sábado, 30 de junho de 2012

Soneto numa tarde ensolarada

A luz colorindo o horizonte
De uma cidade ao entardecer,
Ofuscando os olhos de quem vê.

Campos de trigo em meus pensamentos,
Mas jamais os conheci,
Apenas imaginei e esqueci.

Não sou eu quem faz a lei
Rígida a tentar nos dirigir,
Mas os poucos que cativei
Tento deixar livres para partir.

A luz colorindo o horizonte
Inspira-me a pintar
Uma aquarela para guardar
Esse momento na memória.



Jejels, 28/06/2012.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Madrugada em mim

Mordeu mais um pedaço de chocolate com a melancolia estampada em seus olhos. A porta do banheiro estava trancada para que ninguém a pudesse ver em pleno surto compulsivo. Quando encontrava a si mesma, aquele rosto refletido no espelho, só conseguia enxergar as manchas escuras em seu rosto, cobrindo a boca e as bochechas. Era o doce que a distraía das amarguras do dia-a-dia. Já estava tarde mais uma vez e ela parou de se preocupar se aquela já era a terceira ou a quarta barra de chocolate. Sentia o estômago cheio, mas não conseguia parar de mastigar. Deveria estar na cama, mas não conseguia a coragem para se arrastar até o quarto, nem a virtude da paz para fechar os olhos e entregar-se ao mundo dos sonhos. A casa ficava quieta mais uma vez. Todos os dias acontecia assim: o sol se punha por detrás das cortinas quando ela voltava para casa. A mãe já estava lhe fazendo companhia, o pai chegaria um pouco mais tarde. Conversa vai, conversa vem, o som da televisão anunciando os acontecimentos do dia ou apenas mais um episódio monótono de uma novela qualquer. Mas não demorava muito até os dois irem se deitar e então ela ficava a sós com seus pensamentos. As luzes estavam todas apagadas e então ela começou a sentir algo diferente. E era medo. Ela sabia que não deveria temer o escuro, mesmo que tudo estivesse quieto. Era um apartamento pequeno e ela estava segura, mas aquele sentimento floresceu dentro dela de modo que a mente era surpreendida por imagens de sustos, aparições repentinas que costumam figurar em filmes de suspense. Decidiu ocupar-se com alguma atividade para esquecer a aflição. Mas aconteceu apenas como em todas as outras noites e lá estava ela, novamente munindo o sangue de açucar. Duas horas da manhã e o chocolate havia acabado. Ela se deitou em sua cama e queria ler um livro, mas não conseguia. A mente parecia paralisada para exercer qualquer atividade que ultrapassasse a inércia de seus pensamentos. Então ficou ali, quieta, apenas olhando para as nuas paredes do quarto que mais pareciam conversar com ela telepaticamente. A madrugada rendeu boas confissões e relatos. Até que ela percebeu, pela fina fresta das pesadas cortinas de seu quarto, o adentrar dos primeiros raios de sol. Ela se levantou, um pouco trôpega e foi de encontro ao mundo exterior. Afastou levemente as cortinas e fitou a paisagem por detrás da janela. E estava tudo ali, do mesmo jeito como estava antes. A verdade é que ela sabia que só seria um novo dia quando ela conseguisse findar a noite dentro de si. E ao terminar esse pensamento, juntou as embalagens de chocolate para jogar no lixo. 

 Jejels, 29/06/2012.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Inalcançável

Um sonho é o horizonte. Ele brilha ao longe como o despertar do aurora, sedutor, cheio de glória. Mas está longe, a uma distância imensurável. As pessoas lutam pelos seus sonhos, mas são poucos os que os conquistam. É duro chegar a um momento da vida em que se olha para trás e o que se vê é toda uma vida de batalhas por um sonho que nunca se tornará realidade. É duro vê-lo a se despedaçar bem diante dos seus olhos, como o mais valioso dos vitrais a desabar no chão, partindo-se em mil pedaços. Para sempre.

Talvez fosse um erro acreditar que seria possível, talvez mera ingenuidade. A frustração bate à porta, implacável, parceira do fracasso.


Jejels, 23/06/2012.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

The long day is over


Feeling tired
By the fire
The long day is over

The wind is gone
Asleep at dawn
The embers burn on

With no reprise
The sun will rise
The long day is over.


Norah Jones.

Sobre flores e carneiros


“As flores são fracas e ingênuas, defendem-se como podem. Como enfrentariam o mundo sem seus espinhos que as protegem? (...) Há milhões de anos que as flores fabricam espinhos e há milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores?”


Do filme O Pequeno Príncipe.

domingo, 24 de junho de 2012

Arte de amar


"Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não. "


Manuel Bandeira.

sábado, 23 de junho de 2012

Desconstruindo a ilusão



Uma miragem à frente,
Uma projeção surreal
De um desejo vívido,
Sentimento colossal
Que preenche, ávido,
Impávido impulso.

