domingo, 27 de fevereiro de 2011

Claudia


Uma rosa à inocência!
Ah, como és bela adormecida,
As faces rosadas como as fitas
A adornar os angelicais cabelos balsâmicos!

Turba qualquer resquício de dor
A visão de tua nívea face,
Deixando-me a ansear
Pelo teu glorioso despertar.

Oh, pequena imortal,
Tua beleza imaculada deixa-me ébrio,
Mergulhado no manto etéreo
Que emana de teus olhos de nácar.

Venho, todas as noites, apreciar tua infinita mocidade,
Ver teu sono instigando-me a experimentar
Teu veneno narcótico
Que me acordaria para a eternidade.



Jejels, 27/02/2011.

Nunca o bastante

A noite cai mais uma vez, derramando sobre mim toda a sua escuridão. As estrelas parecem estar mais apagadas que nunca e o vento frio torna a atmosfera mais triste ainda. Não me resta mais nada a fazer, o que mais você poderia querer? Eu te dei tudo o que eu tinha.
Enquanto eu gritava por atenção, por um pouco do seu amor, você nem ao menos voltou os olhos para mim. Era apenas a minha voz rouca que você não conseguia ouvir. Eu estive sempre lá, ajoelhada aos seus pés, pronta para realizar qualquer uma de suas vontades, mas ao findar a noite, eu estava sozinha novamente com meu coração nas mãos, sangrando pelo amor que você nunca me deu.
E apenas agora consigo enxergar o quão tola eu fui durante todo esse tempo. Nunca bastou para você ver todo o meu sofrimento, o horror no qual você me colocou, à espera de algo que jamais existiu. Você apenas usou minha alma e meu corpo para satisfazer suas vontades, aquilo que você dizia serem necessidades. Você dizia que estava incompleto, mas não há mais nada em mim que você possa consumir. Minha paixão se foi, assim como toda a magia que outrora criei ao seu redor... uma fantasia que jamais poderia se tornar real.
Ainda resta em você algum resquício de humanidade? Tudo o que vejo é um poço de mentiras e egoísmo. Entreguei a você minha confiança, partilhei meus sonhos, acreditei em cada palavra que você disse, sacrifiquei minha vida para estar com você... mas nunca fui o bastante para você, para devorar sua avareza.
Esta noite não haverá mais sangue, não haverá mais lágrimas, pois nunca mais estarei com você. Estou pondo fim a todas as promessas eternas que agora percebo que sempre foram vazias, elas não vão mais me carregar até você. Eu finalmente me decidi e é assim que será a partir de agora: apenas você e sua sovinice.





Jejels, 27/02/2011.

Pauta para 58ª edição musical do Bloínquês.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Síncope

Não sei se estás cego
Ao ponto de não perceber
Algo tão óbvio...
Um sentimento que me deixa drogada...
Como ópio.

O tempo passa e continuo aqui,
Na mesma insanidade em que me deixastes,
Na mesma espera pelo que insinuastes
Há tanto tempo que nem lembro mais.

Prendo-me a cada palavra tua,
Esmigalhando-as em busca do que desejo,
E encontrando nada em cada lampejo
Desesperado por algum sentimento a mais.

E continuo a repetir o ritual,
Como se fosse meu destino
Embriagar-me com este vinho
- Tua presença e teu discurso venal.

Deixada em estado ébrio,
Pobre tola a delirar em ilusões,
Embevecida com as alucinações...
Por que simplesmente não eternizas minha síncope
Para que seja enfim levada em minha mortalha?



Jejels, 24/02/2011.

Cilada




Troncos tortuosos
Por todos os lados
Agora é um fato:
Fomos enganados.

Caminhamos confiantes
Pelo impossível,
Mas fomos enganados,
Fomos traídos.

Caímos,
Nós caímos
Mas ainda não acabou,
Jamais esqueceremos o que vimos.
O tempo da vingança começou.

