domingo, 29 de dezembro de 2013

Entre quatro paredes

Foi numa tarde quente
Que esmaece aos poucos,
Rende-se lentamente.

Foi entre o mormaço da tarde
E a sinfonia de cigarras
Que surgiu minha estrela D'Alva.

Era o sonho que se materializava
Diante da porta encostada
Que selava nosso nó,
Corpos molhados de suor.

E a respiração entrecortada,
De suspiros e carinhos nossos
Que faziam o mundo virar nada
Enquanto a luz do sol apagava.

De sinceros sussurros e juras de amor
Foi feita nossa aliança
Depois de toda a dor.

Pois se o sentimento era tão forte,
Moveria montanhas e enganaria a morte
Para estar ao seu lado.

E depois de alguns desentendidos,
De aparentes conflitos,
No fim, éramos um em comunhão.

E de felicidade que transborda
Foram minhas lágrimas salgadas
Ao perceber que há mais que memória
Em minha mente cansada.

Tal epifania seguiu crescente
E já à noite, chuva, estrela cadente
Realizou meu sonho na penumbra.

Nos olhos castanhos adocicados de paixão,
Encontrei meu próprio coração,
O amor verdadeiro, uma dádiva,
Meu anjo da guarda.



Jejels, 25/10/2012.

domingo, 8 de dezembro de 2013

La prima vez



La prima vez que te vidi
de tus ojos me enamori.
De aquel momento te ami,
Fina la tomba te amare.

Acercate me querida,
salvadora de me vida.
Descubrite y hablame
secretos de la tu vida.



Owain Phyfe.



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Do encantador de palavras

Não há melhor remédio que respirar novamente o espírito romântico. Pois tu és como uma parte de minha alma, separada. És um coração gêmeo do meu. E posso fechar os olhos e esquecer como a noite estende-se gigante e avassaladora sobre mim, pois terei tua voz aos meus ouvidos. A imaginação, nossa chave secreta, permite-nos, de mãos dadas, dissolver toda quimera que venha nos assombrar. E se afogo-me em minha bile negra longe de ti, tu sabes, sentes, vens ao meu encontro sem que seja necessário qualquer chamado. E revolves todo fluido emotivo que me preenche. E misturas-te a ele, relembrando-me de como nossas cores ficam mais dramáticas juntas, mais vivas...mais humanas. Pois teu sangue errante é como lembrete de que meus pecados por si só não me condenam à maldade, mas confirmam minha existência. Jejels, 21/11/2013.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A porta aberta

Às vezes, andamos incertos pela vida, e por não conhecer bem seus caminhos, tomamos o errado. Então tudo fica escuro e nos perdemos ainda mais, até que a escuridão seja tal que a única luz que resta é a que guardamos dentro de nós. E se, finalmente, ouvirmos nosso coração, então ele nos guiará ao caminho certo. E quando chegamos lá, ficamos mais leves, tudo se transforma. Enchemo-nos de felicidade e passamos a viver realmente. Então, quando menos esperamos, novas portas se abrem à nossa frente.


Jejels, 04/11/2013.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Silente

Esse riso tão sincero,
Esse olhar tão profundo
São meu porto seguro,
O ninho que tanto espero.

Esse tom tranquilo,
Essa confiança singela
São estrela que vela,
Dádivas de estar contigo.

Essas palavras doces,
Esse carinho desmedido
São o que me dói à noite
Em tua ausência, silêncio esculpido.


Jejels, 09/10/2013.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Inspiração hai kai

A estrela cadente
Me caiu ainda quente
Na palma da mão.


Paulo Leminski.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

L'amour

Um coração partido
Por uma máscara indecifrável
- Um sorriso amável
Que não expressava o visível.



Jejels, 02/09/2013.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Love love love

Oh maybe i'm a crook
For stealing your heart away
Yeah maybe i'm a crook
For not caring for it
Yeah, maybe i'm a bad, bad, bad, bad person
But baby i know

So these fingertips
Will never run through your skin
And these bright blue eyes
Can only meet mine
Across a room filled with people
That are less important than you

'cause you love, love, love
When you know i can't love
You love, love, love
When you know i can't love
You love, love, love
When you know i can't love you...

So i think it's best
We both forget
Before we dwell on it...

