terça-feira, 31 de maio de 2011

Por que, Angústia?

Angústia, porque me invades de novo?
Deixas meus olhos inquietos,
A todo instante me movo
Queria a presença dos insetos.

Não, não aqueles mosquitos ultrajantes!
Quero as borboletas coloridas,
Aquelas que pintei para atribuir vida,
Aquelas que dei a ele de presente.

A janela está aberta,
Mas apenas o vento frio me cumprimenta,
O coração no peito aperta,
A hora passa demasiado lenta.

Angústia, porque me tiras o conforto?
Deixas minhas noites insones,
Preciso do sonho absorto,
Preciso de um mundo que não me pressione.

E as palavras escorregam,
Meus atos são impulsivos,
As atitudes desesperadas não negam
O coração ainda vivo.

Mas, oh, Angústia, ao menos me deixa,
Que minha cabeça enquanto sonha
Arquiteta a tão esperada deixa
Antes que meu sol se ponha.





Jejels, 31/05/2011.

Cinza chumbo

Parecia ter chegado ao fim. Todo aquele alvoroço, as mudanças, a extrema cautela com que publicavam o jornal parecia terminar do modo que eles tanto lutaram para evitar. Foram descobertos, essa era a única explicação plausível para o desaparecimento de Tomas e Marcos. Dois irmãos, teus tão amados filhos, arrancados do lar e sabe-se lá para onde os possam ter levado. Ah, Maria, tu sabias que deverias ter protestado! Deverias ter contestado tudo aquilo para proteger teus filhos desse fim. "Comunistas", como diziam, "acabam assim". Eles diziam que não estavam fazendo nada de errado, Maria, mas a censura não perdoa aqueles que a transgridem. Pobre mãe com teu sofrimento, o sentimento de perda que pesou em dobro em teu coração. Para que tudo isso? Por que levá-los embora assim? Não há misericórdia para com as mães dedicadas que morrem de amor pelos filhos que criam com tanto cuidado? São partes tuas, Maria! Saíram do teu ventre e agora o mundo as amputa de teu corpo, de tua casa. Maria já procurou na sala, nos quartos, no banheiro e na varanda... nada de Tomas, nada de Marcos, nem de quaisquer que fossem os inúmeros pseudônimos por eles usados para divulgar suas ideias, suas inconformidades com o rumo que tomava o país. Esperança? Salve lindo pendão da esperança! Nesse país de sombras e correntes onde antes reinava mata, riacho, índios e nascentes, o cinza devora o que antes era verde. Nesses dias o que se vê é a insegurança estampada nas ruas, duvida-se de tudo e de todos. Ela tentava, mas não conseguia esconder o seu nervosismo. Não podia ser verdade que tivessem levado seus motivos de existir. O desespero ao pensar nos boatos sobre o que acontecia nessas ocasiões fez sua pressão subir de tal modo que Maria logo pensou que ela própria morreria ali, naquele momento. Correu para a cozinha para tomar um copo de água com açúcar e foi no armário embaixo da pia que encontrou a salvação. Chora, Maria. Deixa o medo se esvair na forma de lágrimas, sentindo alívio a cada linha que teus olhos percorrerem. A carta dos filhos explicava os motivos da repentina viagem para o exterior e Maria sentiu o peito encher-se de orgulho ao perceber o quanto os dois foram inteligentes ao optarem por deixar o país diante do prelúdio de tempos mais inóspitos ainda. É, Maria, agora enxugua as lágrimas e queima a carta que os milicos hão de bater na tua porta.




Jejels, 31/05/2011.


Pauta para a 69ª edição conto/história do Bloínquês.








sábado, 28 de maio de 2011

Sonhando







E de cansaço, sucumbi
Mergulhei nos lençóis,
Virei as costas para os sóis
E profundamente, dormi.

Imergi num transe completo,
Estado onírico,
Subconsciente desperto,
Pleno estado do eu-lírico.

E então sublimava o mundo
Com seus problemas e defeitos
E ganhava corpo, contudo,
Aquela imagem de efeito.

Uma imagem um pouco turva,
Ainda traços de minha memória
Que registrara a súbita curva
Que tomava minha história.

A lembrança, porém,
Remetia à concavidade positiva,
A um aspecto que vai além,
Aos encantos de uma alma criativa.

Então percebo, finalmente
Encontrando-o em sonho mais uma vez
Que meu coração sorridente
Alegra-se com a lembrança de sua tez,
Brinca com possibilidades surrealistas,
Idealiza a realização desse novo desejo,
Fantasiando a conquista
De seus lábios em um beijo.











Jejels, 28/05/2011.




Pauta para a 41ª edição poemas do Bloínquês.

Lembranças suas

Saudade
De um jeito de falar,
De um olhar diferente
Que fita o mundo atrás de um par de lentes.

Saudade
De um abraço confortador,
De um par de orelhas
Que volta e meia ficam vermelhas.

Saudade
De alguém especial
Que agora está distante...
Em outro mundo nesse mesmo instante.




Jejels, 28/05/2011.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tão distante

Estou a fazer um trabalho,
Oh intensão platônica,
Bela e tão próxima,
Estou escrevendo este poema,
Bem ao seu lado.

Em perigo constante,
Sou tímido,
Mas escrevendo meus sentimentos,
Bem ao seu lado.

Tenho medo,
E tão grande afeição,
Bem ao seu lado.

Queria que fosse fácil,
Explicar.





M. Maramaldo


- Fonte: Recanto das Letras (acessado em 26/05/2011)

Soneto do (a)cromático

Sereno tom cinza
Em mil saturações diferentes
Diluindo as cores quentes,
Formando minha divisa.

Agora do exterior separada,
Vivo em meu mundo acromático
Uma seleção de cores apurada
Pelo meu sentimentalismo problemático.

É o cinza que resplancede,
Pois é das cinzas que se renasce,
É da ruína que se restabelece.

Então surge uma mancha de cor
Marcando nascimento de nova estação
Um leve tom rosado revitaliza o coração.





Jejels, 26/05/2011.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um sentimento

Mesmo que o sol faça refletir o mundo e que por esses raios eu o perceba com os olhos com suas mil cores e suas mil formas, é algo cuja cor e silhueta não posso ver que me faz sorrir. É algo imprevisível e incolor que com sua complexidade preenche meu interior e traz sentido ao riso, faz com que ele pareça natural e até inevitável.
E apesar de invisível, posso ter a certeza de sua existência quando cultivado em mim. É algo que não se descreve com palavras, algo amorfo, inodoro... Mas que posso sentir irradiar ao meu encontro e que posso sentir guiando-me em atos e pensamentos. Pois ocupa minha cabeça durante horas a fio e faz com que meus pés caminhem de encontro a ele. Passo a passo com coração palpitante, sentindo a energia que me chama para si e que me encanta de um modo único.
Sinto que aquele sorriso desencadeia o meu e que aquele abraço sela o bem-estar que me toma ao abafar o mundo exterior, diminuir os problemas ao meu redor. E palavras em voz e letra escrita passam a ter mais sentido, mais valor. Encontro em cada uma delas o pretexto para explorá-las ao máximo, para alimentar-me delas como se fossem pedaços daquele que as gerou.
E ao mesmo tempo que espero que tudo isso seja recíproco, persiste a dúvida de que seja apenas uma ilusão que reflete o que eu gostaria que fosse real. Então apego-me ao que tenho agora... aos olhares, aos abraços, aos afagos e, principalmente, às palavras.




Jejels, 24/05/2011.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Envolta

Um desejado afago,
À espera pelo espontâneo
Que me restabeleceria
Após cada dia enfadonho.

Sim, aqueles braços rosados
De carinho que exala
Pelo olhar prende e cala
O coração descompassado.

Certeza ou dúvida,
Glória ou lamúria,
Apenas sei que agora
Aquele abraço, em mim, aflora.




Jejels, 23/05/2011.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lobo

Ela caminhava sem pressa. Tinha os passos contados na cabeça, todos no tempo certo, no ritmo certo. Já estivera naquela situação antes e por isso mesmo estava com total controle desta vez. Nada iria arruinar seu plano, nada poderia derrubar sua autoconfiança. Não desta vez. O caminho que fora percorrido tantas vezes com ansiedade, a pulsante vontade de vê-lo, de sentir seu calor e seu beijo, desta vez o era com a ânsia por outro destino. Apenas ela seria capaz de fazer o que era preciso e era para isso que ela havia voltado.
A casa de Jake ficava perto do lago e era uma construção de madeira que escondia por trás de seu visual simpático as atrocidades cometidas ali. Havia diversas árvores por perto, era um local isolado. Jake poderia até ser confundido com um hospitaleiro lenhador, um homem bondoso que ganhava a vida honestamente. Mas Scarlet sabia o que ele realmente havia por trás dessa fachada. Por muito tempo ela ficou cega pela mágica paixão que sentira por ele desde que se encontraram, mas agora que tudo havia se diluído, ela estava voltando para cumprir seu dever.
Seus olhos apreciavam as árvores e seus grandes galhos cobertos por folhas verdes, porém que não ostentavam flor alguma. E então pensou que mesmo que ali houvesse flores, seu perfume jamais seria sentido por causa da podridão das mentiras que ali eram semeadas. As folhas balançavam com o vento, cumprimentando a visitante pela última vez enquanto ela tirava do bolso de sua capa a chave tão bem guardada que lhe servira para adentrar a morada dele naquela noite em que jogara fora tudo o que seus pais haviam dito para não fazer. A noite que havia mudado sua vida para sempre.
Com a tranqüilidade de quem planejou aquilo nos mínimos detalhes, girou a maçaneta e pisou nas tábuas de madeira já esperando que o familiar ranger destas viesse estalar em seus ouvidos – e nos dele. O homem, ao contrário dela, estava despreparado, em frente à lareira. Um sobressalto invadiu seu corpo quando percebeu a inesperada visita e em seguida seus olhos encheram-se de medo, o que Scarlet achou muito apropriado. O rosto dela ainda estava expondo o corte que ela fez questão de preservar e que lhe provia um ar desfigurado, digno de causar arrepios acentuados por seu par de olhos verdes.
Jake jamais esperara que ela fosse capaz de voltar e isso realmente o assustava, mas então se lembrou do quão inocente e frágil ela provara ser. O relógio na parede indicava os últimos minutos antes do amanhecer e o sorriso no rosto da menina apenas parecia tornar a situação mais sinistra. A segurança dela era algo que ele realmente não entendia, mas não havia espaço para estender seus pensamentos, ele precisava saber o que estava acontecendo: levantou-se e foi em sua direção.
Scarlet observava os passos do homem com profundo interesse, ainda mantendo os dentes à mostra. Estava se preparando ao vê-lo caminhando de encontro ao que ela havia preparado para ele. A capa era o suficiente para esconder o punhal de prata que ela mesma havia forjado. E aquilo bastaria para pôr um fim àquilo tudo. Para findar seu pesadelo e acabar com toda a dor que ele havia causado a ela.
Jake, ainda estranhando o comportamento calmo de Scarlet após o episódio em que revelara para ela seu segredo, apenas continuou caminhando ao seu encontro enquanto a menina finalmente recuava, passando pela porta até o lado de fora onde o vento parecia sussurrar profecias antigas.


- Scarlet... você está bem?

Porém, ela apenas infiltrou seus olhos de esmeralda nos dele e o fez com tal intensidade que podia enxergar o medo dentro deles.

- Eu sinto muito pelo que aconteceu... não tive controle sobre mim.

Jake estava olhando para o que fizera em seu rosto. Sua voz demonstrava uma preocupação que fez com que Scarlet sentisse náuseas. Ela sabia muito bem o que havia acontecido e não deixaria que ele continuasse a ludibriá-la com todas aquelas palavras que pareciam sempre tão amáveis. Mais que tudo, ela sabia que tinha sorte por estar ali, de pé, sem estragos maiores que a deformação em seu rosto que outrora fora acariciado pelas mãos daquele que quase a matou.

- Scarlet, você veio me perdoar? Você voltou para mim? Oh, Scarlet, não sabe o quanto amaldiçoei a mim mesmo pelo que aconteceu... você e eu devemos ficar juntos, fomos feitos um para o outro e os caminhos nos trouxeram para este lugar para que pudéssemos nos encontrar. Eu vim de tão longe apenas com o pressentimento de que a encontraria aqui e você finalmente voltou para mim! Pensei que nunca mais a veria novamente!

