quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Idílico

Engraçado que tenha sido tão fácil
E como tudo aconteceu tão rápido.
Como se já o conhecesse antes,
Como conectados mesmo distantes.

Engraçado como afinidades irmãs
Fazem-me esperá-lo todas as manhãs,
Uma razão a mais para ir além,
Reviver os prazeres de descobrir alguém.

Engraçado como parecem não me bastar
Os dias da semana que temos a compartilhar,
Mas quando, longe, consigo seu tempo,
As palavras parecem sumir num lamento.

Engraçado ter a surpresa de vê-lo
E desarmar-me de defesas perante seu zelo,
Rir dos erros, das adversidades...
Ver crescer em confiança, nova e sincera amizade.

Jejels, 22/09/2014.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sobre pessoas de ponta-cabeça

Contração - 
Toque após tomada de decisão.
Num momento, o medo,
Mas ao mesmo tempo, impotência.
Não há força que convença
Nem tempo de voltar.
De repente, o mundo a girar,
O medo a se esvair
E eu a...
Rir.
Cada vez mais alto,
De cabeça para baixo,
Mundo a recolorir.


Jejels, 22/09/2014.

Peaceless

Sometimes things turn wrong
And I don't know how or why,
It feels I'm falling down from the sky,
But I've got to stay strong.

Sometimes love seems to fade
From the hearts I thought were pure
And I feel I'm to blame
For I don't know anymore what's true.

And I close my eyes and make a wish
That I could find a better place,
That somewhere would be a smile on my face
And I could feel once again what's peace.


Jejels, 17/09/2014.

domingo, 21 de setembro de 2014

Agora vejo

O que vejo agora,
O que parecia impossível,
Amigos reunidos e uma bola,
Jogo de entrosamento infalível.

O que vejo hoje
Momento precioso,
Sorriso em meu rosto,
A felicidade antes tão longe.

O que vejo, enfim,
Realização de um desejo,
O presente momento, hoje vejo
Um caminho a se abrir sem fim.


Jejels, 17/09/2014.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Como um milagre

É como um milagre,
Partículas de chuva em agosto,
O sentimento estampado em teu rosto
Finda o tormento da seca em meu coração.

É como um milagre,
Olhos de caramelo derretido
Como páginas abertas de um livro
Arrancam-me lágrimas de emoção.

É como um milagre,
O coração a palpitar
Torna-se meu alimento, meu ar,
Um alento que no horizonte desponta.


Jejels, 02/09/2014.

Um do Outro

Haverá dias em que falaremos aos montes
outros se limitarão aos dizeres cordiais
em circunstâncias nosso silêncio resolverá diferenças
só não deixemos de trazer uma vida de interação
por distâncias que irão surgir em dias comuns
pela união que chegará a dias tão poucos
existirá sempre o motivo para não deixar
o silêncio ser maior, a distância imperativa
a vida pode ter nossa força em suas variadas nuances
basta sabermos um do outro.


Igor Melo
(retirado de 
http://igormelofisi.blogspot.com.br/ )

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Importunadora

Palavras-sentimento
Causando tormento,
Desacelerando o tempo...

Saem às vezes sem julgamento,
E parecem estúpidas em minha boca,
Fazem que eu pareça louca,
Escrava de ondulante temperamento.

E assim, bagunço a noite, 
Causo mais chateação,
Sinto sangrar meu coração.

De tanto falar, causei cansaço,
Deixei afrouxar o laço
E então percebi a noite amarga...
Insônia, solidão e culpa em descarga.


Jejels, 26/08/2014.

Hoje

Tempo:
Areia movediça,
Da vida, a premissa,
E uma sentença mortífera.

O que são nossas vidas
Se não o que fazemos dos dias,
Como experimentamos cada momento,
O que fazemos com nosso tempo?

E tão escasso tem sido,
De tarefas e trabalho, preenchido,
Que causa esse enorme desconforto:
A qualquer momento, se pode ser morto.

