quinta-feira, 11 de março de 2010

Navegante

Navego pela vida em meu navio fugitivo. Às vezes, em festa, às vezes, solitário... mas sempre em movimento. Ultimamente, ele tem estado bem cheio de mim e vazio dos outros... isso me faz refletir demasiadamente... talvez até mais do que eu deveria refletir.
O fato é que a vida é feita de reviravoltas, o que faz da minha algo bem preenchido. Vitórias, derrotas, companhias, solidão... as mudanças são constantes e é isso o que me movimenta. O vento é sempre necessário para que se possa navegar, velejar... Estou agora mergulhada em novos ares. A mudança é incômoda para mim. Não sei lidar muito bem com ela. Parece estar sempre me ameaçando.
Gosto da estabilidade, mas se ela estivesse sempre presente, não haveria movimento, logo, não haveria vida. As aventuras vêm de bom grado e aos montes quando chegam novidades. As descobertas são algo renovador que dão ânimo quando trazem boas novas. O problema é quando a atmosfera torna-se sombria, quando não há boas novas e quando a verdade descoberta te faz perceber que a realidade do mundo onde vivemos, da vida que construímos, é, na verdade, bem diferente do que imaginávamos. Diferente por ser ruim, desconcertante, constrangedora.
Convivemos com os dois lados da história todos os dias. Eu, pelo menos, tenho diversas experiências em que meus sentimentos foram contraditórios. A alegria caminha de mãos dadas com a decepção e é nessas antíteses da vida que me situo. Sou uma pessoa temperamental que caminha constantemente sobre a fina e frágil linha que separa a satisfação da infelicidade... essa estreita linha entre o amor e o ódio.
A vida e a morte são parceiras no fim das contas. Essa é a conclusão mais óbvia que podemos tirar de tudo isso. Mas, infelizmente, as pessoas fecham os olhos para essa realidade. Fogem dela. Temem-na com cada fibra de sua essência. Porém, de nada adianta, uma vez que é inevitável. A morte é uma consequência da vida. Desde o momento em que nascemos estamos condenados a experimentá-la. “Condenados”, na verdade, não parece um termo adequado, já que faz com que a morte pareça um castigo, algo ruim. A morte não é ruim, é apenas necessária. É inerente à vida. O fato é que um corpo em movimento, para mudar o sentido de seu deslocamento, precisa de um instante em repouso.
Meu navio segue em meio às reflexões. E concluo hoje que devo seguir intensamente sem jamais olhar para trás. Muitos companheiros de viagem tomaram rumos diferentes do meu, muitos perderam o rumo, outros continuam com seus navios paralelos ao meu. Mas o tempo não para e o vento continua. Um dia, chegará a hora de mudar o sentido de minha vida, de meu movimento. Nesse dia, quero estar em paz interior e, ao perceber que é mesmo o dia, sentir-me satisfeita pela minha viagem. Assim, poderei passar a ser um corpo em repouso. Esse é um ponto de vista. Ainda acho que, mesmo sendo um corpo em repouso, há forças maiores, que muitos ainda não compreendem ou apenas preferem ignorar, que controlarão o equilíbrio vital. Afinal, todos estamos interligados em nossas almas, em nossas origens.
Enquanto espero esse dia chegar, navego buscando maiores compreensões. Flutuo em meus pensamentos e oscilo por entre os contraditórios sentimentos que a existência nos proporciona. Navego em meio às reviravoltas, às novidades e ao vento que sopra em meu rosto a cada dia.





Jejels, janeiro de 2010.

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