quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Não mais

O silêncio toma conta do ambiente
E de meu interior.
Não ouço vozes, não vejo ninguém por perto.
Não mais.

Dia longo,
Rotina pesada,
Corpo cansado,
Volta da sobrecarga.

Silêncio tomando conta de minha mente,
Nenhum olhar em que mergulhar,
Nenhuma palavra para confortar,
Nenhum ninho para me abrigar.

O silêncio toma conta do mundo
Depois do sol se pôr.
Não escuto a sua voz, mas não sinto mais dor.
Não mais.




Jejels, 22/09/2010.
Pauta para a 64ª edição poemas do Bloínquês.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia seco

Mais um dia termina,
Chega ao fim.

Mais um dia seco...
Mas um dia feliz?

Sim, um dia seco, com certeza.
Até minha alma ficou ressecada
Com tanta falta de umidade,
Com tanta falta da minha humildade...

Acho que estou me perdendo de mim,
Não sei mais voltar para o lugar de onde eu vim.

Por quem eu chamaria quando estava assim?
Quem me abraçaria na noite fria?
Quem me beijaria na loucura sombria?
Quem me diria palavras doces?
Quem me guiaria até onde quer que fosse?
Quem me olharia nos olhos, no fundo de minha alma?
Quem me acariciaria até me devolver a calma?
Quem me faria sentir única no mundo?
Quem seria meu amor no final de tudo?

Quem seria meu amor no final de tudo?

Mais um dia termina,
Chega ao fim.

Mais um dia seco...
Mas um dia sem ti.




Jejels, 21/09/2010.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Da saudade e do medo

Calor.
Sinto falta do calor,
Dos arrepios,
Dos calafrios,
Do espírito de aventura.

Sinto falta do escurinho,
Da confidência,
Da sensação de segurança.

Tenho medo da noite solitária,
Do gélido vento,
Do desespero da insônia.

Tenho medo da ilusão perfeita,
De me perder de mim
Na dependência de você.



Jejels, 20/09/2010.

domingo, 19 de setembro de 2010

Descrição

Sou uma mistura sem nexo,
Uma bagunça de sentimentos
Num espelho convexo.

Tento ampliar meu mundo
E ,às vezes, tomo-me como centro,
Deixo-me levar pelo lado de dentro.

Pensamentos a mil,
Infinitas sinapses
E reações químicas
Determinando minhas vontades.

Máxima atenção aos menores detalhes,
Decodificação de desconfiança
(Sempre há quem falhe)

Mentira?
Falsidade?
Egoísmo?

Disso todos têm um pouco.





Jejels, 19/09/2010.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A queda do Império

Não quero mais perder nenhum momento. Não posso mais me dar a esse luxo. Preciso da minha válvula de escape, porque eu tinha de ser tão teimosa ao ponto de acreditar que viveria sem ela? E mais uma vez, enganada. Escape... preciso da minha válvula de escape. É verdade que tudo tinha corrido bem até agora, mas as coisas mudaram. E eu sabia que mudariam. O único problema é que eu acreditei por um bom tempo que eu seria capaz de continuar assim. E esse bom tempo foi mais que suficiente para me esmagar. Minha auto-estima foi fraturada, não sei quando conseguirei me erguer novamente... agora eu sinto, mais que nunca, minha fragilidade. Eu oscilo entre o bem-estar e as lágrimas... oscilo sem saber onde posso parar. Às vezes, sou erguida, trazida bem próximo à margem. Às vezes, apenas uma palavra... não, uma palavra, não. Basta um olhar para desarmar minha certeza. E aquele timbre de voz não funciona como antes. Aquele chamado único não me resgata de minha própria escuridão.
Escuridão... apaga-se o astro rei e a minha luz vai embora completamente. É no silêncio, na textura frívola da noite que termino de me desmanchar. Desmancho em pensamentos sem nexo, nos meus problemas diários, nos pequenos aborrecimentos do dia... rendo-me às lágrimas e deixo-as rolar. Ao menos elas têm direito de sair, de escapar disso tudo. O corpo não funciona como antes, é verdade. Há muitas falhas agora, o medo de me quebrar novamente é maior que qualquer confiança que existira antes de tudo. É duro enxergar que o fim da linha nunca esteve tão próximo... deveria eu insistir? Minha mente me diz que isso apenas aumentaria a sobrecarga que tem tomado conta de mim... e em vão. Mas em meu coração ainda pulsa a minha essência e até o dia em que este mesmo corpo parar de respirar, a paixão que ele abriga me fará sentir o mesmo calor por tudo isso.
Conflito. Deve ser a parte mais dolorida de tudo isso. A mente sabe que não compensa, mas o coração continua a insistir. E, por outro lado... eu bem que gostaria que as coisas pudessem realmente dar certo. Mas ainda falta uma peça. O ciclo foi quebrado e para tudo dar certo, preciso reiniciá-lo... mas ainda falta uma peça.
Para ser sincera... reconheço que a culpa de tudo foi minha. Excesso sempre foi o pior veneno em qualquer circunstância. E pela euforia dos últimos dias em que minha vida ainda era a mesma - agradável e perfeita, sem nada faltando - eu confiei plenamente em mim. Deixei-me levar pelo sentimento de que, se eu tinha chegado até aquele ponto, eu realmente poderia fazer o que quisesse. Então, a 3ª lei de Newton: para cada ação, há uma reação. Todo ato traz uma consequência, qualquer que seja. A consequência disso tudo está vindo agora, a cada dia, mais forte, deposita-se em mim, esmagando meu corpo e minha mente.
Eu sabia que a partir daquele momento tão feliz, tão completo, tudo iria mudar... só não queria que fosse assim.
Só queria poder voltar ao que era antes.




Jejels, 16/09/2010.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Definhando

Atividades tomando conta de meu calendário,
A rotina desdobrando-se em tarefas a fazer:
Quando penso ter acabado
Foi apenas por esquecer.

O sol ilumina meus pensamentos
E o corpo não questiona o trabalho,
Mas à noite vem o tormento
De um temperamento desnorteado.

O corpo ferve,
O coração aperta,
A mente perde
O controle.

Luto contra as lágrimas,
Prendo-as em meus olhos
Contendo com a força que posso
O resto de vida que ainda não foi embora.




Jejels, 14/09/2010.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Your desires


In my dreams
And only there
I see you dressed in blue,
Your hair blowing with the wind
And I ask you to sing.

Because all I try to be
Is somebody's other side,
Nobody tries to be mine
But maybe there's you
To want me
In the other side of your desires...

In my dreams
And only there
I see you coming soon,
Your voice like a whisper in my ears
And I believe I can see,
I discover I can be
The other side of your desires.




Jejels, 10/09/2010.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Calando-me


Minha voz fluía limpa
E cheia da vontade de ser.

Alguém juntou-se a nós.

Outras ondas sonoras tomaram conta do espaço
E do ar.
Do ar que outrora fora meu.

A conquista de espaço foi prolongada,
Não me atrevi a voltar a ele.

Exilada.

Talvez aquele ar nunca tivesse sido meu de verdade...
Talvez nunca eu,
Aliás, por que haveria de ser eu
A tocar a pele das pessoas sem meu corpo?
A emocioná-las com meus sopros,
Com as frequências que saem de minha boca?

Não...
Não seria eu...
A outra.




Jejels, 08/09/2010.

sábado, 4 de setembro de 2010

Trois Vierges

Memory, fading out
Its presence still lingers in my mind
Listen to your inner voice
There's no escape, there's no other choice.

A foolish fate that came abaout
Death could not leave without
Don't try to scour your inane soul
It would be labour lost.

Deep inside hides a lie
Where can we try to seek
A way so this will die.

Innocence died when they took his mind
And they tried to leave him behind
Not even a cascade of tears will save you
And keep you away from harm.

Concinnity of destiny
Is not what you wished it to be.

Blinded by love
Between lust and hate
You scarred your fate
There's no time to waste.

Ride for your own ruin
Odium became your opium.

Please, don't let me bleed for all eternity.

Please, leave me be in my own misery.




Epica.