quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Linhas paralelas

Não gosto de interseções - não é o tipo de acontecimento que dura. Suas consequências, talvez, mas depende de sua intensidade. Não quero desmerecê-las, pois muitas vezes, elas mudam nossas vidas, deixam marcas eternas, mas às vezes imagino linhas paralelas movendo-se lado a lado ao invés de um encontro entre elas, um cruzamento. É como uma presença-fortaleza, algo com que contar sempre, seja a distância entre elas longa ou desprezível. É como alguém que estará sempre ali, aconteça o que acontecer, sem se distanciar, sem evanescer. E isso é algo forte, algo que nos move pelo espaço e nos conforta quando preciso, é uma certeza da qual não quero abrir mão, pois as retas não-paralelas encontram-se em um só ponto para logo depois desencontrarem-se enquanto divergem continuamente. É por isso que não consigo me permitir mudar de posicionamento e acabar com essa distância entre nós dois. Nada é eterno e não quero arriscar um encontro entre essas duas linhas agora paralelas, eu e você, pois não suporto a ideia do partir, do distanciar-me. E fico tão feliz pelo mero fato de sentir esse paralelismo... não é preciso mudar nada, meu mundo já é completo.
Somos linhas paralelas caminhando ao infinito.



Jejels, 09/11/2011.
Pauta para a 93ª edição musical do Bloínquês.

Um comentário:

Melissa. disse...

Olá Jejels, tudo bem? Belo blog!

Venha conhecer o meu, talvez você curta... Estou começando agora!

Um beijo, Mel.