domingo, 4 de maio de 2014

Calado

Silêncio - o avassalador e eloquente equivalente ao vazio.
As palavras não têm mais espaço entre nós. Tu não as têm em teus lábios, em tua mente em teu coração. Talvez o assombroso escuro em meus olhos as tenha afogado. Talvez apenas não haja compreensão, não haja resposta ao vírus encravado. E, neste dia em que tua mão descansa imóvel ao lado da minha, teus lábios se calam, esmaece a magia. As estrelas que nos levei para ver estão invisíveis atrás da janela e não há nada além de um corredor vazio, de paredes nuas e frias - um refúgio-calabouço, uma prisão concentida.
E tudo em mim aperta, dá nós em minha garganta, esmaga meu peito, transborda quente pelos olhos opacos. A mão que acariciava teus cabelos (pois apesar de tudo, era eu quem estava a afagar-te) perdeu os últimos fios de força. E em resposta aos abalos sísmicos internos e ao externo que me engolia, só pude me encolher, impotente, e ver-te partir novamente.


Jejels, 04/05/2014.

Nenhum comentário: