sábado, 22 de junho de 2013

Haikai 1

Ver são ou
Ver-me
Verme?



Jejels, 19/06/2013.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Les Amants (Magritte, 1928)




Os amantes se amam cruelmente 
e com se amarem tanto não se veem. 
Um se beija no outro, refletido.

Carlos Drummond de Andrade
(trecho de seu poema, Destruição)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Miguel Ângelo

Vivo de minha própria morte.

Michelangelo

Esquilo não samba




Muito prazer,

Eu sou você amanhã
Só não me apresentei antes 
Por medo de desmotivar.

Eu sei que é triste
Mas não se deixe abalar
Terá dias bons
Cujo número eu posso contar.

Muito prazer,
Eu sou você amanhã
Só não me apresentei antes 
Por medo de desmotivar.

Não vou mentir
Na sua média você será 
Medíocre.
Não vou mentir
Na sua média você será...

Mediocridade
Eu sei o quanto eu sinto saudade
Mediocridade
Eu sei o quanto eu sinto saudade

Do tempo em que eu me achava esperto
Do tempo em que eu esperava dar certo
Do tempo em que eu me achava

Não quero te iludir
Não quero te enganar
Não quero te iludir

Você está 
Desperdiçando o que era pouco
Muito pouco, quase nada
E está para acabar
Acabar.




Móveis Coloniais de Acaju.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Clamor em soneto

Nenhuma resposta:
O vazio bate à porta
Em forma de silêncio.

Adentro, nada mais ecoa,
Palavras de intenção boa,
Mas que não valem nada.

Persistência guerreira
Desmorona na areia
Após tanto lutar
Sem saber onde chegar.

E sem rumo, resta-me o zênite,
A espera por uma estrela cadente,
Um guia, uma luz no escuro
Que mostre mais que o vácuo em minha alma.



Jejels, 05/06/2013.

As últimas certezas

Antes no silêncio...
Antes só que nesse fogo cruzado de palavras. E aguentarei até o fim perante os olhos alheios para logo em seguida desmoronar na solidão de meu quarto. Entregar-me à escuridão de bom grado, acolhida pela tristeza que sempre será minha companheira. A cada frustração, mais uma veia estourada, mais um laço de felicidade rompido - estão-se esgotando. E quem se importa se choro o sangue bombeado por meu coração partido? Quem se importa se caio sobre meus joelhos já estourados pelo estresse físico
e abalados, sem forças pelo desgaste emocional? Quem se importa se na vida sou ninguém, se no fim não tenho nada? Quem se importa se não tenho mais nem a mim mesma, se me perco
no vazio de uma alma desesperada? Quem se importa se meus sonhos se despedaçam de forma que não sei mais do que são feitos? Quem se importa se perco minha identidade junto à ínfima força que me resta, aquela com a qual lutei por algo que já não sei mais o que é? Futuro? Que futuro haveria para alguém que já não pertence a si? Alguém que já perdeu sua identidade, o bem mais precioso que se pode ter? A certeza de si... certeza? Só me restam duas: a dúvida e a morte.
E rezo para que haja solução antes que a primeira me leve à segunda - se é que se pode chamar de vida o que estou tendo agora.


Jejels, 05/06/2013.

Incógnita

Fui uma boa garota.
Não fumo, não bebo, não uso drogas.
Sou de classe média e meus pais me dão amor.
Fui boa aluna e sempre tirei boas notas.
Gosto de praticar esportes, de arte, de música, de cinema, de literatura, de poesia.
Passei no vestibular para uma universidade federal.
E continuo sem futuro.
Sem saber a minha vocação.
Sem saber o que eu sou.




Jejels, 05/06/2013.

Monocromia opressora

Paredes de concreto,
Um invólucro branco
Sem a macula do pranto
Ou o riso, o afeto.

Uma casca indiferente,
A palidez aparente
A se impor à visão
E ao meu coração.


Jejels.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um Só



Eu pensei direito
Fiz uma pesquisa
Eu li a respeito
E a gente é um só
Eu nos vi no espelho
E contei nossos dedos
Não fica vermelho
A gente é um só
Sem você, eu sumo
Eu morro de fome
Eu perco meu rumo
Eu fico menor
Eu tenho o seu gosto
Eu sou do seu jeito
A cor do seu rosto
Eu já sei de cor
Mas se você planeja
Nos partir ao meio
Então nem pestaneja
E faça sem dó
O meu desespero
É que quando acaba
Você fica inteiro
E eu fico o pó.




Clarice Falcão.