domingo, 30 de dezembro de 2012

A chuva chove

A chuva chove mansamente... como um sono 
Que tranqüilize, pacifique, resserene... 
A chuva chove mansamente... Que abandono! 
A chuva é a música de um poema de Verlaine... 

E vem-me o sonho de uma véspera solene, 
Em certo paço, já sem data e já sem dono... 
Véspera triste como a noite, que envenene 

... Num velho paço, muito longe, em terra estranha, 
Com muita névoa pelos ombros da montanha... 
Paço de imensos corredores espectrais, 

Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas, 
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas, 
Revira in-fólios, cancioneiros e missais... 



Cecília Meireles

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Soneto sobre a dissolução das nuvens





Deveras calmo o céu naquela tarde,
Que se assentava sobre meus olhos,
Numa visão do paraíso, a calmaria
Que encheu meu coração de alegria.

E nele as nuvens desmanchavam-se
Tal qual meus lábios em tua boca,
Uma justaposição que se mistura,
A realização de uma intenção pura.

Deveras calmo o céu naquela tarde
Que eu podia ver pela tua janela
Emoldurada pela floração amarela.

E nele, as nuvens desmanchavam-se
Numa entrega que eu sentia internamente,
Desejos que abrasavam aquela tarde quente.



Jejels, 27/12/2012

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Textos bíblicos de natal


Diz o profeta Isaías: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de Davi e do seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor fará isso". Isaías 9,7-8. Este texto é uma profecia a respeito de Jesus Cristo, que havia de nascer. Ela foi feita há cerca de 800 anos antes de Jesus nascer. E ela se cumpriu, porque o zelo do Senhor a fez cumprir, como cumprir faz toda a sua palavra.
O dia chegou e Jesus nasceu, como diz Lucas 2,8-20: "Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam guardando, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais; porque eis que vos trago novas de grande alegria que será para todo o povo. Porque na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isso vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa mangedoura. E no mesmo instante apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas e paz na terra, boa vontade para com os homens".
"E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente e acharam Maria e José, e o menino deitado numa mangedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra, que acerca do menino lhes fora dita, e todos os que ouviram, se maravilharam do que os pastores diziam. Mas Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu coração. E voltaram os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito". Essas coisas se divulgaram por eles. E na longínqua terra do Oriente, Deus deu a revelação destas verdades, a alguns magos, ou sábios, cerca de um ano depois.
E em Mateus 2.1-12 lemos: "E tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do Rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo: onde está aquele que é nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. E o Rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele. E convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. E eles lhe disseram: Em Belém da Judéia, porque assim está escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as cidades de Judá; porque de ti sairá o guia, que há de apascentar o meu povo de Israel".
"E entrando na casa, acharam o menino e sua mãe Maria e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram ouro incenso e mirra. E, sendo por divina revelação avisados em sonhos, para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por um outro caminho". Eis em síntese como se deu o nascimento de Jesus Cristo. Que Deus nos ajude a tirar preciosas lições para as nossas próprias vidas.




Pr. Timofei Diacov
(retirado de 
http://br.groups.yahoo.com/group/timofei/message/157  )

domingo, 23 de dezembro de 2012

Tuas mãos

Quando tuas mãos saem, 
amada, para as minhas, 
o que me trazem voando? 
Por que se detiveram 
em minha boca, súbitas, 
e por que as reconheço 
como se outrora então 
as tivesse tocado, 
como se antes de ser 
houvessem percorrido 
minha fronte e a cintura? 

 Sua maciez chegava 
voando por sobre o tempo, 
sobre o mar, sobre o fumo, 
e sobre a primavera, 
e quando colocaste 
tuas mãos em meu peito, 
reconheci essas asas 
de paloma dourada, 
reconheci essa argila 
e a cor suave do trigo. 

 A minha vida toda 
eu andei procurando-as. 
Subi muitas escadas, 
cruzei os recifes, 
os trens me transportaram, 
as águas me trouxeram, 
e na pele das uvas 
achei que te tocava. 
De repente a madeira 
me trouxe o teu contacto, 
a amêndoa me anunciava 
suavidades secretas, 
até que as tuas mãos 
envolveram meu peito 
e ali como duas asas 
repousaram da viagem.


Pablo Neruda.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Soturna prece em soneto

Qual noite que apaga o dia,
Desce sobre mim, mais uma vez,
Lúgubre melancolia.

