algo novo.

Com todo o meu cansaço,
Toda a minha rotina,
Eu ainda me divertia.

Com todos os imprevistos,
Com você bem longe de mim,
Eu ainda sorri.

E quer saber?
Não quis que fosse diferente.

Nesse momento, passo por uma transição,
Uma mudança repentina, inesperada,
Metamorfose em meu coração.

Pode ser que eu sofra com isso depois,
É bem provável que isso aconteça,
Mas as coisas do coração ninguém controla com a cabeça.

E foi nesse momento que eu percebi
Que você já não deixava tanta saudade,
Que aquela necessidade de você já não me invade.

Sinto que estamos próximos de uma mudança,
De uma ruptura...
Consegui forjar sozinha minha armadura.

Não me entenda mal,
Você se torna meu melhor amigo cada vez mais,
Não vou deixá-lo para trás.




Jejels, 05/11/2010.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Amor platônico

Fui pega de surpresa,
Pensei que já havia ficado presa
Por tempo suficiente.

Não, eu estava enganada,
Pois o amor platônico capturou-me novamente
Em sua prisão idealizada.

Sonho eu com tais versos,
Aqueles versos que se fossem para mim,
Valeriam-me o universo.

Lembro de ti como um vento libertador,
A melhor companhia que poderia existir,
Aquele que consegue me fazer sorrir.

De que adianta olhar através da janela
E sonhar acordada horas a fio
Se não sou eu a sua bela?




Jejels, 04/11/2010.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Em um freezer

A adrenalina baixa aos poucos.
Estamos seguros novamente
Depois de mais um dia louco.

O frio é grande agora,
Mas nem me importo tanto,
Os monstros já estão do lado de fora.

Rimos novamente
Eu e você
Com um futuro inesperado à frente.

O calor volta ao meu corpo
Quando você subitamente
Coloca a mão em meu rosto.

Somos uma equipe
Num desolado e destruído mundo...
Estaremos juntos.





Rebeca Ambers, 02/11/2010.

Escapismo

Minha vida desaba aos poucos,
Tragada pelo ar monótono
Que se apossa de meus dias.

Meus apoios perdem a força,
Sustentados apenas por uma faísca
Da tolerância que se esvai.

Mergulho em palavras,
Em meu vasto imaginário,
Num mundo onde tudo é possível.

Meu nome ganha outro significado
E meus sentimentos modificam-se,
Preencho-me de um novo ''eu''.

Deixo-me viver nesse novo mundo,
Entrar cada vez mais fundo
Sem saber o que poderia acontecer,
Sem saber que poderia me perder
Numa nova paixão.



Jejels, 02/11/2010.

domingo, 31 de outubro de 2010

Nossa promessa

Em meio a carros destruídos,
Corações falidos
E escuridão completa,
Andamos em linha reta.

O vento frio da noite sopra em nossos rostos,
Seguro sua mão para não me perder,
Pois tudo pode acontecer
Vindo desses monstros.

Descobrimos que os mortos caminham,
Descobrimos que não podemos confiar em ninguém.

Mas no meio dessa loucura,
Mesmo com o controle destroçado
E com pesadelos nos rondando,
Tenho você ao meu lado.

E quando tudo parece perdido,
Procuro em minha memória o que você tinha dito,
A promessa se mantém:
"Vamos ficar bem."



Jejels, 31/10/2010.
~ De Rebeca para Augusto.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Nine crimes


Leave me out with the waste,
This is not what I do.
It's the wrong kind of place
To be thinking of you.
It's the wrong time,
For somebody new
It's a small crime,
And I've got no excuse.

Is that alright?
Give my gun away when it's loaded.
Is that alright?
If you don't shoot it, how am I supposed to hold it?
Is that alright?
Give my gun away when it's loaded
Is that alright with you?

Leave me out with the waste,
This is not what I do.
It's the wrong kind of place
To be cheating on you.
It's the wrong time,
She's pulling me through.
It's a small crime
And I've got no excuse.

