quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Automático

Uma correria monocromática, rotina que se repete a cada dia, movimentos cíclicos que vão e vêm preenchendo as horas do dia. Num dado momento, tudo fica embaralhado e vira uma completa monotonia a ser revivida a cada dia, a cada semana, a cada mês... Casa, trabalho, almoço, trabalho, casa, lanche, aula da noite, cama. Uma sequência de atos mecanizados, uma batalha travada no cérebro, bloqueando a criatividade. E nessa situação, como fugir de tudo isso? Não sou uma máquina, preciso quebrar esse ritmo, não posso deixá-lo tornar-se constante e engolir minha vida. Sim, pois assim não seria vida. Apesar de cíclica, a vida não pode ser regular como um alinhamento geométrico desenhado em cidades através de eixos que almejam essa precisão contínua. Não, a vida, a meu ver, está mais pra uma árvore do cerrado com seu tronco tortuoso a desviar o olhar do pedestre que por ali caminha. Uma árvore que floresce, que perde as folhas, que oscila entre o plano de fundo e a grande atração paisagística.
A vida é muito complexa para uma função de primeiro grau, muito harmoniosa para o barulho do trânsito, muito plural para uma melodia monofônica, muito dinâmica para um monólogo, muito bela para o concreto cinzento. É... a vida é muito viva para uma rotina sem trégua.




Jejels, 16/08/2011.

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