Em minha solidão repetida,
Apenas o som da chuva na madrugada,
Esta terna alvorada,
Apazigua meu coração.

Pois jaz, no amor, o sofrimento,
Impiedoso a possuir-me contra vontade,
Causa-me os maiores tormentos.

Por isso, peço que me lave este pranto celeste,
Que me leve deste mundo
Para onde haja leito mais profundo
À sombra de meu cipreste.


Jejels, 14/12/2012.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sonhando

Por que tão longe?
Inalcançáveis lábios macios,
Mar que se desmancha em rio,
Sol que ao poente, se esconde...

Quisera eu cessar em ti meu pranto,
Debruçar-me perante tal abismo,
Pois é impossível resistir ao encanto
Desse olhar penetrante e cristalino.

Mas conseguiria eu alcançá-lo?
Ao menos em sonho, seria possível
Tocar a rosa sem os espinhos de seu talo,
Provar desse beijo irresistível?


Jejels, 09/12/2012.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Underneath



Even in my darkest times
Overcome with worry
Find the comfort in the storm
No reason to be sorry
Look inside for a place to hide
All around the faithless wait full of expectations
They will never see the beauty in the imperfections
The more I show
The less they know

Out of reach
Underneath
Learned to breath
Underneath
Something inside of me
Invisible turning the fragile
Unbreakable
But they cannot take away
They cannot take away
What I believe
You cannot take away
Cannot take away
What's underneath

Every little cut runs deep
Masked in my tomorrow
Bringing wisdom that I need for all the time I borrow
My other side is left behind

Out of reach
Underneath
Learned to breath
Underneath
Something inside of me
Invisible turning the fragile
Unbreakable
But they cannot take away
They cannot take away
What I believe
You cannot take away
Cannot take away
What's underneath.



Tarja Turunen

Inquebrável dor

Rajadas de vermelho cortam meu coração
E o sangue desce aos jorros
De encontro ao chão, uma poça escarlate,
A dor que não parte.

E tenho nas mãos apenas meus dedos,
Nódoas petrificando meu peito,
A mácula do pranto
Esmagando-me num canto.

Até que, enfim, não reste ar
Que possa em meus pulmões ser retido;
O pulso machuca,
O corpo fraqueja,
A rosa murcha.



Jejels, 13/12/2012.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sonho ajardinado

Queria tua pele tocar,
Um segredo num jardim ao luar,
Onde as rosas seriam testemunhas
De confissões, afinidades e lamúrias.

Que entre arbustos houvesse a camuflagem
Para uma garota e seu pajem,
Um olhar intenso na penumbra conceder
Um momento propício para o amor florescer.

E sob um caramanchão de trepadeiras
E talvez perfume de lírios,
Pudesse selar sem fronteiras
Num beijo, nosso destino.


Jejels, 09/12/2012.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Nosso jardim

Plantas já floridas,
As raízes fortes se aprofundando,
É de amor a jazida
Onde as vou cultivando.

E bem no teu coração espero poder colher
E deleitar-me com o degradê
De folhas e flores,
Paleta de mil cores,
O jardim que semeamos.


Jejels, 11/12/2012.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Montanha-russa

O escuro volta a me abraçar
Como a insegurança que invade meu coração,
A ansiedade que me põe a ofegar,
Mais uma descida ao porão.

Tão sentimental desde o início,
Não há como mudar minha essência,
Um bolo de sentimentos instável e infinito
Num ciclo de descidas e ascendências.

E juro que tento obter o controle,
Mas é minha índole,
E torna-se minha sina
Ver o quanto você me recrimina.

E talvez te faça mesmo sofrer,
Mas não consigo te fazer entender
Que é assim que eu sou...
Uma montanha-russa de euforia e dor.



Jejels, 08/12/2012.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Descobrindo um imprevisto

Apenas imagino o que poderia ser,
Apesar de que não será.
Queria ser o que seu coração vê,
Mas vejo apenas meu plano desmoronar,
Uma fantasia colorida
Desmanchando ao Deus dará.



Jejels, 08/12/2012.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Céu aquarelado na moldura do sexto andar

Fim de tarde colorida,
Aquarela no céu, azul anil
Pacificando meu coração,
Atenuando meu estado febril.

E tão belas cores
Absorvo ao ver a paisagem,
Pintando-me por dentro,
Acalmando o tempo selvagem.

Pois os segundos passam velozes
E não os consigo acompanhar,
Mas ao sentir brisa tão suave,
Consigo, finalmente, respirar.