E se hoje meu tempo se esgotasse,
Diria que valeu o que vivi?
Se hoje meus olhos se apagassem,
Diria que foi feliz?


Jejels, 26/08/2014.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Delírio de amor

Por que não consigo dizer,
Não consigo entender
O que se passa em meu próprio coração?
A razão num confronto insólito.

Teus lábios tão próximos,
Consolidam-se como meu eterno ópio,
Entorpecem minha alma,
Entregue na palma da tua mão.

A penumbra cobre teus traços,
Passo a delinear teu corpo nas sombras,
Enquanto teus olhos se destacam,
Aplacam – um par de diamantes que me sonda.

E sinto apenas tua respiração,
Declaração do diafragma a soar,
A voar, minha consciência vaga...

A essência do amor me faz delirar.


Jejels, 31/07/2014.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Fantasia em soneto

Meus olhos não me obedecem,
Os músculos não relaxam,
Lúdicos impulsos florescem.

Pensamentos turvos
Surgem vinculados a você
Enquanto não durmo.

Um querer profundo,
Porém, soturno,
Por saber de sua impossibilidade
Em meio à minha instabilidade.

Uma lembrança branda,
O que restou de nós,
Último suspiro que encanta,
Último lírio de pétalas brancas.


Jejels, 19/09/2012.

sábado, 26 de julho de 2014

Sábado de saudade

O frio sopra as árvores,
Mas não a saudade.
A saudade tem raízes pulsantes
E sangra sem cessar
A cada sol gelado,
A cada gota de suor,
A cada banho quente.


Jejels, 15/02/14.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Asas de fênix em nuvem

Um pássaro laranja corta o céu,
Um pássaro de fogo rasga o azul,
Desperta a vida do mausoléu,
Levanta liberto, livre, nu.

Um pássaro abre as asas em chamas,
A visão do renascer perante o pôr-do-sol,
O dia termina com um novo panorama.

Eis que abraço a visão chamuscada
Pois meu coração se identifica com a ave
E suas batidas pulsam em disparada
Ansiando alcançá-lo.

E salto em direção ao azul
Sem me preocupar em cair no abismo,
Agarrando-me à fênix de meu onirismo.

Jejels, 17/10/2012.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Saudosa

Que doloroso um coração quente,
Machuca seu pulsar,
Que em cada lugar encontre alguém para amar.

Uma família que cresce,
Como é doce nos enlaçarmos,
Como é feliz nosso riso,
Mas como dói o adeus da partida,
Como fere a ausência de pessoas tão queridas
Que em minha dificuldade, me suportaram
E em minhas conquistas, comemoraram,
Que seguraram minha mão no escuro,
Ensinando a encarar o novo,
Mostrando outro lado do que já era conhecido.

Que doloroso meu coração quente
Que se põe a chorar
Lágrimas de saudade
Pois já não posso mais ficar.

Momentos raros pude viver
E novos lugares conhecer,
Pessoas com quem aprender.

Que doloroso meu coração quente,
Pois a saudade machuca-me tanto...

Como é bom ter esse amor,
Como é difícil dizer adeus.

Que doloroso meu coração quente,
Mais uma vez aperta no peito...
Certamente dará um jeito
De transformar esse adeus em um 'até breve'.


Jejels, 02/03/14.

domingo, 6 de julho de 2014

Mais uma despedida

Queria que seu beijo de boa noite não tivesse pressa...
Queria que a noite fosse mais espessa.

Queria que sua presença doce permanecesse
Num tempo em que sua textura não mais se perdesse.

E que eu pudesse alcançar
- e só assim me acalmar -
Suas mãos, seus olhos, sua respiração...
Sentir meu o seu coração...


Jejels, 06/07/2014.

sábado, 5 de julho de 2014

Telepatia

Pensamento,
Um tempo
Sem lamento
Em que o vento
Sopra lento
E me contento
Por um momento
(ao menos tento).


Jejels, 02/07/2014.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Buraco negro

E se busco ao redor e o que vejo é podridão? Um erro propagado que quase não se pode mais consertar. Alienação que se espalha como pandemia - um vírus sem rosto. Almas perdidas em um mundo virtual que não lhes dá dignidade. Um mundo em que a verdade se esconde por debaixo de infinitas camadas, como as pessoas se escondem com suas mil armaduras de ego. Não há mais humanos. Não. São engrenagens propagadoras do mesmo vírus que desconhecem. E cada vez mais eficientes em dar continuidade à máquina de infelicidade. As pessoas já não reconhecem seus irmãos. São isoladas, refugiam-se na solidão, pois a opressão é tão grande que toma-lhes o tempo e a sanidade...tornamo-nos escravos. Usamo-nos uns aos outros como objetos descartáveis. Mostramos máscaras, perdemos nossa identidade. Não há mais essência! Mostro uma fachada ao outro, uma ideia, uma imagem na vitrine. E por ser assim, não confiamos mais em ninguém. Não ouso mostrar minha verdadeira face. E com o tempo, nem me lembro mais de como ela é.
Falam de amor, mas morrem no egoísmo, pois esperam por um serviço, não por um relacionamento. Veem-se as partes, mas não o todo, e ao sinal do primeiro problema, jogamos tudo no lixo. Jogamos e somos jogados. E todos sofrem ao seu modo, mas estão todos tão centrados em sua própria dor, que são incapazes de olhar ao redor e pensar que juntos poderíamos dizer um basta e pôr um fim a essa loucura.
Olho ao redor e me vejo cercada de pessoas vazias. E tremo de medo ao me olhar no espelho e perceber em mim igual vácuo escabroso...


Jejels, 02/07/2014.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Have you ever been in love?

“Have you ever been in love?
Horrible, isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens up your heart and it means that someone can get inside you and mess you up. You build up all these defenses, you build up a whole suit of armor, so that nothing can hurt you. Then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life... You give them a piece of you.
They didn't ask for it.
They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn't your own anymore.
Love takes hostages.
It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like "maybe we should be just friends" or "how very perceptive" turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind.
It's a soul-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain.
I hate love.”

Neil Gaiman, The Sandman, Vol. 9: The Kindly Ones.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Invasão de saudade

Um mar de quilômetros de silêncio,
Uma montanha de tarefas de distância.

Esperança - uma rosa no deserto
Murchando na seca da tua ausência.


Jejels, 21/06/2014.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Crepúsculo de uma terça-feira

O dia esfria e esmaece à minha volta.
Falta a essência do riso,
Falta ao jardim, a rosa.
Falta teu perfume aqui,
Falta teu calor em mim.
Falta o abraço aconchegante,
Falta o apaixonado amante
Para dar sentido ao tempo
E para não me deixar
Desintegrar e me perder com o vento.


Jejels, 25/03/2014.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sonhar contigo

Sempre que estou sozinha com você,
Não há limites, não há feridade,
Não há palavras partidas.

Sempre que estou sozinha com você,
Não há cantos escuros,
Não há censuras ou muros.

Sempre que estou sozinha com você,
Não há correntes ou mordaças,
Seu amor me dá asas.

Sempre que estou sozinha com você,
Não há transtorno, não há briga
E jamais estarei perdida.

Sempre que estou sozinha com você,
Não há tempo, não há espaço,
A realidade se dissolve em nosso laço.

Sempre que estou sozinha com você,
Desprendo-me de mim,
O mundo são seus braços.

Sempre que estou sozinha com você,
Não há aflição, não há segredo
Que não se resolva com um beijo.

Sempre que estou sozinha com você,
Não há cobranças, não há dívida.
Sempre que estou sozinha com você,
Sei que é você a minha vida.