Is that alright, yeah?
Give my gun away when it's loaded (is that alright?)
Is that alright, yeah?
If you don't shoot it, how am I supposed to hold it? (is that alright?)
Is that alright, yeah?
Give my gun away when it's loaded (is that alright?)
Is that alright?
Is that alright?
Is that alright with you?

No...



Damien Rice.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Final de outubro

Sinfonia de pingos
Colidindo uns com os outros,
Explodindo de encontro ao chão
Num dia de domingo.

Anima-me o frio,
O vento por meus cabelos,
Em minha face, sinto o beijo
Das gotas de chuva...

Coisas a esconder,
Outras, a entender...

Agora não importa tanto assim,
Por enquanto,
Posso conviver com essa nova parte de mim.



Jejels, 26/10/2010.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dançando


Meus braços movimentam-se
Tentando imitar as ondas,
Com a leveza e a continuidade
De sua essência cíclica.

Minha cabeça move-se,
Ora marcando pontos infinitos,
Ora num ato de afirmar meus sentimentos
Ou os acordes da música.

A música é lenta,
Uma valsa tocada num piano
Com acordes suaves
E harmoniosos.

Minhas pernas dobram-se e esticam-se
Em diferentes alturas
Brincando com meus pés
Que me fazem crescer e diminuir.

E meu olhar quer mostrar ao mundo ao redor
Que a música e eu somos uma só,
Com meu corpo a fundir-se
Ao adágio encantador.



Jejels, 24/10/2010.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pulsação


Na noite calma e serena que pousa no céu,
Posso ouvir novos sons
De um mundo mais tranquilo
Mesmo com todos os seus desarmônicos tons.

No cetim azul brilha o espelho prateado,
Espelho do coração dos apaixonados,
Em que vejo refletido o brilho de seus olhos.

E quando fecho os olhos,
A penumbra torna-se escuridão,
Trazendo a emoção
De acreditar que você está aqui.

Sua voz sussurrando em meus ouvidos,
Seus braços ao redor da minha cintura,
Seus dedos por entre meus cabelos...

Você está aqui, é verdade,
Pulsando em meu coração.




Jejels, 19/10/2010.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pale


The world seems not the same
Though I know nothing has changed
It's all my state of mind
I can't leave it all behind
I have to stand up to be stronger.

I have to try
To break free from the thoughts in my mind
Use the time that I have, I can't say goodbye
Have to make it right
Have to fight
'Cause I know in the end it's wothwhile
That the pain that I feel slowly fades away
It will be alright.

I know I should realize
Time is precious, it is worth while
Despite how I feel inside
Have to trust it will be alright
Have to stand up to be stronger.

I have to try
To break free from the thoughts in my mind
Use the time that I have, I can't say goodbye
Have to make it right
Have to fight
'Cause I know in the end it's worthwhile
That the pain that I feel slowly fades away
It will be alright.

This night is too long
I have no strenght to go on
No more pain I'm floating away
Through the mist I see the face
Of an angel who calls my name
I remember you're the reason I have to stay.

I have to try
To break free from the thoughts in my mind
Use the time that I have, I can't say goodbye
Have to make it right
Have to fight
'Cause I know in the end it'd worthwhile
That the pain that I feel slowly fades away
It will be alright.



Within Temptation.

domingo, 17 de outubro de 2010

Seu nome

Finalmente me decidi
E vou agir a partir de hoje,
Vou mudar minha atitude
A começar pelas minha decisão
De não mais proferir seu nome...
Por mais que ele ecoe todos os dias
Em minha mente.


Jejels, 16/10/2010.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Confissão

Finalmente dei vozes aos sentimentos dentro de mim e falei que, na verdade, havia me apaixonado por ele.

