segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Saturada

Os mesmos deslizes,
Os mesmos desentendimentos,
As mesmas desculpas,
As mesmas conversas,
As mesmas fugas.

A mesma sensação de invisibilidade,
De desimportância,
De indiferença.



Jejels, 29/11/2010.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Revelação


A escuridão, a calma,
Suas palavras, seu olhar...
Tudo me levava a revelar.

Depois de tantos anos,
Era chegado o momento
De deixar que você soubesse
Sobre meus sentimentos.

Você me faz rir em situações extremas,
Você me faz ter esperanças para continuar,
Você me dá motivos para confiar
Cada vez mais em nossa promessa.

E é você quem me dá motivos para lutar,
É por seus olhos que sou capaz de matar
Qualquer coisa que nos ameace agora.

O que seria se não tivéssemos um ao outro?
Simplesmente não seria,
Eu não suportaria sequer um dia
Sabendo que perdi você.

Presos nesse mundo caótico,
É pelo seu nome que eu chamo;
Presos nesse mundo sórdido,
Preciso dizer que eu te amo.



Rebeca Ambers, 26/11/2010.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Equalize

Às vezes se eu me distraio,
Se eu não me vigio um instante
Me transporto pra perto de você
Já vi que não posso ficar tão solta
Me vem logo aquele cheiro
Que passa de você pra mim
Num fluxo perfeito.

Enquanto você conversa e me beija,
Ao mesmo tempo eu vejo
As suas cores no seu olho, tão de perto
Me balanço devagar
Como quando você me embala
O ritmo rola fácil
Parece que foi ensaiado.

E eu acho que gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é.
Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim.

Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz
Que fica me dizendo coisas tão malucas
E que quase me mata de rir
Quando tenta me convencer
Que eu só fiquei aqui
Porque nós dois somos iguais.

Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifrava os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar.

E o tempo é só meu
E ninguém registra a cena
De repente vira um filme
Todo em câmera lenta
E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é.

Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim.




Pitty.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sol

Nuvens passam ao redor,
Chegam a encobri-lo,
A reduzir a percepção de seu brilho.

O mundo gira, escondendo-o
De uma de suas faces,
Fazendo com que a escuridão ronde.

Mas ele está sempre lá,
Por mais que algumas vezes pareça invisível
E outras, severo e irredutível.

Com o mesmo brilho,
Com o mesmo esplendor,
Irradiando a todos seu calor.



Jejels, 24/11/2010.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Alçando voo

Posso sentir o vento em minha face,
A alegria preenchendo meu coração,
A faísca de esperança, o enlace,
Minhas lágrimas não foram em vão.

Sinto novamente a liberdade,
Mesmo estando acorrentada novamente...
Tudo está perfeito, o entusiasmo me invade
Quando sua imagem volta à minha mente.


- E então, o que vai ser agora?
Pergunto a mim mesma e respondo
- Voltaremos ao imaginário onde você mora,
Onde não existem fronteiras em meu mundo.

E, feliz, prossigo de volta,
- Quer que eu encha o balão?
Subitamente, sinto-me leve como o ar...
- Já pode voar!





Jejels, 19/11/2010.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Correndo

Movimento minhas pernas...
Acelero o passo, sentindo mais energia,
Sentindo meu corpo preencher-se da alegria
Que vem com a sensação de liberdade.


Jejels, 17/11/2010.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pra rua me levar


Não vou viver como alguém
Que só espera um novo amor
Há outras coisas
No caminho aonde eu vou...

Às vezes ando só
Trocando passos
Com a solidão
Momentos que são meus
E que não abro mão...

Já sei olhar o rio
Por onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou
Pra mim agora...

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar este lugar
E eu vou lembrar você...

É,
Mas tenho ainda
Muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz
E que ainda não cumpri
Palavras me aguardam
O tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez
Você nem queira ouvir...

Já sei olhar o rio
Por onde a vida passa
Sem me precipitar
E nem perder a hora
Escuto no silêncio
Que há em mim e basta
Outro tempo começou
Pra mim agora...

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
(Se acender!)
A lua vai banhar esta lugar
E eu vou lembrar você...



Ana Carolina e Seu Jorge.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Meu mundo

Os cacos do meu coração ao meu redor,
Minha vida bate de frente mais uma vez,
A realidade dói tanto...
Eu não pude quebrar meu sonho, mas você o fez.

Estava suspensa por um fio,
Flutuava de olhos fechados,
Atirei-me sem pensar na realidade que você me ofereceu,
Mergulhei em meu subconsciente doentio.

Eu criei um novo eu,
Alguém forte o bastante,
Com a coragem que nunca tive,
E assim meu mundo tornou-se distante.

Mas você cortou as ligações,
Você quebrou meu imaginário,
Fez voltar minhas assombrações,
Dizendo que isso era necessário...

Não, ninguém jamais entenderá
O sofrimento e a dor de retornar
A esse mundo sombrio
Imerso em escuridão, indiferença e frio...

Não...
Ninguém jamais entenderá.




Jejels, 12/11/2010.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Imaginário

Sonho ou realidade?
Agora já nem importa...
Continuarei crendo no imaginário da eternidade
Enquanto eu puder me alimentar
De meu subconsciente
E esquecer que estou morta.


Jejels, 11/11/2010.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lamúria

Sim, meus pálidos amigos desaparecidos,
Venho mais uma vez em solidão vos encontrar.
Embora por meu egoísmo tenham se esvaído
No mais sombrio e triste hipogeu do orgulho,
Suplico que levanteis,
Piedosos por minhas lágrimas a brotar.

