quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fim do dia

A luz azul ilumina o ambiente e posso enxergar a noite por detrás das cortinas do meu quarto. Ela veio sorrateira, leve, silenciosa. Chegou lenta e sem aviso, de forma que eu não consegui perceber. Quando vi, lá estava ela, me encarando mais uma vez como num ciclo vicioso. Esses últimos dias têm passado numa velocidade incrível... um dia atrás do outro, sem nenhuma brecha. Isso começa a me dar desespero. Já convivo com a inquietação que me invade sempre depois das 22 horas, agora ela ainda se soma ao tal desespero da mensagem subliminar que a noite traz consigo: mais um dia chegou ao fim.
Faz algum tempo que eu não paro para olhar o céu e observar as estrelas. Gosto delas... para mim, elas são mais que um enfeite no céu escuro, são capazes de dar sentido a ele, a despertar reflexões nas pessoas. Na verdade, a última vez que fiz isso foi há pouco mais de uma semana. Mas agora, essa "uma semana" parece estar tão longe, enterrada em algum lugar no passado; um passado que eu gostaria de retomar, como tantas outras coisas que já vivi.
A luz azul me impede de ficar no escuro, mas eu sei que no fundo, sou eu quem não está preparada para enfrentá-lo ainda. Não quero me entregar ao meu desespero e a minha ansiedade, desmanchar em lágrimas ao deitar em minha cama e descobrir que mais uma vez eu não conseguirei dormir tão facilmente. Então me prendo ao que ainda pode me ajudar a fugir... espero o novo dia começar para ver se o sono chega. Talvez chegue, talvez demore até as três da manhã... só sei que ele tem se atrasado bastante.
E falando em atrasos, sinto que, no final de tudo isso, sou eu quem estou atrasada, ficando para trás. Tantas pessoas resolvendo suas vidas durante o dia enquanto eu simplesmente espero alguma coisa acontecer e tento ocupar minha mente com outras coisas já que minha rotina foi quebrada... agora que a noite chegou, elas estão todas descansando, imersas em seus sonhos, entregues a seus subconscientes. Eu, não. Fico aqui tomada pela agonia, buscando ele (que já sucumbiu ao sono), buscando um apoio ou simplesmente o meu próprio sono... só queria estar junto a eles, num mar irreal que me protegesse dessa percepção de tempo que estou vivenciando agora...
Quem me dera simplesmente dormir e não perceber que o dia acabou. Infelizmente, estou próxima de testemunhar mais um dos numerosos fins. Se ao menos ele estivesse aqui, poderíamos olhar um para o outro, nos dar as mãos e encarar de outra forma, pois ele, em sua personalidade e em sua própria essência, não vê as coisas dessa forma.
É com ele que enxergo isso, não como um fim, mas como um novo começo.




Jejels, 15/04/2010.

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