sábado, 3 de julho de 2010

Recomeçando

Quando o sol estava se pondo, meu coração disparou. Aquelas palavras não pareciam fazer sentido algum e de repente, tudo o que tinha acontecido, tudo o que eu tinha feito parecia um grande engano. Subitamente, senti em meu peito que nada daquilo poderia ser real. E no fim, não passou de uma grande farsa: eu havia acreditado em mentiras.


Nesse micro-segundo, nesse disparo de meu coração, voltei a mim. O que estava acontecendo comigo? Onde estavam minhas convicções? Como pude ser tão cega? O brilho do sol escondia-se no horizonte e levava com ele as mentiras que inundavam minha mente. Agora eu tinha certeza de que meu coração jamais me enganara.

Ele jamais me esconderia nada, jamais iria embora sem mim... a não ser que eu não o quisesse mais. E fui estúpida o bastante para me deixar levar por todos aqueles que estavam contra nós, fui cega ao ponto de acreditar nas mentiras deles. Colocaram-nos um contra o outro, num ponto em que não havia provas de nada e então, semearam dúvidas em nossas almas.

E o que eu estava fazendo agora? Parada assistindo o tempo passar enquanto minha vida encaminhava-se a um fim. De braços cruzados enquanto o amor ia embora para não mais voltar. Não poderia deixar essa chance passar. Seria quase impossível alcançá-lo agora, mas jamais me daria por vencida. Não poderia deixar isso acontecer sem ao menos tentar encontrá-lo e dizer-lhe que eu estava errada.

Foi quando começou a chover. Pude sentir as gotas de chuva molhando meus cabelos, minhas roupas, lavando minha alma, enchendo-me mais ainda da angústia de encontrá-lo. As palavras ecoando em minha cabeça, minha memória, os batimentos de meu coração guiavam-me a um só caminho: o campo. Talvez ainda o encontrasse por perto, próximo ao chalé, próximo a nossa vida, aos nossos melhores momentos... ao nosso lugar.

As lágrimas uniam-se à chuva e dificultavam minha visão, mas meu sentimento continuava a me conduzir. Minhas pernas moviam-se no limite de sua velocidade, quase me levando a tropeçar diversas vezes, mas nunca parando.

O campo continuava o mesmo depois das duas semanas em que eu parei de visitá-lo, continuava me trazendo a sensação de aconchego, acolhendo-me... aquele era o meu lar. O chalé estava próximo, a apenas alguns minutos se eu continuasse correndo com aquela velocidade, mas antes de chegar lá, meus olhos encontraram o que eu mais queria. Meu coração batia acelerado, a emoção era grande... o desejo de me desculpar, de não ter feito nada daquilo. Eu sabia que tinha feito tudo da maneira errada e pude ver em seus olhos que ele também sabia. Pude sentir em seu abraço que ele entendia exatamente o que tinha acontecido. As malas caíram no chão assim como o resto do mundo.






Para mim, nada mais importava. A vida estava recomeçando com aquele beijo.









Jejels, 03/07/2010.

Pauta para a 80ª edição visual do Bloínquês.

Nenhum comentário: