domingo, 30 de dezembro de 2012

A chuva chove

A chuva chove mansamente... como um sono 
Que tranqüilize, pacifique, resserene... 
A chuva chove mansamente... Que abandono! 
A chuva é a música de um poema de Verlaine... 

E vem-me o sonho de uma véspera solene, 
Em certo paço, já sem data e já sem dono... 
Véspera triste como a noite, que envenene 

... Num velho paço, muito longe, em terra estranha, 
Com muita névoa pelos ombros da montanha... 
Paço de imensos corredores espectrais, 

Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas, 
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas, 
Revira in-fólios, cancioneiros e missais... 



Cecília Meireles

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Soneto sobre a dissolução das nuvens





Deveras calmo o céu naquela tarde,
Que se assentava sobre meus olhos,
Numa visão do paraíso, a calmaria
Que encheu meu coração de alegria.

E nele as nuvens desmanchavam-se
Tal qual meus lábios em tua boca,
Uma justaposição que se mistura,
A realização de uma intenção pura.

Deveras calmo o céu naquela tarde
Que eu podia ver pela tua janela
Emoldurada pela floração amarela.

E nele, as nuvens desmanchavam-se
Numa entrega que eu sentia internamente,
Desejos que abrasavam aquela tarde quente.



Jejels, 27/12/2012

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Textos bíblicos de natal


Diz o profeta Isaías: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de Davi e do seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor fará isso". Isaías 9,7-8. Este texto é uma profecia a respeito de Jesus Cristo, que havia de nascer. Ela foi feita há cerca de 800 anos antes de Jesus nascer. E ela se cumpriu, porque o zelo do Senhor a fez cumprir, como cumprir faz toda a sua palavra.
O dia chegou e Jesus nasceu, como diz Lucas 2,8-20: "Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam guardando, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais; porque eis que vos trago novas de grande alegria que será para todo o povo. Porque na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isso vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa mangedoura. E no mesmo instante apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas e paz na terra, boa vontade para com os homens".
"E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente e acharam Maria e José, e o menino deitado numa mangedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra, que acerca do menino lhes fora dita, e todos os que ouviram, se maravilharam do que os pastores diziam. Mas Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu coração. E voltaram os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito". Essas coisas se divulgaram por eles. E na longínqua terra do Oriente, Deus deu a revelação destas verdades, a alguns magos, ou sábios, cerca de um ano depois.
E em Mateus 2.1-12 lemos: "E tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do Rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo: onde está aquele que é nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. E o Rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele. E convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. E eles lhe disseram: Em Belém da Judéia, porque assim está escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as cidades de Judá; porque de ti sairá o guia, que há de apascentar o meu povo de Israel".
"E entrando na casa, acharam o menino e sua mãe Maria e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram ouro incenso e mirra. E, sendo por divina revelação avisados em sonhos, para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por um outro caminho". Eis em síntese como se deu o nascimento de Jesus Cristo. Que Deus nos ajude a tirar preciosas lições para as nossas próprias vidas.




Pr. Timofei Diacov
(retirado de 
http://br.groups.yahoo.com/group/timofei/message/157  )

domingo, 23 de dezembro de 2012

Tuas mãos

Quando tuas mãos saem, 
amada, para as minhas, 
o que me trazem voando? 
Por que se detiveram 
em minha boca, súbitas, 
e por que as reconheço 
como se outrora então 
as tivesse tocado, 
como se antes de ser 
houvessem percorrido 
minha fronte e a cintura? 

 Sua maciez chegava 
voando por sobre o tempo, 
sobre o mar, sobre o fumo, 
e sobre a primavera, 
e quando colocaste 
tuas mãos em meu peito, 
reconheci essas asas 
de paloma dourada, 
reconheci essa argila 
e a cor suave do trigo. 

 A minha vida toda 
eu andei procurando-as. 
Subi muitas escadas, 
cruzei os recifes, 
os trens me transportaram, 
as águas me trouxeram, 
e na pele das uvas 
achei que te tocava. 
De repente a madeira 
me trouxe o teu contacto, 
a amêndoa me anunciava 
suavidades secretas, 
até que as tuas mãos 
envolveram meu peito 
e ali como duas asas 
repousaram da viagem.


Pablo Neruda.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Soturna prece em soneto

Qual noite que apaga o dia,
Desce sobre mim, mais uma vez,
Lúgubre melancolia.

Em minha solidão repetida,
Apenas o som da chuva na madrugada,
Esta terna alvorada,
Apazigua meu coração.

Pois jaz, no amor, o sofrimento,
Impiedoso a possuir-me contra vontade,
Causa-me os maiores tormentos.

Por isso, peço que me lave este pranto celeste,
Que me leve deste mundo
Para onde haja leito mais profundo
À sombra de meu cipreste.


Jejels, 14/12/2012.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sonhando

Por que tão longe?
Inalcançáveis lábios macios,
Mar que se desmancha em rio,
Sol que ao poente, se esconde...

Quisera eu cessar em ti meu pranto,
Debruçar-me perante tal abismo,
Pois é impossível resistir ao encanto
Desse olhar penetrante e cristalino.

Mas conseguiria eu alcançá-lo?
Ao menos em sonho, seria possível
Tocar a rosa sem os espinhos de seu talo,
Provar desse beijo irresistível?


Jejels, 09/12/2012.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Underneath



Even in my darkest times
Overcome with worry
Find the comfort in the storm
No reason to be sorry
Look inside for a place to hide
All around the faithless wait full of expectations
They will never see the beauty in the imperfections
The more I show
The less they know

Out of reach
Underneath
Learned to breath
Underneath
Something inside of me
Invisible turning the fragile
Unbreakable
But they cannot take away
They cannot take away
What I believe
You cannot take away
Cannot take away
What's underneath

Every little cut runs deep
Masked in my tomorrow
Bringing wisdom that I need for all the time I borrow
My other side is left behind

Out of reach
Underneath
Learned to breath
Underneath
Something inside of me
Invisible turning the fragile
Unbreakable
But they cannot take away
They cannot take away
What I believe
You cannot take away
Cannot take away
What's underneath.



Tarja Turunen

Inquebrável dor

Rajadas de vermelho cortam meu coração
E o sangue desce aos jorros
De encontro ao chão, uma poça escarlate,
A dor que não parte.

E tenho nas mãos apenas meus dedos,
Nódoas petrificando meu peito,
A mácula do pranto
Esmagando-me num canto.

Até que, enfim, não reste ar
Que possa em meus pulmões ser retido;
O pulso machuca,
O corpo fraqueja,
A rosa murcha.



Jejels, 13/12/2012.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sonho ajardinado

Queria tua pele tocar,
Um segredo num jardim ao luar,
Onde as rosas seriam testemunhas
De confissões, afinidades e lamúrias.

Que entre arbustos houvesse a camuflagem
Para uma garota e seu pajem,
Um olhar intenso na penumbra conceder
Um momento propício para o amor florescer.

E sob um caramanchão de trepadeiras
E talvez perfume de lírios,
Pudesse selar sem fronteiras
Num beijo, nosso destino.


Jejels, 09/12/2012.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Nosso jardim

Plantas já floridas,
As raízes fortes se aprofundando,
É de amor a jazida
Onde as vou cultivando.

E bem no teu coração espero poder colher
E deleitar-me com o degradê
De folhas e flores,
Paleta de mil cores,
O jardim que semeamos.


Jejels, 11/12/2012.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Montanha-russa

O escuro volta a me abraçar
Como a insegurança que invade meu coração,
A ansiedade que me põe a ofegar,
Mais uma descida ao porão.

Tão sentimental desde o início,
Não há como mudar minha essência,
Um bolo de sentimentos instável e infinito
Num ciclo de descidas e ascendências.

E juro que tento obter o controle,
Mas é minha índole,
E torna-se minha sina
Ver o quanto você me recrimina.

E talvez te faça mesmo sofrer,
Mas não consigo te fazer entender
Que é assim que eu sou...
Uma montanha-russa de euforia e dor.



Jejels, 08/12/2012.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Descobrindo um imprevisto

Apenas imagino o que poderia ser,
Apesar de que não será.
Queria ser o que seu coração vê,
Mas vejo apenas meu plano desmoronar,
Uma fantasia colorida
Desmanchando ao Deus dará.



