quinta-feira, 30 de junho de 2011

Receita

Para me fazer sorrir
Bastam alguns toques em meu ombro
Deixando-me sacodir,
Balançar como uma nau
E perguntar com aquela voz
Se quero comprar um pica-pau.



Jejels, 30/06/2011.

Leo

Todas as noites quentes esgotaram-se para mim. Não restou nenhuma gota delas, apenas as ébrias lembranças, tão distantes, daquelas noites de riso e de olhar aguçado.
Esta manhã estava ensolarada, mas eu não conseguia sentir o calor em minha pele. Estava em pleno ar livre, espaço aberto, luz natural e envolvida inutilmente pelo meu casaco de capuz. E isso era inútil porque minha alma apenas congelava mais e mais por dentro. Meu corpo debilitado estava definhando a cada dia, os distúrbios estavam abalando meu emocional como nunca, eu não sabia bem se havia a chance de aquele inferno chegar ao fim. E o pior de tudo era ainda ter que enfrentar meus problemas, dar conta de tudo sozinha.
Hoje tinha decidido que ia dar um fim ao meu orgulho infantil, que iria encarar meu medo e estabelecer contato. Estava mais que claro que eu não estava conseguindo me virar com minha solidão. O ponto é que foi tarde demais e então aquela notícia que eu havia previsto em sonho materializou-se diante dos meus olhos, rompendo meu último fio de esperança.
O dia foi caminhando cada vez mais lento, meu corpo reagia lânguido, já demonstrava sua preguiça diante da imensa dificuldade de continuar ali, em movimento. Quando me dei conta, ele estava lá.
Já tinha escurecido e eu tinha adormecido sem me dar conta no banco do parque. Leo estava ali e eu não compreendia como soube de meu paradeiro. Pode ter sido mera obra do acaso, não importa. O fato é que ele tinha sido minha fonte de força nos últimos dias, apesar de não ser o bastante. Acho que no fundo ele sabia disso, de sua insuficiência.
Mesmo assim, ele estava ali, avaliando meu estado deplorável, os cabelos despenteados, os olhos inchados que passaram o dia pranteando minha estupidez. Ele olhou para mim e não disse nada, simplesmente me abraçou e cuidadosamente, tirou-me do banco e carregou-me para seu carro.
Parecia não se incomodar com nada daquilo e só pude pensar que ele realmente se preocupava comigo mesmo sem me conhecer direito. Nossa história mal tinha começado e lá estava ele me carregando no colo ao adentrar sua casa. Eu não estava preocupada com isso nem com o que os outros iriam pensar. Não, eu não devia satisfações a ninguém e o mundo estava pouco se importando comigo naquele momento. Além disso, Leo era tímido demais e me respeitava muito acima de tudo.
Eu estava ficando um pouco constrangida, não por ele me ver naquele estado, mas por estar dando trabalho a ele. Meu sentimento de culpa sempre foi imenso em relação a mim mesma e eu não conseguia olhá-lo nos olhos como sempre fazia. Ele, ao contrário, estava fazendo isso como nunca fez antes. Fiquei imaginando o motivo dessa irônica inversão dos papéis.
Eu não esperava que as coisas chegassem a esse ponto, mas ali estava eu, na cama de Leo após ser escoltada por ele depois de um dos piores dias da minha vida. E se não bastasse todo o problema com minha saúde, eu estava carente. Como se estivesse lendo meus pensamentos, Leo segurou minha mão, ainda me olhando fixamente, mas eu sabia que ele jamais seria capaz de diluir minha carência. Isso apenas Thomas conseguiria. Thomas e seu olhar de cobre derretido, Thomas e seus cabelos negros, Thomas e suas mãos quentes, Thomas e seu carinho... Thomas, que havia finalmente decidido seu caminho.
Talvez Leo jamais entenda essa parte, assim como eu não entendo. E quando as lágrimas refloresceram em meus olhos, ele aproximou-se e juntou-se a mim. Sem dizer uma palavra, abraçou-me e então a única coisa que eu desejava era que tudo aquilo acabasse, que aquele buraco em meu peito fosse preenchido de novo, mesmo que eu sentisse que, no fundo, jamais seria. De repente, tudo o que eu queria era afundar naqueles braços e chorar até que minha alma secasse...