E o reflexo do mesmo céu nos olhos teus
Completa essa perfeição, esse meu paraíso.
E afundar neles é meu único desejo,
Consumar num beijo meu escapismo.



Jejels, 06/12/12.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Desânimo

Velha sensação
De pés amarrados
E cabeça a pulsar,
Cansadas, as mãos
Querem parar de lutar.

E a aflição que me abandonara
Voltou com forte ferocidade,
Trouxe de volta a vontade
De atirar-me ao chão
Para não mais levantar.

E na penumbra que me cobre,
Aninho-me ao luar nobre,
Único consolo que me restou.

Pois o suor continua escorrendo
E o tempo vai se dissolvendo
Sem que eu possa descansar.

Em meu leito,
Já às duas da madrugada,
Busco refúgio nas lembranças,
Mas só me recordo dos crimes
De apertar o passo
E privar-me do abraço
Que faz com que eu me anime.

E atarefada, sigo com os olhos atentos
E o coração ferido
Por magoar os sentimentos
Daquele que deveria estar comigo.


Jejels, 05/12/2012.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Jéssica

Eu ouço o trem da madrugada
Com o apito estridente da tua voz!
Eu vejo o trem da madrugada
Carregando os rostos cansados
Da matutina rotina feroz!
É sabido que a lua tem vez
No arraial das luzes sem cidade
Onde encontro com você raiando
Sua beleza nos pastos da felicidade!
Ouço as kombis de lotada, saudades
Em estradas desertas por onde fizemos amor
Um dia!
Ouço um estalo de beijo no cantar de pneus
Da canção da melancolia!…
E a toda hora são novos trens embarcando
E desembarcando emoções!
E a cada lua e estrela que nos guia e brilha
Anoitecem e amanhecem paixões!
A viagem prosegue longa e distante dos centros
Mas o nosso destino é certo.
Ouço cavalos e centauros relinchando
A quimera de caminhos passados e deixados
Nas baias e raias da loucura tão perto!
Eu vejo um dia de confins alegres e sem baldiação
Eu sigo à bordo do encouraçado à deriva na tua mão!


Por reinodalira, retirado de http://reinodalira.wordpress.com/category/poesia-ultra-romantica/ 

sábado, 1 de dezembro de 2012

If it kills me


Hello, tell me you know
Yeah, you figured me out
Something gave it away
It would be such a beautiful moment
To see the look on your face
To know that I know that you know now

And baby that's a case of my wishful thinking
You know nothing
Cause you and I
Why, we go carrying on for hours, on and
We get along much better
Than you and your boyfriend

Well all I really wanna do is love you
A kind much closer than friends use
But I still can't say it after all we've been through
And all I really want from you is to feel me
As the feeling inside keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me

How long, can I go on like this,
Wishing to kiss you,
Before I rightly explode?
Well this double life I lead isn't healthy for me
In fact it makes me nervous
If I get caught I could be risking it all

Cause maybe there's a lot that I miss
In case I'm wrong

Well all I really wanna do is love you
A kind much closer than friends use
But I still can't say it after all we've been through
And all I really want from you is to feel me
As the feeling inside keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me

If I should be so bold
I'd ask you to hold my heart in your hand
Tell you from the start how I've longed to be your man
But I never said I would
I guess I'm gonna miss my chance again

All I really wanna do is love you
A kind much closer than friends use
But I still can't say it after all we've been through
And all I really want from you is to feel me
As the feeling inside keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me
If it kills me
I think it might kill me

And all I really want from you is to feel me
It's a feeling inside that keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me
If it kills me
It might kill me.


Jason Mraz.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Inútil discurso

Soneto,
Rimas e estrofes,
Lamentos de quem sofre,
Súplica que inflama o peito.

Poesia,
Metáforas e antíteses,
Sentimentos em síntese,
Reflexo de melancolia.

Papel e caneta em mãos,
Covarde coração
Que se fecha para si mesmo.

Sonetos e poesias,
Apenas tinta e caligrafia,
Palavras ao vento...


Jejels, 30/11/2012.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paisagista

Noite serena que cai sobre a cidade,
Luz perolada a adentrar as pupilas,
Descompasso no coração, felicidade
Ao sentir na pele a lua que cintila.

E de amores sucumbir,
Render-me a tal encanto,
Quase em prantos,
Emoção transbordando.

