terça-feira, 25 de outubro de 2011

Amor.

Ela: Se eu ficar feia?
Ele: Eu fico míope.
Ela: Se eu ficar triste?
Ele: Eu viro... um palhaço.
Ela: Se eu ficar gorda?
Ele: Eu quebro o espelho.
Ela: Se eu ficar velha?
Ele: Eu fico velho junto.
Ela: Se eu ficar rouca?
Ele: Eu fico surdo.
Ela: Se eu ficar chata?
Ele: Eu te faço cócegas.




Retirado de http://somaisumasanotacoes.blogspot.com/

sábado, 22 de outubro de 2011

Paulo

Eu não sabia em qual deles confiar: em Fábio ou em meus sentimentos. Porque apesar de tudo, eu sempre sentia como se eu não fosse tão importante, como se, de alguma forma, sempre houvesse algo mais interessante que se sobrepusesse ao meu plano. Trabalhos, estudos, viagens, família, jogos de futebol. Havia uma infinidade de eventos que rapidamente me colocavam no "banco de reserva" e assim, fui alimentando esse sentimento de que eu era desimportante. E as demoras para responder as mensagens, as ligações caindo na caixa de mensagem à noite, as fobias quanto às coisas que eu fazia e amava. Quando estávamos juntos, tudo era perfeito, o mundo girava em torno apenas de nós, era como se nada mais importasse e eu me sentia extremamente amada. Mas quando nos despedíamos, era o começo de todos os terremotos a abalar nosso relacionamento que cada vez mais se assemelhava a um pequeno castelo de areia, coisa de contos de fadas que a dura realidade sempre chega para destroçar.
Tudo isso revirava em minha cabeça como uma grande mistura num liquidificador. Eu andava pela rua, atordoada com tudo isso, quando me deparei com uma cena bastante inusitada: havia um homem no chão. A princípio, pensei que estivesse bêbado, pois se movimentou de forma exagerada e depois deitou de barriga para cima com as pernas levantadas, dobradas a 90º, as canelas paralelas ao chão. Ao me aproximar, percebi que não havia nada de brincadeira ali: ele estava machucado. Vestia uma bermuda que agora exibia uma grande mancha escura ao lado da coxa e uns filetes de sangue escorriam pela canela. Ao perceber isso, corri para perto dele, a fim de socorrê-lo. Ele estava sentindo bastante dor e tentei acalmá-lo dizendo que iria chamar uma ambulância. Foi então que me contou que estava apenas caminhando pela rua quando um carro parou de repente e um de seus passageiros disparou contra ele. Fiquei atônita ao ouvir tal relato de violência gratuita, mas fiz o meu melhor para permanecer calma e não deixar o homem mais nervoso com a situação.
O Samu não demorou muito a chegar, e depois de conversar com o homem que, a propósito, chamava-se Paulo, fiz questão de acompanhá-lo até o fim. Os médicos disseram que não era preciso, mas eu realmente sentia que era meu dever me certificar de que tudo daria certo para ele. No caminho para o hospital, ouvi mais sobre a história dele. Sua família morava em outro estado e ele vivia em um apartamento daquela mesma quadra onde o encontrei. Estava na cidade somente por questões de estudo, seu sonho era formar-se em letras em uma boa faculdade. Trabalhava pela manhã em uma escola dando aulas de inglês para crianças e estudava à noite.
Depois do susto, ele já havia sido diagnosticado e levado à sala de cirurgia, onde seria extraído o projétil já identificado. A essa hora, minha mãe já tinha ligado umas 7 vezes para o meu celular, preocupada com a minha demora. E após pedir que a enfermeira da recepção me informasse do êxito da cirurgia, deixando meu número, fui embora com outras questões na cabeça.
A vida é tão curta, uma caixinha de surpresas e tão frágil que pode findar num piscar de olhos... agradeci por ter saúde naquele momento e por minha família estar passando bem. E então meus pensamentos retornaram ao que eram antes de encontrar Paulo caído na calçada. Apesar de Fábio parecer me deixar de lado às vezes, eu o amava e não podia deixar que as coisas entre nós ficassem mal resolvidas. Liguei para ele imediatamente para avisar que estava indo até sua casa, não me importando com o horário. Naquela noite, coloquei as cartas na mesa e resolvi os mal-entendidos entre nós. Foi quando descobri que Fábio me amava tanto quanto eu a ele e passamos a nos compreender melhor.
Dois dias depois, voltei ao hospital para rever Paulo. Estava muito grata por tê-lo encontrado e por poder ajudar naquela noite. Sua perna estava melhorando lentamente e a cirurgia havia sido efetiva. Ao vê-lo ali, com um sorriso de gratidão, não pude deixar de estampar meu rosto com o mesmo, pois também ele havia me ajudado naquele momento a valorizar mais a vida e não deixar que os bons momentos passem desapercebidos, derrubados por pequenos problemas que às vezes são apenas falsas impressões que temos da situação.
E eu me sentia muito feliz.