Um rosto mascarado
Deixou ser revelado.
Apenas corra...
Nós o encontraremos.

Nós caímos,
Mas ainda não acabou,
Jamais esqueceremos o que vimos.
O sol da vingança despontou.
E a vingança é minha.






Jejels.

(para a edição de poesia do Bloínquês)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um dia... Outro dia... Depois... E isso se transforma

Um dia me entrega o telefone
Outro dia me esqueço do seu nome
Depois deixo você passar
E isso se transforma em uma droga que todo dia quero usar

Um dia vejo o que sou em meu reflexo
No outro dia vejo que faço muitas coisas sem nexo
Depois deixo de fazer muitas delas
E isso se transforma em maturidade e inteligentes palavras

Um dia, outro dia e o conseqüente
Vejo um crescimento, vivencia, mas tudo de maneira ascendente
E cada dia, continuo a seguir em frente
Sem me preocupar com futuro ou se estou a caminhar perdidamente.





Giovani Briet.

(retirado de http://voudesabafar.blogspot.com )

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Fênix

Olhos castanhos fitavam-na ao longe, apenas observando, tentando absorver o máximo de detalhes possíveis.
Ela estava vestindo um short bege que ficava folgado, uma blusa também mais solta de cor creme e um casaco cinza. O capuz cobria sua cabeça e os óculos escuros o impediam de enxergar seus olhos, instigando-o a imaginar de que cor estariam naquele momento.
Ela andava rapidamente, sem olhar para os lados. Passos firmes levavam-na a algum alvo que ele desconhecia. Curioso com o que se passava, ele apenas continuou seguindo-a com os olhos, chegando até a acompanhá-la mais de perto.
Ao contrário do que ele havia imaginado, seus olhos estavam cobertos pelas lentes escuras com um propósito: expressavam sentimentos que afastariam qualquer um de seu caminho. Os olhos dela refletiam a imagem dela mesma, queimando por dentro. Nada poderia tirá-la de seu rumo naquele momento.
Horas se passaram e ele continuava acompanhando os passos dela, até que, finalmente, chegou a seu destino. Apesar de ela ter optado pelas escadarias, o elevador poderia tê-la levado até a cobertura do prédio em muito menos tempo e com menos esforço. Porém, parecia que ela insistia em fazer sua caminhada sentindo nos próprios passos o gosto daquela procissão.
O que ele não esperava era que ela soubesse que estava sendo seguida. Muito menos que a conhecesse.
No momento em que ela tirou os óculos escuros, ele a reconheceu, finalmente. Os olhos mostrando o incêndio que se formara dentro dela, os cabelos longos escorrendo pelos ombros, debaixo do capuz. As mãos repousando ao lado do corpo, o queixo finalmente erguido para que houvesse o encontro de olhares. E enquanto ele observava as chamas, pôde finalmente compreender.
Ele nada disse. Palavras não cabiam ali. Sua vontade era de aproximar-se, de abraçá-la, de impedir que os pequenos pedaços de sua alma caíssem no chão, explodindo em mil gotículas quentes. Mas não foi isso o que fez. Apenas manteve o olhar firme, encarando-a. Ele estava quase suando com o calor próximo a si, o calor daquele incêndio. Ele podia quase tocar a ferida que via aberta no coração dela. Quase podia sentir sua dor. Mesmo assim, tudo o que fez foi ficar ali, estático, apenas observando.
Ela baixou os olhos a fitar o nada e foi nesse momento que preocupou-se com ela. Estava apostando na força que estimava, esperava que ela fosse se reerguer. “Recomponha-se!”, ele pensava, “eu sei que você consegue.”
Aproximou-se dela apenas quando a mesma caiu sobre os próprios joelhos, a cabeça mais baixa que antes. Ouvia-se o gotejar de sua alma no chão, pingos lentos e densos de uma intensidade assustadora, mas ele não sabia dizer que sentimento era aquele que transbordava com aquelas lágrimas.
Ao se aproximar, ajoelhou-se ao seu lado e surpreendeu-se com o que se sucedeu. Ao segurar o queixo dela para levantá-lo como sempre fazia em ocasiões semelhantes, não precisou mover a mão para que ela levantasse o rosto. Ao erguer a cabeça, ela deixou que o capuz caísse para trás, tirando a proteção da cabeça. Então ele pôde ver o fogo em seus olhos com mais nitidez que nunca. Um fogo diferente do anterior, diferente de qualquer outro que havia visto até então. A chama azul derretia-se nos olhos dela e seus cabelos pareciam, inexplicavelmente, brilhar com a luz tímida do sol que se escondia nas nuvens daquele dia nublado. Os cabelos também pareciam queimar, os fios reluzindo dourados, quase que alaranjados. O brilho que emanava dela era surpreendente, algo magnífico e único que o fez empalidecer.

Foi nesse dia que conheceu a áurea gloriosa dela. Uma fênix.




Jejels, 20/02/2011.




Pauta para a 76ª edição visual do Bloínquês.

Vê se tá bom de açúcar



O meu mínimo olhar
me enche de sensação.
E o mais pequeno som,
seja do que for,
parece falar comigo





Eram várias palavras dentro da minha bolsa, cada uma com duas asinhas, seu Zé. É esse, então, o motivo de não conseguir guardá-las por muito tempo. As histórias acabam voando. Fico observando a capacidade que tudo tem de ser assim, inacreditável. Meus cílios conversam entre si a cada vez que meus olhos piscam e acabam se abraçando quando demoro num sonho, trazendo pro lado de dentro um pouquinho de presente bonito para que o futuro possa desembrulhar. Sei que o senhor sabe como é.

Falando nisso, às vezes eu fico tentando desenrolar um texto, fazendo parecer fácil essa mania de procurar frases no chão como se olhasse o céu. Porque às vezes os papéis se invertem mesmo e eu fico sem saber desembaraçar. Tudo parece andar de mãos bem dadas, como naqueles amores antigos que caminham por aí com seus cabelinhos de algodão.

De vez em quando, seu Zé, eu fico assim, muito triste e chorona. E a vida perde os motivos, perde a graça, perde a mim. E eu só fico querendo achar por aí, derramada sem querer, uma porção de felicidade. Podia ser a granel, para entregar a todo mundo, sabe? Porque muita gente precisa mais que eu. E aí eu não saio contando pra ninguém das minhas amarguras, que é pra não ficar circulando ao meu redor, sabe, seu Zé? Procuro tratar das coisinhas pequenas e vou me esquecendo quando vejo um sorriso. No final está todo mundo sorrindo junto e isso é o que importa.

Eu disse ontem mesmo que o mundo é grandão e incrível. As coisas só existem porque acreditamos nelas. Sorrio muito para isso, viu? A gente precisa é de fé. E de pessoas. Porque eu me sinto meio vazia de pessoas, pessoas dessas que fazem festa na gente, que fazem a alma bater palmas. Pessoas que entendam esse meu jeito de não fazer muito alarde, de chegar sem espantar as borboletas. Eu tenho uma joaninha no dedo indicador e essa sensibilidade ardendo nos ombros desde muito tempo, seu Zé.

Eu confesso: se o senhor quer saber, eu quero uma casinha à beira-mar, numa cidade miudinha. Bastava caber meu coração, porque eu tenho sim esse amor que dá para cobrir o azulzinho daquele mundaréu de água. Assim tudo caberia. E lá eu nem ia ficar arrumando CD’s, livros e guarda-roupas na tentativa de me reorganizar internamente, porque tudo seria o meu avesso. A vida não ia precisar ficar empilhada num canto. Eu imagino que mesmo quando anoitece, na praia a gente é sempre uma pessoa solar. O senhor não acha?

Me deixa quietinha aqui, nesse canto do sofá, já que tem esse cheiro de jasmim em volta. E se os pelos do meu braço se arrepiarem quando um sentimento novo se encostar em mim, eu já vou saber da necessidade danada que eles têm de espiar o que foi que andou estilhaçando o gelo que já andava trincando aqui dentro. E daí então se essa pessoa falar de sol, arco-íris e sorvete eu vou ficar gostando tanto das palavras dela, que não vou nem me preocupar em dançar no silêncio que de tão branco vai parecer levelevelevíssimo. Silêncio diz é coisa, seu Zé.

Não sei se o senhor sabe, mas eu tenho um menino nos olhos. Ninguém entende que ele está sempre cheio de cor na curva das minhas pálpebras. Aliás, se tudo tivesse cor, eu talvez desistisse da vontade de saber usar os cílios para varrer as desventuras que vez ou outra caem nas retinas.



Eu sinto a realidade assim, hoje: já consigo caminhar na lucidez. É como quando se tira as rodinhas de apoio da bicicleta, o senhor lembra? A gente pedala sozinho sem nem notar. E vai. Só que eu não sei pedalar de braços abertos, ainda. Medo, parece. Quando eu aprender, eu conto. Vou sair abraçando o mundo como quem quer costurar amor em tudo. Mas, ó, eu tenho ido. É que já tenho asa e isso ninguém nem sabe.

E no mais, vambora contando nossas gigantices sem a vulnerabilidade de nos empequenarmos ao cruzar com essas pessoas pequenas. Sejamos nós dois os maluquinhos que ainda ouvem a voz do passarinho pousado no fio, mesmo com esse tantão de barulho na rua.



Olha aqui bem dentrinho de mim, ó: deixa sempre esse sorriso sabido do senhor esquecido no cantinho do pirex que apoia a xícara de café. O senhor nem sabe, mas esse é o segredo que faz deixar a bebida sempre quentinha.

Eu vou é pendurar mais um tiquinho de coisa boa ali no varal, seu Zé. Tem tanta coisa esbarrando nesse coração que daqui uns dias não vai ter outra alternativa senão dividi-lo.

Vê aí se tá bom de açúcar.






Jaya Magalhães.

(retirado de http://queridopoeta.wordpress.com/ )

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Poison


Your cruel device
Your blood like ice
One look could kill
My pain, your thrill

I wanna love you, but i better not touch (don't touch)
I wanna hold you, but my senses tell me to stop
I wanna kiss you, but i want it too much (too much)
I wanna taste you but your lips are venomous poison.
Your poison running through my veins,
Your poison...
I don't wanna break these chains.

Your mouth so hot
Your web, i'm caught
Your skin, so wet
Black lace, on sweat

I hear you calling and it's needles and pins (and pins)
I wanna hurt you just to hear you screaming my name
Don't wanna touch you, but you're under my skin (deep in)
I wanna kiss you but your lips are venomous poison.
Your poison running through my veins,
Your poison...
I don't wanna break these chains.
Poison....

One look (one look)
Could kill (could kill)
My pain, your thrill

I wanna love you, but i better not touch (don't touch)
I wanna hold you, but my senses tell me to stop
I wanna kiss you, but i want it too much (too much)
I wanna taste you but your lips are venomous poison.
Your poison running through my veins,
Your poison...
I don't wanna break these chains.
Poison...

