quarta-feira, 29 de junho de 2011

A última peça

Estava eu entretida com coisas da minha rotina, aquela correria de sempre, quando, por algum motivo, parei um instante e olhei para o céu. As nuvens que pairavam sobre minha cabeça estavam num tom claro de amarelo, antecedendo o pôr-do-sol e faziam o céu parecer uma bela aquarela em tamanho gigante a abrilhantar o dia. Ah, aquele céu tão especial das tardes em que deitávamos no gramado e jogávamos conversa fora até as estrelas chegarem como pingentes de prata a pender por sobre nosso amor.
Pois é, lembrei de você nessa tarde qualquer enquanto voltava para casa e acabei perdendo o rumo, embarcando numa viagem de lembranças tão doces e revigorantes como aquele amarelo de baixa saturação. Percorri cada vestígio de você que estava ainda arquivado em minha memória. Pelos sons, perfumes, palavras, cores e texturas... como a dos seus cabelos quando eu os enrolava em meus dedos. E você estava ali registrado em cada cantinho, em cada brecha que encontrou para se fazer gravar em mim.
E isso me fez recordar nossos dias felizes juntos, nossos momentos mais belos. E assim, tudo o que eu fiz para você foi o que pude de melhor, pois seu sorriso era a melhor recompensa que eu poderia receber por qualquer coisa que fizesse. E sabe de uma coisa? Não me arrependo de nada, nem das noites mal dormidas, nem das vezes em que passei dos limites ou das discussões por picuinhas. Aquilo fazia parte da história, fazia parte de nós. E o melhor de tudo é que depois de uma fase ruim, sempre vem uma fase florida, cheia de carinho e atenção, cheia de perdão e compreensão.
Estava eu admirando o céu e já voava longe em meus pensamentos, perdida com meus botões, quando senti um par de mãos familiar em contato com meu rosto a me tapar a visão. E o cheiro de carinho denunciou a sua presença fisicamente naquele cenário perfeito... a peça que faltava no meu quebra-cabeça.






Jejels, 29/06/2011.

Pauta para a 74ª edição musical do Bloínquês.

Um comentário:

Andréa Motta disse...

Jejels,
Cheguei ao seu blog, pois as estatísticas do meu blog Conversa de Português acusavam a entrada a partir de um link publicado aqui. Parabéns pelo blog! Eu gostaria, no entanto, de pedir uma correção: a imagem da campanha "Não seja blogueiro parasita" não é mim; essa campanha já acontece há alguns anos e a primeira vez que eu vi a imagem foi no blog Luz de Luma, que estava ajudando a divulgar a campanha. Um abraço,
Andréa Motta