Jejels, 23/10/2011.
Pauta para a 89ª edição conto/história do Bloínquês.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Traição

Batidas e sussurros
De um céu encoberto,
As palavras que empurro
Nem sei ao certo.

O perfume no pescoço,
Repentino alvoroço
Formou-se espontâneo.

O céu caiu
Sobre olhos fechados,
O coração mentiu
Com os sentimentos condenados.

O toque no rosto,
Lábio justaposto
Sentenciou traição.




Jejels, 20/10/2011.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

10 minutos

Por que você não atende as minhas ligações?
Sei que você tem lá suas razões
Olho milhões de vezes sua foto
Me pergunto em que ponto perdemos o foco
Por que você não atende se vê que sou eu?
Será que é teu jeito de dizer adeus?
Rodo mil histórias na minha cabeça
Daqui a 10 minutos talvez eu enlouqueça
Enlouqueça...
Fora
Seu silêncio me devora
Algo diz pra eu ir embora
Não entendo os seus sinais
Mas fica com você
A desculpa pra inventar
Quando resolver ligar
Posso não te querer mais
Olho pra pessoa em que você me transformou
E depois não quis mais
Abandonou
Vejo que a vida me prestou esse favor
Me fez sempre pronta pra viver um novo amor
Um novo amor...
Fora
Seu silêncio me devora
Algo diz pra eu ir embora
Não entendo seus sinais
Mas fica com você
A desculpa pra inventar
Quando resolver ligar
Posso não te querer mais.




Ana Carolina.
(Retirado de http://www.vagalume.com.br)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Automático

Uma correria monocromática, rotina que se repete a cada dia, movimentos cíclicos que vão e vêm preenchendo as horas do dia. Num dado momento, tudo fica embaralhado e vira uma completa monotonia a ser revivida a cada dia, a cada semana, a cada mês... Casa, trabalho, almoço, trabalho, casa, lanche, aula da noite, cama. Uma sequência de atos mecanizados, uma batalha travada no cérebro, bloqueando a criatividade. E nessa situação, como fugir de tudo isso? Não sou uma máquina, preciso quebrar esse ritmo, não posso deixá-lo tornar-se constante e engolir minha vida. Sim, pois assim não seria vida. Apesar de cíclica, a vida não pode ser regular como um alinhamento geométrico desenhado em cidades através de eixos que almejam essa precisão contínua. Não, a vida, a meu ver, está mais pra uma árvore do cerrado com seu tronco tortuoso a desviar o olhar do pedestre que por ali caminha. Uma árvore que floresce, que perde as folhas, que oscila entre o plano de fundo e a grande atração paisagística.
A vida é muito complexa para uma função de primeiro grau, muito harmoniosa para o barulho do trânsito, muito plural para uma melodia monofônica, muito dinâmica para um monólogo, muito bela para o concreto cinzento. É... a vida é muito viva para uma rotina sem trégua.




Jejels, 16/08/2011.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Gravando-te

É no detalhe da flor,
Naquela coloração única
Que aparecerá quando o sol se pôr
Atrás dos teus olhos.

É no doce do mel,
Naquele sabor consagrado
Que se perderão meus lábios
Num piscar de olhos.

E é no perfume de céu,
Naquele clima perfeito
Que ficará o olhar cor de mel
Para sempre preso no meu.





