segunda-feira, 29 de abril de 2013

Alfajor-vagalume

Uma folha em chamas,
Clama sem escolha
Meu coração pelo teu.

Alvoroço interno que causas,
Pausa que me empurra ao poço
Toda vez que dizes adeus.

Pois a cada dia, és maior,
Um alfajor, bomba de endorfina,
Vício que me domina
E ilumina o paraíso.



Jejels, 29/04/2013.

Castle on a cloud



There is a castle on a cloud,
I like to go there in my sleep,
Aren't any floors for me to sweep,
Not in my castle on a cloud.

There is a room that's full of toys,
There are a hundred boys and girls.
Nobody shouts or talks too loud,
Not in my castle on a cloud.

There is a lady all in white,
Holds me and sings a lullaby,
She's nice to see and she's soft to touch,
She says, "Cosette, I love you very much!"

There is a place where no one's lost,
There a place where no one cries,
Crying, at all, is not allowed,
Not in my castle on a cloud.


Do musical Les Miserables.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Princesa surreal

Aqueles olhos grandes e profundos
com vida?
aqueles olhos que eu fitei e mergulhei
sem saída?

O maior mistério do mundo reside em seu frágil corpo
quase morto
quase vivo
um estupor
que me deixa absorto

sua beleza quase que surreal
infiltra em meus olhos
e arde de forma secreta
quiçá até ilegal

Eu não consigo deixar de me mergulhar
e vejo o mar indo abaixo junto
um segundo sem igual num breve gole de café
um breve assunto
que não se deveria tratar

Qual o mistério da morta?
como trazer batimentos onde há muito
talvez não haja fluxo de sangue?
um mito
em mim delirante
atrás daquela porta

Sua presença é como uma obra de arte
mas como toda obra no fundo reside o silêncio
e muitas vezes a dor
e a sua beleza faz parte

Sua presença me deu na alma uma parte
de todo esse compêndio
de esperança e arte

Cada sorriso não sei decifrar
se um movimento meramente muscular
ou breve momento de vida
uma pequena e leve demonstração
de que ainda esperança resida

Quem pode me julgar?
aquele que o mundo fez questão de mostrar
que a inocência deveria abandonar

Uma concha vazia ?
um universo paralelo para mim
minha voz ecoa sem resposta
como uma via de mão unica
uma incompreensão
entreposta
quanto ao seu vazio que reside também em mim

Titubeio a cada linha que escrevo
a bela que pude pouco conhecer
a magia que um pouco da história pude conceber
tão leve e tão profunda
tão sutil que retunda
um mistério que me circunda

conhece-la mudou meu mundo
sinto um pouco menos petrificado
do meu coração parado
surgiu um contentamento sem fundo

Talvez o escapismo também seja um Tilt
onde tudo que lá reside
é na verdade o que deveria existir
onde ainda nesse outro mundo que também vivo
eu possa ainda sorrir

o colorido que se entrelaça em minha visão
é algo mais forte que eu transformo em inspiração
nem que eu tentasse poderia explicar
é sublime e belo
não existe nem em versos
formas de a poetizar

eu digo somente
que o sentimento é latente
quase ígneo flamejante
contudo reticente quanto a grandeza dela
é como se fosse um evento indesejável
tentar dizer algo a essa donzela
de beleza esfuziante
estar ao lado dela é mergulhar no infinito espectral
de expressões, a arte de viver
uma presença sem igual
estar ao lado dela mesmo que por breve momento
te faz acreditar no que seria perfeito
assim como para o ar
está a força do vento....



Chris
(retirado de 
http://chris-christianthomas.blogspot.com.br/)

Soneto de minha ditadura

É de atos silenciosos a chantagem,
A imagem que imponho como pedido,
Implícito chamado pelos feitos amorosos.

A ditadura se coloca rígida entre nós
Após conflitos, apenas eu tenho a razão
E teu coração apenas ao meu deve almejar.

Não terás olhos para trabalho,
Para família ou para amigos.
Apenas a mim deves servir
E seguir comigo até o fim.

Pois se não amas como eu,
Meu coração se desmancha em lágrimas,
Máxima apelação, brado por teu serviço,
Maciço grilhão a consolidar-te como escravo.


Jejels, 25/04/2013.

Poética

Inspiradora visão dos olhos teus,
Apogeu em minha alma sonhadora,
Quebra de uma solidão interior,
Esplendor que se materializa e renova.

Mágico arrepio que contamina,
A sina em que quero acreditar
E divagar para além do apático,
Quebrar a inércia com o que alucina.

O cheiro de teus cabelos
São belos lírios em canteiro,
Inebriante e até sufocadora visão
A um coração fadado a devoto amante.

E tão belo, cheio de sutilezas,
Faz-me presa a esse devaneio
De torpor alucinógeno,
Inverossímil objeto de desejo.