Eu sabia que era estupidez, sabia que jamais deveria ter dito algo assim. Porque eu tinha certeza de que ele sentia o mesmo. Não sei o que deu em mim. Tenho um namorado maravilhoso que me ama incomensuravelmente. Se fosse preciso, sei que Josh daria a própria vida por mim... e no entanto, tinha acabado a dizer a Ray que estava apaixonada por ele. Não faz sentido! Desde que nos encontramos, fez-se uma grande desordem em meu coração, meus sentimentos começaram a tomar um rumo totalmente sem lógica. Principalmente porque eu amo Josh... será que é possível estar apaixonada por duas pessoas?

Eu havia tentado fugir disso. Afastei-me de Ray, parei de telefonar, cortei contato por alguns dias, mas chegou a um ponto insuportável. Fiquei inquieta até voltar a falar com ele. Era impossível me afastar e a essa altura, eu já tinha descoberto que estava apaixonada, que não conseguiria ficar longe dele novamente.

E lá estava eu, assumindo essa paixão... esse sentimento controverso, sem nexo, proibido que eu guardava em meu peito. Meus batimentos aceleraram, meu sangue latejava, minha cabeça rodava sem acreditar que eu realmente tinha dito aquilo. Tive vontade de desaparecer, toda a coragem que eu tinha reunido para fazer a confissão havia se esvaído e foi substituída por um silêncio pesado enquanto ele me olhava.

Sua expressão dizia que ele também não estava acreditando no que tinha ouvido e seus olhos me encaravam com uma expressão de descrença que me deixou mais desnorteada ainda. Ele não disse nada, apenas continuou me observando por longos minutos, como que processando as palavras, letra por letra.

O tempo parecia arrastar-se e meu desespero só aumentava. Pensei que sua reação seria previsível, mas agora estava tudo fora de controle, qualquer coisa poderia acontecer.

Pensei em Josh, no quão desapontado ele se sentiria ouvindo isso. Pensei nos momentos que passamos juntos, amaldiçoei-me por estar arriscando perder tudo. Pensei em como contar a ele e no quão egoísta eu estava sendo fazendo aquilo...

Foi quando Ray segurou meus ombros, aproximou-se de mim, fechou os olhos e não consegui pensar em mais nada.




Jejels, 15/10/2010.

Pauta para a 15ª edição do projeto In Verbis.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Estou viva


Minhas mãos procuram você; meus braços estão abertos para você. Sinto-o nas pontas de meus dedos e minha língua dança atrás de meus lábios por você. Esse fogo vai subindo pelo meu ser e queimando, não estou acostumada com isso.


- Estou viva, estou viva. - repito a mim mesma.



Consigo senti-lo à minha volta, engrossando o ar que respiro, segurando o que sinto e saboreando esse coração que está se curando.


Minhas mãos flutuam acima de mim.

- Eu te amo. - você sussurra ao meu ouvido e eu começo a desmaiar em direção ao nosso lugar secreto.

A música me faz balançar. Os anjos cantando dizem que estão a sós com você e eu estou só. E então choro, pois, na luz branca, eu vejo você.


- Estou viva. - digo a você.

- Pegue minha mão. Eu a dou pra você. Agora você me deve tudo o que eu sou. Você disse que nunca me deixaria e me deixou. Mas ainda acredito em você.




Reencontro

A sensação de exclusão cicatriza aos poucos. Consigo então sentir o ar fresco acariciando minha face, brincando com meus cabelos... e finalmente sinto vontade de sorrir novamente. Um sorriso que há muito, perdera-se por entre caminhos de misantropia e frustrações. Sinto o retorno do ruído de meu riso, sua passagem por comandos nervosos estimulados pela maravilhosa sensação de bem-estar comigo mesma. Sua tradução em sons pelas minhas cordas vocais, entoadas em meu timbre trazem o reconhecimento da satisfação que sinto agora. Reconhecimento: a alegre sensação de dever cumprido faz emergirem gargalhadas. Boba alegre? Maluca? Pode me chamar do que quiser, pois, agora, nada nem ninguém vai estragar esse reencontro. Corro, pulo, grito, deixo que meu corpo manifeste-se numa dança espontânea. Que se exploda o mundo à minha volta e seus problemas! Encontrei alguém que eu amo e que pode consertar o que quer que esteja de errado em minha vida: eu mesma.