Jejels, 18/10/2011.
Pauta para a 58ª edição poemas do Bloínquês.

Citação de Poe



"Para sermos felizes até certo ponto é preciso que tenhamos sofrido até o mesmo ponto."




Edgar Allan Poe.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pulso

Sentir e pensar
- Por que separar?
Se devo agir como desejo,
Ouvir o coração e meus anseios?

E por que é tão difícil perceber
Que ambos fazem parte de mim,
Lampejos de saber e do querer,
O sóbrio branco e o voluptuoso carmim?

E múltiplas cores de meus olhos,
Quimeras, devaneios, sonhos,
Um vulcão ardente, alerta em sentidos
Responde prontamente aos estímulos.

Sentir e pensar
- Difícil de separar
Apesar de que alguns momentos
Revelem-se sentimentalmente tão intensos.



Jejels, 10/10/2011.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Incompatíveis

Sempre duvidei do quanto as coisas pudessem dar certo. Desde que esse clima de romance começou entre nós, havia sempre algo a mais em minha cabeça, algo que poderia colocar tudo em dúvida. E somos tão diferentes, há mil desencaixes em nossas vidas, inúmeras incompatibilidades em nossas personalidades. Mesmo assim, aceitei encarar a aventura. Estar com você me fazia bem apesar de todas essas diferenças gritantes entre nós... mas agora percebo que isso não está sendo o bastante para mim, que você não entende a minha dinâmica, ainda não entende nada dos meus sentimentos, na verdade. Você foi me encantando e continua semeando sorrisos em mim, mas não passa disso. Além do mais, já estão se repetindo as situações em que mesmo na sua presença, coloco a validade dessa relação em cheque. Não, não tem sido o bastante e creio que você não perceba isso pelo simples fato de não conseguir decifrar os meus desejos. Já passou o tempo em que eu fechava os olhos e a lembrança do seu rosto me fazia esboçar um sorriso. Estamos entrando em descompasso, saindo de sincronia... e não há nada que eu possa fazer que não esperar até que a linha tênue que nos une se rompa quando chegar a hora.


Jejels, 12/10/2011.
Pauta para a 89ª edição musical do Bloínquês.

Carta a João

João,

Estive esperando por você o dia todo. Havia tantas coisas que eu queria lhe dizer, algumas novidades bobas, minha entrada na faculdade, o desabrochar da primeira flor daquela roseira que plantamos juntos anos atrás... a tarde se arrastava lenta e eu insisti em ficar no gramado esperando por você. Faz tanto tempo que não nos vemos, plantei em mim a certeza de que você viria ao meu encontro. De todos os momentos que passamos juntos, várias memórias afloravam em minha cabeça e faziam minha cabeça voar enquanto mantinha meus pés aqui neste parque que sempre foi o cenário dos nossos encontros esporádicos. Mas muita coisa mudou, os anos nos separaram e só restaram as lembranças de um tempo que apenas ficou para trás, guardado apenas em minha memória. Dos frios invernos aos chuvosos verões, os sorrisos refrescantes como sorvete saíam fáceis, leves, espontâneos.

Depois que você viajou, fiquei sem meu companheiro de aventuras, os finais de semana ficaram mais vazios assim como as páginas do meu caderno, pois as tantas palavras com as quais eu compunha minhas poesias, bem, elas se esconderam em algum lugar e escrever se tornou uma tarefa surpreendentemente difícil. Nesse meio tempo, consegui entrar na faculdade e agora minha vida está bem mudada, assim como eu imagino que tenha acontecido com a sua. Porém, mesmo com tudo isso acontecendo, ainda me lembro de você todos os dias, de quando íamos ao cinema e você me fazia ver filmes de terror só pra me ver ficar com medo, das tardes em casa em que jogávamos vídeo-game até tarde rindo baixinho com a porta do quarto fechada para que ninguém descobrisse que ainda estávamos acordados... lembro das vezes em que resolvemos matar aula para escrever juntos tomando suco de uva em uma quadra qualquer. Recordo as tardes quentes em que íamos ao lago pra nos refrescarmos um pouco ou simplesmente ficar ali apreciando a paisagem... e lembro, é claro, das manhãs em que vínhamos pedalando para este parque fazer um pouco de exercício, jogar conversa fora e deitar no gramado para olhar as nuvens e imaginar os mais diversos formatos que elas adquiriam. É exatamente aqui que estou agora.

