quinta-feira, 18 de julho de 2013

Breve devaneio

As luzes da cidade reluziam na água. O lago não estava ali por obra da natureza e o barulho da metrópole zunia ao redor. Ao olhar o céu, a lua mal se fazia presente - um brilho desgastado escondido pelas nuvens que imperavam o azul; as luzes escondiam as estrelas. E mesmo com o vento, o inverno continuava quente a tocar meu rosto. Apesar disso, minhas mãos estavam frias, como que pedindo pelo calor das tuas.


Não dormia no momento. Mas sonhava acordada a transformar as luzes artificiais e estéreis em estrelas, fazendo as nuvens dissolverem-se no frio de um campo afastado da cidade, para onde nos transportava. O lago já era natural e as ondas que se formavam com o vento vinham bater delicadamente no cais que nos abrigava. Já não havia a música distante, de algum qualquer desafinado, mas o som da água a se mover, as estrelas a sussurrar, a confidência do olhar. E as nuvens que restaram, dois corações incrustados no céu escuro. E o mundo dissolvia-se no onírico fluido. 


Caroline Thénardier

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