Jejels, 26/06/2011.




Pauta para a 26ª edição roteiro do Bloínquês.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A última peça

Estava eu entretida com coisas da minha rotina, aquela correria de sempre, quando, por algum motivo, parei um instante e olhei para o céu. As nuvens que pairavam sobre minha cabeça estavam num tom claro de amarelo, antecedendo o pôr-do-sol e faziam o céu parecer uma bela aquarela em tamanho gigante a abrilhantar o dia. Ah, aquele céu tão especial das tardes em que deitávamos no gramado e jogávamos conversa fora até as estrelas chegarem como pingentes de prata a pender por sobre nosso amor.
Pois é, lembrei de você nessa tarde qualquer enquanto voltava para casa e acabei perdendo o rumo, embarcando numa viagem de lembranças tão doces e revigorantes como aquele amarelo de baixa saturação. Percorri cada vestígio de você que estava ainda arquivado em minha memória. Pelos sons, perfumes, palavras, cores e texturas... como a dos seus cabelos quando eu os enrolava em meus dedos. E você estava ali registrado em cada cantinho, em cada brecha que encontrou para se fazer gravar em mim.
E isso me fez recordar nossos dias felizes juntos, nossos momentos mais belos. E assim, tudo o que eu fiz para você foi o que pude de melhor, pois seu sorriso era a melhor recompensa que eu poderia receber por qualquer coisa que fizesse. E sabe de uma coisa? Não me arrependo de nada, nem das noites mal dormidas, nem das vezes em que passei dos limites ou das discussões por picuinhas. Aquilo fazia parte da história, fazia parte de nós. E o melhor de tudo é que depois de uma fase ruim, sempre vem uma fase florida, cheia de carinho e atenção, cheia de perdão e compreensão.
Estava eu admirando o céu e já voava longe em meus pensamentos, perdida com meus botões, quando senti um par de mãos familiar em contato com meu rosto a me tapar a visão. E o cheiro de carinho denunciou a sua presença fisicamente naquele cenário perfeito... a peça que faltava no meu quebra-cabeça.






Jejels, 29/06/2011.

Pauta para a 74ª edição musical do Bloínquês.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ali

Fico a espreitar,
Os olhos espiando bem no cantinho
Sem me importar
Que percebas meu desvio.

Meus pés criam raízes,
De repente parece impossível,
E até em pensamento, inconcebível
Ignorar teus matizes.

Minha boca se abre,
Mas o som não reverbera,
A voz está muito diferente do que era.

Mas para que perguntas?
Não levam a lugar nenhum
E quero estar ali no teu coração incomum.




Jejels, 28/06/2011.

domingo, 26 de junho de 2011

My heart




I am finding out that maybe I was wrong
That I've fallen down and I can't do this alone
Stay with me, this is what I need, please?
Sing us a song and we'll sing it back to you
We could sing our own but what would it be without you?



I am nothing now and it's been so long
Since I've heard the sound, the sound of my only hope
This time I will be listening
Sing us a song and we'll sing it back to you
We could sing our own but what would it be without you?


This heart, it beats, beats for only you
This heart, it beats, beats for only you...
Oooh!
This heart, it beats, beats for only you, my heart is yours
This heart, it beats, beats for only you, my heart is yours
(My heart, it beats for you)
This heart, it beats, beats for only you, my heart is yours
(It beats, beats for only you. My heart is yours)
This heart, it beats, beats for only you, my heart...
(Please don't go now, Please don't fade away)
My heart is yours
(Please don't go now, Please don't fade away)
My heart is yours
(Please don't go now, Please don't fade away)
My heart is yours
(Please don't go now, Please don't fade away)
My heart is...






Paramore.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A flor



A ti flor dos campos longínquos
Fonte de inspirações que não secam
Atribuo os meus melhores versos
Em uma oração ao pé do ouvido
Ouças o meu clamor de gratidão
E ao final não digas nada...
Apenas olhe em meus olhos
Para que eu leia de forma plena
Os sentimentos que nunca morreram.

