segunda-feira, 30 de abril de 2012

Poema em noite de lua

O céu derrama-se sereno
Num lento gesto de deleite,
Um entregar-se pleno
Ao subconsciente.


Noite clara
De lua iluminada,
Fantasia imaculada
A nos vestir de cor.


Teus olhos em meu semblante,
Meu pensamento distante
Pairando sobre um lago de lamúrias.


Minhas frases cansadas,
Teu consolo traduzido em palavras
E um carinho que em mim guardei.


Um tesouro, quem sabe uma carta
Em estrofes rimadas
De onírico lampejo que apreciei
E de felicidade, suspirei.




Jejels, 30/04/2012.

domingo, 29 de abril de 2012

A sonhar

Por que sua pele reluz
Tanta maciez e beleza
Inconsciente a sonhar
Sob a tênue luz do amanhecer?
Temo enlouquecer
Perante tal realeza.

Pálido colo a dançar
Palpitando sereno,
Rerpirando puro ar
Da manhã que acaba de despertar.

Temo mover-me,
Acordar-te e quebrar o encanto
De momento tão raro,
Etéreo manto.

Temo que te dissolvas
Qual perfeito sonho,
Brilho de luar
Que em tão amena manhã
Meus olhos me concederam imaginar.


Jejels, 26/04/2012.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Depressão

E você pode fazer de tudo para me arrancar um suspiro, uma faísca do que eu fui um dia, mas hoje tudo está muito submerso, enterrado em algum local do meu peito. E tudo aconteceu tão de repente que nem sei mais como ou quando me tornei esse poço de indisposição, esse sepulcro indiferente, essa face cansada que percorre os mesmos lugares todos os dias – a rotina que antes era tão alegre. Sinceramente, peço desculpas por ser esse fardo agora, por estar pondo abaixo nossos dias de glória, enxergando tudo como se eles nunca tivessem existido. Eu gostaria de poder sair desse sentimento, mas é ele que se estende a mim, com os braços fortes a me envolver – ele não me deixa ir. É um denso pesar no peito que se espalha e começa a tomar conta de todo o meu corpo. É pior quando não culmina com uma crise de choro, pois tudo vai sendo acumulado aqui dentro e resulta numa crise pior no final de tudo. Sou prisioneira de um sentimento cuja fonte desconheço, e isso é o que mais me assusta. É fácil quando estamos tristes por algum motivo, pois sabemos o que fazer para aliviar a dor. Quando se luta contra fantasmas, contra inimigos invisíveis cuja face desconhecemos, a batalha é completamente diferente. É aterrador. Tenho medo do que possa acontecer daqui pra frente, não sei mais o que fazer. O que estou tentando lhe dizer é que você pode até conseguir um ruído que há tempos poderia ser um riso, uma expressão de felicidade, um brilho nos olhos, mas se me olhar no rosto, vai ver as tristes marcas no sorriso. Não que seja uma máscara, mas com certeza, não é a felicidade brotando de dentro.


Jejels, 26/04/2012.
Pauta para a 116ª edição musical do Bloínquês.

Bloqueio meu

Há tantas coisas que poderia fazer,
Tantos lugares a conhecer,
Experiências novas a viver...

Se ao menos não houvesse tanto remorso,
A culpa crescente no peito,
Angústia que me vence em desespero.

Assim, vivo noites sem dormir,
Insone, à espera do que há por vir
E que parece sempre se afastar,
Dirigir-se até onde o horizonte está.

Assim, vivo dia após o outro
Na mesma ilusão, mesmo ritmo absorto:
Tento libertar-me enquanto ainda resta vida,
Tento ir além desta minha liberdade proibida.



Jejels, 26/04/2012.
Pauta para a 85ª edição poemas do Bloínquês.

domingo, 22 de abril de 2012

Jogo de palavras

O que aconteceria se eu invertesse a ordem?
Seria surpresa ou indiferença
A sua reação ao meu discurso
Se trocasse os suspiros
Por palavras que mordem?