Minhas pernas correm em sua direção,
Ansiosa por tocá-la com minhas mãos,
Atestar sua existência,
Desafiar sua impotência
Como matéria,
Inércia impalpável.

E talvez, por mera audácia,
Transformá-la-ei em realidade,
Dissolvendo a fantasia,
Construindo em sintonia
Com os sonhos de minha mocidade
- Para começar, nunca é tarde.


Jejels, 20/06/2012.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Will I ever find?


Casulo



E se a borboleta tivesse medo de sair de seu casulo?
E se ela não tivesse certeza de que está pronta?
E se ainda tiver alma de lagarta?
E se, porventura, perder as asas?

E, de tanto perguntar,
De tanto pensar,
De tanto duvidar,
Ficou no mesmo lugar.



Jejels, 20/06/2012.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fora da concha...


Será que o amor não passa mesmo de uma invenção dos romancistas? Será que não vai além daquela cena de filme ou da frase final, já tão clichê, “e viveram felizes para sempre”? Encontrá-lo é realmente uma tarefa difícil. Sei que muitas vezes, sou eu que me fecho em meu mundo isolado, sou eu que, por motivo ou outro, acabo me reservando demais. Tenho medo de me decepcionar com as pessoas. Já me disseram, certa vez, que reclusão tão acentuada por ser prejudicial, pode levar alguém a um estado de autismo. E é realmente difícil, mas procuro deixar meu medo de lado às vezes, mesmo que seja simplesmente para olhar nos olhos de alguém que esteja passando ao meu lado na calçada e dizer-lhe “bom dia”. Tem gente que não responde. Outros, nem olham na sua cara. “Ao menos, eu tentei”, penso.
Isso não é amor. É apenas tentar ser sociável, no mínimo, simpático. Mas é um começo. O amor é bem mais complexo e com certeza, não é um mar de rosas. Há de se ter paciência e muita tolerância. Às vezes, precisamos ser muito calmos para saber lidar com certas situações. O fato é que nenhum ser humano é perfeito e precisamos aceitar os erros e defeitos dos outros se quisermos viver em sociedade. Precisamos aprender a perdoar – e isso pode ser uma tarefa tremendamente difícil.
Perdoar e amar são duas coisas que devem andar juntas. A compreensão não pode faltar, ou o amor se dissolve no egoísmo e no rancor. É claro que sentiremos raiva em alguns momentos, mas para que tudo volte aos eixos, é necessário um momento de pausa e de reflexão. Tomar decisões com a cabeça quente não vai ajudar em nada. Por isso, mesmo que sejamos sociáveis, há situações em que o melhor mesmo é se isolar para poder relaxar e ouvir os próprios pensamentos com clareza.
No fim, precisamos saber os momentos certos em que devemos ser sociáveis e outros em que é melhor passar um tempo na companhia de nós mesmos...quem sabe esse seja um bom exercício para se chegar à felicidade, a uma relação sustentável? Tentar não faz mal algum.


Jejels, 20/06/2012.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nostalgia


Às vezes é bom olhar para trás e encontrar pessoas que sorriem para nós. O amor é assim, presente. Há dias em que vasculho minhas memórias, numa caixinha em que guardo tudo o que tem algum valor para mim. Então encontro uma porção de cartas de pessoas que agora parecem um tanto distantes, mas que naquele momento, eram tão especiais, tão próximas... e então sinto saudade. É uma nostalgia que vem com uma vontade enorme de que tudo fosse ainda tão simples como antes. E então penso se talvez não seja eu mesma que dificulto as coisas. Talvez ainda haja tempo para retomar os caminhos, para me virar e correr de volta aos braços de amigos que realmente me cobriam de amor...


Jejels, 20/06/2012. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Exatamente aqui


Foi numa dessas madrugadas em que o sono não vinha, em que a angústia me corroía e eu nem ao menos conseguia saber a razão. Foi numa dessas semanas em que os acontecimentos se multiplicam e começam a atropelar uns aos outros. Foi num desses momentos em que você não sabe se está acordado ou dormindo, que eu sonhei que estava exatamente aqui, olhando pra você com esse sorriso maroto nos lábios e um convite para dançar nos olhos. Só consegui distinguir que era um sonho porque o céu estava verde. Havia flores por todo lado e choviam folhas amarelas e laranjas de textura sedosa. Eu podia ouvir uma música que ecoava baixinho, parecia mais um dos seus suspiros, uma declaração de amor sigilosa, dita ao pé do ouvido. Eu segurei suas mãos e nós deslizamos pelo espaço, você me rodopiava sem jeito e eu gargalhava sem conseguir acompanhar seu ritmo descompassado.
Foi numa dessas manhãs que parecem nos jogar um balde de água fria. Foi num desses despertares que voltei a me chocar com o fato de que ainda te amava, mas você não estava mais aqui.



Jejels, 12/06/2012.
Pauta para a 123ª edição musical do Bloínquês.



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Frase da semana

"Só saberá subir na vida aquele que tiver a humildade de descer quantas vezes forem necessárias."


Autor desconhecido.

Caminhos do inconsciente


A rua estava deserta e a noite já ia alta. Ela caminhava olhando sempre em frente, às vezes fitava a abóbada celeste à procura de uma ou outra estrela que ainda ousasse brilhar na escuridão. Sua cabeça passava e repassava alguns pensamentos que caiam como conhaque, ainda fervilhando o sangue, esquentando por dentro. Mas ela já estava uma bagunça, então não se importava com as revoltas e rancores que pudessem surgir dessas lembranças. Palavras podem ter um poder grande sobre nossos sentimentos, é interessante perceber o quanto o que ouvimos pode alterar nosso estado emocional em poucos instantes.
Soprava uma brisa fria, mas ela vestia um casaco de lã que ela mesma fez, com a ajuda da avó. “Para quê tudo isso?”, ela pensava. Pessoas. Elas vêm e vão, mas no final, estamos sempre sozinhos. A companhia de alguém pode durar um bom tempo, mas sempre vai acabar se esvaindo, como a última gota de chuva. E ela sabia muito bem o que eram tempos de seca. Em seu coração, pairava o cheiro do esquecimento, juntamente com um gosto já conhecido, de solidão. Não se tratava de um abandono, era apenas o silêncio de quem anda sozinho.
E nesse silêncio, ela desfrutava da companhia da única pessoa que ela estava certa de que não a deixaria. A única pessoa que teria de aturar até o fim de seus dias: ela mesma. Às vezes demora, mas algumas pessoas conseguem enxergar isso em algum momento da vida. Geralmente, esse grupo passa por algum tipo de sofrimento ou frustração, mas, de um modo ou de outro, essa percepção muda muito o modo como uma pessoa enxerga o mundo e reage a ele.
E importava que estivesse frio? De que valem as sensações mundanas? Não são elas passageiras? Meros lampejos que logo se apagam, como chamas precoces? De fato, a vida mostrava-se um espetáculo construído de efemeridades que aparentemente não faziam sentido algum. Mas naquela noite, uma estrela ainda permaneceu pulsando até a hora em que ela enxergou os primeiros raios de sol que despontavam através dos prédios da cidade. Sim, são fatalmente efemeridades...mas não poderiam encontrar sua razão de ser em sua própria existência, em sua própria irrepetibilidade? Talvez seja isso a felicidade. Conseguir desfrutar de cada momento, viver o presente, mas ao mesmo tempo, não se apegar a ele.
“Não se apegar a ele”, ela pensou. Uma tarefa certamente difícil, mas se conseguisse, aquilo a salvaria naquele momento. E então, toda essa angústia poderia ir embora, deixá-la em paz de uma vez por todas. Mas como poderia o amor conviver com o desapego?
Talvez não haja uma resposta a todas as perguntas. E com o dia nascendo – mais um dia a se enfrentar – teria de esperar até a próxima caminhada noturna para concluir o pensamento. Uma nova conversa com o céu para roubar uma solução da estrela que aparecesse.



Jejels, 10/06/2012.

domingo, 10 de junho de 2012

Horizon love


She’s so distant,
Even her eyes are far away,
Lost in a world in which I can’t stay,
Getting farther each day.

And when I look at her
So beautiful, dressed in green,
I long to touch her skin,
She’s a piece of heaven to me.

But I’m fading and falling into madness,
I can’t reach her, can’t return
But she stays making a mess
In my heart, with a love that burns.



Jejels, 10/06/2012.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Luminosidade inexplicável

Olhe o céu, olhe o céu!
Tão iluminado nesta noite,
Mal vejo a lua, mas brilham as cores
De forma tão bela
Que chega a ser aterrador
Esse espetáculo de esplendor.


Virá o sol, em plenas vinte e duas horas?
O apocalipse vestido de aurora?
Será um delírio dos olhos meus,
Uma alucinação em seu apogeu?


Sem respostas,
Continuo a fitar a atmosfera composta...




Jejels, 07/06/2012.

domingo, 3 de junho de 2012

This is love

A magical moment built by your eyes,
A different color that shines in the sky,
A little song beginning in my heart,
This is love that lightens in the dark.




Jejels, 02/06/2012.

sábado, 2 de junho de 2012

Desperto

Desperta teu coração
Tão relutante quanto o meu?
Evocando carinhos,
Mergulhado em delírios
Que a noite escondeu.


Desperto saudosa,
Mas ainda com o cheiro das rosas
Que enfeitam o sabor da paixão.


Desperto serena,
Com a leveza no coração
Que com amor, se envenena,
Se condena
E queima
Em doação plena.




Jejels, 01/06/2012.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

When I fall in love

When I fall in love
It will be forever
Or I'll never fall in love.


In a restless world
Like this is
Love is ended
Before it's begun
And too many moonlight kisses
Seem to cool
In the warmth of the sun.


When I give my heart
It will be completely
Or I'll never give my heart.


And the moment I can feel that
You feel that way too
Is when I fall in love with you.



Victor Young.