Golpe de sorte, dor que não cessa.
Reside em ti o terreno fértil
Capaz de fazer crescer os sonhos
Que eu em minhas desilusões somadas.
Descrente de tudo e de todos
Passei a sonegar os sentimentos
Que insistiam em viver somente em ti.

Irreversíveis são os espaços abertos
Nos corações que somente sabem esperar
A lástima do subtendido e das meias palavras
É a ausência que se cria de certezas.

A ti flor despida de espinhos
Eu temo causar o sofrimento
Que tu em sua infinita bondade
Seria incapaz de produzir
E se me mantenho distante é para apreciá-la
De tal forma que não note que és observada
Da forma cruel que te faz sentir esquecida
Longe da idéia de ser especial para alguém.

Oh flor não chores,
O tempo todo, cada gesto, cada sorriso.
Nada passou despercebido,
Pois nem mesmo os meus piores inimigos
Traíram-me tanto quanto os meus sentimentos
Aceito a queda da razão frente à emoção
E despeço-me do que um dia eu fui.

Pois tudo o que eu preciso hoje
É não mais temer te fazer feliz!








Luan Emilio Faustino 7 de setembro 2009

Retirado de http://dascartasquenuncamandei.blogspot.com/

Conquista

Palavras de incentivo,
Confiança florescendo,
Corpo pleno e ativo,
Um ideal acontecendo.

Dedicação passo a passo,
Jamais abaixando a cabeça,
Concretizando com suor e cansaço,
Tornando-me uma grata surpresa.






Jejels, 24/06/2011.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tua arquitetura

Que mistérios haveria
Por detrás desses arcos?
Tantas linhas,
Sinuosa geometria,
Singela assimetria.

Que razões haveria
Para tanta harmonia?
Tanta precisão,
Disfarçada perfeição,
Discreta sintonia.

E que felicidade haveria
Ao adentrar tal espaço?
Tanto cuidado,
Atencioso laço
Por ti trançado.



Jejels, 20/06/2011.

Você

Lembro-me de dias em que senti uma saudade. A cada dia que passava, a saudade crescia, a cada dia, eu sentia saudades de você.
Eu gosto de sair à noite para me lembrar de você. Daqueles dias em que só eu e você juntos assistimos o sol nascer. Daquele dia em que você me acolheu com a dor, e me ensinou a viver com ela. Lembro-me dos vários dias em que nós três juntos vimos as estrelas antes delas nos verem. Aprendi a te acolher de braços abertos, de te sentir até doer. Quero você comigo para sempre, até o fim desse eterno momento. Você faz parte de mim, tanto quanto meu sangue.
Eu sei do que você é capaz, e você do que fui capaz. Mas mesmo assim, você vem me lembrar... de partes de mim que havia esquecido. Você congela meu amor por você com seu forte e acolhedor abraço.

Senti saudades de você....

....bem vindo de volta frio.




Rex.

domingo, 19 de junho de 2011

Verão

Você foi embora mais uma vez,
Deixou fluido qualquer resquício de solidez
Que poderia restar em mim.

De certa forma, você é minha fortaleza,
Você me faz acreditar que não tenho fraqueza,
Traz de volta minha autoconfiança.

E sem você, tudo parece escuro,
As cores esmaecem,
Falecem as flores.

As flores que você tanto ama
E que perfumam meus sonhos
Enquanto afundo em meu drama.





Jejels, 19/06/2011.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Do que eu preciso?

Que todos os dias eu possa acordar, olhar-me no espelho e amar quem estiver refletido.
Que eu tenha sonhos para perseguir e determinação para fazer o que for preciso para alcançá-los.
Que eu tenha forças para combater qualquer desânimo e qualquer obstáculo que se coloque em meu caminho no âmbito de me tirar as esperanças.
Que eu seja forte sempre, mesmo em minhas lágrimas.
Que eu saiba controlar meus sentimentos sempre que for preciso...
E que, se a situação se alastrar a um ponto insustentável, que eu saiba cair, que saiba desaguar toda a pressão e a tristeza, toda a desilusão e a frustração, de modo que nessa queda eu eduque a mim mesma, que me ensine a levantar.