Ou talvez semeasse dúvidas
Com frases inacabadas,
Entonações dúbias,
Ambiguidades ressaltadas?

Você perceberia a diferença
Entre reticências e interrogações?
Você saberia mensurar o espaço
Do silêncio de uma inquietação?

O que aconteceria se eu inventasse desordem?
Seria caos e discórdia
Sua interpretação do jogo
Se eu dissesse amor
Quando as palavras me fogem?



Jejels, 22/04/2012.

Lua nova

Lago ondulante,
Poucas estrelas no céu,
Mas ca estou insone,
Letras escorrendo pelo papel.

Enquanto nesta noite descansas,
Minha mente finalmente alcança
A estante onde as ideias foram guardadas,
Rimas, versos, palavras a serem encaixadas.

Em teu sono repousas,
E eu, nesta noite de lua nova,
Desperto como mariposa
Em busca da crescente que se aproxima.

E então, ao invés do vinho escarlate,
Meu vicio, chocolate,
Mantém meus olhos abertos
Enquanto meu peito transborda em versos.



Jejels, 21/04/2012.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Amizade sincera

Estimado Miguel,

Há tempos pensava em lhe escrever, mas as palavras simplesmente pareciam fugir de mim. Eis que depois de nosso último encontro, as ideias afloraram em minha mente e cá estou eu empunhando a caneta nessa noite de verão.

Sei que parece estranho, mas sempre que estamos juntos, sinto uma atmosfera diferente. Você parece sempre tão seguro de si, tão inabalável que chega a ser um pouco desconcertante para mim. Você bem sabe que tenho vários motivos para me preocupar com o que digo às pessoas, principalmente depois do infeliz incidente na empresa que me fez passar alguns dias na cadeia. As pessoas julgam com muita malícia, não querem ouvir o que tenho a dizer e algumas palavras, se escutadas de repente, sem o devido cuidado, podem me custar grandes baixas na credibilidade e na imagem que todos aqui têm a meu respeito. E você sempre foi meu confidente, afinal, estamos juntos desde a faculdade e a bem dizer, consegui esse emprego por sua causa. Mas é uma tarefa difícil conviver com essa tensão todos os dias, tendo que me policiar sempre, como se eu realmente tivesse provocado aquele incêndio que por pouco não causou enormes estragos. Sinto como se as pessoas me culpassem, como se não acreditassem em mim mesmo depois de todo o processo legal ter concluído minha inocência. É duro perceber o quão alto pode ser o preço por estar no lugar errado, na hora errada.

Enfim, o que estou tentando dizer é que você é o único amigo de verdade que me restou, é aquele com quem posso conversar sobre qualquer assunto, em quem posso confiar. Sei que você entende o que aconteceu aquele dia, e então posso ser sempre sincera e, mais importante ainda, sinto-me sendo sincera e verdadeira. Não é como com as outras pessoas, que sempre me fazem sentir culpada, ou escondendo algum segredo sombrio, escondendo-me atrás de máscaras – o que realmente não estou.

Gostaria de agradecer pelo seu companheirismo e pela sua atenção, por ainda acreditar em mim mesmo quando todos aqui no trabalho desconfiaram. Você é um verdadeiro amigo e eu precisava expressar minha gratidão de alguma forma. Sei que esta carta não é muito, mas é uma forma de ser sincera e de lhe mostrar o quanto você tem sido importante para mim. Espero que nunca passe por essa situação e que tenha muito sucesso em todos os seus planos, pois você merece, é uma pessoa digna de tudo o que conquista.

Obrigada mais uma vez, e saiba que pode contar comigo sempre para o que der e vier.


Susan.



Jejels, 20/04/2012
Pauta para a 87ª edição cartas do Bloínquês.

It won't be soon before long

O tempo parece bastante psicológico em certas ocasiões. Apesar de exato, relativo. Quanto tempo dura um segundo? Há momentos que são eternizados, podemos revivê-los sempre que desejarmos em nossas memórias. Mas é certo que quanto mais se vive, mais o tempo parece correr, talvez por mera consequência de já termos uma longa vivência, ou por alguma consciência oculta - ou não - de que estamos nos aproximando do fim.
De qualquer forma, apreciemos o momento, seja ele breve ou longo, seja uma dor ou a faísca de um sorriso.
Vivamos com intensidade.


