terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O brilho dos olhos

Que olhos imagino ao fechar os meus!
Olhos longínquos, mas brilhantes,
Um clarão no breu.

Talvez pudesse desaparecer,
Apagar-se olhar tão terno
E impossível, que me faz tremer
Ao ponderar que poderia
Simplesmente desvanecer.

E tais olhos, cativo a esperança de penetrá-los,
Conseguir o consentimento de, como vassalo,
Admirar eternamente a pulsante chama
De vida que se esconde
Tão tímida, ao longe,
A emanar tal brilho e tal perfume
Que me envolvem num encanto
Ao qual é impossível ser imune.




Jejels, 24/02/2012.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Soneto sobre o crepúsculo na praia

O sol se põe entre as nuvens
Na divisa entre céu e terra
Anunciando que mais um dia se encerra.

Crepuscular aquarelado da alma,
Cores quentes e vibrantes
Que esfriam de repente, rapidamente.

A luminosidade míngua,
Uma língua de fogo
Num jogo de cores
Que diluem a eternidade.

Um último pensamento,
Lamento derradeiro,
Companheiro nenhum restou
Ao fim do dia que agora acabou.



Jejels, 23/02/2012.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Como o ar

Na brisa suave,
Na morna textura da areia,
Sinto o fio tênue,
Leve fervilhar em minha veia,
Denúncia da sua presença.

Pois mesmo distante,
Ainda há traços seus,
Fragmentos, peças importantes
Que seus olhos guardam nos meus.

Assim, alimento-me das doces lembranças,
Dos sonhos que você vem povoar,
Da certeza de que, de alguma forma,
Você me acompanha por todo lugar.



Jejels, 19/02/2012.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Amanhecer em Gasconha

Novo raio de sol
Desperta com a luz, um novo dia, promessa de calor
Trespassada em brisa do mar,
Um deleite para o olhar.

Acendem-se as cores,
Aos meus olhos, arco-íris
Enchendo-os de graça
E da esperança de novas flores.

Nova manhã que desperta,
Esplendor de beleza terna,
Ainda inocente,
Mas munida, armada até os dentes
Da força de quem de longo descanso desperta,
Pronto a enfrentar qualquer obstáculo que se lhe imponha,
Esse é o semblante da manhã em Gasconha.



Jejels, 22/02/2012.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Definição de filho por José Saramago

“Filho é um ser que nos emprestam para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se?
Foi apenas um empréstimo.”

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O gosto de uma lágrima

O que poderia ser em meu rosto
Com tão salgado gosto?
Talvez uma decepção,
Ressentimento, raiva,
O partir de um coração...
Há quem saiba?

Nem sempre tão amargo,
Às vezes, um sabor intenso
Que transborda no momento
Acompanhado de um sorriso largo.

E condensa um mistério
De como pode uma lágrima
Conter tantos sabores diversos
Seja no estresse ou na calma,
Mas sempre ela, tão pura,
Expressiva e sincera,
Uma lágrima, que por si só
Me encerra.




Jejels, 16/02/2012.
Pauta para a 75ª edição poemas do Bloínquês.

Yet



All attempts have failed
All my heads are tails
She's got teary eyes
I've got reasons why

I'm losing ground and gaining speed
I've lost myself or most of me
I'm headed for the final precipice

But you haven't lost me yet
No you haven't lost me yet
I'll sing until my heart caves in
No, you haven't lost me yet

These days pass me by
I dream with open eyes
Nightmares haunt my days
Visions blur my nights

I'm so confused
What's true or false
What's fact or fiction after all
I feel like I'm an apparition's pet

But you haven't lost me yet
No, you haven't lost me yet
I'll run until my heart caves in
No, you haven't lost me yet

If it doesn't break
If it doesn't break
If it doesn't break
If it doesn't break your heart it isn't love
If it doesn't break your heart it's not enough
It's when you're breaking down
With your insides coming out
That's when you find out what your heart is made of
And you haven't lost me yet.

Switchfoot.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

À noite

Queria que a noite se resumisse num suspiro,
Num fechar de olhos cansados que apagaria a luz ofuscante do mundo
E me acordaria para o universo onírico
Onde eu poderia finalmente descansar
Tendo seus braços como refúgio,
Uma fortaleza a me envolver,
Onde nada mais poderia penetrar,
Onde eu pudesse reencontrar
O silêncio e o sabor há tanto perdido
De uma certeza...
Da esperança de que tudo estivesse bem
Ao menos naquele momento.

E nesse suspiro,
Eu me deixaria desvanecer,
Entregar-me-ia ao que já não vejo,
Deixando que se esvaísse qualquer resquício de dor
E poderia, então, realmente acordar num novo dia.