É disso que eu preciso agora.





Jejels, 17/06/2011.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

(Ar)ritmado

É o vento que inicia
Com seu sopro suave em piano
Aquela doce melodia.

Então o perfume entra em coro
Com as flores semeando sorrisos
Onde antes havia choro.

A harmonia segue com as cores
Tão vibrantes em seus tons,
Tão suaves em seus sabores.

Então é a sua vez
De aparecer para quebrar o ritmo,
Suavemente, com sua timidez,
O rosto vermelho, o olhar marítimo
Em um novo compasso
Regido pelos seus passos
A guiar os meus.





Jejels, 16/06/2011.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sorry or please




Five weeks in a prison, I made no friends

There's more time to be done, but I've got a week to spend

I didn't pay much attention first time around

But now you're hard not to notice, right here in my town

Where the stage of my old life meets the cast of the new

Tonights actors:

Me and You

Each day is taking us closer

While drawing the curtains to close

This far, or further, I need to know

Your increasingly long embraces

Are they saying sorry or please?

I don't know what's happening, help me

Through the streets, on the corners, there's a scent in the air

I ask you out and I lead you, I know my way around here

There's a bench I remember, and on the way there I find

That the movements you're making, are mirrored in mine

And your hand is held open, intentionally

Or just what I want to see?

Your increasingly long embraces

Are they saying sorry or please?

I don't know what's happening, help me

I don't normally beg for assistance

I rely on my own eyes to see

But right now they make no sense to me

Right now you make no sense to me.







Kings of Convenience.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Realizando




Um aperto no peito,
Uma tristeza crescendo,
O dia anoitecendo,
A hora do adeus que nunca aceito.

Troca de olhares,
Um último sorriso em meus lábios
E todos aqueles sentimentos peculiares
Resumiam-se num murmúrio monossilábico.

Um pequeno instante,
Apenas os milésimos necessários
Para dar um passo adiante
E tornar real meu desejo imaginário.

O coração bateu acelerado,
Arrebatado qual cometa,
Parecia ter tornado o céu rajado
Como asa de borboleta...








Jejels, 09/06/2011,

terça-feira, 7 de junho de 2011

Naquele momento

Entre aquarelas magníficas
E o sol forte da tarde,
Entre protestos silenciosos
E peças de barro
Que espiavam sem fazer alarde.

Entre fotos de políticos
E arquitetura monumental,
Entre motivos fictícios
E um túnel temporal
Onde o coração pulsava desigual.

Foi num pequeno intervalo
Entre o começo e o findar daquela tarde,
Foi num sábado ensolarado
De presente perfumado.

Naquele doce limiar
Entre a vontade de permanecer
Mesmo na hora de voltar,
Aquele prelúdio do amanhecer
De uma paixão a desabrochar.

Foi aí que sorri,
Transbordei felicidade,
Descobri que era verdade,
Foi quando vi que o colibri
Havia encontrado sua flor de serenidade.





Jejels, 07/06/2011.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Falta

A inquietude do silêncio
Ecoa pelas infinitas paredes
Concretas e imaginárias
Que me prendem nessa rede.

A explosão do vazio
Queima a ínfima visão
Do escuro sombrio
Que me aterra o coração.

E a iminência de um nome
Permeia minha consciência
Que persegue, insone,
O antídoto para essa ausência.



Jejels, 06/06/2011.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Claraboia

Deite e olhe para cima,
Veja o céu claro sobre nossas cabeças,
A abóbada anil que rima
Com o silêncio em nuvem espessa.

Queria que o tempo não passasse,
Queria que o mundo congelasse
E então eu fixaria meus olhos nesse castanho
E afundaria nessa serenidade sem tamanho.

Todo som tornar-se-ia abafado,
Toda cor convergiria para sua face,
Toda luz viria do céu envidraçado
Todo desejo seria que você me abraçasse.

Entretanto, são apenas divagações
Que inundam meus pensamentos,
Meras fantasiosas ilusões
Que meu coração tem como alimento.





Jejels, 02/06/2011.