quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O espírito da chuva

Pingos caem no chão
Produzindo uma bela sinfonia,
Harmoniosa polifonia
Que toca meu coração.


Em cada gota,
Sinto o peso de uma lágrima;
Em cada lágrima,
O peso de minha tristeza solta.


Minha alma lava-se,
Renova-se
Nessa água vinda do céu,
Nessa lembrança cor de mel.


Ouço com atenção, cada nota.
Espero, paciente, pela volta
Da água a lavar minha face,
Do sorriso que renasce.


E sinto, enfim,
As nuvens aqui...
Eu nelas,
Elas em mim.


Uma unidade.





Jejels, 17/02/2010.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cansaço

Nada do que faço parece ter sentido,
Nada pode ser comparado ao que tenho sentido.

E durante todo esse tempo,
Houve apenas privação...
Privação de você,
A dura tortura, minha prisão...

E eu quero chorar,
Quero desabafar,
Mas nenhuma lágrima a mais
Ousa formar-se em meus olhos.

Estou cansada...

Cansada de esperar por um dia que se afasta,
Cansada de ter alucinações,
Cansada das minhas ilusões,
Cansada da semana que se arrasta.

Cansada de sentir pesar meu coração todas as vezes que ouço seu nome.



Jejels, 12/02/2010.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Inúteis palavras

Desentendimentos são feitos
Pelas inúteis palavras que saem de minha boca...
Todos os sentimentos para os quais não há freios
São desencadeados pela minha voz rouca.

Meus lábios modelam esses sons
Incapazes de refletir por um mero segundo,
Desbotando os dons
E a paciência do mundo.

Incrédulas palavras que recito,
Pensamentos equivocados que tomam forma,
Deslizes de quando me precipito,
Discurso que de minha boca jorra.

Talvez seja assim o desespero
Ou simplesmente imaturidade...
Sinto meu corpo inteiro
Tremendo de insanidade.



Jejels, 09/02/2010.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cumplicidade


Num diálogo entre olhares
(as palavras são desnecessárias),
Falamos de mil mares
E suas belezas raras.

Nada entre nós é desconhecido,
Não há nenhum segredo...
Imagino o que teria acontecido
Se você não tivesse me encontrado tão cedo.

A bolha que nos envolve é resistente
E nos separa do resto do mundo;
Enquanto nossos olhos conversam,
Em teus pensamentos, me inundo.

Nada mais importa agora
Além de nossa conexão.



Jejels, 08/02/2010.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sem título

saiu caminhando na chuva
descalca
confusa
o pensamento
e o peito vazios
exausta
(tristeza cansa)
ainda nao fazia ideia
do que tinha acontecido
ainda ouvia os gritos
guardados no ouvido
as pernas estavam pesadas
as maos tremiam
chorava
precisava atravessar a rua
precisava chegar
a algum lugar
mas nao sabia aonde
parecia que a vida
se esvaia aos poucos
pelo corpo
pela pele
como suor
com certeza nao queria voltar
nao queria mais
olhar aqueles olhos
ouvir aquela voz
seria pior
nao cometeria mais enganos
so' pensava agora
em caminhar
fugir
mudar os planos
rever conceitos
refazer a vida
descansar o peito
dormir.



Jose Luiz (retirado de www.slowdown.com.br/2008/11/)

41° por-do-sol

A luz dança do lado de fora.

Posso vê-la acariciando as flores
Pela janela do meu quarto.



O ar é quente e seco,
O sol destaca-se por seu brilho...
É uma bela paisagem.




E durante todo esse tempo
Pratiquei meu familiar lamento.
Você está tão longe agora...


E o sol não é o mesmo sem você,
A paisagem não é a mesma a se ver
Quando seu principal elemento não está lá.



E não apenas um elemento,
Algo que dá vida às coisas,
Algo que alivia meu tormento.


Hoje se completam 41 dias
Desde que perdi minha alegria...
41 manhãs sombrias.


Quando você voltará?
Difícil de acreditar
Que sobrevivi a tanto tempo assim.


Arrastam-se as horas
E nada lá fora
Parece fazer sentido.


O calor não aquece minha alma,
Não cala meus medos,
Não faz o dia terminar mais cedo.


E assim continuamos separados
Pela rocha consistente
E aguardo sua volta
Diante de mais um sol poente.






Jejels, 03/02/2010.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ai de quem ama

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus.



Vinícius de Moraes.