Jejels, 14/02/2012.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Valsa da Solidão



Onde estava tanta estrela que eu não via
Onde estavam os meus olhos que não te encontravam
Onde foi que pisei e não senti
O ruído dos teus passos em meu caminho.

Onde foi que vivi
Se nem me lembro se existi
Antes de você.

Ah! Foi você quem trouxe essa tarde fria
E essa estrela pousada em meu peito
Ah! Foi você quem trouxe todo esse vazio
E toda essa saudade, toda essa vontade de morrer de amor.






Roberta Sá.

Um pensamento

"Nada é tão bom como o amor, nem tão verdadeiro como o sofrimento."

Alfred de Musset.

As janelas da alma

É no silêncio da alma que se torna eloquente o discurso mudo do olhar. Logo pressinto a tão impactante colisão: meus olhos e os teus, tão próximos, tão distantes. Pois na brevidade dos poucos centímetros que os separam, posso sentir na pele a imensidão das divergências que tornam esse encontro impossível.
É tão belo esse momento, por sua simplicidade apenas aparente, enganosa, como a lua refletida no rio, que convida a índia a tocá-la – doce ilusão de que a possui ao alcance dos dedos. E assim ocorre a suposta fusão: eu pouso os olhos nos teus e logo você os poderá ver – seus próprios olhos – aprisionados nos meus, absorvidos como num ato antropofágico – de quem devora aquilo que capta do mundo externo aquilo que, nesta ocasião, trata-se de um irmão de espécie.
Exploremos além! Teus olhos, ao perceberem-se presos em mim, captam também os meus, como que por vingança ou mera garantia de que o corpo não ficará prejudicado pelo furto que lhe acometeram. Acontece que tudo é uma farsa, uma grande ilusão que se impõe a nós, pois, na verdade, os olhos são meros instrumentos para que nosso cérebro receba os estímulos que o meio externo nos oferece, sendo ele que realmente vê, decodifica o que nos é posto para o banquete visual. E sendo ele parte de nós, está comprometida sua capacidade visual, pois limitamo-nos a enxergar aquilo que desejamos, aquilo que nossa personalidade, nossa vivência, nosso próprio mundo interno e pessoal determina e deseja. Como nossos mundos são diferentes por completo, os míseros centímetros que compõem a distância física entre nós, são, na verdade, uma distância de ordem galáctica, e o referido encontro, muito superficial comparado a uma real leitura.
Por outro lado, esse ínfimo gesto é imprescindível para que se possa abrir mão do próprio universo, das próprias certezas, opiniões e paradigmas, é o primeiro passo para que se possa, enfim, tentar adentrar e compreender o outro universo, novo mundo distante que está ali a absorver a imagem de pupilas alheias. O encontro desses olhares poderá ser o içar das velas de nossa caravela rumo à aventura de se chegar ao desconhecido.
E fico a imaginar os mistérios por detrás desses teus olhos...





Jejels, 07/02/2012.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mariposa

Mariposa voa pelo ar,
Maria acompanha com o olhar,
Imaginando onde a tal mariposa
Haveria de pousar.

Mariposa, desfilando pelo ar,
Mil maravilhas apronta ao voar,
Faz manobras, exibe-se, pomposa
Até que se cansa,
Finalizando a dança,
Pousando devagar
Bem no vaso de violetas
Que Maria decidira plantar.





Jejels, 07/02/2012.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Querido Frankie

Da minha janela, eu vejo o mar,
Tapete de ondas a se estender para me alcançar,
Mar de ressaca que vem ma afogar
Em suas águas salinas,
Na areia fina,
Cúmplice luar.

Da minha janela, vejo o mar
Refletindo mil estrelas,
Vagalumes a piscar,
Ilusão mágica...
Quisera eu tê-la,
Possuí-la por um instante,
Prender no olhar aquele encanto,
Que meus dedos não podem tocar.

E mesmo tão distante, ali está:
Oferecendo-se como banquete,
Manto de eterno deleite,
Paisagem bucólica a enfeitiçar...

Pois da minha janela, vejo o mar.




Jejels, 06/02/2012.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sujeito reflexivo

Tropecei e caí.

Olhei-me,
Chorei,
Acariciei-me,
Deitei,
Consolei-me,
Ergui-me,
Lavei-me,
Curei-me.

Levantei e saí,
Sozinha como sempre,
Agora ciente
De estar distante do mundo,
Afastada de todos e de tudo.




Jejels, 02/02/2012.
Pauta para a 73ª edição poemas do Bloínquês.