quinta-feira, 26 de abril de 2012

Depressão

E você pode fazer de tudo para me arrancar um suspiro, uma faísca do que eu fui um dia, mas hoje tudo está muito submerso, enterrado em algum local do meu peito. E tudo aconteceu tão de repente que nem sei mais como ou quando me tornei esse poço de indisposição, esse sepulcro indiferente, essa face cansada que percorre os mesmos lugares todos os dias – a rotina que antes era tão alegre. Sinceramente, peço desculpas por ser esse fardo agora, por estar pondo abaixo nossos dias de glória, enxergando tudo como se eles nunca tivessem existido. Eu gostaria de poder sair desse sentimento, mas é ele que se estende a mim, com os braços fortes a me envolver – ele não me deixa ir. É um denso pesar no peito que se espalha e começa a tomar conta de todo o meu corpo. É pior quando não culmina com uma crise de choro, pois tudo vai sendo acumulado aqui dentro e resulta numa crise pior no final de tudo. Sou prisioneira de um sentimento cuja fonte desconheço, e isso é o que mais me assusta. É fácil quando estamos tristes por algum motivo, pois sabemos o que fazer para aliviar a dor. Quando se luta contra fantasmas, contra inimigos invisíveis cuja face desconhecemos, a batalha é completamente diferente. É aterrador. Tenho medo do que possa acontecer daqui pra frente, não sei mais o que fazer. O que estou tentando lhe dizer é que você pode até conseguir um ruído que há tempos poderia ser um riso, uma expressão de felicidade, um brilho nos olhos, mas se me olhar no rosto, vai ver as tristes marcas no sorriso. Não que seja uma máscara, mas com certeza, não é a felicidade brotando de dentro.


Jejels, 26/04/2012.
Pauta para a 116ª edição musical do Bloínquês.

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