sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz ano novo

Abro os olhos e um novo dia nublado me acolhe com um sorriso tímido. Depois de um bom tempo trabalhando, essas férias são mais que merecidas e fico feliz por poder estar aproveitando ao máximo, mesmo que isso signifique acordar às 6h30 todos os dias para fazer exercícios. Aliás, a única parte difícil é sair da cama, não tem nada melhor que começar o dia assim, parece que renova as minhas energias e me deixa pronta para um novo dia.

Depois de me esforçar bastante no spinning, volto para casa e tomo uma ducha refrescante cantarolando músicas brasileiras que há tempos nem lembrava mais. O espírito de ano novo estava tomando conta de mim, fazendo-me esquecer de todos os problemas desse ano turbulento que chegava ao fim. E mesmo que meu coração estivesse abalado o suficiente para que a palavra "felicidade" parecesse um tanto forte para o momento, eu estava começando a me sentir mais leve, a sentir uma certa paz, como se você ainda estivesse aqui.


A tarde passou lenta enquanto eu preparava o creme de sonho de valsa para a sobremesa que seria servida após a ceia de hoje à noite. Cozinhar havia se tornado uma mania desde que você se foi. Era uma maneira de me manter ocupada e de continuar aprendendo coisas novas. Além disso, você adorava nossas tardes gastronômicas em que resolvíamos fazer o que desse na telha para comer no jantar. Era uma forma de manter você por perto.


À noite, nem me surpreendi com a decoração que minha irmã fez na casa para a festa de revellión. Afinal, não poderia ter esperado menos, como de praxe, ela havia enchido o ambiente de luzes, toalhas brancas e douradas, as mesas fartas de tira-gostos daqueles que nos dão água na boca só de olhar... a festa estava perfeita, ainda mais com a música gostosa que preenchia o ambiente com mais expectativa, essa esperança de fim de ano que nos enche de vontade de mudar o mundo nos próximos 365 dias.

Tudo estava tão harmonioso que a sua falta encaixou-se ali com a minha imensa vontade de tê-lo naquela atmosfera familiar, onde era o nosso lugar. Pensava em você a cada momento, a cada música mais animada, lembrando de como você costumava me puxar pela mão e me levantar do sofá para dançarmos qualquer passo improvisado que plantava sorrisos nos rostos de todos ali presentes; lembrava das suas piadas simples e, às vezes, meio esquisitas, mas que sempre me faziam dar aquela risada boba; e também do modo que você reclamava ao ver meu prato cheio de frutas e saladas enquanto você comia cheio de gosto aquele pedaço suculento de filé...


Quando a contagem regressiva já estava próxima, porém, ocorreu algo inusitado: minha irmã me disse que havia uma surpresa para mim. O que posso dizer? Logo imaginei, claro, que ela havia trazido mais um de seus presentes de ano novo, desses que eu sempre dizia serem desnecessários, uma vez que ela já havia me coberto com uma montanha deles no dia 25 de dezembro. Mas dessa vez, eu havia me enganado. Primeiro porque não se tratava desse tipo de presente, segundo, porque não era nada desnecessário. Enquanto o ano caminhava ininterruptamente ao seu fim, ela pronunciou as palavras que me deixaram simplesmente sem uma reação diferente da incredulidade.


Não poderia ser verdade o fato de você estar aqui. Era simplesmente inpossível e mesmo que depois de todos esses anos separados, eu ainda não tinha tido tempo de superar sua partida, apenas de tentar conviver com a imensa falta que você me fazia. Sei que essa ausência era necessária e que você deveria reorganizar sua vida, mas depois que perdemos contato, pensei que nunca mais o veria. Diante da revelação, é óbvio que não acreditei, só poderia ser brincadeira - e, diga-se de passagem, uma brincadeira de mau gosto.


A contagem regressiva começou e o que se seguiu foi que eu duvidei e ela abriu a porta para mostrar que era verdade: lá estava você, com uma blusa de lã branca, calça ligeiramente folgada como sempre usava e um par de sapatos que denunciavam seus pés exageradamente grandes perto dos meus de tamanho 36. Um sorriso enfeitava seu rosto que, apesar do tempo, permanecia tão sereno e terno quanto eu havia guardado na memória; os olhos cor de cobre estavam doces, como que cobertos de mel, ou talvez seja mesmo de chocolate derretido, daqueles que só de olhar, já consegue desarmar todas as nossas defesas. E aqueles braços de pele macia eram aqueles que me abrigaram havia tanto tempo, aqueles que eu desejava ter ao meu redor todas as noites, ao deitar em minha cama, aqueles cuja textura eu imaginava sentir ao fechar os olhos, num último momento antes de sucumbir ao sono...


3, 2, 1: Feliz ano novo, meu amor!






Jejels, 30/12/2011.


Pauta para a 98ª edição conto/história do Bloínquês.

Um comentário:

roye disse...

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