No momento em que Jake aproximou-se para abraçá-la, ela sentiu a silhueta fria do metal em sua mão e finalmente cumpriu seu objetivo. Os olhos de Jake abriram-se com o baque que explodira em seu coração e seu sangue quente manchava a capa de Scarlet. Seu corpo tombou e ela se afastou, deixando-o cair na relva. Ele começou a gritar sentindo a dor intensa que fazia suas entranhas queimarem em contato com aquele único material que seria capaz de causar tal incêndio em seu corpo. Ela havia voltado, sim, mas para vingar-se. Agora tudo estava claro. Ainda com a voz emoldurando os gritos, ele voltou sua cabeça para sua casa e, pela porta entreaberta, olhou o relógio e viu que não dava mais tempo. Ela realmente havia pensado em tudo: o amanhecer já estava chegando e ele não teria forças para se regenerar, não havia mais saída.
Ele fitou os olhos dela pela última vez e ainda encontrou dentro deles um pequeno vestígio daquela que dissera amá-lo antes do incidente acontecer. Ele não conseguia acreditar naquilo tudo, mas também não queria culpá-la, pois sabia o que tinha feito e sabia, mais ainda, que guardava em si uma natureza, um monstro que não podia controlar e que colocava a vida de todos ao seu redor em risco.
Uma lágrima escorreu no rosto de Scarlet enquanto os dois se olhavam e o sol já anunciava seus primeiros raios. Então a garota ficou ali, inerte, apenas assistindo alvorecer ao som dos últimos suspiros de vida dele... então um novo dia nasceu.





Jejels, 20/05/2011

Pauta para a 70ª edição musical e a 67ª edição conto/história do Bloínquês.





Necessário descompasso




Dentre os raios dourados
De resplandecente luminosidade
E o escuro por eles ofuscado
E rejeitado sem piedade
Move-se o mundo
Num oscilar profundo.

Para que haja vitalidade,
É preciso esse confronto,
É preciso esse contraste,
É preciso esse contraponto.

Harmonia e caos
Opondo-se incessantemente
Como os que chamam de bons e maus
Numa batalha ardente.

Jamais vencerá qualquer dos lados
Nesse eterno carrossel desvairado,
Nessa dança intermitente
Do universo descompassado.







Jejels, 20/05/2011.

Pauta para a 39ª edição de poemas do Bloínquês.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Apenas lembranças


Naquele momento, tudo parecia ruir sem aviso e sem hesitação. Os escombros caíam sobre minha cabeça, já incapaz de reagir a qualquer estímulo para trabalhar. Havia dado tudo errado e eu não tinha mais o que fazer para evitar aquele efeito dominó. Meus pais sempre foram super protetores e no fim, eu me encontrei despreparada para o que viria. A sobrecarga de tarefas e informações atingiu-me de modo certeiro e eu sucumbi com minha ineficiência. A vida adulta estava a se abrir à minha frente como um mundo novo - e inóspito – e a única certeza que me restara era a de que eu não sabia lidar com aquilo.
Eu precisava de um apoio, sempre precisei. Mas agora, o único suporte que eu tinha era eu mesma e minha esperança moribunda de que as coisas iriam se resolver cedo ou tarde. Essa crença, porém, estava cada vez mais fraca desde que eu havia chegado aqui. Agora entendo a relutância dos meus pais quando anunciei que conseguira a bolsa para o intercâmbio. Eles já sabiam das minhas limitações, do meu emocional regido pelo temperamentalismo. E quando Cal anunciou sua partida, tudo pareceu agravar-se. Ele tinha decidido me acompanhar até o fim e era o último fio que me separava do abismo do desequilíbrio completo. Agora eu havia chegado ao ápice de meu fracasso; estava num país totalmente diferente do meu, enfrentando a neve que nunca havia imaginado, tinha sido humilhada na nova faculdade por causa de minha nacionalidade e não havia conseguido a vaga para o estágio. Como se não bastasse, aquela cidade parecia tornar-se tão densa e fria que tragava minhas energias e meu ânimo, congelava minhas esperanças.
Minha nova casa era apenas um amontoado de concreto frio e por mais que fosse uma boa casa, jamais poderia ser chamada de lar. Minha família estava a quilômetros de mim, assim como os poucos, mas sinceros amigos que cultivei um dia. E Cal... ele foi quem acreditou em mim desde o início, quem me apoiou em minha decisão antes de todos, mas foi quem teve de ir embora levando qualquer vestígio reconfortante que pudesse existir para mim. Quero dizer... todos menos um.
Mesmo que tudo esteja ruindo, eu ainda não caí. Ainda estou aqui, mesmo sozinha, mesmo humilhada e fadada ao fracasso. As lembranças me dão a força mínima de que preciso para continuar suportando apenas almejando chegar ao fim para retornar. Quem sabe nesse dia tudo possa voltar a ser como antes e então abraçarei meus pais como um recém-nascido abraça vida. E talvez Cal também esteja lá, sentado ao piano, tocando para me fazer esquecer a dor como estava aqui até ontem. Então sua música transportar-me-ia ao calor e à tranqüilidade que ele guardava para mim. O mesmo calor e a mesma tranqüilidade que eu busco agora, em minha memória, sentada ao piano silencioso que ainda exala um último suspiro de sua presença aqui.