Pois tua boca está distante,
Teu semblante, indiferente,
E apenas em minha mente habita
A distinta visão de tua alma a mim aberta.


Jejels, 24/04/2013.



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Labiríntica

Emaranhado de veias
- ou seria de sentimentos?
Movimento que incendeia,
A oscilação entre tristeza e alegria.

E as estrelas que vejo
Ora distantes, ora companheiras,
São beijo que confunde,
Mão que alimenta e pune.

Não há como ter certeza
Do que é ou não real.
Um fractal de surpresas
Traz sempre nova contradição.

E são diversos os caminhos,
Vizinhos a pensamentos complexos.
Não consigo decidir qual seguir,
Cada possibilidade pode ser um paralelo.

Além disso, não carrego chaves
Nem a coragem de abrir portas fechadas
E há poucos percursos livres,
Sem desníveis e não obscuros.

Dentro de mim, há um labirinto
Que sinto ser indecifrável.
Quanto mais busco conhecê-lo,
Indomável e rebelde, novamente me perco.



Jejels, 24/04/2013.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Cantaria

E se não fosse por seus ouvidos,
Que se incomodam com a repetição,
Cantaria a noite inteira
O amor numa canção.

E faria doce e suave a melodia,
Alegoria qual ave sob a noite,
Que canta em sua linguagem universal
Os sentimentos mais puros,
Sinceridade quase selvagem.

E se não fosse por seus ouvidos,
Que logo chegam à exaustão,
Cantaria para que sentisse
Meu amor em combustão.


Jejels, 23/04/2013.

sábado, 20 de abril de 2013

O que me importa



O que me importa
Seu carinho agora
Se é muito tarde
Para amar você...
O que me importa
Se você me adora
Se já não há razão
Prá lhe querer...
O que me importa
Ver você sofrer assim
Se quando eu lhe quis
Você nem mesmo soube dar
Amor!...
O que me importa
Ver você chorando
Se tantas vezes
Eu chorei também...
O que me importa
Sua voz chamando
Se prá você jamais
Eu fui alguém...
O que me importa
Essa tristeza em seu olhar
Se o meu olhar tem mais
Tristezas prá chorar
Que o seu!...
O que me importa
Ver você tão triste
Se triste fui
E você nem ligou...
O que me importa
Seu carinho agora
Se para mim
A vida terminou
Terminou!
Terminou!

Marisa Monte

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Estrambote melancólico

Tenho saudade de mim mesmo, 
saudade sob aparência de remorso, 
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor. 
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d'alva
penetra longamente seu espinho
(e cinco espinhos são) na minha mão.



Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Greensville

Minha janela emoldura uma bela vista,
Há árvores de grande porte,
Diferentes formas de folhas preenchem a cidade.

Tenho jardins com mil flores,
Mas haverá também plantas venenosas?
Afinal, a vida não é um mar de rosas.

Minha cama está coberta de pétalas,
Há diversas fragrâncias ao meu redor,
Sensações prazerosas em minhas narinas.

Tenho jardins com mil cores,
Mas haverá também o negro marcando um corte?
Afinal, à vida é inerente a morte.

Minha porta está aberta,
Há troncos estruturando o portal,
Diferentes texturas convidam ao toque.

Tenho madeiras com mil sabores,
Mas haverá também amagro que alucina?
Afinal, a durabilidade prescinde vermicida.


Em Greensville, há pátios floridos,
Canteiros ajardinados,
Sorrisos cultivados com adubos sortidos.

Mas uma maçã podre não se recupera junto às saudáveis

E uma vez deprimida, a explosão de felicidade ao meu redor
Não passa de leitos puros e confortáveis
Quando por dentro, sou farpas, vermes, fungos, medo, rancor.


Jejels, 11/04/2013.



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sobre carências e imperfeições

Há o momento em que me sinto um fantasma. Ignorada por algumas pessoas das quais gostaria de ter o mínimo de atenção...um pedido singelo para ser ouvida. E ao negarem-se a notar minha necessidade, despejo-lhes emoções mais enfatizadas. Não obtendo êxito, apelo às súplicas. Persistindo o fracasso, posso também prosseguir rebaixando-me. Ou posso simplesmente recolher-me em minha insignificância perante o contexto global, catar do chão a tampa de minha caixinha - sempre a minha caixinha - e encolher-me lá dentro.

Há momentos - esses sim, desesperadores - em que, com medo de deixar-me ouvir minha própria voz, ainda derramando-se em clamores, preciso ouvir algo mais leve que o pesadíssimo silêncio que me aguarda na escuridão da noite que escorre para dentro de minha clausura. E então vejo-me substituindo sua voz por uma gravação. Pois não há mais mãe ou pai - na verdade, nunca houve - para ler um livro que faça com que eu durma ao visitar minha imaginação, em busca de meu inconsciente protetor. É na frieza de uma gravação qualquer que procuro agarrar-me a outras histórias, assistir a personagens distantes que tomam forma em minha mente.

