domingo, 20 de novembro de 2011

Ansiedade

Não preciso olhar pela janela
Para saber que a noite já vai alta,
Que a lua que vasculha a cidadela
É obscura pela luz que lhe falta.

Não preciso ouvir sua voz
Para saber que está distante,
O mero silêncio, abismo entre nós,
Já engole qualquer música que eu cante.

“Já é tarde”, digo em pensamento
Convencendo-me a esquecer o telefone,
Fingindo um ar desatento,
Mentira que disfarce o estado insone.

As horas arrastam-se em tortura,
Rindo de minha bagunça,
A noite segue segura,
Ignorando tudo que em mim pulsa.

“Já é tarde”, repito aflita
Esperando que no fundo
Haja tempo para que você apareça e reflita
Em meu espelho um outro mundo.




Jejels, 20/11/2011.
Pauta para a 63ª edição poemas do Bloínquês.

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