quarta-feira, 2 de março de 2011

Distância

Ela estava deitada novamente, pensando nele. Fazia dois meses que estavam afastados e todas as noites, ao deitar-se em sua cama, pensava nele antes de dormir. As lembranças eram o que mantinha a chama do amor viva, ainda brilhando. Os dias passavam lentamente e ela tentava ocupar a cabeça com outras coisas. Fez uma lista dos livros que estavam em sua prateleira e ainda não havia lido e passava as tardes imersa nas palavras impressas, tentando encontrar nelas o abrigo que ele sempre fora.
Estava tentando se acostumar com aquilo, pois ele disse não saber quando voltava. Por vezes, ela se perguntou se aquilo era um adeus definitivo, mas essa ideia pesava muito em seu coração, por isso decidiu apenas seguir em frente sem mais ponderações.

Os primeiros dias foram mais difíceis, os pensamentos não obedeciam quando ela balançava a cabeça tentando afastá-los. Apesar de estar evitando-os com maior eficiência depois de algumas semanas, à noite as lembranças tomavam conta de sua mente. Sonhava com frequência com aqueles cabelos macios em que gostava de entrelaçar os dedos... os dias ensolarados que passaram juntos eram revividos em seu insconsciente. Naquela noite em especial, lembrava-se do dia em que se conheceram. Era um dia de sol e ela estava em uma festa em que havia vários amigos de longa data, o que tornava o ambiente muito agradável. Algumas pessoas decidiram juntar-se em um jogo e foi nesse momento que se encontraram. Trocaram olhares diversas vezes, parecia até que conversavam com os olhos. Um turbilhão de sentimentos invadia seu coração e ela simplesmente abriu a porta para acolhê-los. Foi quando ela estava indo embora que finalmente se falaram pela primeira vez. Não foi um diálgo longo devido às circunstâncias, mas foi o suficiente para ela ter certeza de que estava apaixonada. Ele apanhou um pedaço de papel e escreveu rapidamente o nome e o telefone dela e aquilo selou o início de uma nova paixão. Depois desse dia, trocaram mensagens, telefonemas, risadas, histórias... até que chegou o dia em que trocaram um beijo.
Ela molhava o travesseiro com suas lágrimas. Sentia-se egoísta por querê-lo para si naquele momento, afinal, ele tinha de partir, pois precisava ver a tia que ficara doente. "Não há motivos para ficar assim, sua tola. Ele voltará, seja paciente." ela pensava. Foi então que seu celular tocou, despertando-a de seus devaneios noturnos. Ela pulou de sua cama para atender a ligação e então suas lágrimas deram lugar a um arregalar de olhos acompanhado de um sorriso. O que fez a seguir foi descer as escadas de sua casa tão rapidamente que sentia estar voando... E ela estava nas nuvens, de fato, agora que sabia que seu anjo havia voltado.

A distância entre eles agora se resumia a alguns degraus que ela logo iria reduzir ao ar que existiria entre seus corpos durante o abraço do reencontro.



Jejels, 02/03/2011.

Pauta para 56ª edição conto/história do Bloínquês.

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