Jejels, 19/04/2012.


(título referência ao álbum de Maroon 5)

Vermelho

Olhos injetados
De noites insones.
Não há descanso nem paz,
Apenas o palpitar que não se desfaz.

Amor, amor,
O veneno que consome,
Aprisiona minhas asas.

Amor, amor,
Um mal necessário,
Vício incendiário.


Jejels, 20/04/2012.
Pauta para a 92ª edição poemas do Bloínquês.


domingo, 15 de abril de 2012

Manhã de domingo

Como não acordar com um sorriso
Nesta doce manhã de domingo?
O sol desperta gradualmente,
Uma tênue aparição celeste
Como se temesse acordar
A amada em seu leito de nácar.

Ela sonha em seu descanso,
A tez calma, iluminada,
O corpo abandonado num sono manso.
Pela janela, a nublada manhã de domingo
Trazendo um sol solícito,
Que, humilde, deixa-se encobrir pelas nuvens,
Vestindo nublada penugem,
Irradiando luz difusa pelo ar.

Os pássaros aproximam-se a cantar
Anunciando o início de um novo dia.
A adormecida, com alegria,
Abre os olhos num suspiro
- A paz é música aos seus ouvidos
E tudo naquela serenata contido
Provoca-lhe imensa felicidade.
Seus olhos cintilam como estrela cadente
A que se faz um pedido.

Singela manhã de domingo
Em que pingos de alegria e satisfação
Cobriram-lhe a face e inundaram-lhe o coração
Qual pétalas de rosa num mar aberto
Que ela sempre soube não ser concreto,
Mas naquele suave momento,
Percebera que tudo era regido pelo pensamento.

Ela acorda com um sorriso
Numa doce manhã de domingo
Sentindo a vida lhe percorrer as veias
Com um amor que permeia
Inebriando-lhe os sentidos.
Um símbolo do infinito.



Jejels, 15/04/2012.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Reencontrando-me em um soneto

Tão suave brisa,
Um leve sopro de vida
A roçar em minha face.

Vem radiante luz da manhã
Em mil cores vibrantes,
Minhas memórias flutuantes.

Então me recordo de que esta sou eu,
Este é meu palco, meu roteiro,
Posso chegar ao meu apogeu
Com um sorriso sincero de corpo inteiro.

Recordo-me de que isto é ser feliz,
Este é o verdadeiro sentimento,
Alegrar-me não importando o que fiz,
Apenas acolhendo a simplicidade do presente momento.



Jejels, 08/04/2012.

sábado, 7 de abril de 2012

Diante dos obstáculos

Que palavra lhe diria
Com a boca vazia
Qual peito sem esperança?
Que fraqueza sucumbiria
Perante tal cansaço dilacerante?
E que coração não choraria
Sentindo que não há quem não sangre?

Mas é preciso coragem,
É preciso ter fé
Para abrir nova passagem,
Reverter a maré.


Jejels, 06/04/2012.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Meu desejo em um soneto

Silêncio,
Um sincero desejo,
Com esmero, tracejo
Uma linha para alcançá-lo.

Em forma de noite
Calada e serena,
Imaculada e amena
De lua nova, tranquila.

Em forma de segredo,
Compacto, sem medo
De revelar-se por inteiro.

Silêncio,
Um conforto distante
Perante o atual confronto.


Jejels, 06/04/2012.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Aquarelável

O ciclo do dia nos ensina
As mil cores do sol,
Mil facetas por detrás da cortina.

Numa aquarela sutil,
O sol modifica a paisagem
Num balé juvenil.
O ciclo do dia no ensina
Movimentos contínuos,
Mudança de quem opina.

O ciclo do dia, mesmo rotina,
Exibe uma variação delicada,
Mudança
que fascina.


Jejels, 05/04/2012.
Pauta para a 82ª edição poemas do Bloínquês
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