A ti, meu ar, hei de apresentar os pedaços que restaram do meu coração despedaçado pelas mais violentas sangrias,
Fraco, violentado, envenenado por meu próprio ego,
Minha voz por um fio, sufocada pelo sangue a me escapar.

A vós, fantasmas amigos, venho por abrigo suplicar...
Meu ar, meu pretendido par,
Dono de meus sentimentos,
Imerge meu ser em pensamentos, pondo-me a sonhar.

Tuas palavras envolvem-me enquanto o tempo parece congelar.
Aquele que de vida tem a sobra, mas que de morte vem a falar.

Eu suplico, meus amigos, que venham me consolar.
A eternidade concebida aos mortos talvez seja o melhor que eu possa esperar.
Encontrarei a vós, meus amigos, no leito eterno que já não mereço por tantas almas que fiz desesperar
E enquanto viva estiver,
Terei de conviver com o peso da culpa,
Fadada então a lamentar não ser do dono de meu coração, a amada.

Oh, ar meu!
Agora, enquanto dormes em paz,
Sofro acordada em agonia
Sonhando com o improvável dia em que meu sonho se realizará.

Oh, meu ar!
Apenas nesse dia poderei, em paz, descansar.



Jejels, 10/11/2010.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Oxigênio

Subitamente submersa,
O perigo está sempre à espreita
Apenas aguardando o momento certo,
Ele está sempre por perto.

Por alguns segundos sozinha,
O desespero assume proporções absurdas,
Preciso subir para respirar,
Preciso de alguém para me ajudar.

Felizmente, não durou a eternidade que me pareceu,
Meus olhos reascenderam quando você apareceu
Para me trazer de volta mais uma vez,
Tirar do meu rosto a palidez.

E agora posso ver com clareza
O que antes estava escondido na sombra da dúvida
Combinando com caos das redondezas,
Contrastando com o fato de ainda termos vida.


E para viver, preciso continuar respirando,
Munindo-me com seu sorriso,
Com a imagem do seu rosto,
Com o som da sua voz sussurrando...

Ao voltar para a superfície,
Torna-se óbvio que tudo o que ainda tenho
E tudo o que quero agora,
É você,
Meu oxigênio.




Rebeca Ambers, 08/11/2010.

sábado, 6 de novembro de 2010

(Des)Entendimento

Palavras mal interpretadas
Podem iludir mentes,
Fazer florescerem conclusões precipitadas,
Conduzir pessoas a outros rumos.

Palavras mal interpretadas
Podem fazer você acreditar
Em em uma verdade ultrapassada,
Algo que é tão frágil como as folhas do outono.



Jejels, 06/11/2010.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um sentimento novo

Sentada num canto,
Senti algo novo.

Com todo o meu cansaço,
Toda a minha rotina,
Eu ainda me divertia.

Com todos os imprevistos,
Com você bem longe de mim,
Eu ainda sorri.

E quer saber?
Não quis que fosse diferente.

Nesse momento, passo por uma transição,
Uma mudança repentina, inesperada,
Metamorfose em meu coração.

Pode ser que eu sofra com isso depois,
É bem provável que isso aconteça,
Mas as coisas do coração ninguém controla com a cabeça.

E foi nesse momento que eu percebi
Que você já não deixava tanta saudade,
Que aquela necessidade de você já não me invade.

Sinto que estamos próximos de uma mudança,
De uma ruptura...
Consegui forjar sozinha minha armadura.

Não me entenda mal,
Você se torna meu melhor amigo cada vez mais,
Não vou deixá-lo para trás.




Jejels, 05/11/2010.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Amor platônico

Fui pega de surpresa,
Pensei que já havia ficado presa
Por tempo suficiente.

Não, eu estava enganada,
Pois o amor platônico capturou-me novamente
Em sua prisão idealizada.

Sonho eu com tais versos,
Aqueles versos que se fossem para mim,
Valeriam-me o universo.

Lembro de ti como um vento libertador,
A melhor companhia que poderia existir,
Aquele que consegue me fazer sorrir.

De que adianta olhar através da janela
E sonhar acordada horas a fio
Se não sou eu a sua bela?




Jejels, 04/11/2010.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Em um freezer

A adrenalina baixa aos poucos.
Estamos seguros novamente
Depois de mais um dia louco.

O frio é grande agora,
Mas nem me importo tanto,
Os monstros já estão do lado de fora.

Rimos novamente
Eu e você
Com um futuro inesperado à frente.

O calor volta ao meu corpo
Quando você subitamente
Coloca a mão em meu rosto.

Somos uma equipe
Num desolado e destruído mundo...
Estaremos juntos.





Rebeca Ambers, 02/11/2010.

Escapismo

Minha vida desaba aos poucos,
Tragada pelo ar monótono
Que se apossa de meus dias.

Meus apoios perdem a força,
Sustentados apenas por uma faísca
Da tolerância que se esvai.

Mergulho em palavras,
Em meu vasto imaginário,
Num mundo onde tudo é possível.

Meu nome ganha outro significado
E meus sentimentos modificam-se,
Preencho-me de um novo ''eu''.

Deixo-me viver nesse novo mundo,
Entrar cada vez mais fundo
Sem saber o que poderia acontecer,
Sem saber que poderia me perder
Numa nova paixão.



Jejels, 02/11/2010.