sexta-feira, 26 de março de 2010

Dinâmica da energia


A fluente energia
Que ocupa meu corpo
Preenche-me com a magia
Do estar presente.

Concentra-se em várias áreas
Até convergir em algumas poucas;
Deixa de ser solta
Por meio de minhas escolhas.

E focada como a canalizo,
Enfatiza em meus movimentos
Os meus sentimentos
Mais vívidos.

Após a explosão,
Dissipa-se no chão
Voltando a fluir
Em meu corpo.

Indo
E vindo.



Jejels, 26/03/2010.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Incompatíveis

Poderia eu descansar com você?

Em um dia tão nebuloso,
Em circunstâncias tão desfavoráveis...
Certamente seria doloroso
Sentir em mim mãos tão afáveis.

Poderia eu descansar ao seu lado?

Em um navio já naufragado,
Em ventos tão perturbados...
Certamente já não resta nada
Que nos mantenha juntos agora.



Jejels, 24/03/2010.

terça-feira, 23 de março de 2010

Iluminada

Luz...
Atravessa o vidro, refratada
Mostrando sua lúcida clareza.

Em meus olhos, penetra,
Impiedosa e destemida,
Formando em minhas retinas
A imagem do mundo ao meu redor.

Decodificada em mim,
Prende-me em seu fascínio,
Em seu brilho.

Trago-a;
Enveneno-me com ela,
Até que, enfim,
Pereça, eu,
Na sombra de sua ausência.




Jejels, 23/03/2010.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Balanço

Instabilidade sentimental
Preenche meu interior
E traz o torpor
No dia glacial.

Foge-me o controle
E não vejo como possuí-lo
- Ninguém é dono do próprio coração.

Esvazio minha mente,
Fujo do assunto,
Em textos, mergulho
Buscando outro mundo.

Preso a esse balanço,
Ao desarranjo emocional,
Disfarço o avanço
Do sentir-me mal.




Jejels, 18/03/2010.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mudança

Algo diferente
Envolve-me ternamente,
Deixa-me mais quente,
Latente.

Perco a concentração
Ouvindo minha própria pulsação...

Sinto que estou diferente,
Mais confiante,
Menos hesitante.

Sinto que agora estou completa.




Jejels, 17/03/2009.

sábado, 13 de março de 2010

In the dark

I'm from where the magic is
I'll give you what I cannot take away with me
And the sunlit day and moon
I wanna have a silent kiss, I wanna make you mine,
I'm thinking how... can't leave me now
Stay with me somehow

You come from where the fire is,
you give me what you couldn't burn the last time
One sunless day and moon
I wanna be so close to you, see whatever scars you carry within your broken heart,
Mine's your missing heart

Come with me, where the magic is,
there's more than light we could share
We could join the sun and moon if you want to

Be my lifeline for this lifetime,
suffer and pleasure forever and ever
I'd like to see how the walls around your heart will fall apart..
Stop resisting, let the light in, suffer and pleasure forever and ever...
for this one lifetime

Let me take you where the magic is,
back in time,
Remember the light, of the cold December moon

I wanna have a silent kiss , I wanna make you mine,
I'm thinking you can't leave me now
Stay with me somehow
Stay with me somehow
Come with me where the magic is, there is more than light we can share
We could own the sun and moon

Be my lifeline for this lifetime,
suffer and pleasure forever and ever
I'd like to see how the walls around your heart will fall apart..
Stop resisting, let the light in,
suffer and pleasure forever and ever...
for this one lifetime

Be my lifeline for this lifetime,
suffer and pleasure forever and ever
Stop resisting let the light in... oh oh...
for this one lifetime

I am feeling your face in the dark
I'm hearing you breathe in the dark
I am tasting your lips in the dark
I'm holding you close in the dark

I'll take you where the magic is
I'll give you everything I own, we can love her?
You can have my broken midnight moon
If you give me your broken heart
And I will give you something real and golden
We can make this life the finest art?

I come from where the magic is
I'd give you what I could take away with me
And a sunlit day and moon
I wanna have a silent kiss I wanna make you mine,
I'm thinking you can't leave me now
Stay with me somehow

I am feeling your face in the dark
I'm hearing you breathe in the dark
I am tasting your lips in the dark
I'm holding you close in the dark.