Jejels, 14/10/2010.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Imprevistos


Penso a cada dia,
Idealizando a manhã agradável,
A tarde esplendorosa
E a noite inesquecível.

Penso no que fazer,
Nas vistas,
Nos cheiros,
Nas texturas.

Imagino cada detalhe,
Cada gesto,
Cada respiração,

Mas são frágeis
E quebram-se a um simples toque
Como asas de borboleta,
Folhas secas ao vento.





Jejels, 13/10/2010.

sábado, 9 de outubro de 2010

Sons

Palavras garantem a ruptura do silêncio,
Palavras ditas a mais de um milênio
Por outras pessoas,
Por outras bocas.

Milhares de vozes entoam a canção,
Diferentes timbres e combinações de acordes
Fazendo com que eu acorde
E olhe através da janela.

Sons que percorrem meu corpo,
Uma sinfonia noturna
Em sintonia com a chuva,
Uma polifonia curva...

As frequencias fundem-se,
Afundam no tempo,
Imortalizam-se em meu peito
Até esvairem-se com o vento.

Como meus pensamentos.




Jejels, 09/10/2010.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Invisível

Não basto para você.
Minha amizade não basta para você.

A errônea ideia de que não havia problemas está se esvaindo
Juntamente com minha presença agora.

Não é assim que você quer,
Nunca foi.
Houve um desejo a mais desde o início,
Apenas ignorei e caminhei até esse precipício.

Agora, não me restam alternativas.
Você colocou as cartas na mesa,
Não há mais dúvidas.

Estarei sempre aqui,
Mesmo que você não enxergue...
E mesmo que mude de ideia,
Talvez não mais encontre...

Minhas presença
Em palavras,
Olhos,
Voz.




Jejels, 08/10/2010.

Meu jogo

Uma falsa imagem que todos formam de mim.
É isso o que as atrai, como polos opostos de um imã,
Como suicidas rumando ao fim.

Mergulham num mundo falso,
Encobertos por palavras venenosas,
Cercados por situações enganosas.

Coleciono-os.
Todos eles.
Alimento-me com o orgulho de tê-los em minhas mãos.

Não chego a usá-los,
Não é necessário,
Pois todos mantêm-se de boa vontade
Nessa ilusória imagem que criam da verdade.

Não, não seria eu a quem essa imagem remete.
Certamente projetam em mim o que sonharam um dia,
Tentam inserir em mim sua solene poesia.

Cegos por eles mesmos,
Recusam-se a enxergar, na rispidez, a verdade
E embarcam numa viajem sem rumo.

E eu, em minhas oscilações de temperamento,
Encontro neles uma fonte de auto-confiança,
Encontro meu ego, minha segurança.

Mas tornei-me prisioneira de meu orgulho,
Perdi-me em meu próprio jogo,
Queimei-me em meu próprio fogo.

Agora percebo que caí,
Passei dos limites, perdi o chão...
Prisioneira de uma paixão.



Jejels, 08/10/2010,

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um


Fecho os olhos
E posso vê-lo adiante,
Um anjo radiante.

Seus olhos brilham
E parecem pedir,
Suplicar que os meus os acolham.

Não, você não precisa de permissão,
Iremos juntos,
Lado a lado, dadas as mãos.

Sem preocupações,
Sem problemas,
Tudo será tão simples...

O respirar é complexo,
Será simples como morrer,
Ver o resto do mundo desaparecer.

Será transparente
E só preciso de você pra isso.

Não preciso de tempo ou espaço,
Não preciso de ar ou de dar algum passo,
Pois não preciso nem do meu próprio corpo.

Minha essência está em você
E a sua em mim
Somos uma unidade.



Jejels, 06/10/2010.

domingo, 3 de outubro de 2010

Meu caminho

Há um caminho invisível,
Às vezes iluminado,
Às vezes em penumbra
Que percorro com uma certa frequência.

Um caminho que já conheço,
Poderia percorrê-lo em pensamento
A cada manhã,
A cada noite,
A cada momento que sentir ser preciso.