The way you held me so tight
All through the night
'till was near morning

'cause you love, love, love
When you know i can't love
You love, love, love
When you know i can't love
You love, love, love
When you know i can't love you...

'cause you love, love, love
When you know i can't love
You love, love, love
When you know i can't love
You love, love, love
When you know i can't love you...




Of monsters and men.

sábado, 3 de agosto de 2013

Sonho

Sonho no escuro,
Sonho acordada,
Sonho, alvorada.

Sonho sem limites,
Com o espírito a vagar
Entre lembranças e o mar,
Irreais convites.

Sonho com a mente,
Sonho com as palavras,
Sonho se mentes.

Sonho assustada
Com o choque por vir
Entre a fantasia alada
E a realidade a me engolir.


Jejels, 26/07/2013.

domingo, 28 de julho de 2013

Na realidade

Com toda a felicidade,
Com a realização ao teu alcance,
Pensarás em mim?

Com um toque concreto,
Com um beijo sincero
Pensarás em mim?

Com a solidão afastada,
Com um cenário perfeito,
Pensarás em mim?

Com a distância  entre nós
E teu amor tão próximo,
Pensarás em mim?

Pensarás?
Sonharás?

Eu ainda sonho.



Jejels, 25/07/2013.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Coração partido

A lua sumiu da abóbada celeste,
A secura do ar me invade,
E só penso no sorriso que você veste,
Meu coração se parte.

Minha noite se cala,
As estrelas desbotam,
A angústia e a solidão devoram,
Enterram-me numa vala.

A cidade morre, pálida, ao leste,
Com um sol que parece não despertar
E eternamente permaneço a esperar.

Nós estamos por todos os cantos,
Sorrisos fantasmas por toda parte...
Meu coração se parte.



Jejels, 25/07/2013.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Breve devaneio

As luzes da cidade reluziam na água. O lago não estava ali por obra da natureza e o barulho da metrópole zunia ao redor. Ao olhar o céu, a lua mal se fazia presente - um brilho desgastado escondido pelas nuvens que imperavam o azul; as luzes escondiam as estrelas. E mesmo com o vento, o inverno continuava quente a tocar meu rosto. Apesar disso, minhas mãos estavam frias, como que pedindo pelo calor das tuas.


Não dormia no momento. Mas sonhava acordada a transformar as luzes artificiais e estéreis em estrelas, fazendo as nuvens dissolverem-se no frio de um campo afastado da cidade, para onde nos transportava. O lago já era natural e as ondas que se formavam com o vento vinham bater delicadamente no cais que nos abrigava. Já não havia a música distante, de algum qualquer desafinado, mas o som da água a se mover, as estrelas a sussurrar, a confidência do olhar. E as nuvens que restaram, dois corações incrustados no céu escuro. E o mundo dissolvia-se no onírico fluido. 


Caroline Thénardier

terça-feira, 16 de julho de 2013

Um brinde

À solidão, um brinde.
À lua que me assiste, um brinde,
À tristeza que insiste em me acompanhar, um brinde.

Brindemos com as lágrimas que hei de beber
Para repor o rio que já verti.



Jejels, 15/07/2013.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Infrutuoso

É inútil obter por piedade aquilo que desejamos por amor.


Victor Hugo

Solilóquio noturno

Num solilóquio noturno,
Fecho os olhos para te ver,
Para ouvir palavras que não disseste,
Para sentir abraços que não deste.

Num solilóquio noturno,
Brindo a lua em teu nome,
Bebo meu delírio solitário,
Embriago-me com lembranças do relicário.

Imagino que estás ao meu lado
E que posso esquecer o mundo,
Submergir no céu estrelado.

Imagino que não há inquietude,
E que posso ser imune a consequências,
Viver, enfim, em plenitude.



Jejels, 14/07/2013.

domingo, 14 de julho de 2013

Always with me (Itsudemo Nandemo)



Do fundo do meu coração
que eu possa sempre sonhar,
os sonhos que movem meu coração
Tantas lágrimas de tristeza,
incontáveis lágrimas rolaram
Eu sei que do outro lado,
eu encontrarei você
Toda vez que nós caímos no chão,
nós olhamos para o céu azul lá no alto
Nós acordamos para a sua imensidão azul,
como se fosse a primeira vez
Como o caminho é longo e solitário
e não enxergamos o fim
Posso abraçar a luz
com meus dois braços,
Quando digo adeus, meu coração pára,
com ternura eu sinto
Meu corpo vazio e silencioso
passa a ouvir o que é real
O milagre da vida,
O milagre da morte
O vento, a cidade, as flores,
todos nós dançamos em união

Em algum lugar, uma voz chama,
do fundo do meu coração
Continue sonhando seus sonhos,
nunca deixe eles partirem

Por que falar das suas tristezas
ou sobre as angústias da vida?
Deixe teus lábios cantarem
uma linda canção para você
Não esqueceremos a voz sussurrante
em cada lembrança ela ficará sempre
para guiar você
Quando um espelho se quebra,
estilhaços se espalham pelo chão
lampejos de uma vida nova,
refletem-se por toda parte
Janela de um recomeço,
silêncio, nova luz da aurora
Deixe que meu corpo silencioso e vazio
seja preenchido e nasça outra vez,
Não precisa procurar lá fora,
nem navegar através dos mares
Porque brilha aqui dentro de mim,
está bem aqui dentro de mim
Encontrei uma luz, está sempre comigo.


Yumi Kimura (tema de A Viagem de Chihiro)


Link: http://www.vagalume.com.br/yumi-kimura/itsudemo-nandemo-tema-viagem-de-chihirotraducao.html#ixzz2Yzk1kq6r

Nossa lua

À espera de um retorno,
O dia a pensar em tua resposta
E vem o repentino conforto
Ao imaginar que poderias estar
Correspondendo meu pensamento
Nesse sutil momento.
E a lua que me ilumina o semblante
É a mesma que a ti sorri, mesmo distante.


Caroline Thénardier.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ode à Victória

Que bela dama adiante!
Os olhos delineados,

A feição radiante!

Que bela dama a dançar!
Os movimentos tão puros,
Expressão, sentimento a transbordar!

A vitória em seu olhar,
Em seus passos,
Em seu coração,
Em seu próprio nome,
Musa de emoção!

Fique, Vic,
A encher meus olhos de beleza.
Vic, fique,
A elegância, realeza!

Victória a reluzir,
Victória a construir
A vitória com suas mãos,
Com seu olhar, a se mover,
Com o coração.

Fique, Vic,
Musa da expressão!
Vic, fique!
Musa da paixão!



Jejels, 10/07/2013.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Novamente no Coliseu

As raízes enrolam-se aos meus pés,
Algo que já não era inesperado,
Uma sensação já conhecida,
Do meu desejo, o revés.

Contradição em bom som,
Inacreditável golpe a me alcançar
(não tão inacreditável)
Luto para não me desarmar.

Com a cabeça erguida,
Caminho novamente ao Coliseu
Com a esperança ferida,
Aos olhos deles,
Perante as rainhas, um plebeu.

Mas meu sangue valerá à pena,
Meu suor alcançará seu objetivo,
Meu sonho continuará vivo
Mesmo que tentem me derrubar,
Reerguer-me eu, inúmeras vezes,
Já tenho as pernas blindadas
E os olhos injetados,
Ainda tenho força para me levantar
Mais e mais, inúmeras vezes,
Reerguer-me ei do chão
Como uma planta,
Como uma fênix,
Munida pelo meu amor invencível.



Jejels, 10/07/2013.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Secret door



Turn out the lights
Feed the fire till my soul breaks free
My heart is high as the waves above me.

Don't need to understand
Too lost to lose
Don't fight my tears, 'cause they feel so good...

And I, I'll remember how to fly
Unlock the heavens in my mind
Follow my love back through the same secret door.

Look past the end
It's a dream, as it's always been
All life lives on if we've ever loved it.

And I, I'll remember how to fly
Unlock the heavens in my mind
Follow my love back through the same secret door.

And I, I'll remember how to fly
Unlock the heavens in my mind
Follow my love back through the same secret door.




Evanescence.

sábado, 22 de junho de 2013

Haikai 1

Ver são ou
Ver-me
Verme?



Jejels, 19/06/2013.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Les Amants (Magritte, 1928)




Os amantes se amam cruelmente 
e com se amarem tanto não se veem. 
Um se beija no outro, refletido.

Carlos Drummond de Andrade
(trecho de seu poema, Destruição)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Miguel Ângelo

Vivo de minha própria morte.

Michelangelo

Esquilo não samba




Muito prazer,

Eu sou você amanhã
Só não me apresentei antes 
Por medo de desmotivar.

