sexta-feira, 13 de maio de 2011

Brasas

Nós nos encontrávamos sempre daquela forma: coração inquieto de felicidade, sorrisos nos rostos e mil assuntos sobre os quais conversar. Uma bela amizade que se afirmava todas as vezes que nos víamos. Forte e consistente, quase inabalável. Amizade de confiança, de consolo, de desabafos, de confissões e de cumplicidades. Transparente e límpida, acolhedora e sempre sincera.
Naquele início de tarde, porém, fora diferente. Havia algo naqueles olhos que eu não havia percebido antes, mesmo com tudo o que havíamos passado juntos. Algo quente, abrasador, que ardia naquele castanho bronze e que me fez desviar o olhar para o chão, ainda com o sorriso no rosto. As palavras saíam vivazes de minha boca e traduziam a vibração interna que eu sentia. Sem dúvida, aquele olhar mexeu comigo, de uma forma estranha e peculiar e eu não tinha como negar. Como poderia ser? Tanto tempo convivendo juntos e eu jamais percebera as chamas que ele tinha nos olhos e que tornavam aquele olhar tão penetrante, tão intenso. Sentados um ao lado do outro, trocávamos experiências e comentários, falávamos sobre como andava a vida desde nosso último encontro (há algumas semanas atrás). E foi então que percebi que nesse meio tempo, muita coisa havia acontecido... os dias passam, as pessoas mudam e então cheguei a me questionar se o calor sempre estivera ali, do mesmo modo com que eu o sentia naquele momento. Talvez fosse em mim a mudança e aquela sensibilidade viesse puramente de meus impulsos interiores.
Estando meus pensamentos certos ou não, o fato é que aquilo ficou em minha cabeça por um bom tempo e durante todo o dia, lá estava aquele par de olhos castanhos a me fitar em minha mente. A memória era clara ao ponto de eu quase poder enxergar as faíscas que me prendiam àquela imagem. E então fui dormir na companhia daquele olhar marcante daquele que fez meu dia valer à pena... aquele que fez meu dia feliz.

















Jejels, 12/05/2011.

Pauta para a 68ª edição musical do Bloínquês.


Pauta para a 11ª edição sentidos do Suas Palavras.

Um comentário:

@juusep disse...

Não tenho nada a declarar na avaliação detalhada.