Há um caminho que me faz refletir,
Que me ajuda a me conhecer melhor
A medida que o percorro.

Há um caminho que me desliga do mundo,
Que me traz à introspecção,
Que acalma meu coração.

Há um caminho perfumado
Que põe no lugar meus pensamentos,
Que traz a inspiração
E desperta diversos sentimentos.

Há um caminho só meu
Que se inicia em meus pensamentos,
Prossegue com seu perfume,
Evolui até sua voz,
Expande em seu olhar
E termina em seus braços.




Jejels, 03/10/2010.

Sentença

Pingos de água caem do céu,
Dançam no ar levados pelo vento
Num sórdido lamento
Descendo o mausoléu.

As sombras vagam pela noite
Assombrando os precavidos,
Executando-lhes o açoite,
Rompendo-lhes os tecidos.

As correntes deixaram marcas
Em teus pulsos vermelhos
Que denunciam tua alma fraca
Suplicando de joelhos.

Esse elo jamais será rompido,
Essa é a minha lei:
Não adianta o quanto tu tenhas sofrido,
Jamais te libertarei.




Jejels, 03/10/2010.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Não mais

O silêncio toma conta do ambiente
E de meu interior.
Não ouço vozes, não vejo ninguém por perto.
Não mais.

Dia longo,
Rotina pesada,
Corpo cansado,
Volta da sobrecarga.

Silêncio tomando conta de minha mente,
Nenhum olhar em que mergulhar,
Nenhuma palavra para confortar,
Nenhum ninho para me abrigar.

O silêncio toma conta do mundo
Depois do sol se pôr.
Não escuto a sua voz, mas não sinto mais dor.
Não mais.




Jejels, 22/09/2010.
Pauta para a 64ª edição poemas do Bloínquês.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia seco

Mais um dia termina,
Chega ao fim.

Mais um dia seco...
Mas um dia feliz?

Sim, um dia seco, com certeza.
Até minha alma ficou ressecada
Com tanta falta de umidade,
Com tanta falta da minha humildade...

Acho que estou me perdendo de mim,
Não sei mais voltar para o lugar de onde eu vim.

Por quem eu chamaria quando estava assim?
Quem me abraçaria na noite fria?
Quem me beijaria na loucura sombria?
Quem me diria palavras doces?
Quem me guiaria até onde quer que fosse?
Quem me olharia nos olhos, no fundo de minha alma?
Quem me acariciaria até me devolver a calma?
Quem me faria sentir única no mundo?
Quem seria meu amor no final de tudo?

Quem seria meu amor no final de tudo?

Mais um dia termina,
Chega ao fim.

Mais um dia seco...
Mas um dia sem ti.




Jejels, 21/09/2010.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Da saudade e do medo

Calor.
Sinto falta do calor,
Dos arrepios,
Dos calafrios,
Do espírito de aventura.

Sinto falta do escurinho,
Da confidência,
Da sensação de segurança.

Tenho medo da noite solitária,
Do gélido vento,
Do desespero da insônia.

Tenho medo da ilusão perfeita,
De me perder de mim
Na dependência de você.



Jejels, 20/09/2010.

domingo, 19 de setembro de 2010

Descrição

Sou uma mistura sem nexo,
Uma bagunça de sentimentos
Num espelho convexo.

Tento ampliar meu mundo
E ,às vezes, tomo-me como centro,
Deixo-me levar pelo lado de dentro.

Pensamentos a mil,
Infinitas sinapses
E reações químicas
Determinando minhas vontades.

Máxima atenção aos menores detalhes,
Decodificação de desconfiança
(Sempre há quem falhe)

Mentira?
Falsidade?
Egoísmo?

Disso todos têm um pouco.