Jejels, 18/05/2011.




Pauta para a 69ª edição visual do Bloínquês.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Call me



Wrap me in a bolt of lightning
Send me on my way still smiling
Maybe that's the way I should go
Straight into the mouth of the unknown
I left the spare key on the table

Never really thought I'd be able
To say I merely visit on the weekend
I lost my whole life and a dear friend


I've said it so many times
I would change my ways no never mind
God knows I tried!


Call me a sinner, call me a saint
Tell me It's over, I'll still love you the same

Call me your favorite

Call me the worst
Tell me it's over, I don't want you to hurt
It's all that I can say,
So I'll be on my way

I finally put it all together, nothing really lasts forever

I had to make a choice that was not mine
I had to say goodbye for the last time
I kept my whole life in a suitcase


Never really stayed in one place
Maybe that's the way it should be
You know I've led my life like a Gypsy


I've said it so many times
I would change my ways, no never mind
God knows I tried!


Call me a sinner, call me a saint

Tell me It's over, I'll still love you the same

Call me your favorite

Call me the worst

Tell me its over i don't want you to hurt

It's all that I can say,

So I'll be on my way



I'll always keep you inside
You healed my heart and my life
And you know i tried

Call me a sinner, call me a saint

Tell me It's over, I'll still love you the same
Call me your favorite
Call me the worst


Tell me its over i don't want you to hurt
It's all that I can say,
So I'll be on my way
So I'll be on my way

So I'll be on my way




Shinedown.

Ninando-me

Na falta de qualquer outro alguém, resolvo a necessidade de um afago em meus próprios braços. Deito-me em minha cama como a única capaz de entender a intensidade de meus próprios sentimentos. Ninguém além de mim é capaz de sentir a magnitude dessa desordem, ninguém jamais saberá que pensamentos inundam minha mente cansada e entorpecida. Então digo boa noite a mim mesma e cubro-me com um cuidado excessivo, apenas para evitar que as rachaduras aumentem e acabem me deixando em pedaços novamente.
Uma mão segura a outra, levando-a até meus lábios que pressionam a pele fria. Um beijo de boa noite apenas para um breve conforto, um leve sussurro pronuncia a esperança de dias melhores. E sozinha, enxugo a umidade em meus olhos e tento tirar da garganta aquele gosto de humilhação, das palavras que ficaram presas na garganta e deveriam ter saído, pois eram feitas de cacos de vidro.
Fecho os olhos na esperança de me desprender desse mundo pelo menos por alguns instantes. A luta continuará amanhã, mas por hoje, a batalha já findou e já deixou suas marcas. Agora é hora de reparar os estragos e de reconstruir o farrapo de alma que ainda resta em mim. Talvez um dia, quando tudo se esclarecer, quando o tempo cumprir seu papel de nos fazer esquecer, tudo volte a ser como antes. Então poderei sorrir com sinceridade novamente.