Jejels, 08/12/2012.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Céu aquarelado na moldura do sexto andar

Fim de tarde colorida,
Aquarela no céu, azul anil
Pacificando meu coração,
Atenuando meu estado febril.

E tão belas cores
Absorvo ao ver a paisagem,
Pintando-me por dentro,
Acalmando o tempo selvagem.

Pois os segundos passam velozes
E não os consigo acompanhar,
Mas ao sentir brisa tão suave,
Consigo, finalmente, respirar.

E o reflexo do mesmo céu nos olhos teus
Completa essa perfeição, esse meu paraíso.
E afundar neles é meu único desejo,
Consumar num beijo meu escapismo.



Jejels, 06/12/12.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Desânimo

Velha sensação
De pés amarrados
E cabeça a pulsar,
Cansadas, as mãos
Querem parar de lutar.

E a aflição que me abandonara
Voltou com forte ferocidade,
Trouxe de volta a vontade
De atirar-me ao chão
Para não mais levantar.

E na penumbra que me cobre,
Aninho-me ao luar nobre,
Único consolo que me restou.

Pois o suor continua escorrendo
E o tempo vai se dissolvendo
Sem que eu possa descansar.

Em meu leito,
Já às duas da madrugada,
Busco refúgio nas lembranças,
Mas só me recordo dos crimes
De apertar o passo
E privar-me do abraço
Que faz com que eu me anime.

E atarefada, sigo com os olhos atentos
E o coração ferido
Por magoar os sentimentos
Daquele que deveria estar comigo.


Jejels, 05/12/2012.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Jéssica

Eu ouço o trem da madrugada
Com o apito estridente da tua voz!
Eu vejo o trem da madrugada
Carregando os rostos cansados
Da matutina rotina feroz!
É sabido que a lua tem vez
No arraial das luzes sem cidade
Onde encontro com você raiando
Sua beleza nos pastos da felicidade!
Ouço as kombis de lotada, saudades
Em estradas desertas por onde fizemos amor
Um dia!
Ouço um estalo de beijo no cantar de pneus
Da canção da melancolia!…
E a toda hora são novos trens embarcando
E desembarcando emoções!
E a cada lua e estrela que nos guia e brilha
Anoitecem e amanhecem paixões!
A viagem prosegue longa e distante dos centros
Mas o nosso destino é certo.
Ouço cavalos e centauros relinchando
A quimera de caminhos passados e deixados
Nas baias e raias da loucura tão perto!
Eu vejo um dia de confins alegres e sem baldiação
Eu sigo à bordo do encouraçado à deriva na tua mão!


Por reinodalira, retirado de http://reinodalira.wordpress.com/category/poesia-ultra-romantica/ 

sábado, 1 de dezembro de 2012

If it kills me


Hello, tell me you know
Yeah, you figured me out
Something gave it away
It would be such a beautiful moment
To see the look on your face
To know that I know that you know now

And baby that's a case of my wishful thinking
You know nothing
Cause you and I
Why, we go carrying on for hours, on and
We get along much better
Than you and your boyfriend

Well all I really wanna do is love you
A kind much closer than friends use
But I still can't say it after all we've been through
And all I really want from you is to feel me
As the feeling inside keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me

How long, can I go on like this,
Wishing to kiss you,
Before I rightly explode?
Well this double life I lead isn't healthy for me
In fact it makes me nervous
If I get caught I could be risking it all

Cause maybe there's a lot that I miss
In case I'm wrong

Well all I really wanna do is love you
A kind much closer than friends use
But I still can't say it after all we've been through
And all I really want from you is to feel me
As the feeling inside keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me

If I should be so bold
I'd ask you to hold my heart in your hand
Tell you from the start how I've longed to be your man
But I never said I would
I guess I'm gonna miss my chance again

All I really wanna do is love you
A kind much closer than friends use
But I still can't say it after all we've been through
And all I really want from you is to feel me
As the feeling inside keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me
If it kills me
I think it might kill me

And all I really want from you is to feel me
It's a feeling inside that keeps building
And I will find a way to you if it kills me
If it kills me
If it kills me
It might kill me.


Jason Mraz.