Jejels, 19/09/2010.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A queda do Império

Não quero mais perder nenhum momento. Não posso mais me dar a esse luxo. Preciso da minha válvula de escape, porque eu tinha de ser tão teimosa ao ponto de acreditar que viveria sem ela? E mais uma vez, enganada. Escape... preciso da minha válvula de escape. É verdade que tudo tinha corrido bem até agora, mas as coisas mudaram. E eu sabia que mudariam. O único problema é que eu acreditei por um bom tempo que eu seria capaz de continuar assim. E esse bom tempo foi mais que suficiente para me esmagar. Minha auto-estima foi fraturada, não sei quando conseguirei me erguer novamente... agora eu sinto, mais que nunca, minha fragilidade. Eu oscilo entre o bem-estar e as lágrimas... oscilo sem saber onde posso parar. Às vezes, sou erguida, trazida bem próximo à margem. Às vezes, apenas uma palavra... não, uma palavra, não. Basta um olhar para desarmar minha certeza. E aquele timbre de voz não funciona como antes. Aquele chamado único não me resgata de minha própria escuridão.
Escuridão... apaga-se o astro rei e a minha luz vai embora completamente. É no silêncio, na textura frívola da noite que termino de me desmanchar. Desmancho em pensamentos sem nexo, nos meus problemas diários, nos pequenos aborrecimentos do dia... rendo-me às lágrimas e deixo-as rolar. Ao menos elas têm direito de sair, de escapar disso tudo. O corpo não funciona como antes, é verdade. Há muitas falhas agora, o medo de me quebrar novamente é maior que qualquer confiança que existira antes de tudo. É duro enxergar que o fim da linha nunca esteve tão próximo... deveria eu insistir? Minha mente me diz que isso apenas aumentaria a sobrecarga que tem tomado conta de mim... e em vão. Mas em meu coração ainda pulsa a minha essência e até o dia em que este mesmo corpo parar de respirar, a paixão que ele abriga me fará sentir o mesmo calor por tudo isso.
Conflito. Deve ser a parte mais dolorida de tudo isso. A mente sabe que não compensa, mas o coração continua a insistir. E, por outro lado... eu bem que gostaria que as coisas pudessem realmente dar certo. Mas ainda falta uma peça. O ciclo foi quebrado e para tudo dar certo, preciso reiniciá-lo... mas ainda falta uma peça.
Para ser sincera... reconheço que a culpa de tudo foi minha. Excesso sempre foi o pior veneno em qualquer circunstância. E pela euforia dos últimos dias em que minha vida ainda era a mesma - agradável e perfeita, sem nada faltando - eu confiei plenamente em mim. Deixei-me levar pelo sentimento de que, se eu tinha chegado até aquele ponto, eu realmente poderia fazer o que quisesse. Então, a 3ª lei de Newton: para cada ação, há uma reação. Todo ato traz uma consequência, qualquer que seja. A consequência disso tudo está vindo agora, a cada dia, mais forte, deposita-se em mim, esmagando meu corpo e minha mente.
Eu sabia que a partir daquele momento tão feliz, tão completo, tudo iria mudar... só não queria que fosse assim.
Só queria poder voltar ao que era antes.




Jejels, 16/09/2010.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Definhando

Atividades tomando conta de meu calendário,
A rotina desdobrando-se em tarefas a fazer:
Quando penso ter acabado
Foi apenas por esquecer.

O sol ilumina meus pensamentos
E o corpo não questiona o trabalho,
Mas à noite vem o tormento
De um temperamento desnorteado.

O corpo ferve,
O coração aperta,
A mente perde
O controle.

Luto contra as lágrimas,
Prendo-as em meus olhos
Contendo com a força que posso
O resto de vida que ainda não foi embora.




Jejels, 14/09/2010.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Your desires


In my dreams
And only there
I see you dressed in blue,
Your hair blowing with the wind
And I ask you to sing.

Because all I try to be
Is somebody's other side,
Nobody tries to be mine
But maybe there's you
To want me
In the other side of your desires...

In my dreams
And only there
I see you coming soon,
Your voice like a whisper in my ears
And I believe I can see,
I discover I can be
The other side of your desires.