I wanna love you, but i better not touch (don't touch)
I wanna hold you, but my senses tell me to stop
I wanna kiss you, but i want it too much (too much)
I wanna taste you but your lips are venomous poison.
Your poison running through my veins
Your poison
I don't wanna break these chains
Poison




Tarja Turunen.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Luto


Seus sussurros preenchem o silêncio de mil dias de luto.
Eu estaria fugindo dos meus problemas, como sempre,
Estaria me afogando no mar de minhas próprias mentiras
- ou imaginação, se quiser chamar assim –
Talvez esse mundo que criei fosse mesmo mais confortável,
Mas o choque com a realidade parece sempre inevitável,
E a frustração advinda dele, inexorável.
Estaria eu, sufocando-me a cada dia
Com minhas próprias lágrimas
Em minhas noites mal dormidas,
Com minhas crenças em ideias fugidias...
E quando minha imaginação se esgotasse,
Morreria eu como minhas personagens,
Aquelas que possuem a essência de minhas máscaras,
Minhas falsas identidades
Que uso para variar um pouco,
Para me atirar nesse mundo louco
À procura de alguma felicidade.
Sim...
Seus sussurros preenchem o silêncio de mil dias de luto
Em que guardei-me de meu mundo,
Fechei-me em mim mesma
Assistindo minha própria marcha fúnebre,
Vivendo mil noites lúgubres
De incrível solidão
Nas quais pranteei incansavelmente
Os pedaços perdidos do meu coração.





Jejels, 17/02/2011,

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Desconfiança

Fidelidade...
Não tenho como provar,
Não tenho como te mostrar
Quando você não está aqui.

Resumir-se-ia
Em confiança,
Uma herança
Do que construímos juntos.

Mas parece que ela não voltou,
Parece que se perdeu
E não mais voltará...
Você não mais confiará.



Jejels, 16/02/2011.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Texto de Luciliene Machado

A bem da verdade, não sou essa mulher fatal que você pensa que eu sou. Aquelas histórias de sedução foram todas inventadas e esse ar superior, de quem sabe lidar com a vida, é apenas autodefesa.

Aquelas frases filosóficas, foram só pra te impressionar, pra te passar essa ilusão de intelectual... na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram, quanto mais em frases feitas e opiniões formadas!

Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desmanchar o penteado, retirar a maquiagem... quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por isso uso todos esses artifícios. É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia, de que você encontre em mim uma série de imperfeições.

Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível, de mulher forte com punhos de aço... No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento, e, deseja ficar no aconchego do ninho e ser mimada até adormecer.

Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho algum e você terá que me amar muito para suportar essa minha impotência.

Deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... essa jornada dupla me deixa tão carente... A convicção de independência afetiva? É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões... um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo...

Ah, eu tenho andado por aí, tenho sido tantas mulheres que não sou! Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade. Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido... decidi o meu destino com tanta segurança! Mas não previ que na linha da minha vida estivesse demarcada uma paixão inesperada.

Agora, cá estou eu, trinta e poucos anos e toda atrapalhada, tentando um cruzar de pernas diferente, um olhar mais grave, um molhar de lábios sensual... mas não sei direito o que fazer para agradar.

Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria, como se eu nunca tivesse temido nada. Queria te falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar dessas coisas mais elementares, e te levar na casa da minha mãe, te mostrar meu álbum de retrato (eu, me equilibrando nos primeiros passos), ah, queria te mostrar minha primeira bicicleta, com truques. Ela ainda existe! Queria te mostrar as árvores que eu plantei (como elas cresceram!) e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros.

Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes, só mais uma coisinha: estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim, que você saia à francesa desta história, e eu tenha que recolocar minha máscara e me reinventar, outra vez.



Luciliene Machado

( retirado de http://www.pensador.info/frase/NTQyMjg5/ )

Conversa das dez

Já sinto o estômago embrulhando levemente, do mesmo jeito que acontecia no começo... aquele friozinho na barriga de quando fico nervosa com o que você diz.
Talvez seja estupidez reagir dessa forma depois de tudo o que aconteceu. Alguns sonhos malucos e o coração partido deveriam ter me ensinado alguma coisa. No entanto, não consigo sentir raiva.
Assuntos inusitados recheiam a noite que fica mais animada com essa conversa. Um desabafo incomum e a palavra "linda" ecoaram em minha cabeça.
Cá estou eu, imersa na madrugada e ainda pensando na conversa das dez...