Sonata Arctica.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Navegante

Navego pela vida em meu navio fugitivo. Às vezes, em festa, às vezes, solitário... mas sempre em movimento. Ultimamente, ele tem estado bem cheio de mim e vazio dos outros... isso me faz refletir demasiadamente... talvez até mais do que eu deveria refletir.
O fato é que a vida é feita de reviravoltas, o que faz da minha algo bem preenchido. Vitórias, derrotas, companhias, solidão... as mudanças são constantes e é isso o que me movimenta. O vento é sempre necessário para que se possa navegar, velejar... Estou agora mergulhada em novos ares. A mudança é incômoda para mim. Não sei lidar muito bem com ela. Parece estar sempre me ameaçando.
Gosto da estabilidade, mas se ela estivesse sempre presente, não haveria movimento, logo, não haveria vida. As aventuras vêm de bom grado e aos montes quando chegam novidades. As descobertas são algo renovador que dão ânimo quando trazem boas novas. O problema é quando a atmosfera torna-se sombria, quando não há boas novas e quando a verdade descoberta te faz perceber que a realidade do mundo onde vivemos, da vida que construímos, é, na verdade, bem diferente do que imaginávamos. Diferente por ser ruim, desconcertante, constrangedora.
Convivemos com os dois lados da história todos os dias. Eu, pelo menos, tenho diversas experiências em que meus sentimentos foram contraditórios. A alegria caminha de mãos dadas com a decepção e é nessas antíteses da vida que me situo. Sou uma pessoa temperamental que caminha constantemente sobre a fina e frágil linha que separa a satisfação da infelicidade... essa estreita linha entre o amor e o ódio.
A vida e a morte são parceiras no fim das contas. Essa é a conclusão mais óbvia que podemos tirar de tudo isso. Mas, infelizmente, as pessoas fecham os olhos para essa realidade. Fogem dela. Temem-na com cada fibra de sua essência. Porém, de nada adianta, uma vez que é inevitável. A morte é uma consequência da vida. Desde o momento em que nascemos estamos condenados a experimentá-la. “Condenados”, na verdade, não parece um termo adequado, já que faz com que a morte pareça um castigo, algo ruim. A morte não é ruim, é apenas necessária. É inerente à vida. O fato é que um corpo em movimento, para mudar o sentido de seu deslocamento, precisa de um instante em repouso.
Meu navio segue em meio às reflexões. E concluo hoje que devo seguir intensamente sem jamais olhar para trás. Muitos companheiros de viagem tomaram rumos diferentes do meu, muitos perderam o rumo, outros continuam com seus navios paralelos ao meu. Mas o tempo não para e o vento continua. Um dia, chegará a hora de mudar o sentido de minha vida, de meu movimento. Nesse dia, quero estar em paz interior e, ao perceber que é mesmo o dia, sentir-me satisfeita pela minha viagem. Assim, poderei passar a ser um corpo em repouso. Esse é um ponto de vista. Ainda acho que, mesmo sendo um corpo em repouso, há forças maiores, que muitos ainda não compreendem ou apenas preferem ignorar, que controlarão o equilíbrio vital. Afinal, todos estamos interligados em nossas almas, em nossas origens.
Enquanto espero esse dia chegar, navego buscando maiores compreensões. Flutuo em meus pensamentos e oscilo por entre os contraditórios sentimentos que a existência nos proporciona. Navego em meio às reviravoltas, às novidades e ao vento que sopra em meu rosto a cada dia.