Eu sei que é triste
Mas não se deixe abalar
Terá dias bons
Cujo número eu posso contar.

Muito prazer,
Eu sou você amanhã
Só não me apresentei antes 
Por medo de desmotivar.

Não vou mentir
Na sua média você será 
Medíocre.
Não vou mentir
Na sua média você será...

Mediocridade
Eu sei o quanto eu sinto saudade
Mediocridade
Eu sei o quanto eu sinto saudade

Do tempo em que eu me achava esperto
Do tempo em que eu esperava dar certo
Do tempo em que eu me achava

Não quero te iludir
Não quero te enganar
Não quero te iludir

Você está 
Desperdiçando o que era pouco
Muito pouco, quase nada
E está para acabar
Acabar.




Móveis Coloniais de Acaju.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Clamor em soneto

Nenhuma resposta:
O vazio bate à porta
Em forma de silêncio.

Adentro, nada mais ecoa,
Palavras de intenção boa,
Mas que não valem nada.

Persistência guerreira
Desmorona na areia
Após tanto lutar
Sem saber onde chegar.

E sem rumo, resta-me o zênite,
A espera por uma estrela cadente,
Um guia, uma luz no escuro
Que mostre mais que o vácuo em minha alma.



Jejels, 05/06/2013.

As últimas certezas

Antes no silêncio...
Antes só que nesse fogo cruzado de palavras. E aguentarei até o fim perante os olhos alheios para logo em seguida desmoronar na solidão de meu quarto. Entregar-me à escuridão de bom grado, acolhida pela tristeza que sempre será minha companheira. A cada frustração, mais uma veia estourada, mais um laço de felicidade rompido - estão-se esgotando. E quem se importa se choro o sangue bombeado por meu coração partido? Quem se importa se caio sobre meus joelhos já estourados pelo estresse físico
e abalados, sem forças pelo desgaste emocional? Quem se importa se na vida sou ninguém, se no fim não tenho nada? Quem se importa se não tenho mais nem a mim mesma, se me perco
no vazio de uma alma desesperada? Quem se importa se meus sonhos se despedaçam de forma que não sei mais do que são feitos? Quem se importa se perco minha identidade junto à ínfima força que me resta, aquela com a qual lutei por algo que já não sei mais o que é? Futuro? Que futuro haveria para alguém que já não pertence a si? Alguém que já perdeu sua identidade, o bem mais precioso que se pode ter? A certeza de si... certeza? Só me restam duas: a dúvida e a morte.
E rezo para que haja solução antes que a primeira me leve à segunda - se é que se pode chamar de vida o que estou tendo agora.


Jejels, 05/06/2013.

Incógnita

Fui uma boa garota.
Não fumo, não bebo, não uso drogas.
Sou de classe média e meus pais me dão amor.
Fui boa aluna e sempre tirei boas notas.
Gosto de praticar esportes, de arte, de música, de cinema, de literatura, de poesia.
Passei no vestibular para uma universidade federal.
E continuo sem futuro.
Sem saber a minha vocação.
Sem saber o que eu sou.




Jejels, 05/06/2013.

Monocromia opressora

Paredes de concreto,
Um invólucro branco
Sem a macula do pranto
Ou o riso, o afeto.

Uma casca indiferente,
A palidez aparente
A se impor à visão
E ao meu coração.


Jejels.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um Só



Eu pensei direito
Fiz uma pesquisa
Eu li a respeito
E a gente é um só
Eu nos vi no espelho
E contei nossos dedos
Não fica vermelho
A gente é um só
Sem você, eu sumo
Eu morro de fome
Eu perco meu rumo
Eu fico menor
Eu tenho o seu gosto
Eu sou do seu jeito
A cor do seu rosto
Eu já sei de cor
Mas se você planeja
Nos partir ao meio
Então nem pestaneja
E faça sem dó
O meu desespero
É que quando acaba
Você fica inteiro
E eu fico o pó.




Clarice Falcão.

terça-feira, 28 de maio de 2013

X

Transforma-se o amador na cousa amada,

Por virtude do muito imaginar;

Não tenho logo mais que desejar,

Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,

Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.



Luís de Camões.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O que a gente podia ser



Fui sozinho
O meu caminho
Quem ia cuidar de mim
Melhor que eu?
Seu fatalismo
Na hora errada
A gente soube mais
Quando não sabia nada
Dei a partida
Olhando o cristo
Ao meio-dia
O que eu ia fazer,
O que eu iria fazer?
E nas ondas do mar
Eu vi você voltar
E nas ondas do mar
Eu desapareci...
Parece uma piada
Ontem fez dez anos
Desde a última vez
Que eu te olhei nos olhos
E não tem remédio
E não tem cigarro
Que acalme o diabo de pensar
O que a gente podia ser
O que a gente podia ser
(talvez dentro do mar)
E nas ondas do mar
Eu vi voce voltar
E nas ondas do mar
Eu desapareci...
(o tempo eu esperei)
Talvez dentro do mar
Talvez noutro lugar.



Vanguart.

sábado, 25 de maio de 2013

Minuccio


"Basta abrir os olhos. Há na vida coisa mais alegre e mais divertida de se ver do que o sorriso de uma linda filha de Deus? Que tristeza resistir-lhe-ia? Dai-me um jogador sem dinheiro, um magistrado senil, um amante desprezado, um cavalheiro fatigado, um político hipocondríaco, os maiores infelizes, Antônio após Actium, Brutos depois de Philippes, que sei eu? mostrai a essa gente somente uma fina face cor de pêssego, enrugada levemente pelo canto de um lábio de púrpura, em que o sorriso adeja sobre duas fileiras de pérolas; nenhum se defenderá! Aquele que agir de outra maneira declaro-o indigno de piedade, porque sua desgraça é ser imbecil."

Musset, em Carmosina. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sorry seems to be the hardest word




What have I got to do to make you love me ?
What have I got to do to make you care?
What do I do when lightning strikes me ?
And I wake to find that you¹re not there

What have I got to do to make you want me ?
What have I got to do to be heard ?
What do I say when it¹s all over?
And sorry seems to be the hardest word,

It¹s sad, so sad,
It¹s a sad ,sad situation,
And it¹s getting more and more absurd,
It¹s sad, so sad,
Why can¹t we talk it over?
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word,
What have I got to do to make you want me ?
What have I got to do to be heard ?
What do I say when it¹s all over?
And sorry seems to be the hardest word,

It¹s sad, so sad,
It¹s a sad situation,
And it¹s getting more and more absurd,
It¹s sad, so sad,
Why can¹t we talk it over?
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word

What have I got to do to make you love me ?
What have I got to do to be heard ?
What do I do when lightning strikes me ?
What have I got to do?
What have I got to do?
When sorry seems to be the hardest word?


Blue.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Na caverna

O eco das minhas palavras
Denuncia o vazio ao meu redor
E a parede em que reverberam,
A minha confinação.

Que afinação haveria
Entre os sopros de minh'alma e o mundo
Se ao redor há o vácuo e o escuro,
Isolamento e indistinção?

Seria esse lapso de pensamento uma libertação?
E estaria eu ainda em minha caverna,
Alimentando-me das sombras,
Na comodidade da inércia?

Que farei para quebrar os grilhões e caminhar para fora?
Que surpresas haverá no verdadeiro aurora?



Jejels, 23/05/2013.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Brasília: onde as ruas não têm nome

onde as ruas não têm nome
eu quero andar
andar sem direção
 
onde as ruas não tem nome
eu quero correr
correr sem nome rumo direção
 
onde as ruas não têm nome
eu quero ouvir uma banda passar
cantando coisas de mim
 
onde as ruas não têm nome
eu quero plantar casas
plantar plantas e plano pilotos
 
onde as ruas não tem nome
eu quero colocar números
dos dois lados muitas letras
onde as ruas não têm nome
 
eu quero mandar ladrilhar
 
onde as ruas não têm nome
eu quero morrer
morrer sem direção




Augusto Rodrigues, poeta goiano.
Poema transcrito do livro “Onde as ruas não têm nome”,  Thesaurus Editora

(retirado de brasiliapoetica.blog.br)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O que é - simpatia

Simpatia - é o sentimento 
Que nasce num só momento, 
Sincero, no coração; 
São dois olhares acesos 
Bem juntos, unidos, presos 
Numa mágica atração.
Simpatia - são dois galhos 
Banhados de bons orvalhos 
Nas mangueiras do jardim; 
Bem longe às vezes nascidos, 
Mas que se juntam crescidos 
E que se abraçam por fim.
São duas almas bem gêmeas 
Que riem no mesmo riso, 
Que choram nos mesmos ais; 
São vozes de dois amantes, 
Duas liras semelhantes, 
Ou dois poemas iguais.
Simpatia - meu anjinho, 
É o canto de passarinho, 
É o doce aroma da flor; 
São nuvens dum céu d'agosto 
É o que m'inspira teu rosto... 
- Simpatia - é quase amor!