Jejels, 15/02/2011.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Fim, meio e início


E voltam os dias de chuva forte,aos poucos o céu se fecha,mostrando que tão longe ficaram as esperanças de primavera,que só o que resta é aceitar as gotas de chuva, que vão caindo sobre meu corpo,passando por cada ferida, levando pra bem longe os motivos que me trouxeram até aqui.

E não há raiz tão forte que permaneça imutável a passagem dessas águas,que aos poucos derrubam as paredes e desenterram segredos, tão bem guardados que eu quase desconheço, deixando claro que apego nenhum é capaz de suportar essa instabilidade, e que meus braços jamais serão suficientes para segurar esses frágeis fios de esperança, que aos poucos se afundam, nisso que inocentemente chamamos destino.




Larissa Castilho Lemos

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Watch over you


Leaves are on the ground
Fall has come
Blue sky's turning grey
Like my love

I try to carry you
And make you whole
But it was never enough
I must go

And who is gonna save you
When I'm gone?
And who'll watch over you
When I'm gone?

You say you care for me
But hide it well
How can you love someone
And not yourself?

And who is gonna save you
When I'm gone?
And who'll watch over you
When I'm gone?

And when I'm gone
Who will break your fall?
Who will you blame?

I can't go on
And let you lose it all
It's more than I can take
Who'll ease your pain?
Ease your pain...

And who is gonna save you when I'm gone?
And who'll watch over you?
And who'll give you strength when you're not strong?
Who'll watch over you when I'm gone away?

Snow is on the ground
Winter's come
You long to hear my voice
But I'm long gone.




Alter Bridge.
(música tema perfeita para Beca e Guto)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Depois de ter você

Tanto tempo se passou,
Tantas palavras foram ditas...

Caminhamos juntos até aqui,
Mas você resolveu parar...
Quase me esqueci
De como sem você era impossível respirar.

É, depois de ter você,
Sinto-me sozinho...
Essa atmosfera me sufoca,
Sua ausência quase mata....

Sinto sua falta.




Jejels, 06/02/2011.

PS: Espero que tenha dado tudo certo hoje!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

My Immortal


I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave,
I wish that you would just leave,
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone.

These wounds won't seem to heal,
This pain is just too real,
There's just too much that time cannot earase.

When you cried, I'd wipe away all of your tears,
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years,
But you still have all of me.

You used to captivate me by your resonating light,
Now I'm bound by the life you left behind.
Your face it haunts my once pleasant dreams,
Your voice it chased away all the sanity in me.

These wounds won't seem to heal,
This pain is just too real,
There's just too much that time cannot earase.

When you cried, I'd wipe away all of your fears,
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years,
But you still have all of me.

I've tried so hard to tell myself that you're gone,
But though you're still with me,
I've been alone all along.

When you cried, I'd wipe away all of your tears,
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years,
But you still have...
All of me.




Evanescence.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ingênua

Acreditei cegamente
Em todas as suas palavras.

Aceitei sem pestanejar
Todos os seus desafios.

Confiei sem questionar
Em todas as emoções a que fui submetida.

Corri em busca de alguém
Por quem me apaixonei...
Mas fui ingênua ao imaginar
Que esse alguém era você.

Pois esse alguém está em mim,
Dentro da minha cabeça,
Machucando meu coração...

Foi tudo minha imaginação.




Jejels, 01/02/2011.

Amor e Amizade

Perguntei a um sábio a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível, a Amizade, mais segura.
O Amor nos dá asas, a Amizade, o chão.
No Amor há mais carinho, na Amizade, compreensão.
O Amor é plantado e com carinho cultivado, a Amizade vem faceira, e com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero, ele vem com um grande amigo, e quando a Amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos os sentimentos coexistem dentro do seu coração.



William Shakespeare.