quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Gato que brincas na rua


Gato que brincas na rua, 
Como se fosse na cama, 
Invejo a sorte que é tua 
Porque nem sorte se chama. 
Bom servo das leis fatais, 
Que regem pedras e gentes, 
Que tens instintos gerais 
E sentes só o que sentes. 
És feliz porque és assim. 
Todo nada que és é teu. 
Eu vejo-me e estou sem mim 
Conheço-me e não sou eu.


Fernando Pessoa, 1931

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