Nesses momentos, qualquer ideia disforme e imperfeita pode se tornar meu salvador. Afinal, os super-heróis não precisam ser perfeitos. Não para mim. Afinal, não faria sentido esperar de meu próprio imaginário algo tão intangível à minha natureza.

Há momentos na vida em que percebemos que a própria imperfeição nos traz conforto quando queremos fugir da realidade...basta que ela nos faça esquecer de nossas próprias deformações.


Jejels, 10/04/2013.

Incompreensão

Ondas de emoção percorrem meu corpo.
Mudam, oscilam a cada instante,
Ora afáfeis, reconfortantes,
Ora a inquietude estampada no silêncio das estrelas.

Resta-me o descompasso de um coração arritimado,
A angústia desarmônica a balançar meu peito,
Uma contradição interna,
Crise que desperta,
Adormece
E depois retorna.

Necessidade de atenção,
Em seguida, o desprezo a quem me olha,
Ciclos de contradição,
Entre a euforia e a letargia
Beirando a depressão,
Sufocante respiração.



Jejels, 10/04/2013.

Ária da Rainha da Noite (tradução)


A vingança do inferno ferve em meu coração
Morte e desespero
Morte e desespero queimam à minha volta!
Se Sarastro não sentir por você a dor de sua morte
A dor da morte de Sarastro,
Então você nunca mais será minha filha
Você é minha, e nunca mais será minha filha

(cadência)

Nunca mais será minha filha

(cadência)

Então você nunca mais será minha filha

Renegada para sempre
Abandonada para sempre
Destruída para sempre
Todos os laços de natureza
Renegados
Abandonados
E destruidos
Todos os laços de natureza

Todos os laços...

(cadência)

Todos os laços de natureza
Se não for através de você
Que Sarastro se torne pálido

Ouça, ouça, ouça
A vingança dos deuses
Escuta
O juramento de uma mãe.


Original em alemão, da peça A Flauta Mágica, de Mozart.

domingo, 7 de abril de 2013

Kiss from a rose




There used to be a greying tower alone on the sea.
You became the light on the dark side of me.
Love remained a drug that's the high and not the pill.
But did you know,
That when it snows,
My eyes become large and
The light that you shine can be seen.

Baby,
I compare you to a kiss from a rose on the grey.
Ooh,
The more I get of you,
Stranger it feels, yeah.
And now that your rose is in bloom.
A light hits the gloom on the grey.

There is so much a man can tell you,
So much he can say.
You remain,
My power, my pleasure, my pain, baby
To me you're like a growing addiction that I can't deny.
Won't you tell me is that healthy, baby?
But did you know,
That when it snows,
My eyes become large and the light that you shine can be seen.
I've been kissed by a rose on the grave,
I've been kissed by a rose (on the grave)
I've been kissed by a rose on the grave,
... And if I should fall along the way
I've been kissed by a rose
... Been kissed by a rose on the grave.

Baby,
I compare you to a kiss from a rose on the grave.
Ooh, the more I get of you
Stranger it feels, yeah
Now that your rose is in bloom,
A light hits the gloom on the grave.
Yes I compare you to a kiss from a rose on the grave
Ooh, the more I get of you
Stranger it feels, yeah
And now that your rose is in bloom
A light hits the gloom on the grave
Now that your rose is in bloom,
A light hits the gloom on the grave.


Seal

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dor e passado

Como dói ser passado
o passado quando melhor que o presente
isso me deixa doente
um pouco mais isolado

eu me sinto afundando
num sistema de dor
sem cor
mundano

a beleza em mim não vigora
talvez em algum tempo
como fora outrora

eu apenas descanso meu intelecto
em um corpo esguio
um coração epilético

um ponto no poente
um ponto sentado e ausente
a observar
o sol se por
na beira do meu lamentar

e eis que surge oceano latente
uma batalha de estandartes ao tilintar
do gigante tridente
que por ele como flecha vem a rasgar

eis que rasga meu coração
rasga as nuvens da minha contida
imaginação

as palavras são duras
e duras são as palavras
o sorriso ainda perduras
então erguem-se as balaclavas

um caminho sem fim
sem começo
em mim

entre o sorriso e o açoite
entrego-me a noite
a luz do luar
me permita apenas um pedido eu imploro
me deixem sonhar.



Chris 
>> Disponível em http://chris-christianthomas.blogspot.com.br/2013/03/dor-e-passado.html

Placeless

I just needed to find my place,
Though as harder I try
The less I can find.

Can't feel better in the crowd,
Just seem to drown in every dark cloud
And wonder what is wrong,
Where may I belong?


Jejels, 01/04/2013