Jejels, 16/05/2011.

sábado, 14 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Brasas

Nós nos encontrávamos sempre daquela forma: coração inquieto de felicidade, sorrisos nos rostos e mil assuntos sobre os quais conversar. Uma bela amizade que se afirmava todas as vezes que nos víamos. Forte e consistente, quase inabalável. Amizade de confiança, de consolo, de desabafos, de confissões e de cumplicidades. Transparente e límpida, acolhedora e sempre sincera.
Naquele início de tarde, porém, fora diferente. Havia algo naqueles olhos que eu não havia percebido antes, mesmo com tudo o que havíamos passado juntos. Algo quente, abrasador, que ardia naquele castanho bronze e que me fez desviar o olhar para o chão, ainda com o sorriso no rosto. As palavras saíam vivazes de minha boca e traduziam a vibração interna que eu sentia. Sem dúvida, aquele olhar mexeu comigo, de uma forma estranha e peculiar e eu não tinha como negar. Como poderia ser? Tanto tempo convivendo juntos e eu jamais percebera as chamas que ele tinha nos olhos e que tornavam aquele olhar tão penetrante, tão intenso. Sentados um ao lado do outro, trocávamos experiências e comentários, falávamos sobre como andava a vida desde nosso último encontro (há algumas semanas atrás). E foi então que percebi que nesse meio tempo, muita coisa havia acontecido... os dias passam, as pessoas mudam e então cheguei a me questionar se o calor sempre estivera ali, do mesmo modo com que eu o sentia naquele momento. Talvez fosse em mim a mudança e aquela sensibilidade viesse puramente de meus impulsos interiores.
Estando meus pensamentos certos ou não, o fato é que aquilo ficou em minha cabeça por um bom tempo e durante todo o dia, lá estava aquele par de olhos castanhos a me fitar em minha mente. A memória era clara ao ponto de eu quase poder enxergar as faíscas que me prendiam àquela imagem. E então fui dormir na companhia daquele olhar marcante daquele que fez meu dia valer à pena... aquele que fez meu dia feliz.

















Jejels, 12/05/2011.

Pauta para a 68ª edição musical do Bloínquês.


Pauta para a 11ª edição sentidos do Suas Palavras.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Contraponto

Mil vezes tolo,
Rockstar meio moreno, meio loiro
Cujos dedos almejam a temperatura do fogo
Em cordas vibrantes de transe extremo
Mergulhando a mente nesse vil veneno.

Mil vezes roto,
Semblante ora de homem, ora de garoto
Cujo olhar inspira a esperança do antídoto
Em gotas abrasantes de sangue terreno
Transformando a dor num paraíso ameno.

Mil vezes morto,
Coração vez equilibrado, vez torto
Cujo pulsar alcança o sentimento absorto
Em acordes acidulantes de efeito supremo
Silenciando a vida nesse último momento.





Jejels, 10/05/2011.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Erick

O mês era junho e o inverno estava mais frio que de costume. Eu amava esse tempo frio, a neve branca a cair sobre as telhas, as noites em casa perto da lareira – mamãe sempre gostou de contar histórias enquanto tomávamos chocolate quente. Mas o que mais me agradava era vestir as roupas quentes, colocar um cachecol ao redor do pescoço, as luvas e meu gorro de lã feito pela vovó e sair para passear aos arredores da rua.
Havia um lago próximo a minha casa que sempre ficava congelado durante a estação, convidando-me a patinar sobre o gelo. Nunca tive habilidades extraordinárias para isso, apenas gostava de deslizar sobre a superfície lisa e gelada, fazia-me sentir livre. Apesar de nunca ter feito treinamento algum, devido ao tempo que passava com os patins, acabei me familiarizando com eles e já tinha bom equilíbrio para deslizar um pouco mais rápido e às vezes até arriscava movimentar-me de costas.
Minhas visitas ao lago congelado aumentavam a cada ano, porém, nesse inverno encontrei algo novo – uma companhia. Erick tinha se mudado para a cidade havia algumas semanas e também estava morando próximo ao local. Ele foi ao lago para patinar, mas ao contrário de mim, ele era habilidoso e seus movimentos eram tão fluidos que ele patinava tão à vontade quanto se estivesse caminhando.
Conversamos muito logo na primeira vez que nos vimos. Minha timidez era um empecilho irrelevante comparado à empolgação dele por ter conhecido alguém novo após sua mudança. Desde então, sempre que vou patinar ele me acompanha e acabamos criando uma amizade forte e sincera. Ele era sempre paciente e tentava me ajudar a fazer movimentos mais elaborados. A presença dele era como um presente, mesmo quando ele ria levemente quando eu caía após alguma tentativa fracassada de imitá-lo.
Na manhã de domingo, acordei animada para sair. Tinha combinado com Erick de passarmos a tarde no lago e depois tomarmos um chocolate quente. Quando saí de meu quarto para tomar o café da manhã, percebi que havia uma carta em cima da mesa, a qual minha mãe disse ter sido deixada bem cedo pelo meu tão querido amigo. As palavras eram um doce lembrete de nossa programação e um aviso de que ele tinha algo importante para dizer. Aquilo, é claro, apenas aumentou minha ansiedade pelas próximas horas e fez-me perder um bom tempo escolhendo o casaco e a boina de lã que usaria na ocasião.
Finalmente pronta, não parava de me questionar sobre o que ele diria. Sem chegar a conclusão alguma, cheguei ao local e já o avistava perto da ponte com aquele seu sorriso tão acolhedor e irradiante que seria capaz de derreter toda aquela neve. Ele me chamou para onde estava, convidando-me a calçar os patins com ele. As lâminas riscavam o gelo e ele era tão gracioso que por um instante todo o mundo concentrou-se naquele momento, naquela pessoa tão leve e espontânea que eu via ali. Fiquei tão envolvida pelo deslizar dele que quando me dei conta, lá estava ele, tão próximo como nunca esteve, pousando as mãos no meu rosto, acariciando meu cabelo.


