domingo, 6 de março de 2011

O beijo



Agora que tudo havia passado e eu estava sozinha novamente, tudo veio à tona.


O sentimento de culpa estava presente como eu pressentira antes, mas ele era menor do que eu esperava. Minhas mão tremiam e eu não pude conter o impulso de levar a mão ao canto da boca. O que estava acontecendo comigo?


Fazia um tempo que não ficava sozinha assim e é nesses momentos que acabamos nos compreendendo melhor, ficamos mais conscientes do que acontece dentro de nós. E depois de um dia sem igual em que fui além de todos os meus limites, ampliei minhas fronteiras, eu estava me sentindo ótima. Estava. No passado. Um pequeno detalhe fez com que uma bagunça enorme surgisse em minha cabeça.


Eu sabia que voltar sozinha com ele era correr o risco de algo inusitado. Não que isso fosse algo ruim, pois eu tinha certeza de que ele jamais me faria mal algum. Porém, eu não estava pronta para aquilo. Na última vez que ele me deixou em casa, quase aconteceu, eu pude sentir na forma que agia, na forma que prolongou o abraço e tentou colar o rosto ao meu quando fui beijar-lhe a face na despedida. Dessa vez, não. Dessa vez foi concreto.


Minha mão trêmula tocava o canto da minha boca que antes estivera nos lábios dele. Aquele simples contato agora fervilhava em minha cabeça. Fingi que entrei em casa e esperei que ele fosse embora. Então fui para a rua novamente, sozinha, pois não suportaria dormir com aqueles pensamentos. Precisava decifrar o que estava dentro de mim.


A culpa existia, como já disse. Mas havia algo mais... algo que eu não sabia ao certo se ultrapassava essa minha velha companheira. E, acima de tudo, algo que não deveria existir aqui. Não dessa forma, não agora. Mas lá estava ele, novamente a me asssombrar - o fantasma sombrio de uma nova paixão.










Jejels, 06/03/2011.

Pauta para a 59ª edição visual do Bloínquês.

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