domingo, 25 de março de 2012

Beijo

Que os olhos se fechem perante tal beleza,
Pois não é para ser vista.
Que as mãos se entrelacem com ternura,
Pois é assim que o momento flui.
Que os lábios se abram levemente
À espera do beijo que virá.
E que a mente vague sem pensamentos,
Apenas provando a intensidade desses sentimentos.



Jejels, 25/03/2012.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Devaneio sobre o secreto

Talvez o cerne do segredo
Resida nessa tensão incessante,
No palpitar do medo
De sombrio semblante.

E de quimeras seja feito,
Tão multifacetado
Que na confusão de meu peito
Não entenda seu significado.

Mas como um ciclo vicioso,
Jocoso tem sido o destino:
Quando mais misterioso,
Maior o meu desatino.


Jejels, 21/03/2012.
Pauta para a 80ª edição poemas do Bloínquês.

domingo, 18 de março de 2012

Deslocada

A sensação de não pertencer a um lugar, de estar assistindo à glória de uns e seu próprio fracasso, sua própria fraqueza emergindo de onde você, a muito custo, conseguiu enterrar. A incapacidade de lidar com seus limites e a crítica constante, o sentimento de inferioridade crescendo a cada instante...


Jejels, 12/03/2012.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O som da tua voz

É um sussurrar tímido,
Lábios a roçar meus ouvidos,
Música vinda do íntimo
A embalar-me qual cupido.

Um silvo ínfimo,
Timbre polido,
Breve, mas vívido,
Às vezes, ávido,
E sempre bem-vindo.

Seja lírico ou mero ruído,
Confirma a presença de tudo o que preciso.



Jejels, 13/03/2012.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A luz do teu semblante

O que seria da noite
Sem a luz do teu semblante,
Que inebria intensamente
Mesmo improvável, mesmo distante?

A luz que acende a alma,
Adentra os olhos, intensa
Qual imensa estrela D'Alva
A ofuscar milhares.

A luz que abre caminhos,
Desperta o imaginário,
Constrói redemoinhos,
Caleidoscópios, relicários.

A luz que aquece o peito,
Conforta e intriga
Tão bela luz que brilha
E mostra um mundo perfeito.

O que seria da noite
Sem a luz do teu semblante,
Que registrei em minha mente
Ao ver teus olhos brilhantes?



Jejels, 13/03/2012.

terça-feira, 13 de março de 2012

Schopenhauer

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar".
Arthur Schopenhauer em O Mundo como Vontade e Como Representação.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Em minha caixa

É uma única prateleira,
Mas divide-se em inúmeras caixinhas,
Todas etiquetadas,
Tal organização seu dono tinha.

Nada poderia estar bagunçado,
Cada coisa em seu lugar
Conforme o mestre havia ditado.

As caixas não são iguais,
Cada uma com seu tamanho,
Com coisas importantes e banais.

Da minha caixinha, vejo outras maiores
Onde, às vezes, gostaria de estar,
Mas minha caixa é pendente e disforme
E só posso me resignar.



Jejels, 12/03/2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

Maremoto

Onda,
Movimento de energia ao meu redor,
Talvez seja tudo de que preciso
- a maior das ondas.

Fluxo a tragar minha mente
Com tantas informações,
Tanta força em sua corrente
Traz breves alucinações.

Mas quero ainda essa onda,
Quero a proximidade crítica,
A insegurança psíquica
Que ela aponta.

Sim, poderia a onda consigo trazer
A chave de meu mundo imaginário
No momento em que meu inconsciente renascer
Na iminência desse naufrágio.



Jejels, 06/03/2012.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Júbilo

Quando a noite tece seu manto
Encobrindo a luz ofuscante do dia,
Veste o céu de incomparável encanto,
Inúmeras estrelas que antes escondia.

Admirada, não consigo desviar o olhar,
De repente, tudo parece tão belo,
Vagalumes brilhantes voam pelo ar,
Ao timbre claro e suave de violoncelo.

Não poderia ser verdade
A imagem de um céu tão brilhante,
Talvez tenha imaginado tal beldade.

Mas depois de me perder, um pensamento
Veio lembrar-me de que a felicidade
Transforma o céu no mais deslumbrante firmamento.



Jejels, 03/03/2012.