quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lamúria

Sim, meus pálidos amigos desaparecidos,
Venho mais uma vez em solidão vos encontrar.
Embora por meu egoísmo tenham se esvaído
No mais sombrio e triste hipogeu do orgulho,
Suplico que levanteis,
Piedosos por minhas lágrimas a brotar.

A ti, meu ar, hei de apresentar os pedaços que restaram do meu coração despedaçado pelas mais violentas sangrias,
Fraco, violentado, envenenado por meu próprio ego,
Minha voz por um fio, sufocada pelo sangue a me escapar.

A vós, fantasmas amigos, venho por abrigo suplicar...
Meu ar, meu pretendido par,
Dono de meus sentimentos,
Imerge meu ser em pensamentos, pondo-me a sonhar.

Tuas palavras envolvem-me enquanto o tempo parece congelar.
Aquele que de vida tem a sobra, mas que de morte vem a falar.

Eu suplico, meus amigos, que venham me consolar.
A eternidade concebida aos mortos talvez seja o melhor que eu possa esperar.
Encontrarei a vós, meus amigos, no leito eterno que já não mereço por tantas almas que fiz desesperar
E enquanto viva estiver,
Terei de conviver com o peso da culpa,
Fadada então a lamentar não ser do dono de meu coração, a amada.

Oh, ar meu!
Agora, enquanto dormes em paz,
Sofro acordada em agonia
Sonhando com o improvável dia em que meu sonho se realizará.

Oh, meu ar!
Apenas nesse dia poderei, em paz, descansar.



Jejels, 10/11/2010.

2 comentários:

7 Sonhos de Algodão disse...

inspirante...

marina disse...

capuxinho ama esse blog *-*
um bj e um queijo