Jejels, janeiro de 2010.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A marionete


Era um pequeno faz-de-conta, a vida da garota. Ela vivia em sua bolha imaginária afastada do resto do mundo. Poucos eram aqueles que transpassavam a barreira de misantropia inconsciente, mas eram eles que conseguiam um pedaço do ingênuo coração dela. Dentro desse pequeno grupo de pessoas, havia alguém peculiar: um indivíduo com características raras que se tornou uma espécie de protagonista na trama onírica em que a garota o envolveu. E, para a grande surpresa do mundo, ele gostou de fazer parte daquilo e acabou se entregando como quem se deixa levar por truques de mágica.
O tempo passou e ele tornou-se parte da bolha, algo que não poderia mais ser retirado. Porém, mais que isso, a convivência nesse irreal doentio o modificou de tal forma que ele passou a escravizar a si mesmo em função dos desejos dela. Fazia tudo de bom grado, sem jamais reclamar. Mesmo quando havia coisas com as quais ele não concordava, sempre fazia um esforço – às vezes desumano – para tornar a visão dela parte da sua própria visão. A convivência direta o fez idealizá-la e logo, na mente dele, aquela garota ingênua, misantropa e contraditória era uma imagem da beleza, da pureza e da verdade. Essa máscara que ele mesmo implantou na face da garota o fez querer moldar-se nela também, desejando encaixar-se na ilusão – que para ele, era tão real.
A escravidão passava desapercebida, confundida com altruísmo; nem mesmo a garota se dava conta de que, presos aos seus dedos, estavam cordas de uma marionete pronta para fazer com que todas as suas vontades e desejos se realizassem. E aquele que um dia foi um protagonista vencendo barreiras, transformou-se em um boneco manipulado, ocultando seus desejos – além de a si mesmo – nas sombras de alguém a quem ele protegia com a própria vida... afinal, abdicar os próprios interesses, sonhos e personalidade, é abdicar a própria vida.




Jejels, 10/03/2010.

domingo, 7 de março de 2010

Consolo

Estendo meus braços
No intuito de envolver-te
Para que em meu abraço
Possas sentir-te seguro.

Pois não há ameaças
Com o poder de nos vencer;
Simplesmente não há nada
Com esse poder.

Então deixa-me ser o guia agora
- Ao menos uma vez -
Enquanto mais uma lágrima aflora,
Deixa-me trazer de volta a sensatez.

Deixa-me segurar tua mão,
Passar a ti as minhas forças,
Remendar teu coração,
Tua alma tão moça.

Deixa a minha presença enxugar teu rosto
E trazer alguma luz ao teu pranto,
Varrer a submissão que te haviam imposto
E vestir-te da confiança o manto.

E aqui, sempre estarei
- Ao teu lado -
Ajudando a carregar o fardo,
Na certeza de que para sempre te amarei.




Jejels, 07/03/2010.

sábado, 6 de março de 2010

Novo mundo


Quando fecho meus olhos,
Abro minha mente para um novo mundo
Em que os odores são diferentes,
Tão subjetivos e profundos.

Os sabores são coloridos,
Mas suas cores são uma mistura
Dos tons de sorrisos
E uma doce ternura.

Os sons são sinfonias ímpares
Que se dissipam no ar
Como que viajantes dos mares
Ouvindo uma bela sereia a cantar.

Quando fecho meus olhos,
Abro minha mente para um novo mundo
Em que as essências tomam o lugar das aparências
E tenho certeza de que é o lugar mais seguro.



Jejels, 06/03/2010.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sopro do verão

A brisa invadiu meu quarto
E trouxe consigo os odores de fora;
Com sua dança, fiz um trato
Prometendo aproveitar a hora.

Esse movimento sutil
- Apenas um sopro do verão -,
Curou de um surto febril
Meu desompassado coração.

E com a suave brisa,
Essa minha querida amiga,
Encontrei a força de que precisava
Para dar mais um passo na minha caminhada.



Jejels, 04/03/2010.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Fracasso

Há momentos difíceis
Quando tudo depende apenas de um movimento,
De uma sutileza,
De uma surpresa...

Há músculos que se contraem
Quando deveriam relaxar
E medos que nos traem,
Que fazem tudo desabar.

Olhares voltados para mim
Me fazendo tremer...
Eu sei que agora sou eu,
Tento não deixar o medo transparecer.

E no final, a dor...
Porque não é o suficiente,
Porque seja o que for,
Falta um pedaço de minha mente.

A sincronia comigo mesma foi quebrada
E tenho que buscá-la de volta...
Eu e eu mesma
Sozinhas em uma dura jornada.




Jejels, 01/03/2010.