segunda-feira, 3 de maio de 2010

Indecisa

Depois de tanto tempo, cheguei a essa encruzilhada. Não foi inesperado nem repentino, mas eu ainda não estava preparada para escolher que caminho seguir. Todos os meus atos conduziram-me até aqui e eu os pratiquei ciente disso. O único problema é a indecisão, já que eu sempre soube que o dia de fazer a escolha chegaria, mas como posso escolher entre dois amores? Como posso abrir mão de uma parte do meu coração? Estou dividida.

Um par de perfeitos olhos castanhos me encara, fazendo-me perder o fôlego. A expressão deles me faz sentir leve, quase voando. Redondos olhos castanhos a me fitar... quase me deixam num transe, mergulhada num campo de força que me puxa sempre para si, como se eu pudesse afundar e me encorporar a eles.

E opondo-se a essa força majestosa, um toque macio e morno me alcança, fazendo o tempo paralizar. Meus olhos focalizam agora os cabelos dourados que balançam com o vento, tão compridos e lisos... cada fio em uma dança graciosa.

Uma voz macia chama meu nome e isso funciona como um feitiço, pois é impossível dizer não a ela.

O outro chamado é pronunciado com um misto de tristeza e dúvida... ele me alcança em sentimento, pois não suporto perceber os tons menores de dor nessa sinfonia de sinos ao vento.

Não posso seguir os dois caminhos, mas também não posso escolher apenas um. Ambos fazem parte de mim. É no momento dessa descoberta, nesse instante esclarecedor, que compreendo minha falha. Tola indecisa, ingênua criança! Não posso escolher o que preciso e a agonia invade meu coração.

Lanço-lhes um último beijo e fecho os olhos... adeus.







Jejels, 03/05/2010.

Um comentário:

Marina disse...

Isso me fez lembra uma musica, sei que vc não gosta, mais ve so a letra...é legal:O granfino e o caipira