Jejels, 10/09/2010.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Calando-me


Minha voz fluía limpa
E cheia da vontade de ser.

Alguém juntou-se a nós.

Outras ondas sonoras tomaram conta do espaço
E do ar.
Do ar que outrora fora meu.

A conquista de espaço foi prolongada,
Não me atrevi a voltar a ele.

Exilada.

Talvez aquele ar nunca tivesse sido meu de verdade...
Talvez nunca eu,
Aliás, por que haveria de ser eu
A tocar a pele das pessoas sem meu corpo?
A emocioná-las com meus sopros,
Com as frequências que saem de minha boca?

Não...
Não seria eu...
A outra.




Jejels, 08/09/2010.

sábado, 4 de setembro de 2010

Trois Vierges

Memory, fading out
Its presence still lingers in my mind
Listen to your inner voice
There's no escape, there's no other choice.

A foolish fate that came abaout
Death could not leave without
Don't try to scour your inane soul
It would be labour lost.

Deep inside hides a lie
Where can we try to seek
A way so this will die.

Innocence died when they took his mind
And they tried to leave him behind
Not even a cascade of tears will save you
And keep you away from harm.

Concinnity of destiny
Is not what you wished it to be.

Blinded by love
Between lust and hate
You scarred your fate
There's no time to waste.

Ride for your own ruin
Odium became your opium.

Please, don't let me bleed for all eternity.

Please, leave me be in my own misery.




Epica.

sábado, 28 de agosto de 2010

Dentro de mim


As cartas foram rasgadas pelo tempo
E o calor do olhar esfriou com a distância;
A distância aumentou sem se pronunciar
E assim desmoronou o entusiasmo.

E nada disso está no âmbito físico;
É no nível da alma que tudo aconteceu.

Já não sei o que fazer,
Não sei mais como atravessar o caminho
Para chegar até meu ninho,
Até aquele lugar onde me sinto acolhida,
Protegida...
Amada.

Dentro de mim
É onde tenho estado ultimamente.

O probelma é que não há mais flores,
Cor,
Movimento
Ou música:
Tudo ficou congelado,
Perdido em algum lugar do buraco negro em meu coração.




Jejels, 28/08/2010.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Soneto para "a" ipê

Janela,
Minh'alma,
Na beira da rua.

Uma flor amarela,
Quando a vejo,
Em pleno inverno.

Tão linda,
Minha namorada,
Platônica,
Na calçada.

Estou feliz por esses dias,
E corro no tempo...
Querendo mais...
... duas flores caídas no chão.





Maramaldo.

(retirado de http://www.retornodasbrisas.blogspot.com )

sábado, 21 de agosto de 2010

De volta

Colocar para fora me ajudou,
Mesmo com todas as dificuldades,
Com todos os meus preconceitos,
Com todas as minhas imagens.

No começo, eu não quis,
Mas você segurou minhas mãos
E me mostrou que não havia razão
Para ocultar e esquecer.

Colocar para fora me ajudou
A me encontrar novamente,
A ver que em seus olhos, profundamente,
Era o meu lugar.

Você é aquele quem eu esperava,
A outra metade,
Aquele que me salva
De mim mesma.

E voltei a mim,
Sem mais desvios,
Voltei ao caminho
De onde eu vim.

Aquela sensação estranha
De que eu não era mais a mesma
Desfez-se junto ao drama
Que me puxava para fora.

E nos teus braços encontrei meu ninho,
Meu lar, minha concha,
O conforto e o carinho
Do nosso olhar.

E quando ocorreu o ósculo,
Alegrei-me ao perceber
Que meu peito acelerou,
Trouxe-me de volta ao que eu costumava ser.




Jejels, 21/08/2010.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Caminhando

Ela caminha.

Uma linha,
Sua sombra,
A barreira constante.

Um pilar atrás do outro
Sustentando o ritmo desse caminhar.

O jogo de luz e sombra,
Na penumbra,
A me guiar.



Jejels, 20/08/2010.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Filosofia da janela fechada


Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.



Alberto Caeiro, 1925.