sábado, 27 de agosto de 2011

O preço

O sol se pôs no horizonte e levou com sua claridade os bons momentos que vivi durante o dia. De volta à realidade, nenhuma fantasia, nenhum resquício de sonho para me acalentar, sinto as lágrimas germinando dentro de mim enquanto o corpo contrai-se e recusa-se a responder a qualquer estímulo externo. A noite e eu: solidão implacável, minha sina deplorável. Eu e a noite e ninguém mais.

Meus dedos esfriam à medida que o calor que me aconchegou vai esvaindo, roubado por essa atmosfera sombria que vem me acolher mais uma vez. Por que tem que ser sempre assim? Não consigo mais lidar com tais situações, mas sempre que vejo um sorriso dirigido a mim, sempre que sinto braços a me afagar e a me envolver num abraço terno, então quero me entregar a traiçoeira ilusão de que é real e de que será eterno.

Bobagem. Pura ingenuidade. É óbvio, criança tola, que terá um fim, como todos os dias a luz se esvai para deixar-te só com tuas lembranças. E o que poderia ser eterno nesse mundo tão efêmero? Nenhum sorriso, nenhum momento alegre, nenhuma palavra, nenhum som, nenhum perfume, nenhuma textura, nenhuma presença são eternos. O sofrimento sempre virá na hora marcada (quando não chegar adiantado). Esse sim será teu eterno companheiro, não importa o que aconteça.

A vida é assim, deveria saber. Tudo que se consegue tem um preço e uma validade... agora que a noite veio me lembrar de minhas dívidas, cá está meu pagamento líquido junto com a dor a machucar meu peito... melhor chorar até que seque para que me esgote de uma vez. Já não suporto o preço como antes.



Jejels, 27/08/2011.

Pauta para a 19ª edição sentidos do Suas Palavras.

Um comentário:

ELIZABETH DE LIMA VENÂNCIO disse...

Os momentos são eternos dentro de nós. sempre que quisermos revive-los basta buscar na memória, que as emoções retornam ricas e vividas.
parabéns pelo texto.

beijos

beth