Jejels, 07/05/2014.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Treze versos mais teus

Manhã que desperta,
Teus olhos se abrem.

Mais sonhos germinam,
Teus braços se abrem.

Matizes desbotam,
Teus dedos colorem.

Má sorte se espalha,
Teus pensamentos combatem.

Maré nos separa,
Teus versos nos unem.

Manha que mima,
Teus cabelos embaraçam.

Máquina que bombeia
Teus sentimentos em meu peito.

Malícia que contrasta com
Teus princípios de pureza.

Margaridas que perfumam
Teus jardina imaginários.

Magnitude que caracteriza
Teus efeitos sob minha pele.

Materialização do desejo,
Teus músculos me envolvendo.

Mapa da felicidade,
Teus pés a guiar os meus.

Magia inigualável - 
Teus lábios pousados nos meus.



Jejels, 28/04/2014.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Teimosia

Would the world be so cruel? Even the ones you love? How can they throw such words to you, crucify your sadness, step on your broken heart?

E ainda dizer que é teimosia, a minha tristeza. Como se eu escolhesse estar assim... e dizer palavras duras sem piedade, verdades cruas e pontudas enquanto vejo as pessoas se afastarem. Não, não posso acreditar que seja verdade o que ouvem meus ouvidos, o que sangra em meu coração. Não posso crer que tudo o que vai fazer é dizer "eu sei que é difícil",  acompanhado de um "mas" que antecede uma enxurrada de exigências que simplesmente ignoram o meu estado de espírito. Será assim tão difícil de entender? Será que não há mesmo uma empatia sequer que ajude a entender do que eu preciso? Por que estou agindo assim? Não... acho que não... porque aquela insistente diferença no âmago, na essência... aquela diferença é um muro que obstrui a visão completa do que se passa em mim. Não pode compreender porque não tem espírito irmão ao meu... e coisas assim são praticamente imutáveis.



Jejels, 12/04/2014.

domingo, 4 de maio de 2014

Calado

Silêncio - o avassalador e eloquente equivalente ao vazio.
As palavras não têm mais espaço entre nós. Tu não as têm em teus lábios, em tua mente em teu coração. Talvez o assombroso escuro em meus olhos as tenha afogado. Talvez apenas não haja compreensão, não haja resposta ao vírus encravado. E, neste dia em que tua mão descansa imóvel ao lado da minha, teus lábios se calam, esmaece a magia. As estrelas que nos levei para ver estão invisíveis atrás da janela e não há nada além de um corredor vazio, de paredes nuas e frias - um refúgio-calabouço, uma prisão concentida.
E tudo em mim aperta, dá nós em minha garganta, esmaga meu peito, transborda quente pelos olhos opacos. A mão que acariciava teus cabelos (pois apesar de tudo, era eu quem estava a afagar-te) perdeu os últimos fios de força. E em resposta aos abalos sísmicos internos e ao externo que me engolia, só pude me encolher, impotente, e ver-te partir novamente.


Jejels, 04/05/2014.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Regador

Macio acolhimento,
Cinco toques em minha mão
Desmancham o tormento.

Terno reflexo,
Um par deles, diretos,
Viram-me ao avesso.

E cálido apego,
Esse súbito selo
De um desejo aceso.

Sutileza da rosa,
Um desabrochar,

Recomeçar...


Jejels, 27/04/2014.