Casimiro de Abreu

Portentosamente mulher

Porque a noite era propícia,
De enfeites estelares, porém, quebradiça,
Ao retornar a dúvida perante teus olhos iluminados,
Decidi ater-me ao momento,
Deixar fluir, ao menos uma vez, o anseio
Livre de qualquer predileção pelo perfeito.

Postas as cartas, armado o cenário,
Dei-me conta de que a chave repousava ao chão:
Na passagem, não mais trancada já há certo tempo,
Repousava minha mão sem o mesmo lamento.

Não, não restavam mais correntes em pensamento,
A sentença estava dada sem mais julgamento.
Apenas um movimento espontâneo
E girava a maçaneta como quem se entrega à  maré
Num lampejo de vida, por fim, à  emoção da batida,
O anjo tornou-se mulher.



Jejels, 20/05/2013.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A forca do afeto

É que o afeto machuca.
O amor é um laço que estreita,
Aperta o peito.
Às vezes, sem jeito,
Passa ao pescoço
E ali me enforca.

É que a dor persiste,
Mas por que tão insistente?
O que meu coração sente
Não posso controlar.

É que não encontro motivo
Que explique o desatino
Da ferida que é perder,
Uma vez que nunca tive você.


Jejels, 16/05/2013.

domingo, 12 de maio de 2013

I don't wanna talk about it




I can tell by your eyes
That you've probably been crying forever
And the stars in the sky don't mean nothing
To you, they're a mirror.

I don't wanna talk about it
How you broke my heart
If I stay here just a little bit longer
If I stay, won't you listen to my heart?
Oh, my heart...

If I stand all alone
Will the shadows hide the colors of my heart?
Blue for the tears, black for the night's fears
The stars in the sky don't mean nothing to you
They're a mirror.

I don't wanna talk about it, how you broke my heart.
But if I stay here just a little bit longer,
If I stay here, won't you listen to my heart?
Oh, my heart...


Rod Stewart.

Na contramão

O que seria esse toque,
Essa aproximação inebriante, cálida?
O que seria esse instante que desperta e convida?

Seria apenas a carência apossando-se do corpo?
Seria uma fantasia que outrora não passava de sopro?
Ou platônica paixão, tal que me assombro?
Seria isso o vermelho da alma em chamas?
Ou apenas por prazer passageiro me chamas?

Seria tudo isso a linha do desejo,
Aquela que une teus lábios aos meus,
Aquela que apenas em sonho poderia chegar ao apogeu?
Aquela que seria impossível de se alcançar,
A mesma que se apagaria ao conquistarmos a possibilidade de se realizar?

Beijas-me por amor que se mistura
-pelo sangue e pela paixão-
Ou apenas pela aventura de estar na contramão?



Jejels, 12/05/2013.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Amor e medo

I

Quando eu te fujo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, oh! Bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
" - Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!"

Como te enganas! Meu amor é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela - eu moço; tens amor - eu medo!...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me intumesce os seios.
E ao vento fresco do cair das tardes
Eu me estremeço de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea - ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! Se abrasado crepitasse o cedro
Cedendo ao raio que a tormenta envia.
Diz: - que seria da plantinha humilde
Que à sombra dele tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho;
E a pobre nunca reviver pudera
Chovesse embora paternal orvalho!

II

Ai! Se eu te visse no valor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco.
Soltos cabelos nas espáduas nuas!...

Ai se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos - palpitante o seio!...

Ai se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: - que seria da pureza d'anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
- Tu te queimaras, a pisar descalça,
- Criança louca, - sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,

- Olhos pisados - como um vão lamento,
Tu perguntaras: - qu'é da minha c'roa?...
Eu te diria: - desfolhou-a o vento!...

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Oh! Não me chamas coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito,
És bela - eu moço; tens amor, eu - medo!...





Casimiro de Abreu