- Mesmo com essa cara de boba me olhando, você está linda hoje, sabia?

Um pouco desnorteada com a mínima distância entre nós, apenas sorri e disse:

- E você está convencido, como sempre... era o que você tinha para me dizer?

Ele respondeu sem se afastar:

- Talvez fosse uma das coisas.

- O que era então?

Nesse momento, ele já estava com os olhos tão fixos nos meus que isso fez com que meu coração ficasse aos pulos. Eu já não conseguia desviar o olhar.

- É que antes de irmos à lanchonete, eu ainda tenho uma última coisa para fazer.

O rosto dele ficou cada vez mais próximo e meus olhos se fecharam. Meus sentidos estavam concentrados nele: seu calor, a textura de suas mãos em meu rosto, até sua respiração... e então senti aqueles lábios que emolduravam o sorriso que me fez tão bem naquele inverno.













Jejels, 06/05/2011.

Pauta para a 22ª edição roteiro e 65ª edição conto/história do Bloínquês.












quarta-feira, 4 de maio de 2011

Último refúgio

Entregar-me ao incerto,
Ao inteligível e nebuloso
Universo de sonho miraculoso
Que se apaga quando desperto.

Debruçar-me sobre o irreal
Completamente e pela última vez
Sem me preocupar com insensatez
Ou com o inverno glacial.

Atirar-me para fora do mundo
Ao mergulhar dentro de mim
Sem "não" ou "sim"
Sem o latejar agudo.

Buscar as últimas migalhas
No âmago sepultadas,
Labaredas apagadas
Do que fui um dia.

Era meu último refúgio...

Não me resta nada agora.




Jejels, 04/05/2011.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lânguida



As nuvens aproximam-se,
Ajuntam-se num céu estilhaçado
Apagando qualquer chance
De um dia ensolarado.

As sombras chegam a mim
Consolam meu corpo queimado
Antes de imaculado marfim
Em frescor banhado.

Agora, com a carne exposta
E os restos da alma ferida,
Sinto-me sem nenhuma resposta
E apenas no abismo reside a saída.

Profundo tal qual o vão
Abaixo da terra escavado
Para que descanse no caixão
Meu corpo flagelado.



Jejels, 02/05/2011.

domingo, 1 de maio de 2011

Carinho por escrito

De encantos das palavras
Enchem-se meus olhos cansados
Que a elas agarram
Querendo voltar ao passado.

Escritas naquela língua

Que não há como desconhecer
Mesmo quando a presença míngua,
Sei que é a linguagem do bem-querer.

Afetos em lufadas
Enxaguam meus olhos
Com palavras aladas.

Meu coração intermitente
Agradece em silêncio,
Em ritmo poente.




Jejels, 01/05/2011.