Acordei com um ímpeto de ver você e fiz questão de vir até aqui, imaginando que você também apareceria. E sei que não passou de uma fantasia, mas o mero fato de estar neste lugar e de recordar nossos momentos juntos, nossas histórias de infância, bem, isso mudou meu dia. Então escrevo esta carta para que você saiba, primo, que mesmo com essa distância que se impôs em nosso caminho, estaremos sempre unidos ao menos pelas nossas lembranças.


Saudades,
Mara.




Jejels, 12/10/2011.
Pauta para a 90ª edição visual e a 63ª edição cartas do Bloínquês.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tímida

Às vezes sonho com chuva,
Estou num jardim florido
E o céu nublado se curva
Sobre uma garota de vestido.

O céu se contorce no espaço
Entre ela e seu par,
Distância medida em um passo
Que ela não soube dar.

Não seriam as gotas em sua face
Nem o olhar dele, tão terno,
Não era falta de enlace,
Nenhum elemento externo.

A razão de seu estatismo
Era apenas timidez
O único empecilho
Que trocava o sim por um talvez.




Jejels, 11/10/2011.
Pauta para a 57ª edição poemas do Bloínquês.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Overdose necessária

Cansaço,
Aliviado...
Depois de mil horas, um sofá.

Dor,
Só sei o que é sarar...
Se a sofro profundamente.

Confusão,
Realmente me norteio...
Quando outrora perco meus eixos.

A luz não me ofusca,
Se vi muito branco,
E se a penumbra foi também meu caminho.

A paz?
Na medida que já ouve guerras,
Lá fora...
Ou dentro do ser.

Tão fraco...
Que estou confortável,
Realmente descanso.




Matheus Maramaldo
(retidado de http://www.recantodasletras.com.br/ )

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nossa música

No seu olhar, a convocação;
A orquestra se prepara, instrumentos a postos,
Mente aberta, livre coração
Pronta para o improviso de que mais gosto.

Seu toque, o regente,
Ao sinal dos olhos semicerrados
Dirigindo a mim esse olhar tão atraente
Inicia a melodia com um leve descompasso.

O coração a palpitar
Conduz o ritmo da nossa música
Acelerando enquanto a leve falta de ar
Preenche o som como quem sussurra.

Suaves ruídos, o roçar de lábios,
Dedos enroscando nos cabelos,
Melodia de um murmurar monossilábico,
Harmonia de desejo.




Jejels, 03/10/2011.
Pauta para a 56ª edição poemas do Bloínquês.

sábado, 1 de outubro de 2011

Transcendência

Silenciosamente eu te falo com paixão sobre tudo e nada. Silenciosamente, apenas com uma troca de olhares, eu deixo transparecer tudo o que pulsa em mim, todo o bem e o mal da minha personalidade esférica, errante, humana. Silenciosamente, deixo que você leia cada marca que a vida deixou em mim, tudo aquilo que faz parte da minha história e me encaminhou pela estrada para que eu chegasse até aqui. Silenciosamente, arrependo-me de cada deslize, de cada vez que por razão ou outra perdi o controle, sinto o remorso de cada palavra dita por impulso, dita sem pensar. Silenciosamente, penso em tudo o que tenho e sinto-me grata. Silenciosamente, as mãos unidas e a testa apoiada sobre elas, os joelhos no chão e o coração aberto. E também silenciosamente, uma lágrima densa, carregada de sentimentos, da minha essência rola por meu rosto e traz aquele sabor característico ao roçar em meus lábios. Um resumo de todo o redemoinho de sentimentos, mas acima de tudo, dessa gratidão, desse reconhecimento, da grandeza desse momento... dessa paixão pela vida. E é assim, silenciosamente, que agradeço ao Criador.



Jejels, 01/10/2011.
Pauta para a 88ª edição musical do Bloínquês.