Encontro pois companhia sinuosa,
Duas novas estrelas,
Aparição misteriosa,
Curiosidade em minhas veias.

Ao perceber o reflexo da lua,
Vejo que são as órbitas tuas
A se aproximar de mim
E a semear em meu peito teu jardim.


Jejels, 28/11/2012.

domingo, 25 de novembro de 2012

Meu leito de rosas

Quem sabe, haverá um leito,
Um aconchego onde, de algum jeito,
Eu possa descansar.

Como um colchão de rosas
Com almofadas sedosas,
O perfume da flor
Unido à textura e à cor.

Quando não me restam forças,
Há um refúgio, pequeno paraíso,
Meu perfeito escapismo.

Ao fechar os olhos, apenas deito
E o pleno conforto do teu peito
E o deleite da tua respiração a oscilar
É o meu oásis misturado ao âmbar do teu olhar.




Jejels, 24/11/2012.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O cheiro da morte

Tão cruel surpresa,
Amarga morte sorrateira
Cujo cheiro se espalha pela sala.

Tenho o corpo em minhas mãos,
Um frágil vestígio do que foi
-e meu esforço vão.

Deixa tudo tão cedo,
Inocente e jovem espírito.
Rezo por não ter sentido medo
E por ter tido compaixão, sua dor.

Seus últimos suspiros ainda ecoam em mim
E o pulso fraco de outrora ainda posso sentir
Em minhas mãos impotentes...


Jejels, 19/11/2012.


**Em memória ao Baby, que agora descansa em paz.

Razões dos meus delírios

Por que cada toque me desperta
E a cada dia, de um jeito diferente.
Cada olhar mais doce,
Cada beijo mais envolvente,
Cada toque mais denso,
Com mais carinho,
Com mais amor.

E derramo meu corpo sobre o seu,
Um caminho florido ao céu,
Um deleite suave ao qual me entrego.


Jejels, novembro 2012.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Depois



Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também
Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também
Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois.


Marisa Monte.

sábado, 17 de novembro de 2012

Apenas a brisa

Um devaneio numa tarde chorosa,
Olho ao lado, murcham as rosas
E tudo ao redor parece devanescer.

Súbito, ouço algo se mexer
E viro-me, ansiosa,
Fio de esperança, luz fraca
Que tão logo se apaga
Ao perceber que não era você,
Mas apenas a brisa a me entorpecer...



Jejels, novembro 2012.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Em viagem

A lua dá as boas vindas
Vestida num manto escuro de nuvens,
Esconde-se e volta a aparecer
Como numa dança noturna.
E quando se mostra por completo,
Em sua forma crescente, belo espectro,
Tão logo me faz lembrar você,
Pois tão sublime sorriso perolado
No céu a espalhar seu brilho
Me faz imaginar seu rosto,
Seus olhos castanhos
Sob a luz de tão garbosa noite.



Jejels, 08/11/2012.

domingo, 11 de novembro de 2012

A realidade


Sonhos são aqueles
Que em dias sem luz
Invadem meu coração,
Um arco-íris que seduz.

Sonhos tão distantes
Sei que adiante
Será difícil caminhar
Mas o que eu poderia esperar?

Só sei que no fim
Algo deve acontecer,
Mas o caminho por onde chegar
Ainda é uma incógnita a me incitar.
Talvez o sonho não se alcance,
Talvez não seja de romance
O meu destino...
Talvez meu desatino chegue ao fim
Quando aceitar que não é ruim
Uma vida sem o raio de sol,
O esplendor de conquistar
O que se sonhou...

Talvez seja apenas sobreviver,
Deixar o sonho envelhecer
Em seu lugar.

Talvez a corrente do rio,
Ser mais um na multidão
Seja meu trivial destino.



Jejels, 11/11/2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Soneto à chuva

Água translúcida
Caindo do céu, rápida,
Refrescante, deixa-me ávida
Por encontrá-la, enfim.

Amiga solidária,
Abraça minha alma solitária
Em mais uma noite insone.

Cada pingo, uma sinfonia,
Traz de volta minha alegria,
Companheira úmida!

Há tanto a esperava
E agora, lavo a alma
Com essa visita querida
A purificar minhas feridas.


Jejels, 01/11/2012


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ler-te

Queria ler teus olhinhos
Ou o braile do teu corpo,
Refazer com os dedos o caminho
Que me dita esse sentimento todo,
Toma por completo minha ação
E perco-me com tal fascinação
Que o mundo desaparece ao redor
Sem importância, torna-se menor
Perante o enorme amor que sinto,
Gigante a beirar o infinito.

E a esse carinho me entrego
Com as mãos transbordando afeto
A delirar de tanto prazer
Por perceber que é recíproco o meu querer.



Jejels, 28/10/2012.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sambinha bom


Sambinha bom
É esse que traz de volta.
Que é só tocar
Que logo você quer voltar.
Meu coração
Já cansou de tanto choro derramar
E pede "volta" pra gente dançar.
Sambinha bom
É esse que tem pouca nota
Que é só tocar
Que logo você quer cantar.
Meu coração
Já cansou de tanto choro derramar,
Implora "volta" pra gente sambar.
Eu, eu quero ficar com você.
Eu, eu quero grudar em você.
Eu, eu quero me bordar em você.
Quero virar sua pele,
Quero fazer uma capa,
Quero tirar sua roupa.
Sambinha bom
É esse que te traz de volta.
Que é só cantar
Que logo você quer voltar.
Meu coração
Já cansou de tanto charme derramar
E pede "volta" pra gente sambar.
Eu, eu quero ficar com você.
Eu, eu quero grudar em você.
Eu, eu quero me bordar em você.
Quero virar sua pele,
Quero fazer uma capa,
Quero tirar sua roupa.



Malu Magalhães.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Soneto da minha paixão

A lua vai se despedindo
Apagando as estrelas aos poucos
Enquanto um desejo rouco
Continua forte, infindo.

É uma paixão crescente
Que dificulta a despedida,
Traz a mim a fadiga
E, às vezes, o ápice latente.

É um desejo de me prender
Para que você não vá embora
Mesmo que seja a hora.

É um desejo de me perder
Só para você me encontrar
E por mais um dia, poder te amar.


Jejels, 23/10/2012.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Soneto à janela da sala

Uma noite de angústias,
A lua tão lúcida
Em contraste com meus sentimentos.

E tão mal cambaleava
Chegando até a sala,
Onde me esperava o sofá.

Solidão que me abraçava
E a noite que ventava,
Pela janela onde pude ver
A chuva a me acolher como a um bebê.

E assim permaneci em minha penumbra
Esperando que a noite me devorasse,
Fazendo entre nós um único enlace
A culminar com minha sepultura.


Jejels, 15/10/2012.

domingo, 14 de outubro de 2012

My heart is broken



I will wander till the end of time
Torn away from you

I pulled away to face the pain
I close my eyes and drift away
Over the fear, that I will never find
A way to heal my soul
And I will endure till the end of time
Torn Away from you

My heart is broken
Sweet sleep my dark angel
Deliver-us from Sorrow’s hold
Or from my hard heart

I can’t go on living this way
But I can’t go back the way I came
Chained of this fear,
That I will never find
A way to heal my soul
And I will wander till the end of time
Half alive without you

My heart is broken
Sweet sleep my dark angel
Deliver-us
Change
Open your eyes to the light
I denied from so long, oh so long
Say goodbye, goodbye

My heart is broken
Release me, I can’t hold on
Deliver-us
My heart is Broken
Sweet sleep my dark angel
Deliver-us
My heart is Broken
Sweet sleep my dark angel
Deliver-us
From sorrow’s hold.



Evanescence.

sábado, 13 de outubro de 2012

Noite mística

Talvez o ar místico da noite
Não seja tão assustador,
No fundo, guarde apenas lembranças de amor,
Algum sentimento que quer florescer,
Alguém que não se deixa esquecer.

Talvez o ar místico da noite
Traga seu perfume no ar
Para que com você eu possa sonhar
Em universo paralelo esse
Em que possa ser real o que eu deseje.

E talvez o ar místico da noite
Queira apenas me lembrar
Dos momentos felizes que com você pude ter
Quando por ventura, não puder te encontrar.
E, na sua presença, um reencontro,
De lábios e suspiros seja o confronto
Entre você e eu numa dança a dois
- e que nessa dança possamos ser um,
Deixando todo o resto para depois.



Jejels, 13/10/2012.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Laboratório

Seria como num sonho
Se tudo pudesse se resumir a isso
- nós dois,
Notável afeto,
Um perfeito dialeto
De gestos e murmúrios,
Boca que morde e brinca
Com essa nossa química.

Jejels, 11/10/2012.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Das vantagens de ser bobo

"O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.” Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?” Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo."

Clarice Lispector