sábado, 26 de abril de 2014

O espelho

Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo. Surpreendo-me, porém, um tanto à parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja, na verdade — um espelho? Decerto, das noções de física, com que se familiarizou, as leis da ótica. Reporto-me ao transcendente, todavia...
O espelho, são muitos, captando-lhe as feições; todos refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com aspecto próprio e praticamente inalterado, do qual lhe dão imagem fiel. Mas — que espelho? Há-os bons e maus, os que favorecem e os que detraem; e os que são apenas honestos, pois não. E onde situar o nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade? 
Como é que o senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível? O senhor dirá: as fotografias o comprovam. Respondo: que, além de prevalecerem para as lentes das máquinas objeções análogas, seus resultados apoiam antes que desmentem a minha tese, tanto revelam superporem-se aos dados iconográficos os índices do misterioso. Ainda que tirados de imediato, um após outro, os retratos sempre serão entre si muito diferentes. E as máscaras, moldadas nos rostos? Valem, grosso modo, para o falquejo das formas, não para o explodir da expressão, o dinamismo fisionômico. Não se esqueça, é de fenômenos sutis que estamos tratando. 
Resta-lhe argumento: qualquer pessoa pode, a um tempo, ver o rosto de outra e sua reflexão no espelho. O experimento, por sinal ainda não realizado com rigor, careceria de valor científico, em vista das irredutíveis deformações, de ordem psicológica. Além de que a simultaneidade torna-se impossível, no fluir de valores instantâneos. Ah, o tempo é o mágico de todas as traições... E os próprios olhos, de cada um de nós, padecem viciação de origem, defeitos com que cresceram e a que se afizeram, mais e mais. Os olhos, por enquanto, são a porta do engano; duvide deles, dos seus, não de mim. Ah, meu amigo, a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz brecha para rir-se da gente...
Vejo que começa a descontar um pouco de sua inicial desconfiança quanto ao meu são juízo. Fiquemos, porém, no terra a terra. Rimo-nos, nas barracas de diversões, daqueles caricatos espelhos, que nos reduzem a mostrengos, esticados ou globosos. Mas, se só usamos os planos, deve-se a que primeiro a humanidade mirou-se nas superfícies de água quieta, lagoas, fontes, delas aprendendo a fazer tais utensílios de metal ou cristal. Tirésias, contudo, já havia predito ao belo Narciso que ele viveria apenas enquanto a si mesmo não se visse... 
Sim, são para se ter medo, os espelhos...


João Guimarães Rosa. 
O espelho. In: Primeiras estórias. Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. 2, p. 437-55 (com adaptações).

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Paixão onírica

Por que tens olhos tão doces
E a fisionomia tão bela?
E o beijo tão surreal... para onde fostes?

Tão confortante o olhar,
Mas meu coração faz desesperar
Quando percebo tua ausência.

Um nome, uma direção?
Não tenho uma única informação
Que me conduza de volta a ti.

Mistério que consome,
Faz-me sofrer tanto temor
De que não o encontre,
Irrealizado amor.

E no clímax de minha busca,
A luz do dia me ofusca,
A realidade a me tirar a fantasia,
O coração palpitando em agonia.


Jejels, 24/04/2014.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Don't say a word

Algumas feridas,
Minúcias ditas,
Melodias distraídas;

Alguns deslizes,
Dias infelizes,
Distrações motrizes;

Enfim, algumas cicatrizes
Formam marca na pele,
Quando o que se fere
Está além do visível...


Jejels, 10/04/2014.

Tempestade elétrica

Clarão,
Um rasgo no céu negro,
Um flash, revelação de segredo,
A natureza a surpreender o homem.


Jejels, 09/04/2014.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Questão de escolha interior

Tempo afasta,
Corrói,
Degenera,
Devasta.

Tempo acalma,
Constrói,
Aprimora,
Adoça. 

O mesmo tempo
- A diferença está por dentro.



Jejels, 12 de março de 2014.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Lendo as pétalas de perpétua

Brilho focal que se dispersou,
Vindo de duas órbitas agora distantes,
Flamejantes chamas de glória.

Indômitos impulsos,
Sentimentos irrepreensíveis,
Impossíveis encontros.

Uma selva de sensações,
Corações em conserva
No lapso da memória,
Fóvea no peito.

Embalam-me, passado,
Desejo e lembrança,
Esperança do ensejo...
Teu beijo apraz.


Jejels, 06/01/2013.