terça-feira, 22 de maio de 2012

Aos fantasmas

Às vezes, escrever é o melhor remédio para curar essa angústia. Quando não há nada que me acalme e tudo começa a ficar complicado, o peito aperta e a garganta fica seca, forma-se um balão de pânico dentro de mim que vai inflando, inflando... até que explode em lágrimas. Faço longas cartas pra ninguém descrevendo todo esse processo, toda essa dor que sinto por dentro. Tudo isso porque, no fundo, não consigo mais confiar em ninguém, não consigo encontrar os ouvidos para escutar os meus gritos, os braços para segurar meu corpo trêmulo, o ombro para acolher minhas lágrimas, as mãos para acariciar minha cabeça e afastar essa dor lancinante. Não tendo um abrigo onde me refugiar, fecho-me na concha de minha própria existência numa tentativa de me proteger do mundo, evitar maiores sofrimentos e frustrações. Então seguro o lápis, a mão vacila, mas segue rabiscando o papel, depositando nele a inquietação que corre em minhas veias. Essa é a minha terapia, esse é o meu remédio. Esse é o meu grito desesperado por socorro.




Jejels, 22/05/2012.
Pauta para a 120ª edição musical do Bloínquês.

Um comentário:

Gugu Keller disse...

A necessidade de escrever vem antes do o quê.
GK